Exclusivo – A Federação Nacional das Empresas de Saúde apresentou, em Brasília, a agenda Mais Saúde, com uma série de medidas com o objetivo de trazer novos usuários para a saúde suplementar. Em coletiva de imprensa, nesta manhã, João Alceu Amoroso Lima, presidente da entidade, disse que não haverá segmentação dos novos planos de saúde por doença, mas por terapias.

Vera Valente, diretora executiva da Fenasaúde, disse que a proposta da entidade é ter o foco na prevenção. “O projeto foca na Atenção Primária à Saúde, com melhor acesso com mais qualidade para o usuário. O equilíbrio econômico-financeiro pode acontecer com a volta dos planos individuais, com reajustes definidos a partir da variação dos custos assistenciais e a volta do escalonamento de aumentos por mais faixas etárias, com reajustes acima das faixas de 60 anos”, explicou.

Lima acrescentou que estes reajustes seriam escalonados a partir dos 59 anos, que nesta faixa podem chegar a 60%. “Não seria melhor ter um aumento de 15% aos 59 anos, 15% aos 65 anos, 15% aos 75 anos e 15% aos 80 anos?, questionou. Para ele, esta seria uma forma de diminuir a saída de pessoas idosas dos planos nesta virada dos 59 anos. Entretanto, isso depende de legislação específica.

Vera, em sua apresentação, disse que a modulação das coberturas, com maior rigor regulatório para coibir e punir abusos; racionalização da assistência, para evitar excesso de exames, com conscientização do uso por prestadores e consumidores, são sugestões do Mais Saúde. A agenda também sugere que os novos modelos de remuneração retiram o Fee for Service, migrando para a medicina baseada em valor, com melhores desfechos para o paciente.

“Por último, a incorporação de novas tecnologias, com mais critérios de custo-efetividade, com mesmo critérios utilizados no SUS, seria uma forma de conter os custos, o que traz mais competitividade para o setor”, acrescentou Vera.

Lima lamentou que nas últimas semanas criou-se um mundo imaginário na mídia com a notícia de que havia um documento secreto entregue aos parlamentares. “Não existe nenhum documento ou negociação paralela escondida, com fim dos direitos do consumidores, eliminação do atendimento a doentes crônicos etc. Isso não vale nada.”

O último documento foi entregue em 2015, com muitos pontos que já foram colocados em pauta. “Temos falado de modulação/ segmentação, que tem sido entendida de maneira errada. Não existe projeto para barrar enfermidades dos planos. Há subsegmentações nos modelos existentes, ambulatorial, hospitalar e com ou sem obstetrícia. Há distorções que ainda tiram o conforto do consumidor. Sugerimos dividir estes módulos em que as pessoas possam comprar planos que cubram apenas exames, ou consultas etc”, afirmou Lima.

Lima ressaltou que o setor não tem a ambição de resolver os problemas do SUS, mas quer trazer iniciativas que possam desafogar o SUS, com a integração com ele. Ele acredita que com as coberturas modulares precisará ser discutido como será o ingresso dos beneficiários no SUS após ter o diagnóstico no setor privado. “Este é o maior desafio”, alertou Lima, acrescentando que “a segmentação por terapia, que causou grande movimentação na mídia, é para que as pessoas modulem seus produtos de acordo com a necessidade, por exemplo, pela classificação de terapias. Não haverá segmentação por doenças”.

Kelly Lubiato, de Brasília/DF
Revista Apólice

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