Antonio Guzmán Córdoba

EXCLUSIVO – Apesar da maioria das mulheres terem um ginecologista como seu clínico geral, as doenças que mais afetam a população feminina envolvem também outras áreas da medicina. É o que aponta o resultado da pesquisa “Saúde Cardiovascular da Mulher Brasileira”, realizada pela Fundación Mapfre e a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), divulgada nesta quinta-feira, 26.

A principal conclusão do estudo mostra a relação entre doenças cardíacas e saúde mental, pois com a rotina muitas mulheres acabam lidando com altos índices de estresse e podem desenvolver ansiedade ou, até mesmo, depressão. Mundialmente, essas enfermidades são culpadas pelo aumento de duas a cinco vezes nas chances de infarto e Acidente Vascular Encefálico (AVE). Já no Brasil, a presença do estresse agrava em oito vezes as chances de uma brasileira enfartar, sendo quase o dobro de países como a Argentina e o quádruplo da Colômbia.

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A pesquisa também afirma que 51,6% das mulheres passaram por, pelo menos, uma situação de estresse no último ano, enquanto 37,3% dos homens apontaram alguma situação desse tipo. A periodicidade e a motivação desses eventos também foram avaliadas: 61,1% das mulheres responderam passar por estresse frequentemente no âmbito domiciliar, em níveis “moderado”, “intenso” ou “exagerado”. O dinheiro também é razão de preocupação frequente para 58,4% das entrevistadas no estudo, já para os homens o índice ficou em 52,3%.

Segundo o cardiologista Alvaro Avezum, diretor de Promoção e Pesquisa da Socesp, fatores de riscos devem ser levados em consideração ao avaliar a manifestação de doenças cardíacas. “90% dos ataques do miocárdio são previsíveis, desde que o estado emocional da paciente seja levado em consideração na avaliação médica. Obesidade, tabagismo, hábitos alimentares e consumo de álcool também aumentam a possibilidade de uma mulher sofrer um AVE”.

A Fundación Mapfre realiza o programa “Mulheres pelo coração”. O objetivo da ação é chamar a atenção para os riscos de doenças cardiovasculares, prestando diversos serviços como promoção gratuita de atividades físicas ao ar livre, exames preventivos, orientação médica etc. “Através de recursos didáticos e parcerias, apresentamos medidas para evitar que a maior causa de morte entre as mulheres afete mais pessoas no mundo”, ressaltou Antonio Guzmán Córdoba, conselheiro da entidade.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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