EXCLUSIVO- Os vínculos entre planos médico-hospitalares e pessoas com 80 anos ou mais é o que mais cresceu nos últimos 4 anos e meio. De acordo com análise da Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o número dos beneficiários nesta faixa etária pulou de 1,01 milhão, em dezembro de 2014, para 1,17 milhão em junho de 2019. A alta de 16,1% é equivalente a 162,8 mil novos vínculos.

José Cechin, superintendente executivo do IESS, atribui o crescimento da presença em planos médico-hospitalares ao maior cuidado que os idosos têm com a saúde. “O idoso é um usuário intensivo do serviço de saúde. Com a idade mais avançada, vão aparecendo mais problemas de saúde, o que acarreta em presenças mais constantes nos hospitais e procedimentos cada vez mais complexos”, explica. “Os idosos se sentem mais seguros com um plano de saúde. Eles possuem o acesso à tecnologia, o tempo de espera não é muito longo e, portanto, se sentem mais seguros”, completa.

A população idosa somava 9,7% em 2004, saltou para 13,7% em 2014 e a projeção é que em 2030 o Brasil terá a quinta maior população com idade superior de 60 anos, segundo o IBGE.

De acordo com a Agência Nacional de Saúde (ANS), o número de idosos com mais de 80 anos e clientes do convênio médico aumentou 62% nos últimos 10 anos. Apesar da alta, Cechin analisa que o produto tem espaço para crescer ainda mais. “Com o envelhecimento da população o plano de saúde pode crescer ainda mais. O envelhecimento requer um maior cuidado com a saúde”, relata.

Apesar do envelhecimento da população brasileira, muitos idosos ainda não saíram do mercado de trabalho. O número da população mais velha, acima dos 60, no mercado de trabalho saltou de 484 mil em 2013 para 649,7 mil em 2017. Uma das principais motivações que levam a retardar a saída do mercado está atrelada à falta de renda. A crise econômica e a alta do desemprego, que atinge 13 milhões de brasileiros, os obrigam a ajudar na renda familiar.

Imagem: G1

Além disso, o projeto de Lei (PLS 154/2017) prevê incentivos às empresas que contratarem idosos. Idealizado pelo senador Pedro Chaves (PSC-MS), o intuito é diminuir a taxa de desemprego entre a população mais velha. Com o estímulo, companhias começaram a criar vagas destinadas a este público.

Um outro fator que contribuiu com o crescimento do convênio médico foi a medida do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que em sua decisão ratificou que aposentados e desempregados, não demitidos por justa-causa, podem continuar ligados ao plano de saúde coletivo, caso tenham participado do pagamento mensal. A deliberação foi firmada em 22 de agosto de 2015.

José Cechin, superintendente executivo do IESS

A Reforma da Previdência, cujo o texto segue no Senado, visa aumentar o tempo de contribuição do trabalhador em até 65 anos para os homens e 60 para mulheres. Cechin analisa que o efeito da Reforma é positivo para planos de saúde. “A pessoa pode permanecer por mais tempo com plano. Por outo lado, se o contribuinte trabalha na empresa que não lhe paga o benefício, ele irá continuar com a renda, que é melhor do que a renda de aposentadoria. Portanto, com mais chances de acessar um plano de saúde”, conclui.

Gabriel Rocha 
Revista Apólice

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