Marc Wheeler, Dawna Capps-Evans, John Donahue e Patrick McManamon

EXCLUSIVO- Com o sugestivo título de “Cannabis e seguro: você não quer cortar isso pela raiz”, o ITC 2019 discutiu as oportunidades que surgem deste novo segmento que, aos poucos, vai sendo regulamentado nos Estados Unidos; 33 estados americanos já legalizaram a cannabis para uso médico, 25 para uso recreativo e 22 descriminalizaram o uso. É um setor que deve arrecadar US$ 47 bilhões de receitas em 2019. Entretanto, a Federação ainda trata a cannabis como item de posse recriminável. Este conflito entre leis estaduais e federais acaba desencorajando a atuação das seguradoras e resseguradoras.

Os riscos desta cadeia produtiva são os mesmos de outras ‘culturas’. São cobertas pelo seguro apenas as plantações controladas em estufas. A manufatura, embalagem, rotulagem e logística também envolvem riscos comuns ao setor.

Dawna Capps-Evans, diretora executiva da National Cannabis Risk Management Association, afirma que este setor, em breve, deve superar o faturamento das indústrias de álcool e tabaco. “Entrando cedo, teremos mais chance de concorrer com os grandes, porque teremos mais dados e informações sobre o setor”, avisou.

Porém a falta de dados ainda é um obstáculo para o desenvolvimento deste setor. “Hoje, é difícil precificar porque não temos volume de informações e dados. A conversa daqui um ano ainda será sobre a necessidade de cobertura, mas sem dados talvez estas empresas não ofereçam produtos”.

John Donahue, CEO da Topa Insurance Group, disse que quando começou a atuar no setor de cannabis tinha a impressão de que eram pessoas que andam de chinelo e gostam de fumar maconha. “Descobri que são pessoas sérias, que tem instalações de US$ 22 milhões e não encontram respaldo na indústria. Há muitos profissionais preocupados em entrar no primeiro nível de uma indústria que envolve milhões de dólares”, apontou.

Porém , ainda é difícil encontrar parceiros resseguradores para a colocação dos riscos, por isso, a fase atual da Topa é de ensinar os resseguradores sobre os riscos e os preços, educando-os a respeito deste setor. Por outro lado, como MGA’s, A Topa ensina seus segurados a encontrarem o produto mais adequado ao seu risco, o que eles precisam perguntar e entender para adquirir um produto adequado.

Para se ter uma ideia, não há cobertura para o transporte do produto. Como a regulamentação muda de um estado para outro, a produção acaba ficando confinada ao local de origem ou precisa de apólices de seguro independentes.

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O CEO da Cannasure insurance Services, Patrick McManamon, ressaltou que este é um setor em franca expansão, que está recebendo profissionais de outras áreas interessados em investir. “Nosso maior cliente é uma empresa de compliance, responsável por adequar os produtos às legislações locais.

Além disso, McManamon explicou que a rotulagem é diferente para cada tipo de uso (medicinal ou recreativo). “A de uso recreativo tem testes obrigatórios, embalagens com informações claras, a quantidade de THC tem que ser distribuída de forma equânime”.

Uma crise muito específica e preocupante é a dos vaporizadores. Alguns casos de síndrome respiratória foram relatados, mas não se sabe se está ligada a um tipo específico de aparelho, substância ou ingrediente usado em cigarros eletrônicos. Enquanto buscam respostas, as autoridades dizem que os consumidores devem considerar a possibilidade de evitar o uso de cigarros eletrônicos. “Porém, esta crise envolve produtos vendidos no mercado negro e não aqueles regulamentos”, salientou McManamon.

Há também várias discussões sobre o consumo em local de trabalho e a relação que possa vir a ter com acidentes nestes locais. Tudo muito novo.

Kelly Lubiato, de Las Vegas
Revista Apólice

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