“Não estamos na rabeira do desenvolvimento”. Assim, Gustavo Doria abriu o primeiro dia de um dos maiores eventos mundiais voltados para a tecnologia no mercado de seguros, o Insuretech Connect 2019. “O Brasil veio com uma delegação muito representativa do que é o mercado nacional, o que amplia as possibilidades de negócios para o nosso setor”, disse Doria. As palestras demonstraram o poder brasileiro. Empresas que atuam em vários mercados (EUA, Europa e Ásia) buscam parceiros para iniciar ou fortalecer a operação no País.

No início, Jonathan Kalman, fundador da EOS Venture Partners, reforçou como a sua empresa escolhe as empresas elegíveis para receber investimento. “Uma insurtech pode ser um modelo de negócios e nós, como investidores, queremos saber onde há um negócio para ser investido”, adiantou.

Kalman reforçou que foram investido US$ 12 bilhões de dólares em insurtechs. Apenas a Allianz pretende investir, sozinha, US$ 1,1 bilhão em insurtech, pela única razão de saber que vão ganhar com esta iniciativa. O importante é que eles estão levando as insurtechs a sério. “US$ 800 milhões é o valor que a Lyft, empresa de compartilhamento de transporte, tem de reserva porque a cobertura foi negada pelas seguradoras”, apontou Kalman.

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As empresas de capital de risco investem em empresas que podem ser lucrativas em médio prazo. “Na essência, capital de risco é investir em novas ideias”, reforçou Kalman.

Os critérios que definem onde as empresas de venture capital vão investir incluem o engajamento da equipe e a liderança do executante; o produto precisa ser inovador ou muito necessário; é preciso identificar as oportunidades do mercado; como será a feita a distribuição dos produtos; a economia etc. “É preciso ter muito clareza de que é preciso retirar pelo menos cinco vezes o valor investido”, ensinou Kalman.

Sobre o Brasil, Kalman explicou que há algumas coisas das quais os investidores gostam. Primeiro, é o tamanho do mercado; segundo, é o governo mostrando que está preocupado com políticas de longo prazo, além de ser um mercado de 200 milhões de pessoas, com estimativa de que 20 milhões poderiam ser bons consumidores de seguros. “Muitos dos seguros que serão comprados com produtos de afinidade, serão uma ótima oportunidade de relações com o consumidor”, esclareceu Kalman, completando que sem a internet este avanço não será possível.

Também participou desta abertura, Martin Crew, vice-presidente da eBaoTech, que apresentou seu modelo de escritório na nuvem, que já está sendo comercializado em vários países. Na China, já há seguradoras operando totalmente em nuvem.

Willian Powers, CEO da Cambridge Mobile Telematics, disse que pretende diminuir o problema da distração dos motoristas ao volante, motivados principalmente pelos telefones. “Como seres humanos, estamos condicionados a olhar o telefone toda vez que estamos parados. Nós temos que mudar nosso comportamento e a empresa está tentando eliminar estas distrações terríveis que tem impacto sócio-econômico muito significativo”. Ele acredita que a mudança deve acontecer através da educação do motorista. Sua empresa está procurando parceiros para se instalar no Brasil.

Chistropher McDaniel, presidente do The Institutes Risk Stream, apontou como o mercado possui oportunidades ligadas ao Blockchain. Ele também descreveu, novamente, três conceitos que definem o Blockchain: 1) fim das transações da forma como conhecemos, pois brokers, seguradoras, resseguradoras e clientes podem ter acesso às informações em um ambiente centralizado; 2) confiabilidade, pois os dados não podem ser manipulados, o que faz com que todos confiem no ambiente; 3) contratos inteligentes e totalmente digitais e automáticos.

Gustavo Doria e Caribou Honnig

Para terminar, Caribou Honnig, um dos idealizadores do Insuretech Connect, apontou novamente para a atuação dos corretores de seguros. “Não se enganem: não basta atender bem demais em aspectos que não importam. Há sempre uma forma certa de atender um cliente. Os brokers são as pessoas mais próximas ao consumidor, mas é preciso melhorar a distribuição para resolver o que o cliente espera, criando um produto mais específico para cada necessidade”.

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