EXCLUSIVA- O dia do Insuretech Connect – ITC 2019 começa cedo e é preciso ter bastante atenção para acompanhar a quantidade de informações espalhadas pelos corretores e palestras. Um dos destaques do manhã de ontem foi a fala da jornalista Kara Swisher, especialista em tecnologia e negócios, articulista do New York Times e uma das fundadores do site Recode.

Ela trouxe a visão de uma pessoa que está fora do mercado de seguros, mas que conhece tecnologia como poucos, pois cobre o Vale do Silício e acompanha as tendências mundiais e que serão importantes para mudar o futuro.

Kara salientou que há muito dinheiro sendo investido em empresas de tecnologia e que isso terá impacto para todos. Por outro lado, os gigantes como Amazon, Google e Facebook dominam a forma de interação humano e estão evoluindo o negócio de antecipação de desejo humano. “Você pode não saber o que você quer, mas estas empresas, com a análise do que você faz, como se desloca, como compra, com quem fala, podem antecipar seus desejos com a leitura dos dados (rastros) deixados em pontos conectados”. As empresas recebem muito dinheiro pelas informações que possuem sobre as pessoas. Estas, disponibilizam seus dados a troca de um desconto “qualquer”.

“As empresas estão abusando de seu poder de usar as informações dos clientes. Entretanto, não existe nenhuma regulação sobre a internet e as informações dos clientes são um produto para as empresas ganharem muito dinheiro”, disse Kara, acrescentando que é preciso pensar melhor na internet que queremos e como vamos reconfigurar o seu uso para a próxima década e qual será o impacto sobre nós. “Temos que pensar em como vamos proteger os seres humanos e em como vamos conter as mudanças climáticas”.

Ela lançou algumas mensagens pragmáticas, como ressaltar que a informação agora é o novo ouro, assim como os carros representam os cavalos do passados e as scooters são os tapetes mágicos do transporte. “As cidades foram configuradas para carros, mas isso deve mudar em 25 anos. Os problemas dos carros são as pessoas. Quando um carro autônomo sofre um acidente, milhões de unidade aprendem com ele e passam a evitá-lo. Quando tem um motorista humano envolvido, isso não acontece”, brincou.

Sobre as tendências para o futuro, algumas já são bastante conhecidas, porém terão impacto ainda maior, como a inteligência artificial, a utilização de robôs e a automação. Entretanto, o grande desafio deste século está ligado à mobilidade urbana. Drones devem ser o próximo passo para o deslocamento em curtas distâncias também. Kara avisou que as empresas do Vale do Silício estão, de certa forma, ‘embriagadas’ pela grande oferta de dinheiro o que acaba propiciando novas tecnologias disruptivas.

“O próximo trilionário do mundo será quem resolver as questões das mudanças climáticas”, destacou Kara. Para ela, no futuro, qualquer coisa que puder ser digitalizável assim o será. Portanto, uma série de carreiras irão desaparecer, trazendo uma nova característica para os profissionais: “todos precisarão ser multicarreiras. Os benefícios não seguirão mais as pessoas em seus empregos e os governos precisarão resolver como ofertar estes benefícios”.

Por isso, Kara acredita que o mercado de seguros do futuro precisa se reinventar. Com a queda da quantidade de veículos circulantes, este tipo de apólice também deve desaparecer. Porém, ela enfatizou que outros produtos devem surgir, até com certa expansão para o setor, que será vagarosa.

Kelly Lubiato, de Las Vegas
Revista Apólice

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