A redução dos custos dos planos de saúde é um objetivo comum dos beneficiários, das operadoras do setor e de toda a sociedade brasileira. A opinião é de Sandro Leal Alves, superintendente de Regulação da FenaSaúde, que participou no dia 15 de agosto de uma audiência pública no Senado sobre o tema “inflação dos planos de saúde”.

Em sua apresentação, Alves mostrou que as despesas das operadoras de saúde suplementar cresceram 135,4% entre 2012 e 2018. Os custos crescentes, de acordo com o superintendente, devem-se a fatores como o envelhecimento populacional, o avanço de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, a incorporação de novas tecnologias sem a devida análise da razão entre custo e efetividade terapêutica e o aumento da frequência de utilização dos serviços. “O Brasil é um dos líderes na realização de exames de alta complexidade”, exemplificou. “O preço e frequência de uso desses procedimentos têm efeito direto no crescimento da despesa assistencial e, consequentemente, no bolso dos consumidores”, esclareceu.

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“Muitos dos preços da saúde suplementar, como próteses implantáveis ou medicamentos de uso exclusivo em hospitais, não são capturados pelo IPCA”, explicou. Para Alves, o desafio do sistema de saúde é identificar os motivos pelos quais as despesas assistenciais se situam num patamar acima do poder aquisitivo dos consumidores. “É interesse de todos que os custos se tornem sustentáveis. No caso das operadoras, até para que novos consumidores consigam usufruir dos planos de saúde suplementar”, disse.

A audiência pública no Senado foi promovida pela Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização, Controle e Defesa do Consumidor. Além do superintendente, participaram do encontro Maurício Nunes da Silva, diretor-adjunto de Normas e Habilitação de Produtos da ANS; Ana Carolina Navarrete, pesquisadora do IDEC; e Carlos Octávio Ocké-Reis, economista do IPEA. A audiência foi mediada pelo senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL).

N.F.
Revista Apólice

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