EXCLUSIVO – “O tema da longevidade é transversal e temos que nos preocupar com ele desde que nascemos”, disse Monica Martins, gerente de comunicação da Mongeral Aegon. A seguradora promoveu o debate Inovação e Tendências, trazendo especialistas de áreas diferentes para pensar a longevidade. Além do auditório no Centro Cultural dos Correios,o público pode acompanhar o evento pela internet.

Henrique Noya, diretor executivo do Instituto de Longevidade da Mongeral Aegon, ressaltou que é preciso promover a longevidade com qualidade de vida. “É muito oportuno que isso aconteça no Brasil. Não basta pensar que já estamos vivendo mais, o que já é uma conquista social”.

Este viver mais está acompanhado de uma queda da taxa de fertilidade, o que é uma tendência no mundo. No Brasil, esta taxa é de 1,7, o que não garante a reposição da população. “Precisamos olhar a longevidade como um desafio de saúde, mobilidade urbana, trabalho, o habitar, as escolas para uma demografia diferente daquela que temos hoje. Vamos chegar à metade da população brasileira com mais de 60 anos em um curto espaço de tempo”, pontuou Noya.

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Será lançado neste ano a 2a. versão do Índice de Desenvolvimento Urbano para a Longevidade (IDL), o índice que é uma ferramenta objetiva para avaliar as cidades, o que funciona e o que falta para melhorar a qualidade de vida dos munícipes, o que pode ser um fator influenciador para as eleições municipais do próximo ano.

Clarissa Filgueiras, analista do Sebrae, mostrou que empreender na longevidade é uma das melhores formas de empoderamento. Ela avisou que estamos prestes a passar pela “Revolução Prateada”. A Pipe Social fez uma pesquisa que apresentou os 60+ com o potencial de 3a. maior economia do mundo. “Teremos que repensar as políticas públicas para pensar o mundo para os mais velhos. A OMS – Organização Mundial da Saúde – afirma que seremos um dos países com mais pessoas com mais de 60 anos no mundo”.

Já há estudos que mostram que a média de idade dos líderes de startups é de 42 anos no Vale do Silício. “Temos o hábito de achar que apenas os mais novos são empreendedores, o que é um erro”, avisou Clarissa. Os maior velhos empreendem por necessidade, mas é preciso lembrar que, muitas vezes, o financiamento do negócio é feito com as economias de uma vida. É preciso ter muita responsabilidade na gestão destes valores. Este empreendedorismo de necessidade acontece porque as pessoas entre os 50 e 60 vivem em limbo para a recolocação profissional, porque a pessoa é velha para o mundo corporativo e jovem para o Estatuto do Idoso.

A pesquisa GEM mede a facilidade de empreender e, a edição de 2018, mostra que 7% dos donos de negócios tem mais de 60 anos. Clarissa destacou que esta faixa de empresas são as que mais empregam. A baixa escolarização é um problema assim como a baixa informatização também nesta faixa etária. O Sebrae precisa olhar para a capacitação e para a inclusão digital.

Agora, cabe à sociedade buscar novas soluções para atender as necessidades do público maduro. No Brasil, já está presente a Aging 2.0, uma entidade com objetivo de identificar as soluções de tecnologia para atender as necessidades da população 60+.

“A nossa missão é identificar e estimular startups para o desenvolvimento de empreendimento que possam ser exportados”, explicou Sergio Duque Estrada, representante da entidade no Brasil. Já está acontecendo a segunda edição de uma premiação que visa identificar as startups com potencial para serem aceleradas. “Os vencedores serão anunciados em uma feira para a longevidade, que será realizada durante três dias, em São Paulo. O Brasil está engatinhando no tema, porque o País sempre se achou um lugar de jovens. Entretanto, estamos caindo na real. Em 2050, seremos o 4o. pais mais idoso do mundo. Temos uma taxa de aceleração do número de idosos muito maior do que a experimentada por países europeus”, analisou Estrada.

Esta falta de preparo se reflete na ausência de políticas públicas, nem investimentos privados, que priorizem os 60+. O jovem tem a aptidão tecnológica, que falta aos maduros por falta de convívio no dia a dia; os maduros possuem a capacidade de gestão do negócio, que coloca o compliance em ação para o amadurecimento do negócio. A união dos dois fatores é que será mais interessante para a sociedade. “Os mais maduros e a mulheres estão procurando fazer negócios para as pessoas com mais idade”. Estrada analisou que a questão e o cuidado da saúde e da prevenção precisam começar antes.

Mavi Delícias

Patricia Braga é uma empreendedora de 53 anos. Após trabalhar anos a fio no mundo corporativo, como secretaria executiva e gerente executiva, se viu desempregada aos 50 anos e sem oportunidades de trabalho por conta do preconceito contra sua idade.

Ela contou que após sobreviver ao “luto” do desemprego, conseguiu repensar sua atuação profissional e passou a estudar as oportunidades. Passou pelo Sebrae, pelos cursos gratuitos, presenciais ou a distância. Teve que vencer também a barreira da vergonha de começar a colocar a ‘cara’ na rua.

Agora, com um negócio que caminha bem, que começou a funcionar atingindo o público próximo, ela já pensa em expansão. Porém, Patrícia avisou que o início é um exercício de desprendimento: “temos que aprender a viver com menos, porque o salário de R$ 30 mil não existe no empreendedorismo, não como estávamos acostumados. Entretanto, podemos transformar o nosso antigo “hobby” em trabalho. O mais importante é que temos que investir em uma coisa que gostamos, que nos dá prazer”.

Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro
Revista Apólice

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