O sistema de seguros de vida na América Latina ainda está em desvantagem em comparação a países de outros continentes como Europa, Ásia e América do Norte. No Brasil, por exemplo, ainda é um produto consumido em percentuais insatisfatórios: a receita apurada foi de 6,52% correspondente ao PIB, enquanto em outras nações este percentual chega a alcançar o dobro (seguros + previdência + capitalização). As pessoas fazem seguro da residência, do carro, da empresa e não têm o hábito de fazer seguro para a própria vida. Isto demonstra que não está na nossa cultura adquirir seguro de vida como forma de deixar herança para os familiares, nem há a preocupação com o futuro nos casos de invalidez. Ou seja, temos um baixo nível de consumo e um vasto campo a ser trabalhado.

Análises do setor constataram que com algumas ações é possível melhorar o índice de venda de seguros e o ressegurador tem um papel preponderante nesse processo, seja no desenvolvimento de produtos, ajudando na divulgação deles no mercado, no treinamento de funcionários das seguradoras, bancos e corretoras, no que diz respeito ao conhecimento do produto e técnicas de vendas, assim como disponibilizando suporte financeiro para a seguradora.

(FOTO: Divulgação IRB) Gustavo Garcia Freire

A divulgação dos produtos no mercado permite que os consumidores conheçam a marca e o que está sendo vendido. A disputa é acirrada e para vencer neste ambiente de forte competição, antes de tudo, é fundamental tornar a empresa e seus produtos conhecidos pelos potenciais compradores. A divulgação permite criar uma imagem positiva na mente dos consumidores atuais e daqueles em potencial, ou seja, coloca a companhia como elegível para atender as necessidades do comprador. Além das influências do macroambiente, a opinião de um consumidor é formada pela maneira como a empresa faz a sua divulgação, somadas as suas experiências com o produto e as recomendações de pessoas próximas.

Neste contexto, o seguro de vida apresenta características que facilitam a sua comercialização. A seguir, há bons argumentos:

I – Os seguros são customizáveis e podem resguardar empreendedores

Mesmo pessoas que têm boa renda e um grande patrimônio fazem seguro de vida. Ou seja, mesmo podendo cobrir quaisquer gastos com saúde ou educação e sendo capazes de deixar uma herança para a família, essas pessoas se protegem. Os seguros de vida têm a facilidade de não entrarem em inventário, por exemplo, liberando recursos rapidamente para a família depois da morte do segurado. Se o segurado tiver boa parte do seu patrimônio em imóveis, o seguro de vida pode ser interessante para os herdeiros terem dinheiro em mãos para pagar o imposto sobre a transmissão de herança. Empresários e outras pessoas que costumam arriscar parte do seu patrimônio pessoal também fazem seguro de vida, justamente por tomarem risco. Assim, ao menos a família fica resguardada.

II – Você consegue fazer um seguro de vida mesmo se tiver problemas de saúde ou fumar

Nesses casos você consegue sim fazer seguro. A dificuldade é que você pode não obter certas coberturas ou algumas delas ficarão mais caras. Certas coberturas podem ser negadas no seguro de vida se a pessoa tiver alguma doença grave ou uma combinação de fatores de risco, como hipertensão, obesidade e pré-diabetes.

III – Pessoas solteiras ou sem dependentes podem precisar de seguro de vida

Mesmo sendo solteiro e não tendo filho, pode ser uma boa ideia fazer um seguro de vida. Primeiro porque, dependendo das suas reservas, um seguro contra invalidez temporária ou permanente pode ser fundamental. Esta cobertura é comercializada isoladamente, mas também pode ser obtida em um seguro de vida. Em segundo lugar, a veracidade dessa afirmativa também depende dos seus planos futuros. Se você não pretende ser um solteiro convicto, se deseja se casar e talvez ter filhos, você deve planejar isso desde já. A pessoa precisa pensar onde ela quer estar no futuro. Um solteiro pode conseguir boas coberturas por um bom preço enquanto ele ainda é jovem e saudável, que talvez não consiga mais adiante, se decidisse fazer o seguro após descobrir algum problema de saúde. O jovem que pretende ter filhos no futuro pode até contratar no seguro de vida uma reserva para educação resgatável em vida, planejando o estudo deles desde cedo.

IV – Seguro de vida da sua empresa pode não ser suficiente

Muita gente tem a oportunidade de fazer um seguro de vida por meio da empresa onde trabalha. É um dos benefícios que as companhias costumam oferecer aos funcionários. Mas é um erro achar que esse seguro coletivo é suficiente. É preciso verificar se ele realmente atende às suas necessidades. Podem faltar coberturas importantes e o valor delas pode ser baixo. O principal, no entanto, é ter em mente que, se você for demitido ou decidir sair do emprego, você perde o seguro de vida junto. E dependendo da sua idade e condição de saúde, fazer uma nova apólice pode sair caro em comparação ao que seria caso o seguro tivesse sido feito mais cedo.

V – Seguro de vida não precisa ser caro

O fato de um seguro de vida ser caro ou barato vai depender mais da necessidade do produto do que de outros fatores. Você pode precisar de um veículo para deixar recursos imediatamente acessíveis à sua família após a sua morte ou ter filhos pequenos que precisem ter toda a sua educação custeada caso você venha a faltar. Os seguros de vida podem ser desenhados para diferentes tamanhos de bolso. Além disso, há formas até de driblar os altos custos. Por exemplo, alguns segurados que ao chegar a uma idade mais avançada, com um maior custo de seguro de vida, propuseram aos filhos que partilhassem o valor do prêmio. Como eles seriam os beneficiários da quantia segurada, os filhos concordaram que seria uma forma interessante de investir no seu futuro, por um custo que ficou baixo para cada um.

VI – O seguro de vida não é só para a morte

O seguro de vida não é só para a morte, mas também para cobrir a vida. Hoje em dia os produtos podem oferecer inúmeras coberturas, muitas das quais possibilitam o resgate dos recursos pelo titular ainda em vida. Os seguros de vida comumente trazem cobertura para outros eventos complicados, como invalidez temporária (que deixa o segurado um tempo sem trabalhar e, consequentemente, sem gerar renda) e invalidez permanente. Seguros que oferecem cobertura para doenças graves ou para doenças terminais, por exemplo, permitem o resgate de uma determinada quantia caso o segurado passe por uma dessas situações. Neste caso, ele pode usar o dinheiro como bem entender, como custear viagens para se tratar ou providenciar recursos que o deixem mais confortável. Também, de forma inversa, o seguro pode ter cobertura para sobrevida, caso o segurado viva mais do que sua expectativa inicial, fazendo com que os recursos que acumulou ao longo da vida se tornem insuficientes.

* Gustavo Garcia Freire, especialista em subscrição do IRB Brasil RE

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