A acentuação da desaceleração da economia mundial fez o Serviço de Estudos da Mapfre revisar as projeções do relatório “Panorama Econômico e Setorial 2019”, publicado pela Fundación Mapfre.

De acordo com a pesquisa, os principais fatores que explicam esse arrefecimento econômico desde o segundo semestre do ano passado são a perda de dinamismo na Zona do Euro; o impacto à China das medidas de normalização econômica e financeira e o fortalecimento do protecionismo norte-americano, que afeta não apenas o comércio, mas também o investimento em escala global.

Outro sinal de alarme é o aumento progressivo dos níveis de endividamento, tanto públicos como privados, que afetam em conjunto, mas desigualmente, diversas nações em diferentes níveis de desenvolvimento.

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Segundo o relatório, essa situação assume três formas: a dívida soberana elevada das economias desenvolvidas e das emergentes de menor tamanho; a alavancagem corporativa em crescimento, especialmente em dólares, num contexto de um ciclo descendente de matérias-primas e de baixas receitas para as empresas se autofinanciarem; e o ressurgimento da “dívida corporativa estruturada”, aquela fora do setor bancário.

No mercado segurador, essa desaceleração econômica global será transferida ao crescimento dos prêmios de seguros mundiais, especialmente nos segmentos de não-vida e vida risco, dada sua forte vinculação com o comportamento do ciclo econômico. Já os segmentos de vida, poupanças e anuidades tendem ser impactados pela flexibilização da política monetária pelo Banco Central Europeu, que não deve elevar as taxas de juros até 2020 e que não tomou qualquer decisão relativa à normalização das taxas de depósito, que ainda se situam em terreno negativo.

Economia e mercado segurador no Brasil

Para o Brasil, o Serviço de Estudos da seguradora manteve a projeção de PIB de 2,3% para 2019, apoiado no consumo privado, em investimentos e nas exportações – essas últimas favorecidas por um real desvalorizado em relação ao dólar.

Já as taxas de juros devem ficar em torno de 7% até o final de 2019 e chegar a 8% no ano que vem, graças à inflação nacional em torno de 4% e às taxas de juros nos Estados Unidos. Para a pesquisa, esse cenário levará a uma recuperação gradual do mercado de trabalho, permitindo um crescimento do PIB 2,6% em 2020.

Entretanto, o estudo alerta que para a melhora do cenário econômico, além da reforma da previdência, é necessário também avançar a agenda de privatizações e outras reformas estruturantes.

Para o mercado segurador local, esse momento é propício principalmente para o negócio de não-vida e de risco de vida. Se a inflação persistir nos níveis atuais (expectativa de 4,1% no fim de 2019 pelo Banco Central), isso poderá ter um impacto negativo no custo dos sinistros, corroendo a rentabilidade do negócio. Se a curva de juros livre de riscos continuar se deteriorando, haverá impacto nos seguros de vida –cuja estimativa de crescimento de prêmios para o ano é de cerca de 10,7%.

“O Brasil é um mercado importante para nossa companhia e estratégico para nosso desempenho internacional. A recuperação da atividade econômica, certamente impulsionará o mercado segurador local, que ainda tem grande potencial de crescimento”, afirma Fernando Pérez-Serrabona, CEO da empresa no Brasil.

O estudo completo está disponível em espanhol ou em inglês.

N.F.
Revista Apólice

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