A pesquisa World Insurance Report 2019, publicado pela Capgemini e Efma, mostra que os segurados estão cada vez mais preocupados com o fato de sua cobertura de seguros se tornar insuficiente para riscos emergentes, desde a segurança cibernética até ameaças ambientais. O relatório identifica cinco macrotendências que estão criando riscos emergentes para os clientes de seguros e seus negócios: padrões ambientais disruptivos, avanços tecnológicos, evolução das tendências sociais e demográficas, novas preocupações médicas e de saúde e mudanças no ambiente de negócios.

“Toda a catástrofe é seguida de uma movimentação pela procura de produtos de proteção pessoal e patrimonial. O que o mercado não pode e não deve é depender desse tipo de evento para promover produtos de mitigação de risco. A conscientização deve vir por meio de pesquisa, do estudo e da acessibilidade”, afirma César Heli Oliveira, presidente do ISB Brasil, relembrando a tragédia ocorrida no início do ano em Brumadinho.

Leia mais: Planejamento ajuda seguradoras se prepararem contra desastres naturais

Em situações como esta nota-se, principalmente, a procura por seguros de vida e patrimoniais. As mudanças climáticas, efeito estufa, probabilidades de deslizamento de terra, desabamento e alagamentos são alguns dos nichos que podem ser melhores explorados pelas seguradoras na oferta de apólices mais abrangentes. “Tragédias como a de Brumadinho levam as pessoas a refletirem quanto aos riscos que estão expostas no dia a dia e do impacto de um acidente em suas vidas e de suas famílias. Sendo assim, boa parte das pessoas incluem em seus planejamentos a contratação de produtos que venham a proteger sua família financeiramente no caso de uma tragédia”, observa João Levandowski, diretor de Relações com o Mercado do instituto.

Além das pessoas, as empresas também estão preocupadas em buscar soluções para seus funcionários. “As empresas estão preocupadas em buscar este tipo de proteção e têm um papel social importante ao proporcionarem coberturas de seguro de vida aos seus funcionários. A penetração dos seguros individuais ainda é muito baixa em nosso país e a maior parte dos empregados das empresas não tem qualquer tipo de planejamento para imprevistos que tragam prejuízos financeiros no caso de morte ou invalidez”, explica Levandowski.

A maioria das grandes empresas já possui seguro de vida coletivo.  Há uma preocupação dos empresários e RH’s das empresas quanto à atração e retenção de talentos. Segundo Levandowski, tanto as grandes quanto as pequenas e médias empresas vêm direcionando seus esforços para melhorar os seus pacotes de benefícios e aumentar a sua competitividade. “Produtos como planos de saúde, plano odontológico e o seguro de vida estão entre os benefícios mais procurados pelas empresas para montar pacotes atrativos aos seus funcionários”, diz.

Na avaliação de Oliveira, é preciso mais conhecimento e especialização dos profissionais que atuam na prospecção e venda de seguros. “Nosso mercado sofre uma crise de disponibilidade de profissionais capacitados. Todos nós que fazemos parte da indústria de seguros somos responsáveis por esse colapso. Apesar do fácil acesso à informação, o profissional se restringe ao seu dia a dia, deixando de buscar conhecimento. Além disso, as universidades, entidades e companhias, ainda mantêm velhas práticas de fomento e construção de conhecimento”, afirma.

N.F.
Revista Apólice

Deixe uma resposta