O Núcleo de Combate à Corrupção da polícia civil do Paraná deflagrou a Operação Calejado para cumprir nove mandados de prisão e 12 de busca e apreensão por conta de fraudes contra o seguro DPVAT na cidade de Umuarama, no noroeste do Estado. As investigações começaram a partir de uma notícia-crime enviada pela Seguradora Líder à polícia civil. A empresa constatou fraude em 365 processos de recebimento do seguro na região, o que representa um montante de mais de R$ 1 milhão em pagamentos indevidos.

As fraudes decorrem de adulteração de documentos médico-hospitalares (prontuários médicos) do Instituto Nossa Senhora Aparecida e de laudos do Instituto Médico Legal da cidade para a cobertura por invalidez permanente prevista pelo DPVAT a vítimas de acidentes de trânsito. Segundo as investigações, o esquema envolvia um procurador, um auxiliar administrativo do hospital e funcionários do IML que falsificavam assinaturas e alteravam os laudos das vítimas para que elas recebessem o seguro por sequelas que não existiam ou não eram indenizáveis.

As investigações mostram que o procurador direcionava as vítimas para o Instituto Nossa Senhora Aparecida, onde eram atendidas e recebiam o prontuário com carimbo e assinatura falsificados. A partir daí, o intermediário agendava a perícia no IML e o beneficiário era recebido por médicos que faziam parte do grupo criminoso e também produziam laudos periciais falsos, indicando lesões inexistentes. Em seguida, o procurador dava entrada no pedido de indenização para a vítima.

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Ao monitorar os pedidos, a equipe de prevenção e combate às fraudes da Líder analisou, por meio de ferramentas sistêmicas, os documentos e suspeitou das fraudes.

“Verificamos que as numerações dos prontuários e registros eram sempre as mesmas, assim como as assinaturas dos médicos. Além disso, todas as solicitações partiram do mesmo procurador. Nossos peritos também foram a campo e refizeram as perícias com um grupo de vítimas. Todas as análises identificaram que os beneficiários não apresentavam sequelas e, por isso, não tinham direito à indenização do seguro. Uma vez identificadas as irregularidades, encaminhamos uma notícia-crime à polícia civil de Curitiba”, afirmou Jorge Sodré, gerente Jurídico Criminal da seguradora.

De acordo com o executivo, a empresa vem investindo cada vez mais no combate às fraudes para evitar casos como o de Umuarama. O uso da tecnologia tem sido um grande aliado neste trabalho. Todos os pedidos de indenização do seguro recebem monitoramento contínuo, sendo avaliados por softwares de inteligência artificial, que contêm ferramentas de filtros sistêmicos de ocorrências suspeitas, além de controle de risco. A equipe utiliza ferramentas de Analytics, com mais de 200 variáveis; realiza uma análise documental; e aplica um filtro capaz de cruzar as informações dos documentos apresentados e o banco de dados da seguradora. Além disso, quando necessário, são realizadas investigações de campo. Ao identificar uma irregularidade, uma notícia crime é encaminhada aos órgãos competentes.

Como resultado destas iniciativas, foram identificadas, no ano passado, 11.898 fraudes ao Seguro DPVAT em todo o país, sendo 457 apenas no Paraná. Neste ano, de janeiro a junho, as iniciativas proativas da empresa já resultaram em 20 sentenças condenatórias, 25 condenados, 24 cancelamentos, suspensões ou cassações de registros em órgãos de classe e duas prisões em todo o Brasil. O quantitativo chega a 3.750 fraudes detectadas, representando o montante de perda máxima evitada de R$ 26,2 milhões.

A companhia ainda esclarece que qualquer pessoa pode denunciar casos suspeitos relacionados a pedidos de indenização do DPVAT. As denúncias podem ser feitas por meio do 0800 022 12 05 ou pelo site. As ligações são gratuitas e, em nenhum dos dois canais, é necessário se identificar.

N.F.
Revista Apólice

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