No primeiro trimestre de 2019, a Porto Seguro ampliou o lucro (vs. 1T18). A empresa apresentou redução das despesas administrativas e um retorno sobre as aplicações financeiras superior ao mercado. Por outro lado, houve redução do resultado operacional, decorrente principalmente do aumento da sinistralidade no período.

Os prêmios de seguros ficaram estáveis no trimestre (vs. 1T18). Os produtos de Saúde, Riscos Financeiros, VGBL e Uruguai apresentaram um maior desempenho, com crescimento acima de 10%. No seguro auto, houve expansão de 6% na frota, representando um aumento de 300 mil veículos segurados. Por outro lado, os ajustes na precificação realizados a partir do segundo semestre de 2018 para refletir a queda das frequências de sinistros impactaram a evolução dos prêmios (-2%) no período. No segmento patrimonial, o baixo crescimento (+2%) foi consequência da redução nas vendas no canal bancário e do ambiente mais competitivo no seguro empresarial.

Em linha com as expectativas, o índice combinado de seguros aumentou 2,0 p.p. decorrente da piora da sinistralidade no seguro de automóvel (+4,9 p.p.). Este aumento reflete o efeito das chuvas que elevou a incidência de enchentes, sobretudo na cidade de São Paulo e, em menor intensidade, na cidade do Rio de Janeiro, e da elevação das despesas com perdas parciais. Esse efeito negativo foi compensado parcialmente pela redução do índice de D.A. e pela menor sinistralidade nos segmentos de Saúde e Vida. Mesmo com esse aumento no 1T19, o índice combinado permaneceu 2,3 p.p. abaixo da média dos primeiros trimestres dos últimos cinco anos.

Nos negócios Financeiros e Serviços, as receitas decresceram 3% (vs. 1T18) em função da venda da operação dos centros médicos da Portomed e do acordo de transferência dos clientes da Conecta para a TIM, ambos realizados ao longo de 2018. Nas operações de crédito, a expansão das receitas (+3%) arrefeceu em decorrência das medidas adotadas a partir do 1T18 para preservar as margens do produto, contribuindo para a manutenção do índice de inadimplência acima de 90 dias (5,6%) em linha com a média de mercado (fonte: Banco Central, dados de mercado disponíveis até fevereiro/19).

Mesmo com a redução de receitas, o lucro líquido foi 166% maior que no 1T18 resultando em um ROAE de 22% (+13,2 p.p. vs. 1T18) favorecido pelas economias com a desmobilização da Conecta e pelo aumento na lucratividade das operações de crédito.

O resultado financeiro foi 15% superior ao 1T18, impulsionado pelo desempenho das alocações em títulos com juros indexados à inflação e pré-fixados, seguido por ativos de renda variável. A rentabilidade trimestral da carteira (ex-previdência) foi de 2,3% (154% do CDI).

O lucro líquido alcançou R$ 300 milhões no 1T19, um aumento de 8% em relação ao 1T18 e o ROAE alcançou 17,6% no trimestre. Como referência, a rentabilidade dos negócios da empresa com capital ajustado (sem excesso) e considerando uma rentabilidade de investimentos de 100% do CDI seria de 21,0% no 1T19.

Neste início de ano, a Porto Seguro realizou um acordo de cooperação para renovação de apólices de Ramos Elementares da Travelers Seguros no Brasil. O propósito com essa iniciativa é reforçar a posição da empresa nos segmentos de seguros Patrimoniais e de Responsabilidade Civil, ampliando a oferta de produtos.

N.F.
Revista Apólice

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