Delphine Maisonneuve, Luis Gutierrez e José Prado

EXCLUSIVO – Se antes as empresas achavam que poderiam implementar sozinhas as mudanças necessárias para acompanhar a velocidade da transformação digital, agora elas já entenderam que a inovação é muito mais eficaz em uma política de compartilhamento.

A mudança do pensamento parece ser mais difícil do que a de atitude. De acordo com o Head e co-fundador da Plug and Play, Ali Safavi, os serviços na área de seguros não podem ser baseados apenas na questão financeira, pelo contrário, devem focar na tranquilidade do consumidor. “As oportunidades de inovação podem vir das necessidades dos clientes, sejam eles pessoas física ou jurídica, nas áreas de prevenção de fraudes, automação de processos, transparência, adequação legal e responsabilidades”, afirmou, durante sua palestra no Insurtech Brasil 2019, realizado em São Paulo.

Vale ressaltar que os líderes do mercado já têm consciência desta necessidade, como disse Luis Gutierrez, CEO da Mapfre Brasil: “inovação é subsistência, principalmente para os problemas do dia-a-dia”. A velocidade de implantação também é fundamental ao processo. “Trabalhamos no esquema 3,6,9: três dias para apresentar, seis semanas para implementar e nove meses para mostrar resultados”.

“É preciso entender que o mundo agora está aqui”, afirmou Delphine Maisonneuve, CEO da AXA, mostrando o seu celular. A vida das pessoas está neste aparelho e também será através dele que os novos negócios devem acontecer. Para a executiva, os corretores de seguros terão que se transformar junto com as seguradoras, compreendendo que não existe mais trâmite em papel.

O argentino Martin Ferrari, CEO e co-fundador da 123Seguro, demonstrou as grandes oportunidades do mercado de seguros, através da apresentação de algumas experiências, como a da seguradora chinesa Zhong An, a primeira seguradora digital local. Ela está abrindo caminho para uma série de outras experiências ao redor do mundo. 

Ferrari fez questão de derrubar o mito de que as pessoas não compram seguro pela internet. Ele mostrou um estudo apresentando o perfil do comprador, que é de homem de 39 anos, com renda de classe média. O grande entrave para o surgimento destas empresas, entretanto, ainda é a questão de regulamentação.

No Brasil, justamente com o objetivo de entender e facilitar a interlocução com o órgão regulador, acaba de ser criada a Associação Brasileira de Insurtechs, liderada por Henrique Volpi. A entidade conta com quatro participantes, mas está aberta a receber a participar de mais de 75 insurtechs identificadas pelo mapa da Camara e-net. “Queremos oferecer condições para embasar a regulamentação do setor”, informou Volpi.

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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