EXCLUSIVO – O 8º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, organizado pela Fenaber em parceira com a CNseg, acontece em meio a um estado de crise decretado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em virtude ao intenso volume de chuva que caiu sobre a cidade.

O presidente da Fenaber, Paulo Pereira, lembrou que o crescimento do resseguro é diretamente proporcional ao aumento do Produto Interno Bruto (PIB), e expressou confiança na aprovação das reformas. Pereira citou outros fatores que podem contribuir para o crescimento do setor: oportunidades, como o risco cibernético; a aprovação da nova Lei das Licitações; a simplificação regulatória; e a necessidade de rever a carga tributária das resseguradoras para melhorar sua competitividade. “Enquanto os locais pagam no Brasil 40% de imposto e contribuição social, além de PIS e COFINS, o americano paga 34%, o suíço e alemão pagam 30%, o inglês paga 20%, o irlandês paga 12 % e o de Bermudas zero.”

CNseg

Marcio Coriolano, presidente da CNseg, falou sobre projetos que podem influenciar no crescimento do mercado segurador em 2019, como o projeto de seguro de garantia de obras contratuais, uma aposta do setor junto ao novo Governo. Ele informou que existe na Susep um projeto de seguros inclusivos, que podem atingir uma parcela mais significativa da população, mas cujo desenvolvimento depende de mais renda, emprego e produtos mais acessíveis. “É preciso trazer o seguro para perto do bolso das  pessoas”, sentenciou Coriolano. Ele lembrou as propostas do setor seguros para 2019 a 2022, que visam contribuir para o desenvolvimento do País e já foram apresentadas ao Congresso Nacional e entregues aos representantes dos poderes executivo e legislativo.

Seguro-catástrofe – Rubem Hofliger, responsável pela área de soluções para o setor público na América Latina da SwissRe, defendeu a adoção do seguro paramétrico para enfrentamento de catástrofes. “O número de catástrofes naturais cresce em ritmo muito mais rápido do que o crescimento do seguro desses eventos. A cobertura é de cerca de 40%, o que obriga os governos a arcar com os custos de reconstrução e atendimento à população mais vulnerável”. Hofliger explicou que os seguros paramétricos estabelecem em contrato um limite que, quando atingido, dispara um gatilho de pagamento. No caso de chuvas, por exemplo, é possível estabelecer que a partir de determinado índice de precipitação o seguro é acionado. “As vantagens desse produto, ainda pouco usado no Brasil, são a agilidade e a liberdade para alocar os recursos de acordo com as necessidades mais urgentes”, argumentou afirmando que mundialmente, os setores onde o seguro paramétrico mais tem crescido são agricultura e energia, e os governos começam a se interessar pelo produto.

Contratos – “Princípios da Lei Contratual de Resseguro” foi o tema da palestra de Helmut Heiss, professor do Instituto de Direito de Zurich. Ele trouxe a metodologia utilizada para criação dos Princípios da Lei Europeia de Contratos de Seguros (Pricls), que, segundo ele, não tem a intenção de ser uma lei global, o que demoraria muito. “Há quem diga que ela poderia ser um exemplo modelo para a lei nacional, mas não acho que traria as respostas para tudo. Como a arbitragem pode escolher as regras de direito, que são maiores que o direito como um todo, os Pricls talvez possam ser utilizados, pois são mais sólidos e, portanto, vão além das declarações de juízo”.

Blockchain – Encerrando o dia, foram realizados dois painéis: Aplicações de blockchain em seguros e resseguro e RC Ambiental. O painel sobre aplicações de blockchain em seguros e resseguros teve como palestrante o chairman da B3i, Anthony Elliott, e como debatedores Marcelo Hirata, diretor de Tecnologia e Inovação do IRB Brasil Re, Keiji Sakaim country head Brazil da R3, e Adilson Lavrador, diretor executivo de Operações, Tecnologia e Sinistros da Tokio Marine Seguradora. Elliott descreveu os benefícios que o blockchain trará para o mercado brasileiro: economia de 30% nos custos de transação, mais eficiência, melhoria na qualidade de informação e maior transparência. Para Elliott, o mundo vive um momento de inflexão, em que “os dados são o novo petróleo”.

RC Ambiental – O painel técnico sobre RC Ambiental trouxe a evolução do setor nos últimos 10 anos, as mudanças recentes em acionamentos, as oportunidades existentes, tendo como parâmetro os mercados americano e europeu, bem como a complexidade do conceito que ainda gera barreiras. O superintendente da HDI Global, Marcio Guerreiro, mostrou as diversas possibilidades de classificação e monitoramento de riscos que facilitam o processo de subscrição, destacando, sob esse aspecto, as oportunidades de aproximação das companhias de resseguros. Já o Latam Regional Manager da Chubb, Fabio Barreto, abordou as principais diferenças em comparação ao mercado americano que já possui 40 anos. “O mercado de seguros em riscos ambientais é de US$ 22 milhões, enquanto o mercado americano, que é o mais desenvolvido nesse setor, é de US$ 2 bilhões em prêmio”.

A gerente de responsabilidade civil geral e ambiental da AIG Seguros Brasil, Nathália Gallinari, trouxe uma visão prática, abordando os tipos de acionamentos de sinistros, fazendo um paralelo ao mercado europeu. Segundo ela, a construção civil teve o dobro de acionamentos, com foco em gestão de resíduos de obra, assim como incêndio, seja pelas emissões atmosféricas, seja pela água de rescaldo (usada no combate a incêndios). No Brasil, hoje, 20% dos acionamentos são de efluentes sanitários humanos e biológicos, o que mostra que esse produto está cada vez mais presente em todos os segmentos da economia.

Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro (Com informações da assessoria de imprensa do evento)
Revista Apólice

Deixe uma resposta