EXCLUSIVO –  4,4% da população mundial sofrem ou já sofreram de depressão, de acordo com pesquisa recente da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil foi considerado o país da América Latina com o maior índice, 5,8%, mas, quando se fala em ansiedade, o número é ainda pior, 9,3% da população sofre com a doença.

Vítimas dessas enfermidades, muitas vezes, ficam incapacitadas de trabalhar. Somente em 2018, o INSS concedeu 8015 licenças médicas por transtornos mentais adquiridos ou agravados no trabalho. Diante desse cenário, as empresas brasileiras sofrem com o aumento do absenteísmo, a queda de produtividade e, consequentemente, com o prejuízo financeiro, portanto é importante buscar alternativas para lidar com essa realidade.

Leandro Almeida

Leandro Almeida, diretor-fundador da DynamicCare Benefícos, empresa especializada na gestão e logística de saúde, diz que atualmente existem muitas variáveis psíquicas, emocionais e motivacionais nas grandes empresas para lidar com a questão do absenteísmo, que muitas das vezes se correlacionam e se perpetuam através do presenteísmo, que é a falta de cuidado e conhecimento direto dos líderes sobre seus colaboradores.

“Investir em metodologias de mapeamento, na identificação epidemiológica dos colaboradores e na implementação de fatores de integração nas empresas são ações indispensáveis para o gerenciamento do processo”, começa. “Algumas etapas de prevenção podem ser as definições de metas e planos de reconhecimento nas empresas; as promoções na qualidade de vida e identificação preventiva da saúde física e mental das pessoas; as promoções e investimento em atividades físicas semanais e mensais fomentadas pela empresa”, diz. Ele também alerta para a importância em manter a comunicação clara e direta sobre os processos de desenvolvimento de carreira. “Ainda é preciso investir e manter a comunicação motivacional constante com os colaboradores”, acrescenta.

Tecnologia

Segundo Almeida, a humanização dos processos de gestão e a logística eficiente dos dados de funcionários são alternativas para começar a resolver parte desse problema. Um acompanhamento mais próximo dos pacientes crônicos ou que possuem um histórico de transtornos emocionais, programas de bem estar e qualidade de vida e campanhas de incentivo à prática de exercícios físicos, são ações que, quando aliadas às ferramentas de tecnologia certas, podem trazer excelentes resultados.

Para o diretor, o uso avançado da tecnologia na medicina preventiva e na continuidade do tratamento está cada vez mais evidente na relação de qualidade de vida e na melhora do paciente. “A aplicabilidade de novas ferramentas tecnológicas e modelos de prontuários eletrônicos na área de saúde assistencial suplementar não se restringem somente à nova era robótica de tecnologias de última geração, que são utilizados em hospitais, centros de diagnóstico, clínicas e sistema primários de saúde”. Ele diz que, hoje, o colaborador se tornou total protagonista na medicina preventiva, que tem como foco e objetivo a antecipação e diagnóstico da doença.

“O uso da tecnologia na saúde mostra claramente mais velocidade, maior constância e exatidão nos resultados dos pacientes e, por muitas vezes, leva a uma ‘desospitalização’ precoce, sendo fator condicionante na evolução emocional e de saúde da pessoa”, declara. Almeida ainda complementa dizendo que “já é quase que uma comodity na cadeia do processo, falar em BI, indicadores de risco e resultado de saúde para as empresas”. Ele destaca como ponto de atenção que, tão importante quanto apresentar cenários e resultados, criar as ações e implementar práticas de melhorias, é o que representará o valor tangível para as empresas e seus funcionários.

“Volto a dizer que a saúde no Brasil é um direito de todos e um dever do estado, portanto cabe a nós, gestores, reguladores e prestadores de serviços, transformar um plano de doenças em um plano de saúde”, finaliza o executivo.

Maike Silva
Revista Apólice

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