Grande parte dos acidentes que aconteceram na indústria brasileira de portos e terminais foi decorrente da falta de uma matriz de risco estruturada e programas de seguros adequados ao perfil de cada empresa do setor. Em 2018, segundo levantamento da Marsh, os prejuízos com acidentes em portos e terminais foram da ordem de R$ 30,3 milhões. Os altos valores chamam atenção para a necessidade de um gerenciamento de risco mais estratégico, segundo Sérgio Caron, líder de prática de transportes, cascos marítimos, portos e terminais, aeronáutico da Marsh Brasil. Para o especialista, a partir de agora, o gerenciamento de risco será uma ferramenta cada vez mais estratégica para empresas e investidores em portos e terminais.

A indústria de portos e terminais está enfrentando um momento de perspectiva de um grande volume de investimentos. A Secretaria Nacional de Portos do Ministério da Infraestrutura prevê realizar o arrendamento de dez áreas portuárias apenas no primeiro semestre deste ano, que atrairá mais investimentos por meio do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Mas, é necessário que os investimentos dos participantes dos leilões sejam protegidos por um amplo e estratégico gerenciamento de risco e programa de seguros”, afirma.

A necessidade do gerenciamento de risco e das coberturas de seguros é necessária porque cada empresa tem suas particularidades de riscos e perfis diferentes de ameaças imprevisíveis aos negócios. A operação portuária está inserida em uma cadeia que envolve um grande número empresas como as de terminais portuários, operadores portuários, armadores, retroporto, porto seco, além de armazéns, transportadores e operadores logísticos.

Riscos ambientais, tecnológicos e geopolíticos

Segundo Caron, as regulamentações ambientais são exemplos de variáveis de mudanças que impactam profundamente os negócios das empresas. Essas mudanças estão forçando os portos a se tornarem ecológicos por meio de alternativas de combustível, água de lastro e construção de portos. “Os novos desenvolvimentos tecnológicos, as mudanças geopolíticas, juntamente com o tamanho crescente dos navios e os riscos ambientais, têm, ao mesmo tempo, o potencial de gerar maiores ganhos, mas também causar grandes prejuízos”, alerta.

A indústria brasileira de portos e terminais também já experimenta problemas emergentes como terrorismo, inexistência de fronteiras em blocos econômicos e segurança cibernética. A tecnologia em evolução, incluindo soluções via blockchain e a capacidade de veículos autônomos, também está mudando a base da indústria e deve ser gerenciada. “Lembramos também que navios cada vez maiores precisam redesenhar a infraestrutura e os bancos de terra e mudanças nos padrões globais de comércio devem ser atendidas com estratégias e investimentos inteligentes”, explica o especialista.

Na análise, também foram mapeados os 11 riscos que podem gerar prejuízos e até mesmo paralisar as operações das empresas de portos e terminais. Entre os riscos estão:

1. Carga e Descarga, incêndio, explosão, vendaval;
2. Armazenagem de mercadorias;
3. Contaminação de mercadoria, pragas (ratos e pombos), poeira proveniente dos grãos, operação do shiploader;
4. Contaminação do solo, canal da galheta tem passado por problemas de assoreamento;
5. Vias de acesso, rodoviárias e ferroviárias, aos terminais portuários;
6. Cláusulas contratuais;
7. Segurança da navegação e movimentação;
8. Prover e qualificar recursos humanos capacitados;
9. Proteção de dados e controles digitais;
10. Falta de demanda, seja por razões econômicas ou mercadológicas;
11. Condições meteorológicas adversas.

De acordo com Sérgio Caron, a estratégia mais eficiente de mitigação dos riscos físicos é a transferência dos mesmos, ou seja, implantar programas de seguros para se proteger das ameaças imprevisíveis.

Os seguros podem ser contratados para proteção contra riscos de danos sofridos pelo patrimônio, danos causados à carga de terceiros, ambientais e perdas materiais.

Também trazem coberturas para perdas de receita e lucros cessantes, contra riscos de variações de demanda decorrente de quebra de safra, danos sofridos e causados em decorrência de ataques de hackers e impactos de condições climáticas adversas.

M.S.
Revista Apólice

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