Dados recentes divulgados pela CNseg apontam que a arrecadação do segmento de seguros de vida de janeiro a dezembro de 2018 foi R$ 5 bilhões superior à de seguro de automóveis. Esta análise leva em consideração apenas os chamados planos de risco, ou seja, morte e invalidez, sem contabilizar os planos de acumulação de PGBL e VGBL, ambos produtos previdenciários.

As razões que justificam esta mudança no mercado segurador brasileiro são muitas, e têm natureza econômica e comportamental. Não pretendo esgotar o debate, mas ter dedicado grande parte da minha vida no fomento desta indústria me legitima a trazer algumas questões. O primeiro deles é que o brasileiro está despertando sobre a importância de ser previdente no sentido mais amplo da palavra. Isto é, daquele que se previne e planeja. E isto é muito bom. Estima-se que, nos Estados Unidos, 70% da população tem, pelo menos, uma apólice de seguro de vida. Ao olhar para o Brasil, este número não chega a 10% da população.

Nilton Molina

Mas você deve estar imaginando que o brasileiro não tem a renda do americano. Isto é verdade e leva à introdução do meu segundo ponto: o mercado de seguros se modernizou muito nos últimos anos. Mérito das seguradoras, dos corretores e também do regulador, a Susep. Diversas novas coberturas foram criadas, como resgatáveis e doenças graves. No entanto, vale destacar o desenvolvimento do microsseguro, que tem papel fundamental na disseminação da cultura de planejamento financeiro para todas as esferas da sociedade.

Mas a cultura não muda por si só. Outro fator fundamental para este resultado é a estabilidade econômica, conquistada com a adoção do plano Real, em 1994. Quem viveu o período de hiperinflação passou a ter medo de guardar dinheiro, por conta da possibilidade de desvalorização exponencial da moeda em questão de horas. Hoje, mesmo com alguns leves saltos, como vimos em 2005 e, mais recentemente em 2015, a inflação permanece dentro de um patamar esperado e aceito.

Enfim, o meu último ponto: a crise. Ela também tem papel relevante para o mercado. O que temos ouvido é a preocupação – ainda mais latente no cenário atual – com a manutenção da própria renda ou da família em um episódio de morte, invalidez ou doença grave.

Acredito fortemente na manutenção desta tendência de crescimento do mercado de seguro de vida pelos próximos anos. Não existe seguro mais ou menos importante. Mas, certamente, é preciso pensar naquilo que há de comum nos bens – seja celular, automóvel ou casa: a vida do próprio indivíduo.

Sobre o autor

Nilton Molina, presidente do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon.

Deixe uma resposta