A questão da diversidade deixou de ser apenas a inclusão de determinadas minorias. Ela tomou fôlego porque para atender novos grupos de consumidores, tornando os negócios sustentáveis, é necessário tê-las representadas dentro das companhias.

Maria Helena Monteiro representou a Escola Nacional de Seguros e reapresentou a pesquisa sobre a participação feminina no mercado de seguros. “A empregabilidade feminina está na taxa de 47%, enquanto 72% dos homens estão empregados. 60% das mulheres estão encarregadas dos serviços domésticos. 1987 homens e 1480 mulheres. Elas ganham 74% do salário dos homens”, demonstrou.

Maria Helena reforçou que apesar das mulheres já serem 56,3% dos 27 mil funcionários das seguradoras no BRasil, apenas 0,8% compõem o quadro de executivos, contra 2% dos homens. “Um homem tem 3,5 vezes mais chances de chegar a um cargo executivo. Em nível gerencial, os homens têm o dobro de chance de se tornarem gerentes, com níveis de escolaridade similares”, destacou a executiva.

Ana Carolina Mello, conselheira da Associação de Mulheres do Mercado de Seguros, apresentou a entidade e como as empresas do setor apoiam a iniciativa. Solange Beatriz Palheiro Mendes falou do comissão temática da CNseg que trata do tema. “Nosso setor tem o dever de ser um reflexo da sociedade e a diversidade precisa mostrar a multiplicidade e os diferentes ângulos de visão que devem demonstrar as constantes alterações do mercado”, completou.

Margo Black no púlpito, com Flavia Bianco ao fundo

A diversidade não se resume a inclusão feminina. Flavia Bianco é transexual e professora da Escola Nacional de Seguros. Depois da transição trabalhou apenas para um ano com regulação de sinistros. “Houve uma preocupação do empregador com relação a como eu seria vista pelos clientes”. Na Escola ela continuou como professora da cadeira de Comissário de Avarias.

Maria Luiza Cabral, Client Support Services da Guy Carpenter, mostrou como boa parte das mulheres em início de carreira sofre assédio sexual e não encontra espaço para falar sobre isso. 4 em cada 10 mulheres já sofreram assédio sexual, sem importar o local. A jornalista Solange Guimarães, superintendente de comunicação da SulAmérica, contou que fez jornalismo para dar voz às suas ideias. “A questão da diversidade só é discutida porque temos grupos que não se sentem representados nos altos escalões das empresas, porém este grupo é um grande consumidor. As empresas que não abrirem os olhos para estes novos grupos de consumidores não serão capazes de entender a diversidade e sua importância. Olhar a diversidade é ver a sustentabilidade do negócio e o futuro”, sentenciou.

Juliana Pelegrin, Senior Casualty Underwriter da Swiss Re, homossexual assumida, falou sobre a sua aceitação, o preconceito e o bulliyng na vida profissional. “Já sofri discriminação não pela opção sexual, mas porque sou mulher e mulher tem personalidade forte. Nunca fui uma pessoa fácil”, brincou. Para completar, Judith Newsam, CEO Brasil da Guy Carpenter, falou sobre a sua carreira no mercado de seguros, que começou no Lloyd’s, na década de 80, local que era completamente engessado em termos de regras para mulheres. “Temos que ter empatia e dar um passo a mais. Além de ouvir, atuar ao ver os problemas e trazer a diversidade para fazer o mercado crescer como uma indústria formada por seres humanos”.

Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro
Revista Apólice

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