EXCLUSIVO – Ano após ano, as mulheres conquistam um pedaço a mais do mercado de seguros. Dados da CNseg mostram que elas representam 56% dos profissionais do setor – em 2000, elas eram minoria e equivaliam a 49% do segmento. Os números jogam a favor delas e fomentam a criação de produtos de nicho.

As coberturas, as assistências e os descontos especiais costumam aparecer nos seguros de Vida, Automóvel e Saúde, mas especialistas acreditam que ainda há margem para se explorar. O potencial de consumo também motiva e aquece o mercado. O Brasil pode expandir sua economia em até R$ 382 bilhões se aumentar a inserção das mulheres no mercado de trabalho em um quarto até 2025, estima a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Rafael Leonel

“O principal motivo do surgimento desse movimento de novos produtos decorre, além da óbvia demanda, da maior participação delas na economia”, reforça Rafael Leonel, gerente nacional de Vida da Sancor Seguros. “Agora, elas também ocupam mais postos de alto escalão, além disso, já cuidam mais da saúde do que os homens. Isso revigora o mercado”, continua.

Margo Black, presidente da Associação das Mulheres do Mercado de Seguros (AMMS), acredita que, a partir da necessidade e grau de exigência das mulheres, pode-se criar uma diversidade de produtos e ampliar coberturas e serviços. “Um exemplo são os riscos excluídos das apólices de saúde que podem atender a uma determinada gama de mulheres, como os estéticos e produtos para idosos”, expõe. Ela ainda opina que “existe uma percepção de que os chamados ‘produtos de nicho’ são mais caros e que há pouca oferta. Isso se aplica aos mais variados ramos”.

Margo Black

Em complemento, Natália Cunha, COO da Planetun, acrescenta que os benefícios vão muito além dos produtos de nicho. “Temos um aplicativo que privilegia a própria mulher, pois esta pode fazer sozinha a vistoria do carro. A grande solução está nesses pequenos detalhes”, diz. “Esses apêndices podem ser utilizados com foco na mulher. No aplicativo de autovistoria, elas têm a explicação técnica sobre determinadas partes do veículo, por exemplo. Temos até um vídeo case com uma mulher utilizando a ferramenta”, reforça.

No seguro de automóvel, estatisticamente, as mulheres têm menores taxas de sinistralidade, o que proporciona, geralmente, em comparação ao público masculino, preços finais mais baixos. A diferença é captada ainda durante o preenchimento do questionário de perfil dos segurados, no momento da contratação da apólice. A maior prudência feminina se confirma nos dados divulgados pela Seguradora Líder. Do total de quase 384 mil indenizações pagas pelo seguro DPVAT em 2017, apenas 25% foram para vítimas femininas.

Natália Cunha

As mulheres também têm vantagens no que se refere aos serviços adicionais. Em geral, elas têm acesso à locomoção, no caso de haver algum tipo de acidente com o veículo, acompanhamento até a delegacia (caso o veículo seja roubado), troca de pneus, solicitação de motoristas por incapacidade de direção, etc. “No Auto, geralmente a preocupação maior recai em cima do homem”, opina Natália. “A questão do assédio é algo que incomoda e gera insegurança para a mulher. Um avanço simples seria se elas fizessem contato com uma outra mulher no momento do atendimento”, sugere. A executiva conta que está na companhia há 13 anos e percebeu uma movimentação feminina. “As mulheres estão saindo dos cargos de atendimento e com foco operacional e assumindo posições de gerência e direção, isso é nítido”.

“Algumas melhorias de nicho podem ser a extensão no horário de disponibilidade das centrais de atendimento, uma vez que grande parte das mulheres tem jornada dupla ou tripla ou a possibilidade de ampliação do serviço de gerenciamento de risco nos seguros voltados a pessoas jurídicas”, acrescenta a presidente da AMMS. Segundo ela, as empresas ainda tendem em fazer produtos envelopados com ‘feminices’, quando na realidade as mulheres querem e precisam de ampliação de coberturas e serviços. “Além disso, na linha de premiar o bolso das seguradas, vemos grande oportunidade de crosselling. As empresas poderiam oferecer descontos significativos na contratação de apólice de um novo ramo após tantos anos de fidelidade ou uma previdência com um pequeno aporte para estimular o investimento”, aconselha.

Luiz Ricardo Araújo

O gerente da Academia de Vendas da Seguros Unimed, Luiz Ricardo Araújo, revela que a companhia tem 65% do quadro de funcionários composto por mulheres e, com isso, a empresa tem iniciativas voltadas à saúde e ao bem-estar das colaboradoras. “Posso citar o subsídio nas inscrições das principais provas de corrida de rua do país, desconto em academias conveniadas, horário flexível – sendo possível conciliar a vida profissional e pessoal com mais tranquilidade -, entre muitas outras coisas”, enumera.

Também são oferecidos produtos que cobrem as doenças ou eventos mais comuns ligados à mulher (por exemplo, gravidez), além de benefícios na compra de medicamentos mais usados pelo público feminino. A preocupação com a saúde da mulher se justifica. Segundo dados do Instituto do Câncer (INCA), apenas o câncer de mama representa 22% dos novos casos da doença por ano no Brasil – o que significa 52 casos para cada 100 mil mulheres.

Indo mais além, com objetivo de identificar modelos inovadores e viáveis que valorizem o parto normal e a redução na quantidade de cesáreas sem indicação clínica na saúde suplementar, a ANS, o Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), com o apoio do Ministério da Saúde, desenvolveram em 2015 o Programa Parto Adequado (PPA).

“Aderimos ao projeto pensando no bem-estar e na qualidade de vida das pacientes. O principal objetivo é oferecer um parto humanizando, com todo o acompanhamento da gestação em um único local, buscando dar mais conforto e segurança neste momento especial”, destaca Araújo, da Seguros Unimed. Para orientar as gestantes, a seguradora disponibilizará em seu site informações e cuidados necessários durante a gestação, o partograma, além dos hospitais parceiros do projeto. A companhia também auxilia na adequação das equipes multiprofissionais nas instituições, na capacitação dos colaboradores para ampliar a segurança na realização do parto, no engajamento do corpo clínico e assistencial e das próprias gestantes e na revisão das práticas de atendimento às mães e aos bebês.

Já no segmento de vida, são atrelados produtos com serviços adicionais, que oferecem, por exemplo, exames de saúde exclusivos para a mulher, indenização pelo diagnóstico de câncer (exceto de pele), descontos especiais em diversas clínicas de estética, academias, farmácias, assessoria esportiva, dentistas, laboratórios, entre outros serviços. “O mercado está se aprimorando, já existem produtos que oferecem coberturas para diagnóstico de câncer de mama, ovário e útero que não se encerram quando a segurada atinge uma determinada idade”, diz Leonel. “O mercado costuma excluir as coberturas da apólice a partir do momento em que a contratante passa dos 65 ou 70 anos, mas já existem empresas que pensaram em soluções mais modernas”, ressalta.

AMMS

A entidade que surgiu com o intuito de trazer equidade ao mercado de seguros realizará eventos especiais para o Dia da Mulher e também para o Dia das Mães. “Estamos preparando encontros com patrocinadores para reforçar nossa relação. Somos uma entidade que pensa em tornar esse mercado mais confortável para nós, mulheres”, finaliza Margo.

Maike Silva
Revista Apólice

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