O seguro de transporte, que há mais de 20 anos opera praticamente sob o mesmo formato, recebeu no início de 2019 uma nova receita atrelada a tecnologia. Em parceria com companhias seguradoras, o Grupo Vista desenvolveu o software de gestão operacional Cargo Viewer, que permite a automação na gestão de viagens, eliminando as tradicionais tabelas de sub-limites e a exigência da contratação de empresas de gerenciamento de riscos, das apólices de seguros de transportes de clientes.

A era digital, conhecida como a 4ª Revolução Industrial, impacta toda a sociedade, reinventando o comportamento de pessoas e empresas, baseada num desejo generalizado por mudanças e inovações. Além da evolução tecnológica, o seguro de transporte vive uma mudança na forma como as tecnologias são utilizadas, entretanto, ainda é dependente de processos manuais, tanto na fase de contratação de apólices quanto no âmbito operacional de gestão de frotas.

Cleber de Castro

Há empresas que monitoram veículos com um contingente gigante de operadores (humanos), quando softwares já fazem esse tipo de trabalho com mais assertividade, escalabilidade e economia. Trata-se de um composto de soluções, para otimizar os resultados é necessário mudar a forma de utilização das tecnologias antigas e empregar novas.

Soluções que foram importantes, como os cadastros de motoristas e bloqueios de veículos, não têm mais a eficácia do passado. Bloqueios de veículos, hoje, são facilmente desabilitados pelas quadrilhas, sem falar de outros exemplos. Este formato chegou até aqui – e participei disso – mas agora, a tecnologia vem ganhando espaço.

Basta pensar em como pedir um táxi, comida ou alugar um quarto de hotel, atualmente. Empresas como Uber, Ifood, Airbnb, entre outras, não têm uma central 24 horas com atendimento humano e são realidade no mundo. O segmento de transporte não pode ficar de fora dessa evolução. As empresas que não se atualizarem perderão competitividade e, em breve, estarão fora do jogo.

Para sobreviver nesta nova realidade do mercado é preciso pensar fora da caixa. Os resultados proporcionados pelos modelos utilizados atualmente já são conhecidos. Para ter resultados diferentes, é preciso fazer as coisas de modo diferente. É necessário entender que continuam sendo dadas as mesmas respostas para perguntas que já mudaram. A dinâmica mudou e a tecnologia deve ser utilizada de forma mais estratégica, com automação baseada em processos.

Como disse Einstein, “Insano é continuar fazendo da mesma forma, e esperar um resultado diferente”. Com a velocidade do avanço tecnológico, não pode se esperar mais 20 anos para criar novos caminhos.

Uma gestão consistente, do início ao fim do processo, pode gerar resultados expressivos. Várias empresas do segmento de transportes são campeãs em gestão em quase todas as etapas. O “quase” fica por conta de quando os veículos saem a campo. Mesmo equipados com rastreadores, a dificuldade de se fazer cumprir o “plano de voo” é notória. Motoristas param fora de locais pré-estabelecidos, desviam das rotas, param em suas casas (quando ficam próximas aos trajetos), desligam celulares e até os próprios rastreadores.

Isso acontece principalmente com empresas que operam com grande volume de terceiros (agregados ou autônomos). É necessário melhorar a gestão dos veículos em viagem, e fazer com que os processos sejam cumpridos.

É claro que isso não é infalível, mas a intensificação da gestão e cumprimento do planejamento dificultam a ação dos bandidos. Apenas para exemplificar, nas últimas 15 mil viagens que tiveram gestão operacional automatizada através do sistema, foram necessários seis atendimentos com pronta resposta na estrada, sendo cinco roubos inibidos e apenas um efetivado.

Sobre o autor

Cleber de Castro, diretor geral do Grupo Vista

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