EXCLUSIVO – Desde domingo, São Paulo sofre com os resquícios da chuva que colocou algumas zonas em estado de alerta. Uma das mais atingidas, a região do ABC teve alagamentos que fizeram com que rodovias fossem interditadas. As enxurradas causaram mortes. Além disso, o Fecomercio estima que os estabelecimentos comerciais da região e da cidade tiveram o prejuízo de R$ 45 milhões por dia, desde então.

“Em momentos como esse, é vital que os estabelecimentos tenham um seguro empresarial que cubra esse tipo de evento”, diz Juliano César, diretor da Maior Seguros. Este produto, geralmente, não tem a cobertura de alagamento como compreensiva, ou seja, é necessário que o segurado contrate essa proteção à parte.

Juliano César

César conta que as opções de cobertura são as mais variadas possíveis. “Há as coberturas de responsabilidade civil (RC), por exemplo, para clientes que transitam no local no momento do sinistro ou até mesmo a RC Empregador, que cobre os danos causados aos funcionários”. Ele explica que, embora a culpa não seja do estabelecimento, a responsabilidade pode recair sobre ele.

“Este produto conta com uma cobertura adicional que garante ao segurado a indenização até o Limite Máximo de Indenização (ou LMI, que é o valor máximo de indenização estipulado na apólice) por perdas e danos materiais causados pela entrada de água no imóvel proveniente de aguaceiro, tromba d’água ou chuva”, conta Fabiana Medina, superintendente de Commercial Lines da Sompo Seguros. “Essa cobertura ainda abrange enchentes; água proveniente de ruptura de encanamentos, canalizações, adutoras e reservatórios (desde que não pertençam ao imóvel segurado, nem ao edifício do qual faça parte integrante) e alagamentos ou inundações causadas pelo aumento de volume de águas de rios e canais”, complementa.

Outro ponto que pode ser destacado, de acordo com César, é que o segurado deve ficar atento em relação ao LMI contratado na apólice. “É importante não só ter uma cobertura para alagamento, mas que ela seja contratada em valores suficientes. Este é calculado pela localização, pelo estoque e mercadoria. Alguns valores são maiores porque o risco pode ser maior”, explica.

O Fecomercio revelou que os estabelecimentos que sofrem mais com esse tipo de evento são supermercados, farmácias, vestuários e livrarias. Vários fatores impactam nas vendas. Isso porque muitos trabalhadores optam por não realizar grandes deslocamentos, ficando em casa.

Fabiana Medina

“Há situações em que as perdas materiais de estoque, equipamentos etc. são tão grandes que os empresários não contam com capital de giro para reposição das perdas”, alerta Fabiana. “É preciso que os empresários ou responsáveis financeiros consultem o corretor de seguros de sua confiança para que ele possa apresentar as alternativas disponíveis no mercado que mais se adequam a cada negócio”, opina.

“O seguro empresarial parte da cobertura básica contra incêndio, queda de raio e explosão”, começa César.  “O segurado deve ficar atento também à cobertura de lucros cessantes, pois, dependendo da companhia, essa só atende em função de alguns sinistros da cobertura básica”, continua. Ele ainda diz que, se o cliente está em uma área de risco de alagamento, é primordial que a cobertura de lucros cessantes se estenda a esse tipo de evento.

Para César, a cobertura de vendaval é outra que deve estar no radar dos consumidores, assim como a de danos elétricos. “Por conta das intempéries climáticas, essas duas costumam ser bastantes acionadas nessa época do ano. É preciso explicar que a cobertura para queda de raios só vale desde que este caia dentro do estabelecimento”, revela. “Agora, se houver uma oscilação de energia e o raio cair fora e venha a queimar os equipamentos dentro da empresa, é importante ter a cobertura específica de danos elétricos”, explica o executivo.

“Eu sempre digo às empresas que, tão logo seja possível, comuniquem o corretor que o sinistro aconteceu, para que ele venha a tomar providências, fazer a vistoria, para que não se retarde o processo e se deteriore mais as mercadorias, pois depois pode até ficar complicado se mensurar o prejuízo”, aconselha César.

Dicas

  • Quando for alugar ou comprar um imóvel para instalar sua empresa, verifique as características da região: se está perto de córregos ou rios, o clima do local, a topografia e as condições do solo;
  • Verifique se há histórico de enchentes na região;
  • Procure sempre deixar uma área permeável no lote em que está sua empresa. Isso pode ser feito por meio de jardins ou áreas abertas com pisos permeáveis;
  • Mantenha telhados e canaletas d’água sempre limpos;
  • Mantenha em dia a manutenção de instalações elétricas da empresa. Tomadas expostas e fios desencapados podem gerar curto-circuito, choques elétricos e até incêndios, mesmo em situações de alagamento;
  • Verifique sempre se os ralos e canos de esgoto estão desobstruídos;
  • Caso sua empresa esteja em uma área com histórico de alagamentos, consulte sempre a previsão do tempo para estar preparado quanto ao risco de alagamentos.

Caso aconteça um alagamento:

  • Tenha sempre água potável disponível em abundância para situações de emergência;
  • Estude e determine um local seguro como ponto de encontro em que você e os demais colaboradores de sua empresa possam se encontrar e se alojar caso ocorra um alagamento. Preservar a vida é prioritário nessas situações;
  • Caso veja que o alagamento vai atingir sua empresa, feche o registro de água e desligue os disjuntores de luz;
  • Retire o lixo para longe da área de inundação;
  • Acione o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil;
  • Mantenha documentos e objetos de valor em sacos plásticos e em local seguro;
  • Evite contato com a água da enchente. Ela pode ocasionar doenças como diarreia, leptospirose e hepatite A;
  • Caso tenha que efetuar limpeza no imóvel atingido por alagamento, use botas e luvas de borracha para evitar contato da pele com água contaminada;
  • Utilize água sanitária na proporção de dois copos (400 ml) do produto para um balde de 20 litros de água para limpeza do chão, paredes e objetos atingidos por enchente;
  • Não utilize nem efetue teste em equipamentos elétricos que tenham sido molhados ou que estejam em locais que foram inundados, devido às chances de choque elétrico ou curto circuito;
  • Preste muita atenção ao fornecimento de água após a enchente devido ao risco de contaminação da rede de abastecimento.

Maike Silva
Revista Apólice

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