EXCLUSIVO – As conquistas femininas no setor de seguros ainda são recentes. O mercado que, até então, era majoritariamente masculino, deu espaço para a diversidade, com mais equidade entre cargos e salários. Em evento promovido pela AIG, Luis Ricardo Almeida, COO da companhia, salientou que muitas mulheres mudavam de personalidade no ambiente corporativo para conseguir tratamento e oportunidades iguais. “Mulheres agiam como homens para se manter no jogo”, disse.

Sobre a baixa ocupação de lideranças femininas, Sheila Garcia, diretora de sinistros da Aon, disse que as mulheres são mais reticentes que os homens para participar de processos seletivos dentro da empresa e também em aceitar cargos mais altos, por conta da família. “As mulheres têm que vocalizar o que querem. Os homens não têm tanto receio de pedir um aumento de salário ou solicitar uma promoção quando acham que merecem”.

Já Patrizia Mastrapasqua, diretora executiva de Risk Solutions da Lockton, comentou sobre colocar limites no horário de trabalho para que a mulher consiga conciliar a vida pessoal com a profissional. “Costumo dizer que as pessoas perderam o hábito de conversar. Então, quando saio do escritório, eu desligo, dou prioridade à família”.

O assédio no ambiente de trabalho também foi um dos assuntos debatidos. Sheila disse que nunca foi importunada diretamente, mas que já recebeu alguns comentários pejorativos. “Nós temos que ser mais incisivas quando isso acontece”.

Patrizia ressaltou as mudanças que as próximas gerações enfrentarão: “Quando os nossos filhos começarem a trabalhar, não vão diferenciar chefe homem ou mulher”, anteviu.

As executivas reforçaram que não tiveram mentores diretos, mas que se inspiraram em algumas pessoas com as quais trabalharam. Maria Eduarda Bomfim, presidente de resseguros da THB Re Brasil, destacou que “o mais marcante é saber que influenciei as pessoas com quem trabalhei.”

Elas ainda deram dicas para mulheres que desejam assumir cargos de liderança. Paula Lopes, diretora executiva de Placement da Marsh Brasil, disse que “é fundamental que elas estejam abertas às críticas, aos feedbacks e que procurem melhorar como chefes”. Já Sheila ressaltou que elas têm que saber onde querem chegar e em que setor querem trabalhar, além de buscarem exemplos para seguir. “Tem que se posicionar, exercer o papel que compete a mulher. É um trabalho de formiga”, finalizou.

Tatiane Pina
Revista Apólice

Deixe uma resposta