EXCLUSIVO –  “As novas tecnologias surgem para tornar o ‘fazer seguro’ mais prático, sustentável e organizado. Mas elas não suprem a necessidade da participação do corretor no negócio, que deve ter bons olhos para as ferramentas que chegam ao mercado”, essas são as palavras de Rossana Costa, diretora da GEO, gestora de dados e apólices de seguros para os ramos de construção civil e imobiliário, que atua de forma 100% online.

A empresa, fundada em 2004, nasceu com o propósito de fazer distribuição de seguros para a construção civil para todo o âmbito nacional. “O espectro de negócio ficou mais amplo. Começamos com o seguro garantia, que sempre teve muita resistência do mercado, porque a seguradora precisaria entender muito de obra para poder efetivamente garantir a entrega”, explica a executiva. “Era uma luta convencê-las do negócio”, continua.

Rossana Costa

Rossana conta que sentiu a necessidade de explorar outros nichos do mercado e viu no seguro prestamista a chance de alavancar de vez o negócio. “Fizemos uma adaptação desse produto para o setor de crédito imobiliário. No balcão dos grandes bancos, existia o seguro habitacional, mas, se o cliente quisesse financiar através de uma incorporadora, os créditos eram menores. Ou seja, não tinha um produto que atendesse à demanda dessas pessoas”, diz. Ela conta que a empresa focou em consumidores que não queriam ir até os bancos. “Foi um grande case que desenvolvemos online, sem nenhum papel. Planejamos a entrada dos dados, junto com a seguradora, parametrizamos, construímos o sistema e botamos para rodar”, salienta.

Durante os seis primeiros meses de operação, a seguradora não conseguia fazer o processo sem a utilização do papel, pois pensavam que a Susep iria requerer os documentos físicos para a comprovação do serviço. “Fizemos a assinatura digital, mas, ainda assim, eles tinham esse temor. Demorou muito para que a seguradora ganhasse confiança de que poderia trabalhar digitalmente”. Rossana conta que estava em casa quando recebeu seis caixas cheias de apólices, pois, no acordo, a seguradora era proibida de mandar os documentos físicos para o cliente. “Eu devolvi as caixas e eles não mandaram mais. Demorou muito, cerca de uns seis anos para isso ficar incrustado no perfil de algumas companhias: ‘não precisa de papel!’”.

Segundo Rossana, com o passar dos anos, as empresas também ficaram mais engajadas em ações sustentáveis, então, o caráter ecológico foi um dos argumentos que a GEO utilizou para convencer a seguradoras das soluções digitais, além de da empresa ter conversado com o jurídico dessas companhias. “Desse tempo para cá, estamos levando isso muito mais fácil. A gente simula, emite, fatura, cobra, regula sinistro, tudo de maneira digital. Entregamos esse serviço para as seguradoras sem impacto algum”, detalha a executiva.

“Às vezes, um produto nosso demora dois anos para sair da prateleira, porque precisamos construir um caminho”, conta a diretora. “Nossa plataforma é atrativa para corretores pois só funciona com a participação deles próprios. O cliente entra e tem que, obrigatoriamente, escolher um vendedor para conseguir simular”, reforça. Hoje, a companhia mantém 1049 corretores ativos em sua base e a intenção é dobrar o número em 2019. “15 anos em 1. Queremos agregar profissionais à plataforma e conscientizar o mercado de que a tecnologia é sustentável e complementar”.

Para ela, por mais digital ou didático que os sistemas sejam, o cliente sempre precisará de alguém conversando com ele em um momento: o do sinistro. “Por mais que o mercado ainda enxergue esse profissional como captador, nesse novo papel, ele será um solucionador de conflito e deve ser alguém de confiança do cliente”.

A companhia cobra, na contratação de um seguro, a mesma taxa a todos os clientes, independente da quantidade de segurados ou itens de uma apólice. “Temos custos que pareiam com o mercado, não é muito mais barato, só que é esse preço para qualquer obra, independentemente do tempo que ela dure. Então, se você tem uma reforma que durará 3 meses de R$ 100 mil, a taxa é a mesma para uma obra de edificação de 20 andares que vai levar 5 anos para ficar pronta e custa R$ 100 milhões”, exemplifica. “Eu favoreço do pequeno ao grande risco. O corretor gosta, pois é simples, inteligente e ele tem o preço na cabeça”. Ela ainda diz que o custo administrativo é muito baixo, e a taxa pareada com o mercado tem facilities de contratação e emissão. “Para esse produto, diluímos o pagamento por todo o prazo da obra sem juros”, continua a executiva.

Em 2018,  a companhia teve um crescimento de emissão de apólices de 21% na comparação com o ano anterior, e, em 2019, o crescimento já é de 4,60% em relação ao mesmo período de 2018. Atualmente, a empresa trabalha com as seguradoras Zurich, Axa e Essor, cada uma focada num nicho de produto. “Os clientes são incorporadores, construtoras, cooperativas de crédito, bancos que não têm seguradoras no grupo, secutirizadores (organismos que compram com base na Bolsa) e também fundos de investimento imobiliário – que cresceram bastante no segundo semestre de 2018, que deu um oxigênio para a construção civil”, completa.

Maike Silva
Revista Apólice

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