EXCLUSIVO – Em 2018, a rentabilidade da Porto Seguro foi impulsionada pelo aumento do resultado operacional, suportado pelo melhor índice combinado histórico. A rentabilidade das aplicações financeiras acima do mercado contribuiu para mitigar os efeitos da redução da taxa de juros no resultado financeiro. Além disso, a empresa expandiu as receitas das principais linhas de negócio, superando os efeitos do baixo crescimento econômico.

Na operação de seguros, os prêmios cresceram 2% no quarto trimestre e 5% em 2018 como um todo. No acumulado do ano, os prêmios do seguro de automóvel aumentaram 4% (vs. 2017) e registraram um menor ritmo no último trimestre (+1% vs. 4T17) quando comparado aos nove primeiros meses do ano, reflexo das adequações nos preços para fazer frente à queda nas frequências de sinistros. Adicionalmente, a companhia voltou a expandir frota, aumentando em cerca de 180 mil veículos (vs. 4T17), decorrente principalmente da oferta de alternativas mais acessíveis, como os produtos Azul Leve e Itaú Auto e Roubo, além dos efeitos positivos da recuperação gradual na venda de veículos novos.

Marcelo Picanço

“Nesse ultimo trimestre, tivemos uma recuperação mais forte. A ideia é que, esse ano, cresçamos mais a carteira de Automóvel, que teve certa dificuldade”, conta Marcelo Picanço, diretor geral de Seguros e Investimentos da empresa. Ele explica que, para isso, a companhia tem que não só trazer clientes que já fazem seguros como também trabalhar clientes que ainda não permeiam esse mercado. “Têm muitos consumidores com condição de fazer seguro mas não fazem por questão de acesso, educação ou até mitos que têm em relação ao mercado”, continua o executivo. “Como temos quase 30% do market share, nosso crescimento ao longo prazo depende muito do mercado se expandir”.

Picanço ainda fala que a redução dos preços do seguro não foi oriunda uma estratégia comercial, mas que, sim, natural, resultando em uma redução técnica. “Observamos uma queda de frequência considerável no mercado. Isso fez com que tivéssemos margem para reduzir esse preço. Digo, também, que não será necessário ter aumento de preço futuramente, porque temos uma carteira bem saudável”, revela o executivo. “Acreditamos que a tendência de risco é para baixo, não só pelo movimento recente que vimos, mas também pela retomada econômica, que reduzirá a violência”, complementa.

Nos demais seguros, o Porto Seguro Saúde obteve o maior crescimento anual de prêmios (+19%) dos últimos sete anos, alavancado pelas vendas do produto PME e por ajustes na operação, enquanto a expansão dos produtos Porto Seguro Vida (+2%) e Patrimoniais (+4%) ficaram abaixo da evolução de anos anteriores. Contudo, a empresa percebeu enorme potencial em função da reduzida penetração.

O índice combinado de seguros registrou uma melhora de 1,4 p.p. no trimestre, consequência da redução de 2,2 p.p. na consolidação dos índices de despesas administrativas e operacionais. Os esforços para capturar sinergias e benefícios dos investimentos realizados, por meio da intensificação no uso da tecnologia e de ajustes de processos, resultaram em ganhos de produtividade, sendo que nos últimos três anos houve uma redução de 3,1 p.p. na somatória dos índices (D.A. + D.O.). A sinistralidade aumentou 0,6 p.p. em relação ao 4T17. No entanto, permaneceu 3 p.p. abaixo da média dos últimos três anos.

Nos negócios financeiros e serviços, as receitas aumentaram 5% no trimestre, impulsionadas pelas operações de crédito, que expandiram 14% (vs. 4T17), mantendo o índice de inadimplência acima de 90 dias (5,4%) em linha com a média de mercado (fonte: Banco Central).

O resultado financeiro foi 93% superior ao 4T17, impulsionado pelo desempenho das alocações em renda variável e dos títulos com juros indexados à inflação. A rentabilidade trimestral da carteira (por exemplo Porto Seguro Previdência) foi de 2,6% (166% do CDI) e de 8,7% (135% do CDI) no ano. “Com toda essa discussão que envolve a reforma, a previdência complementar só tende a ganhar confiança, principalmente da classe média”, diz Picanço. Para ele, a insegurança acerca da competência do setor público vai suscitar a busca por soluções individualizadas. “Para produtos de longo prazo, nossa previsão é ainda mais otimista”.

O lucro líquido alcançou R$ 387 milhões no 4T18, um aumento de 44% em relação ao 4T17. Excluindo-se os efeitos não recorrentes da venda da participação do IRB em 2017, o lucro líquido aumentou 34% no ano, atingindo R$ 1,3 bilhão, sendo que o Porto Seguro Auto foi o produto que mais contribuiu para o aumento da lucratividade, com um resultado quase duas vezes superior ao ano anterior. O ROAE alcançou 22,5% no trimestre e 19,1% no ano. Como referência, a rentabilidade dos negócios da Porto Seguro com capital ajustado (sem excesso) e considerando uma rentabilidade de investimentos de 100% do CDI seria de 22,4% no trimestre e de 23,5% no ano.

Neste ano, a companhia recorreu ao pagamento recorrente de proventos, distribuições extraordinárias de dividendos no valor de R$ 800 milhões, buscando assim o aumento de eficiência no uso do capital. Desta forma, o total de dividendos distribuídos* em 2018 atingirá R$ 1,4 bilhão, o maior valor desde a abertura de capital em 2004.

A empresa está satisfeita com os resultados alcançados e segue otimista com o desempenho de seus negócios por meio da estratégia de crescimento com foco na rentabilidade, principalmente em função da baixa penetração da indústria de seguros em relação ao PIB e do potencial dos demais setores em que atua.

Principais destaques:

  • Receita Total: R$ 4,7 bilhões (+5%)
  • Prêmios Auferidos: R$ 4,0 bilhões (+2%)
  • Receita Demais Negócios: R$ 619 milhões (+5%)
  • Resultado Financeiro: R$ 298 milhões (+93%) *
  • Índice Combinado: 93% (-1,4 p.p.)
  • Lucro Líquido: R$ 387 milhões (+44%) *

*Dividendos propostos pela administração, sujeitos à aprovação da Assembleia Geral a ser realizada em 29/03/2019.

Maike Silva
Revista Apólice

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