Aconteceu nesta quinta-feira, 21, no auditório do Sindsegsp, o workshop “O cenário atual no desenvolvimento de produtos de vida”, com participação de corretores e executivos, promovido pelo CVG-SP. O debate contou com a presença de Silas Kasahaya, presidente do CVG-SP como mediador do debate e o diretor de relações com o mercado, Gustavo Toledo como coordenador da mesa.

Entre os assuntos debatidos estava a possibilidade de reforço nos planos de seguros de vida com coberturas em caso de doenças graves com valores mais acessíveis. Muitas pessoas preferem investir em ações do que adquirir a proteção de um seguro de vida. “Hoje as coberturas existem, porém com valores altíssimos, e quem necessita de uma proteção em saúde não consegue pagar, pois não há mais planos de saúde individuais e a precariedade da saúde pública não oferece outras opções”, admitiu Silas Kasahaya.

Com o aumento de doenças cardiovasculares, doenças que aparecem ao longo da vida ou doenças pré-existentes, o segurado fica em dúvida sobre o que terá de cobertura do plano. Por isso,  Tiago Moraes, responsável pela área de produtos e operações da Mitsui Sumitomo Seguros e um dos participantes da mesa de debates, atesta que “por conta das carências na saúde pública, o segurado que não possui cobertura de plano de saúde procura os seguros de vida individuais para se proteger em caso de doenças graves”.

Os valores gerais dos planos também afastam os clientes das seguradoras. As companhias procuram estratégias para captar e manter seus clientes, com planos que podem custar o equivalente a uma mensalidade de um serviço como o Netflix, por exemplo. Também buscam coberturas que deem respaldo ao profissional liberal quando ele não puder trabalhar por um certo período de tempo.

Silas Kasahaya reforça que a maior dificuldade do mercado atualmente é referente ao valor dos produtos de vida. Este é um fator impeditivo para a entrada de novos consumidores, principalmente daqueles com menor renda. “Um país com muitas desigualdades dificulta a divulgação de um produto voltado para pessoas com uma condição financeira um pouco melhor. Mas e aquelas pessoas de baixa renda? Será que aqueles produtos que oferecemos, canais alternativos de distribuição, redes varejistas, até mesmo bancos, geram algum valor para essas pessoas? Temos que começar a distribuir valor, ao invés de produto”, desabafa

Com os avanços tecnológicos, as seguradoras caminham a passos lentos em busca de uma adaptação, mas Toledo declara que “a questão da digitalização é fundamental, está dentro do nosso papel, da nossa vida hoje, não tem como ficar por fora dela. Mas precisamos também aterrissar esse avião no momento ‘agora’. Temos que falar muito sobre o futuro, pois há tecnologia nova para ser implantada e aproveitada pelo mercado.”

Tatiane Pina
Revista Apólice

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