(Foto: Cadu Rolin/Estadão)

Olhando pelo aspecto do gerenciamento de riscos, algumas lições podemos tirar da tragédia de Brumadinho. Não conheço a equipe técnica da Vale, não sei como eles se comportam com relação à prevenção de perdas e ao gerenciamento de riscos, também não sei quem construiu, mas enfim, neste momento, isso pouco importa.

Giovanni Cezimbra Balen

Vendo as notícias na mídia, dentre alguns vídeos e outros, não consegui acreditar que uma empresa desse porte e reconhecida mundialmente teve a capacidade mental de construir área administrativa e refeitório “abaixo” do nível da barragem. Pelos olhares de um gestor de risco, essa seria a primeira coisa que não deveria ser feita. Mas foi…

Outra coisa que eu não consigo entender é como o poder público autoriza a construção de uma barragem sem prever e mapear as eventuais áreas que podem ser atingidas em caso de rompimento. Essa, a meu ver, deveria ser uma premissa para a construção das mesmas. Que as famílias pudessem ser realocadas (com um mínimo de compensação) em locais seguros. Quem quiser aprender que venha a Santa Catarina conhecer o município de Itá, que fez nascer uma nova cidade (em área segura, no alto) para a construção de uma usina hidrelétrica.

Infelizmente esta é uma tragedia sem tamanho, difícil de se engolir. Aquilo que economizaram utilizando o método mais simples para a barragem, gastarão agora em indenizações. Mas uma vida não tem preço, ou seja, é incomensurável…. Não tem dinheiro que pague, não tem seguro que cubra suficientemente para estancar a dor. E quem se foi vai fazer falta, vai fazer muita falta.

Lição

Que sirva de incentivo ao estudo de melhores técnicas, de melhores práticas, e que a figura do gestor de riscos seja cada vez mais importante na atividade empresarial. O gerenciamento de riscos deveria ser matéria acadêmica e até curricular no ensino médio. Todos deveriam aprender o conceito básico de gerenciamento de riscos, para poder ter o mínimo de noção do quanto se expõem e o quanto isso pode afetar a sua vida pessoal, empresarial e financeira.

E, para quem quiser saber, fica aqui a “fórmula” do risco:

Risco = Probabilidade (de ocorrência) X Intensidade (das consequências)

Eu não quero me estender no assunto, porque é algo que eu falaria por muito tempo, e a dor que sinto pelo acontecido, abala-me profundamente. Mas lembrei de cada inspeção que já fiz, de cada um que contribuiu para meu aprendizado na área de gestão de riscos, de cada recomendação realizada aos clientes, de cada fundamentação já feita sobre determinado tópico ou cobrança. A gente precisa ser chato nesse aspecto. Precisa pensar no bem estar dos outros, na perpetuidade do negócio.
Não se pode economizar em prevenção: essa é a melhor forma de economizar no seguro.

Meus sinceros e profundos sentimentos à todos familiares, amigos e colegas daqueles que se foram. E, mais uma vez, que sirva de lição aos empresários e ao poder público.

Sobre o autor

Giovanni Cezimbra Balen, corretor de seguros de riscos diferenciados na Fracel 

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