O mercado segurador nacional passou por uma fase de mudanças importantes, entre as principais, a de consolidação através de fusões e aquisições. Como consequência reduziu a quantidade de seguradoras operando neste segmento, sendo a maioria absoluta dos players de origem multinacional. Estes trazem para o Brasil seus modelos globais de subscrição e critérios de aceitação de risco.

Simone Ramos

Se de um lado a presença de multinacionais amplia a disponibilidade de serviços, produtos e capacidade, do outro lado, aumenta a demanda por informações para aceitação dos riscos e reduz o apetite que estejam fora das normas globais a que os subscritores passam a estar sujeitos.

Ainda que haja um movimento de seguradoras de varejo que começaram a entrar no segmento corporativo, seu foco tem sido quase que exclusivamente em médios riscos e ainda não tem um papel relevante nos grandes. Esse quadro impacta vários segmentos de grandes riscos, dentre eles o segmento de operadores portuários.

As mudanças entre o perfil de aceitação de risco das seguradoras e as colocações de seguro de operadores portuários estão mais complexas. A política de retenção de riscos de cada cliente passa a ter uma análise diferenciada.

O novo cenário passou a exigir dos corretores grande competência técnica, conhecimento específico sobre o setor, produto e mercado segurador para viabilizar a renovação das apólices. Historicamente, é essencial cooperação entre o mercado local e o internacional, já que com frequência é necessário contar com apoio de resseguradores internacionais, em especial do mercado londrino, para viabilizar as colocações.

A composição de carteiras visando flexibilização de custos e aceitação no mercado, em conjunto com suporte no trabalho de gerenciamento de riscos e controle, também irá auxiliar no ajuste das franquias para redução de custos e controle de sinistralidade.

O risco ambiental é um tema que também merece destaque.

No Brasil, a legislação ambiental tem evoluído e as questões relacionadas a esse tema fazem parte de uma agenda corporativa. A fiscalização hoje é mais rigorosa e os ambientalistas tem sido mais atuantes denunciando todo indício de dano a natureza e ao meio ambiente.

As regulamentações ambientais estão forçando os portos a se tornarem ecológicos por meio de alternativas de combustível, água de lastro e construção de portos. A demanda por esse seguro tem aumentado nos últimos anos, já que o custo de aquisição não é tão elevado se comparado à época de seu lançamento no mercado brasileiro e os sinistros recentes demonstram cada vez mais a necessidade de se proteger para eventos cujos prejuízos podem ser muito elevados (investigação, defesa, monitoramento, remediação).

Diante deste cenário, será necessário ler o plano estratégico de seu cliente, mergulhar no entendimento das exposições para cada tipo de evento em particular e buscar integralizar os riscos para identificar possíveis ameaças.Não somente por se tratar de apólices estratégicas, mas devido a complexidade das operações, o ideal é agregar objetivos estratégicos da empresa com um programa de seguros pertinente às operações.

Os riscos inerentes à operação portuária como logísticos, armazenagem, contratuais, construção, cibernéticos, roubo de cargas, danos a terceiros e ambientais são relevantes. Entre os principais seguros contratados para este segmento estão: Responsabilidade Civil Operador Portuário, Responsabilidade Civil Ambiental, Responsabilidade Civil Geral, Riscos Operacionais, Transporte, Frota de Veículos e Responsabilidade Civil de Administradores (D&O).

As empresas necessitam estar preparadas para eventos catastróficos, inesperados e significativos, que resultam em impactos diretos sobre bens patrimoniais, processos produtivos, imagem e interrupção dos negócios.

Um programa de seguros bem estruturado será importantíssimo neste processo para que possa proteger possíveis danos dos ativos de uma empresa.

Sobre a autora

Simone Ramos, especialista em Riscos Seguráveis para Portos, Terminais e Logística

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