EXCLUSIVO – O mercado de franquias está otimista para 2019. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) acredita que o faturamento deve crescer na casa dos dois dígitos, gerando mais empregos e multiplicando as unidades de negócio.  Até o terceiro trimestre do ano passado, quando a ABF fez o seu o último levantamento, a expectativa era de que o setor de franchising crescesse 7% em 2018. Descolado do momento econômico do País, o modelo de franquias se coloca como uma das grandes oportunidades para aquecer o mercado securitário, que se destaca por oferecer negócios com preços bem acessíveis.

Marcelo Leite

A Barela, especializada em consultoria e venda de seguros e planos de saúde para pequenas e médias empresas, investiu no modelo de franquias para ampliar sua capilaridade no mercado nacional. A corretora, que existe desde 1995 e em 2014 foi adquirida pela It´sSeg Company, quer chegar a 500 franquias em 5 anos. O negócio foi pensado para quem pensa em empreender e ter mais flexibilidade, como, por exemplo, para executivos e gerentes de bancos e seguradoras que buscam nova fase de carreira.

“A venda de seguros e pacotes de benefícios para empresas de menor porte ainda não é feita de forma consultiva no Brasil. É um mercado fragmentado e operado por pequenos corretores, muitos deles não especializados”, declara Marcelo Leite, diretor da Barela. “O mercado brasileiro é um dos que mais investe em franchising em todo mundo. Já temos uma tendência para esse tipo de negócio”.

No Brasil, há uma lei específica que regulamenta o franchising, a de nº 8.955 vigente desde 1994. No panorama global, de acordo com o ranking do World Franchise Council, o Brasil mantém a 4ª colocação do mundo em número de redes e a 6ª posição em relação ao total de unidades.

Henrique Mol

“O formato de franchising permite o crescimento do negócio (vendas) sem perder a essência da qualidade no atendimento ao cliente final, visto ser ele feito pelo dono do negócio”, esclarece Henrique Mol, diretor executivo da Quisto Corretora de Seguros. Para ele, outro ponto importante é a divisão de tarefas entre franqueadora e franqueado, “dividindo responsabilidades, conseguimos melhores resultados. Com o formato de franquia existem regras bem claras, contrato e, inclusive, uma lei que regulamenta o setor”, reforça.

Leite afirma que o franchising proporciona uma padronização ao mercado, uma espécie de “educação operacional” para o segmento. “As companhias começaram a enxergar que o nível de entrega através desses processos melhoram de acordo com essa padronização. pois o franqueado teve o despedimento do dinheiro, o know how com especialistas, e ainda tem na cabeça de que ele é o dono do negócio”, analisa o executivo.

Outra companhia que projeta um crescimento acima do mercado é a Quisto, que espera alcançar mais de 300 unidades até o fim desse ano. Apenas de agosto a novembro de 2018, a empresa conquistou 30 franqueados, que estavam divididos nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Com foco em capitais e atenção às zonas periféricas, franqueadora teve um faturamento de R$ 2 milhões no período.

A empresa oferece dois modelos de negócios: Home office com investimento inicial de R$ 11.990 (incluso taxa de franquia + capital de giro). O faturamento bruto médio mensal nesse modelo pode chegar a R$ 50 mil, com prazo de retorno entre 6 a 18 meses. Já no modelo loja física o investimento é de R$ 25.590,00 (incluso taxa de franquia + taxa de instalação + capital de giro), o lucro líquido médio mensal é de R$9 mil e faturamento bruto que poderá chegar a R$70 mil. O prazo de retorno desse modelo é entre 12 a 18 meses.

Francisco de Assis

“A cultura já está bem desenvolvida no setor, com atuação já de várias marcas. Isto é importante também para melhoria de concorrência, onde cada empresa irá buscar a melhoria diária para se sobressair”, salienta Mol. “Antes de investir, o franqueado deve levar em consideração a estrutura da franqueadora, que irá refletir no suporte que ele terá”.

Francisco de Assis, franqueado da Touareg Seguros, conta que escolheu seu negócio pensando nas suas características e da franqueadora. “O perfil a ser escolhido é o principal ponto de partida. A capacidade e a seriedade da empresa deve ser levado em consideração, assim como o número de parceiros que ela já possui e o tempo que ela tem de mercado”. Ele ainda fala que considera o tempo de resposta da franqueadora e a credibilidade como fatores preponderantes para que o negócio funcione.

Estilo de vida

Dois terços dos brasileiros querem abrir a própria empresa para ter mais liberdade e autonomia. É o que mostra uma pesquisa realizada pela MindMiners, encomendada pelo PayPal, que fez um raio X do empreendedorismo no Brasil. Os números fomentam as oportunidades. E os executivos enxergam o mercado de seguros como a porta de entrada.

“Nossa geração que dar uma condição melhor para a família, passar menos stress, trabalhar em casa, poder levar o filho na escola e ter o seu próprio negócio. Uma franquia de seguros (de serviço) permite que alguém tenha essas oportunidades, o que não acontece se a pessoa for montar um restaurante, por exemplo, onde ela precisaria despender de muito tempo para administrá-lo”, explica Leite.

Já o franqueado da Touareg Seguros, que está em início de negócio, fala que o segmento de franchising ainda precisa melhorar em alguns pontos em sua base. “Estou trabalhando com foco na área corporativa. Fiz um investimento inicial na ordem de R$ 20 mil. Sei que esse modelo é novo na área de seguros, em breve chegaremos na estrutura ideal”.

O diretor da Barela conta que uma mulher que os procurou estava grávida, quando perguntada sobre o porquê investir em uma franquia de seguros naquele momento, ela disse que aquele modelo de negócio a possibilitaria estar ao lado do filho nos seus primeiros anos de vida. “Temos uma vantagem que é a flexibilização. Esse tipo de história nos chama a atenção”, ressalta.

A Barela trabalha exclusivamente com o modelo home office e oferece treinamentos para todos os seus parceiros. “O custo da taxa de franquia gira em torno de R$ 10 mil. Nosso retorno médio está pautado de 6 a 12 meses”, diz completa Leite.

Maike Silva
Revista Apólice

Deixe uma resposta