A penúltima semana do ano traz uma enxurrada de dados que consolidam a trajetória da economia em 2018. Além do IPCA-15 do mês, do IBGE, vai se conhecer a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) e o Relatório Trimestral de Inflação, ambos do Banco Central. No front externo, o Federal Reserve e o Banco Central da Inglaterra tornam públicas suas medidas de política monetária por meio da divulgação das suas respectivas taxas básicas de juros.

A expectativa é de surpresa positiva para o IPCA-15, que será uma prévia para a inflação de dezembro e deve apresentar um dos menores resultados para o período dos últimos anos. Este desempenho se deve aos preços no varejo em geral, ao preço dos combustíveis e à tarifa de energia elétrica.

As divulgações mais esperadas pelo mercado, entretanto, são de instituições externas, especialmente as norte-americanas. Na quarta-feira, o Federal Reserve torna pública a nova taxa básica de juros dos EUA. O que chama tanto a atenção para este dado é a batalha travada entre a entidade e Donald Trump ao longo de 2018. Enquanto o chefe do executivo exigia uma política monetária expansionista, alinhada com as medidas implementada por ele, o presidente do Fed, Jerome Powell, elevava a taxa de juros a fim de conter os efeitos colaterais iminentes, motivados pela postura fiscal em voga.

A expectativa do mercado é de que a vontade de Trump seja novamente contrariada, com elevação dos juros em 0,25p.p, passando de 2,25% para 2,5% ao ano. Juros mais altos em economias centrais tornam investimentos remunerados por eles mais atrativos. Neste contexto, o capital aplicado em economias emergentes, como o Brasil, tende a migrar para as economias desenvolvidas, onde o risco é menor.

No mercado doméstico, a política monetária dá indícios de que caminhou seus últimos passos no sentido contrário. Na quarta-feira (12), o Copom se reuniu pela última vez sob o comando de Ilan Goldfajn e manteve a taxa de juros doméstica em 6,5% a.a. O comunicado atentou para o movimento externo contracionista e classificou-o como o maior risco para a manutenção deste patamar ao longo de 2019.

São duas as forças que atuam no sentido contrário e que podem prolongar o período de taxa Selic no patamar atual: inflação próxima do piso da meta e atividade econômica abaixo do desejado. Por hora, o Banco Central avalia que não há motivos para mudanças: o contexto doméstico ainda prevalece sobre o movimento internacional. Mas a força da conjuntura externa tem aumentado e é acompanhada de perto pela autoridade monetária.

De fato, devemos esperar que a prevalência do contexto doméstico sobre o externo prossiga no curto prazo. Mas isso não significa que o Brasil está imune a movimentos externos. Pelo contrário, somos amplamente afetados por eles. Juros internacionais que estimulem a saída de capital favorecem a depreciação da moeda nacional. Com isso, podem provocar inflação, uma vez que encarecem tanto os produtos importados quanto os que são produzidos internamente e negociados a preços internacionais. Neste contexto, a política monetária pode ser desafiada no médio prazo.

Gestão

A semana de 10 a 14 de dezembro foi de menor volatilidade para os mercados comparada à anterior, à medida que se percebe menor liquidez nos diversos mercados e os investidores evitam a montagem de posições mais expressivas com a proximidade do final do ano.

No cenário externo, contribuíram para isso as sinalizações de maior acomodação nas negociações entre Estados Unidos e China – com a retomada dos embarques de soja americana – e a busca pelo governo alemão de uma possível fusão para o Deutsche Bank e saneamento de seu balanço, apontado como epicentro das tensões no sistema financeiro europeu, o que agradou aos investidores. As taxas dos Treasuries recuaram ligeiramente, na esteira de sinais de desaceleração da atividade na margem, embora afastando, no momento, qualquer indicação de risco de recessão para 2019.

No cenário doméstico, o Ibovespa andou praticamente de lado, com pequeno recuo de 0,8% na semana, enquanto o dólar teve ligeiro avanço de 0,2%, e os DIs seguiram fechando os prêmios apresentados nos vértices mais longos, com pouco espaço para arbitragens e apostas direcionais de maior monta. Daqui até o final do ano, a Mapfre Investimentos espera que a tônica dos mercados será o ajuste de alocações e carteiras segundo as projeções de crescimento das principais economias, o que poderá beneficiar o Brasil dada a expectativa de retomada das reformas estruturais e ligeira aceleração da atividade econômica.

M.S.
Revista Apólice

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