A Internet das Coisas (IoT) vem ganhando força no nosso dia a dia e em diversos setores da economia. O setor de saúde, por exemplo, tem inúmeras possibilidades de aplicabilidade, sobretudo no que se refere à prevenção de doenças crônicas e à redução de infecções hospitalares – um dos principais agravantes da qualidade de vida dos pacientes e dos altos custos das instituições.

Carlos Reis

Sendo assim, podemos afirmar que a IoT é um importante ativo para toda a cadeia de valor do setor, beneficiando pacientes, hospitais, operadoras, institutos de pesquisa e desenvolvimento, profissionais e laboratórios farmacêuticos. A tecnologia permite a comunicação entre equipamentos e melhora o atendimento médico, o diagnóstico preventivo de doenças e as cirurgias, ajudando a salvar vidas.

De acordo com projeções do Plano Nacional de IoT, uma iniciativa do BNDES, estima-se que até 2025 o mercado global de saúde tenha um ganho potencial gerado pela Internet das Coisas de US$ 1,7 trilhão. No Brasil, estima-se que o valor poderá chegar a US$ 39 bilhões. O projeto prioriza quatro segmentos – Manufatura, Agronegócio, Cidades Inteligentes e Saúde -, sendo este último o que deverá ocupar o primeiro lugar em velocidade de adoção e implementação.

Aliás, durante o Fórum Econômico Mundial para a América Latina, realizado em março deste ano, o Governo anunciou medidas para estimular os pilares relacionados à essa tecnologia no Brasil, dentre eles, a disponibilidade imediata de linhas de crédito de mais de R$ 10 bilhões do BNDES, Finep e Banco da Amazônia. A iniciativa proporcionará mais inteligência na prestação de serviços públicos e privados, capacitação de pessoas, inovação, empreendedorismo, além de ajudar a posicionar o Brasil como um desenvolvedor de tecnologia no mercado global.

Uma das aplicações da internet das coisas, por exemplo, permite monitorar os pacientes de maneira remota por meio de dispositivos vestíveis (wearables) e aplicativos de celular. Com o objetivo de identificar alterações com agilidade e diminuir a incidência de doenças graves, os dados coletados podem, em tempo real, alimentar o prontuário eletrônico em hospitais ou clínicas médicas auxiliando na tomada de decisão.

A tecnologia também ajuda doentes crônicos a terem uma melhor qualidade de vida ao possibilitar o tratamento em casa, evitar o esquecimento das doses dos remédios e reduzir a internação recorrente por conta da doença. Para se ter uma ideia, em 2014, existiam no Brasil cerca de 60 milhões de doentes crônicos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), o que comprova a importância de se investir em tecnologias como essa.

Mais do que isso, a IoT contribui para a preservação da saúde dos pacientes internados ao reduzir o número de infecções hospitalares por meio do incentivo à higienização das mãos dos profissionais da instituição. Tudo isso por meio da instalação de processos simples e dispensários de álcool em gel conectados por radiofrequência que monitoram a recorrência com que cada profissional efetua a higienização.

Outra aplicação da tecnologia visa a cirurgias mais seguras por meio da identificação de cada um dos instrumentos utilizados no centro cirúrgico. Além disso, a rastreabilidade ajuda na gestão de OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais, dispositivos e materiais de alto valor agregado), que impactam no alto custo dos hospitais. Com a IoT, é possível identificar a localização exata de cada instrumento, evitando, por exemplo, que um deles seja esquecido dentro do paciente.

Há ainda as tecnologias de Big Data e a Inteligência Artificial, que analisam os dados coletados a partir de dispositivos conectados e os correlacionam com informações da literatura médica, gerando insights para toda a cadeia de valor. Desta forma, é possível, por exemplo, identificar regiões brasileiras onde há maior incidência de determinada patologia.

Essas tecnologias já estão sendo implementadas em várias instituições do setor, principalmente nas áreas voltadas para o cuidado com o paciente. Juntas, elas irão revolucionar a medicina e a vida das pessoas, com retorno do investimento comprovado em hospitais e laboratórios, além de ajudar a reduzir o índice de infecções hospitalares. Em pouco tempo, será possível acessar todo o histórico dos pacientes a qualquer hora e de qualquer lugar, com base em informações vindas de dispositivos conectados. Ou seja, o prontuário de uma vida toda estará concentrado, permitindo uma análise muito mais inteligente, assertiva e individualizada. Isso reduzirá as idas aos consultórios e elevará a qualidade de vida a patamares até então desconhecidos.

Sobre o autor

Carlos Reis é consultor do segmento de Saúde da Logicalis

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