Fenacor 50 anos: O Brasil não é o mesmo país das origens da Fenacor. Em 1968 circulavam bondes pelas ruas de São Paulo e Rio. Ainda não havia um único centímetro de metrô no país. Telefone só fixo e alguns orelhões que começavam a aparecer. TV só preto e branco.Não tínhamos sequer os “noventa milhões em ação” da Copa de 70. Éramos pouco mais de 80 m de habitantes! A Rede Globo fundada em 1965 era a terceira do ranking dos canais de TV aberta. Aliás, só existia TV aberta. A revista VEJA fundada também há meio século, editava suas primeiras publicações. Os automóveis eram DKW, Rural Willys, jeep Candango e, claro, muitos fuscas. Muitos fusquinhas e até fuscões..

Enfim, em 1968 o Brasil era um país quase que de outro planeta. E nesse quase deserto que era o setor de seguros foi que a Fenacor nasceu de forma pioneira e visionária.
Em 50 anos de Fenacor as conquistas foram tantas para a categoria de corretores e para o mercado como um todo que um artigo não basta para listar. Recomendo uma ida ao google para o leitor que ainda não conhece se informar sobre a heróica história da Fenacor.
Muito bem. Parabéns pelos atuais 50 anos. Mas a pergunta que este artigo se propõe a responder é o que podemos esperar da Fenacor nos próximos 50? Ou seja: quando chegarmos em 2068 o que a Fenacor estará comemorando?
Sem querer fazer futurologia, mas já fazendo, podemos imaginar um Brasil muito diferente no futuro. Um país avançado tecnologicamente e surfando a todo vapor na chamada Economia 4.0. Estimativas do IBGE apontam algo entre 350 a 400 milhões de brasileiros. Todos com formação escolar altamente qualificada, muito diferente do analfabetismo funcional de nossos dias.
A comunicação digital veio para ficar e centenas de milhões de nossos irmãos vão estar cada vez mais interligados. Filhos viajarão com muito mais facilidade para o exterior. Pais viverão até depois dos 100 anos. Serviços domésticos serão substituídos por equipamentos de robótica. E talvez já não existam mais automóveis porque talvez já não exista mais petróleo para abastece-los.
Imaginar o Brasil daqui a 50 anos é um exercício fascinante. Mas deixemos isso para escritores de ficção científica. Quero aqui focar com bastante precisão no setor de seguros para avaliar o papel da Fenacor nas próximas cinco décadas.
Hoje, estima-se que o setor, em que pese uma conjuntura de crise, já responda por aproximadamente 3% do PIB, o que já é uma montanha de dinheiro. Em 50 anos esse percentual deverá chegar a 5% e até dobrar chegando a 6%. Uma montanha financeira ainda maior!
Sabemos que novos produtos chegarão ao mercado de seguros. Mas isso não é novidade. Isso já acontece desde sempre. A boa notícia é que teremos um consumidor diferente de tudo que estamos acostumados  nas próximas décadas. Seja por consequência da evolução tecnológica, seja pela própria crise destes primeiros anos do século XXI, o cliente potencial de seguros da segunda metade do século será muito mais sensível ao tema seguro. Como se sabe, a crise amadurece as pessoas e obriga a uma reavaliação de nossa filosofia de vida. Nesse sentido os duros anos que o Brasil vem experimentando desde 2014 (e o mundo desde 2008) resultará num grande aprendizado, uma espécie de curso intensivo anti-crises. Não nos iludamos: da atual conjuntura difícil e complexa nascerá um cliente novo para o nosso setor.
O importante é saber se o corretor estará à altura desse novo consumidor. Motivado para investir em seguro o brasileiro estará cada vez mais. A bola estará então com o corretor que terá que se qualificar muito mais e aprender a falar em ramos como RC, Garantia, Previdência Privada, Viagem etc  O novo cliente será alguém muito mais propenso a investir na sua segurança pessoal e profissional. Na segurança de sua empresa. No futuro dos filhos.
E por que não dizer, no seu próprio lazer e vida cultural. O corretor saberá conviver com estes temas? O corretor conseguirá se libertar do ramo automóvel, “doença” que paralisa 90% de nossas corretoras? Enfim, para um novo consumidor que indiscutivelmente surgirá, surgirá também um novo perfil de corretor.
Qualificar cada vez mais a imensa rede de corretores por todo o país que hoje aproxima-se das 100 mil pessoas, será o desafio da Fenacor de hoje até 2068. Isso significa ajudar o corretor a aproveitar a tão sonhada Cultura do Seguro que, ironicamente, talvez venha a ser definitivamente implantada no consumidor brasileiro exatamente como subproduto da crise.
Exemplos internacionais desse movimento crise = oportunidade não faltam. Japão e países europeus tornaram-se campeões de investimentos em seguros exatamente porque enfrentaram terríveis guerras ao longo do século passado, além de catástrofes devastadoras.
O Brasil tem muito que aprender com esses países que hoje investem maciçamente em seguros e onde o tema é abordado desde o ensino fundamental como base da educação de milhões de crianças que depois serão adolescentes, jovens e, por fim, adultos.
Sim, seguro será um produto cada vez mais consumido pelos estimados 300 e tantos milhões de brasileiros que habitarão nosso país nos próximos 50 anos. As seguradoras sabem disso e já se preparam. Os bancos, idem. Se o corretor não se preparar a venda direta será cada vez mais uma realidade ameaçadora de nossa categoria.
Temos como trunfo a venda “olho no olho” que é insubstituível por ferramentas eletrônicas ou simples balcões distribuidores de produtos. O corretor deverá ser o cirugião médico que faz o correto diagnóstico e executa ao vivo e de forma precisa todo o processo operatório. O corretor deverá ser o dentista que faz que faz um delicado tratamento de canal. Como sabemos, cirurgias médicas e procedimentos odontológicos não funcionam “à distância”.
A presença do profissional ao lado do cliente é indispensável.
Capacitar, orientar e proteger o Corretor Profissional de Seguros é a missão da Fenacor para o futuro que nos espera. Até 2068 Fenacor! 
Edson Motta é jornalista, ex-editor do JCS – Jornal dos Corretores de Seguros, do Sincor SP, atual consultor de comunicação do setor

Deixe uma resposta