Beatriz da Rocha Pinto

EXCLUSIVO – Organizado pela Camara-e.net, o evento do Comitê de Insurtechs apresentou dados do mapeamento que está sendo feito há um ano pela entidade. O encontro, que trouxe informações sobre quais tecnologias são usadas pelas insurtechs, mercados que elas atendem e categorias em que se enquadram, aconteceu em São Paulo, no Auditório do inovaBra habitat, e reuniu mais de 80 pessoas.

Luís Gustavo Lima

Luís Gustavo Lima, Partner & Chief Officer da Ace Aceleradora, começou falando sobre como as seguradoras estão interagindo com as startups que surgem nesse mercado. “Ano passado, pela primeira vez, o ranking das empresas mais valiosas do mundo teve apenas companhias de tecnologia no topo. A tendência é essa daqui para frente. Poucas empresas tradicionais se mantiveram entre as maiores”, explicou. “A internet mudou como enxergamos os modelos de negócios. Como exemplo, posso citar o Brasil, que tem mais de 50 milhões de habitantes desbancarizados. Vocês conhecem alguém não tenha uma conta em um banco aqui em São Paulo? Conseguem imaginar alguém vivendo aqui nessa condição? As pequenas empresas que entram no mercado suprem necessidades que muitas dessas grandes empresas não enxergam”.

O executivo ainda destacou que, em 2017, o mundo viu a primeira empresa a atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado, sendo calcada na tecnologia. “Além da Apple, a Amazon também apresentou um crescimento exponencial muito grande e se colocou entre as principais do mercado. O que move isso é a internet, se alguém não está conectado a ela, fica para trás”, concluiu.

Beatriz da Rocha Pinto, coordenadora do Comitê de Insurtechs da Câmara, salientou a importância da união das startups para se desenvolver no setor de seguros. “Nós nos debruçamos sobre os dados coletados no cadastro das insurtechs para traçar o panorama atual do segmento”, disse. “O grande desafio para o mercado segurador brasileiro é o B2C, pois não temos grandes disrupções como há la fora, principalmente por causa do processo de regulação, que é burocrático”.

Estima-se que existam aproximadamente 1500 insurtechs no mundo, com investimentos que batem na casa dos US$ 19 bilhões. Beatriz mostrou que os primeiros passos dessas empresas foram dados na América do Norte, que detinha 80% das insurtechs em 2014, mas que os outros continentes estão correndo e equilibrando essa balança. “A Europa, que em 2014 representava 11% desse mercado, em 2017, já detinha 32% dessas empresas, por exemplo”.

“A fatura de investimento está ficando equilibrada. Vemos também uma mudança de comportamento das grandes companhias, que passaram a apostar mais nas startups”, salientou. “A previsão é que, globalmente, 84% das seguradoras invistam em análise de dados; 58%, em tecnologia móvel; 34%, em processos robóticos; 33%, em Inteligência Artificial; 33% em riscos cibernéticos; 22%, em IoT; 12%, em nuvens públicas; 11%, em biometria e reconhecimento facial; e 8%, em blockchain”, explicou.

O mapeamento listou as principais atividades que as insurtechs estão propondo para o mercado brasileiro:

  • Potencializar negócios para a seguradora (62,07%);
  • Potencializar negócios para corretores (56,9%);
  • Desburocratizar (56,9%);
  • Comercializar online (50%);
  • Oferecer serviços online (46,55%);
  • Automatizar (44,83%);
  • Checar o comportamento do consumidor (44,83%);
  • Soluções de Front End (41,83% );
  • Prospectar clientes (39,66%).

O levantamento da Câmara ainda apresentou a distribuição das insurtechs por localidade: 67% das empresas estão em São Paulo; 10%, no Paraná; 9%, no Rio de Janeiro; 7%, em Minas Gerais; 5%, no Rio Grande do Sul; 3% no Distrito Federal; 2%, no Espírito Santo; e 2%, em Santa Catarina.

“Quando falamos em startups, existe uma ideia de que elas precisam de capital financeiro, mas se esquece que essas empresas também necessitam de mentoria, de investimento em pessoas capacitadas em inovar”, apontou Beatriz. “As insurtechs, além de impulsionar o mercado, surgem para transformá-lo”, refletiu.

A coordenadora disse que um dos papéis da Comissão é estimular as insurtechs a fazerem seu cadastro na Câmara, no intuito de ter uma visibilidade maior frente ao mercado e mais força para romper com os procedimentos burocráticos. “A união gera mais conexão de negócios, facilita processos financeiros e de mentoria, além de aumentar a representatividade junto aos órgãos reguladores”.

Para ela, as insurtechs têm um cenário complexo, regulado e ainda conservador. “O ambiente não ajuda, a transformação não pede licença e o mercado está mudando. As startups devem se conectar e estar dispostas a conversarem entre si”, concluiu.

Maike Silva 
Revista Apólice

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