Lewis Sandy, da United Health

A Atenção Primária à Saúde é um dos fatores que podem contribuir para um redesenho do mercado de saúde suplementar no Brasil. Sem ela, o foco do atendimento é na doença do cliente. A APS é uma nova forma de entrada do paciente no sistema, que passa a ter um médico generalista que o atende, assim como acontece no sistema britânico de saúde.

No Brasil, é comum que as pessoas procurem um Pronto Socorro assim que apresentam um problema de saúde. Isso encarece bastante o atendimento. Lewis Sandy, vice-presidente e Clinical Avancement da United Health Group, explicou que, nos EUA, o paciente vai primeiro ao seu médico de atendimento primário para verificar seus problemas e não utiliza o pronto atendimento para isso. “Observei que no Brasil, a população procura primeiro o pronto socorro, muitas vezes sem necessidade”, afirmou.

Porém para isso, foi necessário um investimento da sociedade americana ao longo do tempo para apresentar o valor da atenção primária que é o primeiro contato do paciente com uma análise e coordenação do indivíduo com foco na família e na comunidade. O processo ainda é debatido na sociedade americana que questiona o atendimento básico contra o especializado. Segundo o vice-presidente da UnitedHealth Group, a abrangência é o oposto da fragmentação. “Muitos especialistas envolvem mais custos, mais exames, mais medicações e intervenções. Além disso, o benefício do cuidado primário é maior para pessoas com mais doenças ou doenças complexas. Precisamos garantir que os cuidados especializados sejam adequados à população”, explicou.

Quando há um acompanhamento mais próximo da saúde do paciente, o mercado ganha em resultados. Algumas experiências deste tipo já estão sendo aplicadas no Brasil. Helton Freitas, presidente da Seguro Unimed, disse que sua operadora já possui experiência de atendimento com médico de família em sua operação em Belo Horizonte/MG. “É um produto que está crescendo, com as pessoas começando a utilizar o médico de família”.

Não há nenhuma restrição legal para o lançamento destes produtos, de acordo com a advogada Angélica Carlini. “As operadoras de saúde podem lançar estes produtos, pois eles não encontram nenhuma restrição na legislação vigente”.

O modelo pay for service é o que é aplicado hoje. O modelo pay for performance é aquele em que se paga de acordo com o desfecho do atendimento, ou seu desempenho. Uma outra opção que já está se desenvolvendo muito bem é o modelo por empacotamento. Se pega um procedimento, como parto ou uma cirurgia de vesícula, e se define um custo para o procedimento. Isto já é realidade no Brasil. O que estamos discutindo é o modelo de pagamento per capita. Sua importância é porque ele inverte a lógica do cuidado, passando o foco para a saúde do paciente. “O médico não ganha por procedimento, mas pela quantidade de pessoas pelas quais ele é responsável”.

Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro
Revista Apólice

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