Conec 2018 – O Brasil vive um momento importante de sua democracia. A poucos dias das eleições majoritárias, as autoridades do mercado de seguros discutiram sobre os temas que acreditam ser as pautas construtivas para o segmento.

Na avaliação de Mauro Batista, presidente do SindsegSP, três itens devem impactar seguradores e corretores. Um deles é a longevidade, que acarretará em diversos fatores nos produtos de seguro. “Até 1940, a idade média do brasileiro era de 45 anos. Em 2016, foi para 75 e agora dizem que a pessoa que viverá 150 anos já nasceu. Imaginem esse impacto no seguro saúde e na previdência social. A longevidade traz situações que nos levarão a ter um planejamento aguçante no futuro”, afirmou.

Batista pontuou ainda cyber risks e riscos ambientais, dois riscos que até pouco tempo eram pouco comentados; além da era digital, que já reflete no setor, visto que as pessoas caminham para comprar, consultar e reservar produtos via aparelho celular. A interação do mercado com o Estado foi outro ponto enfatizado. “As politicas públicas têm efeito nas nossas ações. No Estado de São Paulo, por exemplo, contribuímos com a Lei do Desmonte. Embora distante do que realmente precisamos, essa lei colocou o Estado na vanguarda da redução da criminalidade”, lembrou Batista.

Distanciamento do governo com o tema

Os números comprovam a pujança do setor: são cerca de R$ 460 bilhões arrecadados em contribuições de toda ordem. “Pouca gente sabe que o setor é o maior formador de poupança do Brasil, país que vive um momento dramático, com desequilíbrio crônico na previdência, na saúde e nas mudanças climáticas”, declarou Marcio Coriolano, presidente da CNseg. Mais uma vez, a importância dada pelos poderes da República ao segmento foi criticada.

“Sem seguro não há progresso, não há processo civilizatório”

Marcio Coriolano

Na visão de Coriolano, o setor precisa passar a ocupar o centro das políticas públicas do Brasil. “Não estamos falando de protecionismo, falamos de projetos que interessam a nação e que sejam privilegiados pelo governo. Não se pode imaginar um país como o Brasil sem um seguro rural progressista e que alcance a população que precisa deste produto. Também é necessário retomar a infraestrutura, assim como a renda”, opinou.

Ainda que o setor discuta sobre a promoção do conhecimento em seguros para a sociedade, falta educar os governantes sobre o tema. A distância entre o executivo em relação ao segmento é enorme. Exemplo disso é que o Legislativo tem cerca de 350 Projetos de Lei tramitando sobre seguros, sendo 99% deles inócuos. Sobre DPVAT, especificamente, são 147 propostas – nenhuma delas, contudo, tratam da atualização da indenização, que conta com regras defasadas. Isso sem contar os projetos que criam seguros obrigatórios.

“Seguros obrigatórios não são benéficos para a sociedade. As pessoas devem adquirir seguro por consciência e não por imposição do Estado”, avaliou Robert Bittar, presidente da Escola Nacional de Seguros, que atribui o desconhecimento à pouca representatividade do setor na esfera política. “Temos apenas um corretor na Câmara Federal. Há um grupo de deputados que nos ouvem, nos respeitam, mas que não tem conhecimento profundo sobre o mercado. Não recebemos do governo o mesmo tratamento, a mesma atenção que outros setores da economia. A própria Susep está em uma hierarquia em que não tem poder regulatório absoluto. Mas, dentro de sua autonomia, tem tido um diálogo proativo com a indústria”.

Alexandre Camillo, presidente licenciado do Sincor-SP, destacou que a instabilidade política leva a instabilidade econômica e social. “Na social, inclusive, instala-se o ‘salve-se quem puder'”, disse. Por isso, é importante que as pessoas falem sobro assunto e não se afastem do tema. “A política ordena as nossas vidas, especialmente um setor como o nosso. Se o mercado de seguros conseguiu crescer 9% no primeiro semestre deste ano, em um país estagnado como o Brasil está agora, quem dirá quando unirmos nossas forças e nos organizarmos. Ou você faz parte da política ou vai ter que se submeter a quem estiver nos representando lá”, declarou.

O que já está sendo feito

Joaquim Mendanha participa há mais de 30 anos do mercado de seguros. Assumiu a superintendência da Susep há pouco mais de dois anos com o compromisso de dar um novo olhar para o setor. “O regulador não pode apenas regular e supervisionar. Por isso, fizemos um tripé da nossa gestão, priorizando a solvência, a desburocratização e o fomento. Acho que conseguimos avançar nessas questões”, avaliou.

Algumas comissões foram criadas e, até o momento, 23 resoluções foram aprovas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). Muitas delas, entretanto, tem efeito de médio a longo praxo. “Não trabalhamos apenas com imediatismo”, frisou. Segundo ele, o setor quer ter a oportunidade de se aproximar mais do governo – que embora tenha suas deficiências, age. “O caminho é a interlocução, o diálogo. Temos como produzir saídas para o governo, porque ele também não pode cuidar de tudo sozinho”, finalizou.

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Lívia Sousa
Revista Apólice

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