Conec 2018 – Com o advento dos carros autônomos, o mercado segurador se vê em um momento crucial. Se os veículos autodirigíeis serão programados para que não haja mais acidentes, quais riscos as seguradoras terão que cobrir? Quem é que venderá o seguro para um carro autônomo? Qual será o produto vendido?

“Minha filha fez 18 anos e queria um carro. Ela estava falando com a sua assistente virtual e encomendando um pela internet. Contou-me que o veículo chegaria no dia seguinte”, começou Marcelo Blay, CEO da Minuto Seguros. “Ela, então, escolheu por um que era autônomo, mas que também poderia ser dirigido por ela, ou seja, quando não estivesse a fim de manuseá-lo, o carro faria isso sozinho”.

O CEO conta que quando a jovem foi manobrar o veículo, acabou batendo em uma coluna. A seguradora então enviou um drone para fazer a inspeção do acidente e, logo depois, mandou uma mensagem pedindo para que ela mandasse fotos do acontecido para confirmar se era possível a colisão acontecer da maneira como aconteceu. “Apareceu no celular dela uma notificação dizendo que ela poderia receber uma indenização de mil reais ou mandar o veículo para a oficina”, continua Blay. “Eu pergunto para vocês: será que essa história é uma ficção inventada por mim ou, de fato, aconteceu? Qual é o nosso papel como corretor? Quem é que vai fazer um seguro para um caro autônomo?”, questionou o executivo.

Direto das concessionárias

Miguel Fonseca, vice-presidente executivo da Toyota no Brasil, disse que os temas de tecnologia, como a de carros autônomos, já são palpáveis e discutidos no mercado. “A cada ano, colocamos mais essa pauta em evidência. A indústria de automóvel está mudando e isso só ocorre uma vez a cada 100 anos. As concessionárias precisam se atualizar, pois é uma questão de sobrevivência”, disse.

Para o executivo, a transformação tem como base alguns pilares, dentre eles a tecnologia e a mobilidade. “‘Carros conceitos’ representam tecnologias que estão sendo desenvolvias e em pouco tempo estarão sendo dirigidos pela população. Com a mudança de comportamento das pessoas, que não querem ter mais o seu próprio veículo, as fabricantes precisam investir em mobilidade. Nós, por exemplo, investimos no Uber”, explicou.

A inovação é um desafio ou uma possibilidade?

Fonseca ressaltou que o transporte hoje funciona, em grande parte, via aplicativo e que isso fez com a expectativa dos clientes aumentasse. “A juventude tem uma forma de usar o transporte diferente da geração passada. Eu vejo aí uma oportunidade”, opina o executivo. “O automóvel vai envelhecer mais rápido. Vamos cobrar pelo uso e não pela propriedade do veiculo. As concessionárias precisam se relacionar e mudar como agem com os players”, explicou. Ele ainda disse que não falta muito para que escolhamos um automóvel como escolhemos um notebook ou um hotel na internet.

“O carro autônomo, em princípio, significa o não-acidente. Como segurar isso? Em vez de segurar o automóvel, teremos que segurar o movimento das pessoas dentro dele. Há novos riscos que podem ser buscados”, defendeu Fonseca.

Fábio Leme, vice-presidente Técnico da HDI Seguros, explicou que o mercado ainda não se adaptou totalmente às novas tecnologias. “A inovação é cara e levará tempo para ser implantada. Mas o setor vai conseguir acompanhar a transformação à medida em que ela vai chegando nas mãos das pessoas. Temos que seguir nesse ritmo para fazermos a gestão de risco adequada”, ressaltou.

Para ele, existem dois desafios principais para os próximos anos: o envelhecimento da frota e a perda de clientes na carteira. “A venda de veículos vem caindo sistematicamente. A frota de seminovos tem previsão de queda também para 2019 e 2020. Além disso, 70% dos seguros que vendemos são para veículos com mais cinco anos de uso”, começou. “Ainda teremos a saída de clientes da nossa carteira. As seguradoras estão pensando em produtos mais simplificados para combater isso”, completou Leme.

Já Rivaldo Leite, diretor geral da Porto Seguro, disse não saber para onde o movimento de transformação vai, mas alertou que as concessionárias devem se precaver antes do setor segurador. “Antes das mudanças atingirem o nosso mercado, vão bater de frente com concessionárias. Os jovens não querem carro; eu mesmo vim de taxi para cá – exemplificou -, há uma grande dificuldade de se transitar nos grandes centros. As pessoas não têm mais o prazer que tinham no passado”, disse.

“À curto prazo, não muda muito para o corretor. Quando a mudança, de fato, chegar, o profissional que estiver acompanhando o movimento vai sair na frente. É o corretor de seguros que vai determinar o caminho que o mercado vai seguir”, completou.

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Maike Silva
Revista Apólice

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