A sociedade ainda não entendeu os conceitos da reforma da previdência e por isso não a apoia. Esta é a opinião de Edson Franco, CEO da Zurich, que apresentou uma palestra sobre o futuro deste setor no evento Zurich Improve, organizado pela seguradora para corretores de seguros, gestores e engenheiros de risco.
Depois de mostrar que a crise da previdência tem como ativadores fatores positivos, como o aumento da expectativa de vida, queda da mortalidade infantil e das taxas de natalidade, ele ressaltou que o regime de repartição simples, utilizado hoje, possui 8,4 ativos para cada inativo. “A perspectiva é que em 2060 haja apenas 2 pagantes ativos para cada inativo. Em um regime de repartição, de fluxo de caixa, esta conta não fecha”, destacou Franco.
Além do modelo ser de repartição, ele ainda possui critérios de elegibilidade mais acessíveis para as pessoas. “Enquanto países da OCDE já passaram para idade média de aposentadoria de 65 anos, nós ainda estamos na média de 54 anos e 48% das pessoas querem se aposentar antes dos 60 anos, segundo pesquisa do Ipsos /Fenaprevi”, enfatizou o executivo.
Ele alfinetou aqueles que são contra a reforma, demonstrando que o discurso de que a reforma da previdência atinge os mais pobres é uma balela, porque quem adianta a aposentadoria são aqueles com renda mais alta.
O problema é a previsão de déficit para o futuro, que torna o sistema insustentável. 51% dos brasileiros acham que o INSS é sustentável. Cabe aos formadores de opinião comunicar a magnitude do problema para a sociedade, pois, se ela entender, pode ser favorável à reforma, que permitirá que os benefícios continuem sendo pagos. Ao contrário do que aconteceu em Portugal, que em alguns casos teve queda de até um quarto do benefício pago, por aqui não seriam feridos os direitos adquiridos.

Mitos e Verdades da Previdência

– “Se resolvermos o problema do déficit do setor publico, resolvemos o problema da previdência”. O problema está na projeção do futuro e não na foto de hoje.

– “Se cobrassem os devedores da previdência não haveria déficit”. 82,4% da dívida são de empresas que não existem mais.

– “Pessoas de estados mais pobres vão trabalhar até morrer, porque a expectativa de vida é diferente regionalmente”. Entretanto, o fator relevante é a expectativa de vida aos 65 anos e não ao nascer, o que tem variação menor entre as localidades.

– “Idade mínima prejudica os pobres”. A questão é que os mais pobres se aposentam com salário mínimo e se aposentam por idade.

– “Não há problema na previdência porque a previdência faz parte da seguridade social”. O déficit é sintoma, o problema está no elevado custo com seguridade social.

 

A conclusão é simples: “A reforma é urgente, com elevação da idade mínima de aposentadoria e limitação de acumulação de benefícios”, cravou Franco, lembrando que é necessário haver a unificação das regras de aposentadoria para servidores públicos, com simplicidade e transparência. Deve haver um debate intelectualmente honesto e apartidário. É uma questão de Estado e não de Governo.
Entretanto, a reforma paramétrica não é suficiente, pois é preciso mudar a estrutura. É necessário que haja uma rede de proteção social para assegurar que os mais pobres vivam acima da linha da miséria, mas é preciso haver um pilar contributivo, que será a base do benefício.

Situação Política

Mais cedo, no mesmo evento, o ex-ministro Maílson da Nóbrega falou sobre economia e política. Ele disse não temer uma crise institucional dependendo do candidato que saia vitorioso da eleição majoritária.
Em sua análise, caso seja comprovado que a propaganda gratuita eleitoral na televisão ainda é o maior cabo eleitoral, quem deve se destacar é o candidato com mais tempo, no caso, Geraldo Alckmin, que detém mais de 50% do tempo, com direito ainda a 12 inserções comerciais.
Em nenhuma de suas projeções Nóbrega acredita que haja a possibilidade de vitória do candidato do PT, Fernando Haddad. “Em todas as projeções de institutos de pesquisas o candidato do PT não consegue a vitória. Ele perde para Bolsonaro, Marina ou Alckmin no segundo turno”.
Entretanto, caso haja uma mudança significativa do pensamento do eleitorado e ele passe a buscar mais informações nas redes sociais, ele vê chances de vitória de Bolsonaro.
Por enquanto, são apenas conjecturas.

 

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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