Desordens civis e tumultos não são considerados riscos novos. Porém, representam uma ampla ameaça que deve ser avaliada detalhadamente pelas empresas com bases nas operações e vulnerabilidades do negócio.

(Crédito: Ricardo Benichio/divulgaçao) Carlos Córtes

Protestos como os que vivemos recentemente, com a greve dos caminhoneiros e o consequente desabastecimento de bens de consumo básicos, impactam fortemente o dia a dia da sociedade. A escalada desta situação pode resultar em agitação, incêndio, vandalismo, motins ou distúrbios civis.

Estes eventos e suas consequências podem durar um curto período ou vários dias, elevando o potencial de risco para as empresas. Importante também ressaltar que o atual ambiente econômico e político, bem como a capacidade oferecida pelas mídias sociais de se comunicar de forma rápida e mobilizar grandes multidões, acabam impactando ainda mais negativamente este risco.

Uma boa abordagem para mitigar esta ameaça é realizar uma avaliação de risco detalhada e executar as mudanças necessárias no programa de gerenciamento de riscos. O ideal é uma avaliação para cada local que possa estar exposto à desordem civil. Recomendamos avaliações separadas para cada local, já que as ameaças e vulnerabilidades podem variar de local para local.

Mas quais condições podem apresentar um maior nível de exposição à perturbação da ordem pública? Algumas delas que podemos destacar: localidades urbanas com problemas de segurança; proximidade de locais como estradas com presença de grevistas, complexos esportivos, rotas de desfile ou paradas que possam desencadear um protesto, empresas que podem ser alvo de protesto bem como edifícios governamentais, embaixadas e consulados estrangeiros.

Outro aspecto importante também a ser levado em consideração é a conscientização antecipada de um evento, que poderia levar a desordens civis. Isso propicia tempo para que locais potencialmente afetados tomem medidas razoáveis ​​para se preparar.

Desenvolva um plano de ação para preparar antecipadamente a instalação para a desordem civil, considerando a possibilidade de restringir as operações, se necessário. Uma avaliação de riscos ajudará a preparar uma lista concisa de ações ​​para complementar e melhorar a comunicação, proteção, mitigação e os planos de resposta de emergência da empresa. A estratégia deve ser focada na abordagem “Preparação- Resposta-Recuperação” para ajudar a reduzir o impacto negativo na empresa e assegurar a resiliência e a continuidade dos negócios. Reveja as apólices de seguro e cobertura com o corretor ou agente de seguros.

Sobre o autor

Carlos Cortés é Head of Risk Engineering da Zurich no Brasil