Vinicius Almeida Albernaz

À frente da Bradesco Seguros há 3 meses, Vinicius Almeida Albernaz assumiu o cargo tendo de gerir uma onda de aversão a risco que tomou conta dos mercados e que, no Brasil, teve influência da antecipação da volatilidade por conta das eleições presidenciais. O principal desafio do executivo é manter a seguradora como responsável por um terço dos resultados do Banco Bradesco.

A seguradora acabou revisando para baixo suas expectativas para o ano de 2018, saindo de uma expectativa de crescimento de 4% a 8% para 2% a 6%. “É uma pequena revisão que busca reconhecer uma realidade de mercado. A própria CNSeg revisou suas projeções. Além disso, queremos impor uma disciplina de preços um pouco maior em algumas carteiras para ter um crescimento sustentável e com rentabilidade no longo prazo. Crescer no mercado de risco é fácil. Crescer com rentabilidade é o jogo que queremos jogar. A revisão é também reconhecer que o mercado como um todo está um pouquinho mais desafiador”, declarou.

Para ele, principalmente o ramo de previdência, cuja arrecadação teve queda de 5%, acaba sendo um desafio para o mercado. “Percebemos mais conservadorismo por parte dos clientes na hora de tomar decisões de alocação. Mas estamos bastante otimistas em termos de oportunidades de crescimento. Mas temos uma expectativa positiva com os ramos de previdência e de (seguro de) vida”.

A Bradesco Seguros já tem um posicionamento muito importante e relevante. Temos inúmeros projetos em andamento, como o de transformação digital, e outros relacionados a melhorar cada vez mais a nossa capacidade de gerar produto e qualidade de serviço que atendam às necessidades dos nossos clientes.

Albernaz aponta que seus grandes objetivos são manter a participação da seguradora relevante nos resultados do banco e ser capaz de dar respostas em termos de produtos num mundo que está mudando rápido.

Na compra do HSBC, o mercado avaliou o preço R$ 5 bilhões acima do valor justo por conta do potencial de sinergia do lado do seguro, que ainda não decolou. O executivo explica que está gradualmente capturando essas sinergias e ganhos. “Temos uma grade de produtos completa com soluções de seguros para esse público. Em termos de ações, nós não temos uma específica para o público do HSBC. Acreditamos que vamos conseguir capturar não só o cliente do HSBC, mas no próprio cliente do banco, uma proporção maior de negócios. Em termos de penetração de correntistas, 43% dos clientes do Bradesco têm produto de seguros, sendo que, na média, cada um possui 1,6 produto. Esse número só demonstra o potencial que temos dentro da própria carteira de clientes do banco”.

O Itaú Unibanco apostou num modelo diferente de atuação em seguros, abrindo a sua plataforma para outras seguradoras. Albernaz afirma que a seguradora não vai seguir pelo menos caminho. “Temos um foco diferente. Não acho que exista um modelo certo ou errado. Oferecer uma solução completa de seguros para o cliente tem vantagens no longo prazo. Ainda que possamos ter evoluções, como no caso dos grandes riscos, onde temos a joint venture com a Swiss Re Corporate Solutions, queremos estar no risco. O nosso modelo traz grandes vantagens para a organização no longo prazo”.

Fonte: Estadão

M.S.
Revista Apólice

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