Como seres humanos e líderes, sempre queremos os melhores resultados e, para obtê-los, precisamos dos melhores profissionais. Dessa maneira, sabemos quanta dedicação é necessária ao desenvolvimento de talentos e sua importância. Uma vez que tenhamos pessoas mais preparadas, bons resultados virão mais facilmente.

Essa declaração pode ser confirmada por meio dos objetivos alcançados no curto prazo e até mesmo no planejamento de talentos para o futuro da organização. No entanto, pode mostrar-se equivocada na sustentabilidade dos resultados, na retenção de talentos e no clima organizacional. Pode soar estranho, mas, por essa perspectiva, focamos no desenvolvimento de profissionais, não no desenvolvimento de pessoas.

Isso nos faz refletir se queremos os melhores profissionais ou as melhores pessoas. Por outro lado, seria possível criar essa divisão entre um “ser” profissional e outro pessoal? Temos, sim, de ambicionar as melhores pessoas para nossas organizações, nossa sociedade e nosso convívio. Precisamos ter em mente, no entanto, que o ser é indivisível e que o desenvolvimento é humano! A partir desse pressuposto, é importante pontuar o protagonismo das empresas e dos seus líderes nesse cenário.

Tenho tido o privilégio de trabalhar em empresas de fato preocupadas com o desenvolvimento humano e estou certo de que isso traz resultados vantajosos para as organizações, seus colaboradores e a sociedade. Funcionários felizes são mais engajados e demonstram um nível de comprometimento maior em relação às suas atividades. Resultados: menor turnover, produtos e/ou serviços de mais qualidade, clientes mais satisfeitos e, por consequência, melhores resultados financeiros.

Ajudar as pessoas a desenvolverem seu potencial, alcançando assim o aperfeiçoamento de sua perfomance, é uma das tarefas mais nobres de um líder em uma organização. Ainda mais nobre é apoiar e dedicar-se ao desenvolvimento cultural, físico e intelectual delas. Por isso, tão importantes quanto os tradicionais programas de gestão de talentos são os programas e projetos que estimulam o desenvolvimento humano.

Iniciativas como incentivo ao esporte, à qualidade de vida e à leitura, o apoio a ações culturais e sociais, atividades lúdicas, entre outras, demandam baixo investimento e geram resultados imediatos para colaboradores e empresas. Não precisamos e não devemos exigir que nossos funcionários pensem somente em suas atividades profissionais, como dito pelo filósofo Bertrand Russell (1872-1970): “Uma das fontes de infelicidade, fadiga e tensão nervosa é a incapacidade de nos interessarmos por aquilo que não tem importância prática em nossas vidas”. Ele complementa: “(…) é sempre mais fácil esquecer o trabalho, quando é conveniente esquecê-lo, se temos outros interesses além dele”.

As pessoas podem ir além! No entanto, permito-me observar (humildemente discordando de um ponto do Conde Russell) que toda atividade terá, de alguma forma, uma importância prática. Há que saber aproveitar, ter a mente aberta, conectar cada experiência e, por fim, entender como essa atividade pode transformar um comportamento, uma ação, um pensamento. Assim como toda empresa deve ter sua missão, cada pessoa deve ter seu propósito.

Dessa maneira, as empresas atingem seus resultados, e as pessoas se desenvolvem, alcançando seus objetivos e a tão desejada e merecida felicidade. Termino, então, com outra citação de Russell, com a qual concordo totalmente: “(…) aquele que aspira à felicidade, sabendo o que faz, procurará adquirir alguns interesses secundários, além dos interesses fundamentais sobre os quais construiu sua própria vida”.

Sobre o autor

Eluard Moraes, diretor de Recursos Humanos e CHRO da Prudential do Brasil