Entre 2008 e 2010, a conjuntura internacional se encontrava em uma situação favorável. Com isso, o Produto Interno Bruto (PIB) alcançava 7,5%. Em 2013, com a economia já dando sinais de esgotamento, o Brasil caminhava rumo à recessão. Em 2017, mesmo com a nova equipe econômica e com as mudanças de paradigma, houve um “soluço” positivo de 1,0% com promessas do PIB em 2018 para a ordem de 2,5% a 3,0%

“Temos três momentos muito claros: um de grande alavancagem, um de acomodação e um de recessão jamais vista”, afirmou Márcio Coriolano, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), convidado do primeiro almoço promovido pelo Clube Vida em Grupo São Paulo (CVG-SP) em 2018. O encontro ocorreu no dia 17 de abril, na capital paulista.

Quanto ao rendimento médio real para o setor de seguros, ele lembrou que, com a crise, principalmente a partir de 2013, o rendimento médio real caiu substancialmente, e agora teve uma ligeira recuperação. “A produção é o que alavanca grande parte dos chamados seguros de ramos elementares”, frisou Coriolano. “Emprego tem a ver com saúde e com seguro de vida contratado por empresas. E renda tem a ver com todos os produtos, principalmente aqueles contratados para pessoas. Quando há comprometimento de renda e desemprego, evidentemente o setor segurador não vai tão bem como gostaríamos”, disse. O que não significa, porém, que o segmento no geral teve desempenho negativo. Mesmo com a queda do PIB, o mercado segurador se manteve resiliente.

De onde veio a resiliência?

Enquanto de 2008 a 2010 o PIB teve uma variação média de 4,1%, o setor segurador respondeu acima, com uma variação média real de 7,1%. Quais foram as carteiras responsáveis por liderar o bom desempenho? Em 2008, Ramos Elementares. No ano seguinte, os planos de acumulação. Em 2010, praticamente todos os ramos tiveram seu desempenho acima da taxa do PIB. E enquanto os sinais de esgotamento começavam a aparecer, com o PIB chegando a uma média de 2,3%, o setor manteve os bons números (8,3%, mais precisamente), “taxa essa inclusive maior do que a avaliação observada no período de ‘festa’ do Brasil”, afirmou Coriolano.

Alguns ramos se destacaram ainda mais. Em 2011, foram os planos de risco – a boa notícia, pois demonstra a cautela da população em um mercado instável. Em 2013, foi a vez dos Ramos Elementares. O ano de 2014 trouxe uma das melhores taxas do mercado segurador, de 5,4%, ainda liderados pelos planos de acumulação. Em 2015, as mudanças aapreceram. “Tivemos uma ano ruim, principalmente para automóvel, quando a produção automobilística despencou pela falta de renda. Os planos de risco também tiveram desempenho menor, de 9%. Em 2016 e 2017, o PGBL e o VGBL não foram bem”, pontou o presidente da CNseg.

A boa noticia é a retomada dos ramos de pessoas, visto que há dez anos apenas cinco companhias representavam em todos os ramos a maioria. “O mercado tem mudado muito, inclusive com uma participação maior do setor financeiro estatal”, disse.

Abertura para novas discussões

Para Márcio Coriolano, a administração recente da Susep, liderada pelo corretor e ex-presidente do Sincor-GO, Joaquim Mendanha de Ataídes, fez um trabalho de previsibilidade ao inaugurar uma agenda regulatória até então inexistente, preparando o mercado para discutir diversos temas, além de destravar e aprovar assuntos que estavam parados.

Na ANS, ele também citou progressos importantes. “Pela primeira vez, já está se considerando a Análise de Impacto Regulatório”, afirmou, acrescentando que, ainda assim, faltam alguns ajustes e que os desafios estão muito mais no Legislativo do que na própria Agência. “No Legislativo, temos o seguro de Garantia de Obras, com a revisão da Lei de Licitações; o microsseguro; e o combate do exercício irregular da proteção veicular, além do PrevSaúde. Vai ser difícil, mas não podemos desistir”.

Lívia Sousa
Revista Apólice

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