Joaquim Neira, VP da Berkley para AL e Caribe

Em um momento em que as questões ligadas à proteção ambiental estão na mídia, principalmente pelo 2º aniversário da tragédia de Mariana/MG, a Berkley Seguradora traz para o Brasil o seu produto de seguro ambiental para local fixo. A empresa quer aproveitar a oportunidade que surgiu após a possibilidade de responsabilização de terceiros por eventos de contaminação episódica ou gradual.

O produto que chega agora ao País pode ser contratado tanto pelo empreiteiro (empresa de engenharia) quanto pelo seu cliente. Joaquim Neira, vice-presidente Berkley Environmental para América Latina e Caribe, veio ao País para trazer sua experiência internacional. Ele explica que, em breve, também haverá um produto de RC Ambiental com cobertura para contaminação de empreiteiros, unindo o RC Profissional e o risco ambiental.

A seguradora enxerga esta demanda por conta da movimentação de obras no Brasil que, mesmo com a crise econômica, ainda mostra-se bastante atraente. “O Brasil é o país, na minha experiência, que tem mais potencial na região, bem acima de Argentina e Colômbia, por exemplo, e superior também ao México.

 

 

O produto pode ser contratado tanto numa apólice anual quanto para um projeto específico, pois muitos editais de contrato já contemplam a contratação de seguro ambiental para garantir possíveis danos ao ambiente. Neira acredita que o maior concorrente das seguradoras é a “não compra” do seguro pelo contratante da obra. “Ainda temos o entrave da mentalidade, mas a regulação já avançou bastante. O importante agora é a fiscalização dos órgãos competentes”, avalia Neira.

 

Entretanto, o impulso para esta carteira deve vir da divulgação dos casos recentes e da preocupação das empresas com um valor tão importante quanto o financeiro: sua reputação. O setor de “Claims management”, gerencia como melhorar o problema com a comunicação com os afetados e a sociedade. “O seguro deixa de ser instrumento financeiro e passa a oferecer também outros incrementos que o tornam mais atrativo. É a prestação de serviço do começo ao fim, com emergência, salvamento e todo o processo”, explica Neira.

 

Os riscos da atualidade vão muito além do derramamento de óleo pela indústria petroquímica. Este é o primeiro pensamento de sinistro que vem à cabeça. Neira conta que já regulou sinistro de uma empresa distribuidora de água, fora do Brasil, que, para fazer a instalação de dutos, escavou cerca de 10 quilômetros em uma estrada. Entretanto, por um erro, a terra retirada do solo foi jogada para o lado errado, justamente numa área de proteção ambiental. O resultado foi um sinistro de US$ 4 milhões.

 

 

 

Kelly Lubiato
Revista Apólice

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