Visita da área afetada de Jojutla - Foto: Victor Hernandez
Visita da área afetada de Jojutla - Foto: Victor Hernandez
Visita da área afetada de Jojutla – Foto: Victor Hernandez

Após ser surpreendido, no dia 8 de setembro, por um forte tremor de terra, o mais forte desde 1932, que chegou a 8.1 na escala e matou, ao menos, 180 pessoas, o México foi atingindo por mais um terremoto na noite da última terça-feira, 19. Este, com magnitude de 7.1, teoricamente mais fraco que anterior, foi sentido com mais intensidade na Cidade do México, por ter seu epicentro mais perto da região, causando mais danos.

Desde o ocorrido, danos massivos às propriedades da região estão sendo comunicados e estima-se que ao menos 225 mortes. Os relatos são de edifícios que foram derrubados na Cidade do México e em outras cidades da região; fotos e vídeos mostram danos estruturais significativos na capital.

Seguros

O terremoto resultará em diversos sinistros de seguro e resseguro, dado que a região impactada inclui a capital do país. No entanto, o incidente de 7.1 de magnitude não deverá ser suficiente para atingir ou causar problemas ao IBRD/FONDEN 2017 – fundo de catástrofe reservado a momentos extremos, provido pelo Banco Mundial.

O recentemente emitido Fundo de Catástrofe, que fornece ao governo mexicano US$ 360 milhões em recursos, não deverá ser acionado desta vez. O fundo já foi acionado pelo terremoto de 8 de setembro, que deverá esgotar a parcela de US$ 150 milhões  da classe A, destinada, justamente, a terremotos.

O último tremor atingiu o coração da zona paramétrica na Cidade do México, área que tem a maior penetração de seguros e resseguros no país; mesmo assim, atingindo 7.1 na escala Richter, ele não é tão forte para que seja preciso acionar o fundo – ainda que, por conta da região, aparentemente tenha causado muito mais danos.

Aparentemente, há ainda garantia de resseguro ou arranjos privados para os riscos de exposição a terremotos no México, com os danos causados por essas duas catástrofes, esses arranjos podem agora estar em risco. As empresas de resseguro globais e também alguns outros fornecedores, também deverão enfrentar as perdas desse segundo acontecimento, sugerindo que as seguradoras que respondem por esses riscos podem, de fato, acionar o resseguro.

Catástrofes

As perdas dos terremotos se somarão às dos furacões Harvey e Irma, acumulando os prejuízos desses eventos recentes, as camadas de risco expostas pode atingir muitos pilares ou categorias de risco, impactando o mercado.

Proprietários de imóveis residenciais mexicanos costumam ter pouca ou até mesmo nenhuma cobertura de seguro, mas empresas com interesses comerciais geralmente compram proteção de grandes seguradoras, o que também mexe com as grandes resseguradoras.

A fim de comparação, o banco Morgan Stanley notou que resseguradores e seguradores arcaram com um prejuízo de US$ 9 bilhões no terremoto ocorrido no Chile em 2010,o que pode ser a comparação mais próxima da recente catástrofe mexicana.

Los Angeles

No dia 18 de setembro foi a vez de Los Angeles, no estado da Califórnia, nos EUA, enfrentar um terremoto de 3,6 na escala Richter. Apesar do caráter moderado e do preparo do país para enfrentar essas adversidades, foram causados danos significativos.

Ainda não há números sobre o episódio em L.A, mas o que se sabe, conforme reportagem do Los Angeles Times, é que apenas 17% das casas na Califórnia têm seguros que cobrem danos por terremotos. Esse pode ser um indicativo de que os dados podem ser maiores do que se esperaria para um país que é conhecido por ter cultura de seguro.

Amanda Cruz
Revista Apólice

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