previdência privada

O debate político sobre a reforma da previdência social foi importante para chamar a atenção da opinião pública para um tema complexo e urgente, que afeta o futuro de todos os brasileiros. Apesar de a PEC 287 não estar avançando no Congresso Nacional, a discussão foi fundamental para conscientizar o empresariado sobre a necessidade de mudança.

Contudo, vale ressaltar que mesmo que a reforma não avance nessa legislatura, a pauta certamente retornará, justamente por conta de sua importância e impacto no cenário econômico brasileiro. Este é o principal tema de entrave para o ajuste fiscal e crescimento do PIB nos próximos anos.

Com isso, os trabalhadores estão mais atentos do que nunca às questões relacionadas com a aposentadoria. Muitas empresas estão percebendo que o benefício de previdência privada pode e deve ser utilizado como uma ferramenta para atrair e reter talentos.

Pesquisa

De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria de benefícios e capital humano Aon, 56% das empresas já oferecem aos funcionários planos de Previdência Complementar.

“Normalmente, as pessoas só começam a pensar na aposentadoria quando já possuem uma idade mais avançada”, diz Roberta Porcel, líder de Consultoria em Previdência e Serviços Atuariais na Aon Brasil. “O ideal seria fazer um planejamento desde a juventude. As empresas podem ajudar nessa conscientização. A previdência privada garante uma importante proteção adicional aos trabalhadores e um programa de educação previdenciária promovido pelas empresas tem papel fundamental neste contexto”, explica.

Os planos oferecidos pelas empresas podem possuir três formatos distintos. No modelo de contribuição definida, o valor da contribuição é fixo e o valor do benefício é determinado no momento da aposentadoria. Já para o benefício definido, o valor da aposentadoria é fixo e as contribuições podem variar até chegar ao montante necessário para se aposentar. Para o programa de contribuição variável as duas modalidades são combinadas.

De acordo com a pesquisa, 46% das empresas oferecem um plano de contribuição variável, 45% preferem o modelo de contribuição definida e apenas 9% o benefício definido. “O risco de oferecer o benefício definido é maior. Por isso, a prevalência dessa modalidade vem diminuindo ao longo dos anos”, afirma Roberta Porcel.

Investimento

Além disso, a maior parte das companhias (61%) prefere investir na previdência privada aberta, onde os planos (PGBL, VGBL e FGB) são comercializados por bancos e seguradoras. Por outro lado, 20% das empresas optam pela previdência fechada viabilizada por um fundo multipatrocinado, também comercializados pelas seguradoras, e 19% escolhem a previdência fechada por meio de um fundo próprio.

“Houve um aumento expressivo desde 2012, quando 53% das empresas optavam por planos de previdência aberta. Isso demonstra que as companhias não querem mais ter tanto trabalho para administrar seus planos de previdência. Os planos fechados viabilizados por meio de um fundo próprio exigem um CNPJ próprio e toda uma equipe dedicada à administração. Por isso, a previdência aberta e os fundos multipatrocinados estão crescendo e vão continuar em progresso”, detalha Roberta.

Atualmente, 70% das empresas que oferecem planos de previdência complementar escolhem viabilizar a contribuição com um percentual fixo do salário dos colaboradores. Na média, esse valor representa 5,7% da remuneração. “Esse modelo de viabilização é o mais procurado porque é o mais simples. A facilidade de compreensão ainda é um fator determinante na hora de estruturar o plano, no entanto pode não ser o mais estratégico para as empresas”.

Outros tipos de contribuição

Um número menor de empresas (30%) optam por uma distribuição mais equilibrada, ou fixando a contribuição sobre uma parte do salário que excede um determinado valor, geralmente, o teto da previdência social (17%), ou adotando tabelas de contribuição escalonada, dividindo o recurso e direcionando as maiores fatias a quem precisa mais do complemento na aposentadoria (13%).

“Essas fórmulas de contribuição são mais adequadas ao conceito da previdência complementar. Se levarmos em conta o processo de ascensão profissional, o trabalhador que hoje recebe menos terá mais ajuda da empresa para compor o valor do benefício quanto mais próximo estiver da sua aposentadoria, o que mostra ser um modelo mais dinâmico. Na medida em que os profissionais crescem na carreira, suas contribuições aumentam, de forma a amplificar seu potencial de capitalização para o futuro. O objetivo é direcionar os recursos para quem efetivamente precisa da previdência complementar”, explica a especialista.

Papel da empresa

Seja qual for o modelo de viabilização, o papel da empresa não é apenas retirar uma parte do salário do funcionário e aplicar por ele, mesmo que isso por si só traga vantagens de taxas mais competitivas pelo ganho de escala. Das empresas que oferecem o benefício, 96% contribuem junto com os trabalhadores – 80% equiparando 100% do valor da contribuição, 6% contribuindo com menos de 100% e 14% contribuindo com mais de 100%.

Mesmo com o aumento da compreensão provocado pelo debate da reforma da previdência, o Brasil ainda precisa amadurecer sua cultura de aposentadoria. A previdência privada terá um papel cada vez mais importante na solução dos problemas das formas de custeio da terceira idade, e, por outro lado, as empresas um papel fundamental na educação previdenciária de seus funcionários.

A.C.
Revista Apólice

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