Edição 221

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Telemetria: o futuro chegou

Sat Company desenvolve rastreador que une as tecnologias GPS/GPRS e radiofrequência e conta com telemetria embarcada para análise do perfil do condutor

Por Livia Sousa

A quantidade de veículos roubados ou furtados surpreende a cada número divulgado. Entre 2014 e 2015, mais de um milhão de veículos foram roubados ou furtados no Brasil, o equivalente à média de um caso a cada um minuto. Os dados são do 10º Anuário Brasileiro da Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública. Já quando se fala em roubo de cargas, os dados enfatizam ainda mais a dimensão do problema. No último ano, o prejuízo com este tipo de prática no Brasil alcan- çou R$ 1,4 bilhão, de acordo com um estudo feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Para recuperar esses automóveis as seguradoras apostaram nos rastreadores, dispositivos de geolocalização que indicam por onde eles circulam. Com o retorno positivo, o seguro passou a ser acoplado aos equipamentos. Mas o uso de inibidores de sinais (os chamados jammers) se tornou frequente e afetou negativamente o índice de recuperação desses automóveis. A Sat Company viu no motivo de preocupação a oportunidade de criar um equipamento capaz de atender as necessidades do mercado segurador.

“Investimos no desenvolvimento do R12, que garante a melhora no índice de recuperação através da radiofrequência, mantendo o GPRS como tecnologia principal para fornecimento das informações de telemetria que permitem analisar o perfil do condutor”, explica o CEO da empresa, Marco Puerta.

O equipamento é instalado nos veí- culos indicados pelas seguradoras. Com o objetivo de fugir do formato padrão dos rastreadores hoje comercializados, a equipe de engenharia da empresa trabalhou para que o produto, único do mercado com tecnologia híbrida, fosse descaracterizado. Os formatos semelhantes às peças originais do veículo, como buzina, módulo de injeção e ignição, dificultam a identificação e a retirada do produto.

Até se chegar ao resultado desejado foi preciso muito investimento em pesquisas, além da busca por parcerias com fornecedores para a utilização de tecnologia de ponta, imune a ruídos e bloqueadores de sinal. Todo o esforço valeu à pena. “O resultado é um equipamento pequeno, descaracterizado e de alta performance, com custo de mercado competitivo”, afirma o engenheiro Flavio Fernandes.

Ampliação da rede

Os veículos equipados com o R12 funcionam como antenas receptoras e transmissoras. Quando o rastreador detecta a perda do canal GPS/GPRS, a radiofrequência automaticamente emite um sinal de SOS ao veículo da base mais próximo. “Quanto mais veículos tiverem o equipamento instalado, mais rápida será a recuperação em caso de roubo ou furto” afirma a diretora comercial Danielle Serradilla.

A rede, segundo ela, se tornará mais eficiente à medida que novas instalações forem efetuadas. Já pensando em sua ampliação, a empresa firma parcerias para a instalação de antenas físicas em locais estratégicos com alta altitude e vislumbra aumentar o apoio recebido durante as ocorrências com a ajuda de órgãos de Segurança Pública. Para este último, a companhia vai apresentar um projeto com o objetivo de facilitar a identificação de veículos roubados ou furtados que estejam dentro do raio de atuação do equipamento.

Toda essa estrutura também ganha força com a não retirada do R12 após o cancelamento da apólice. Quando isso acontece, as seguradoras deixam de ser cobradas pelo serviço e o cliente fica livre para migrar para outra companhia de seguro sem a necessidade de pagar novamente pela instalação do equipamento.

Além disso, está em fase de fabrica- ção um dirigível equipado com câmeras, que será utilizado durante as ocorrências. “A ideia é que ele funcione como uma antena móvel e, ao mesmo tempo, transmita imagens ao vivo à nossa central de operações”, adianta o gerente administrativo Leonardo Buosi. O executivo assegura que o projeto, batizado como Sat Móvel, poderá ser visto na cidade de São Paulo dentro de poucos meses.

De olho no condutor

Apenas 30% da frota nacional de ve- ículos está protegida, talvez porque o seguro de automóvel ainda seja visto como um produto caro. Esta é a oportunidade para se discutir a precificação de acordo com a atuação do motorista: quem for cauteloso ao volante consequentemente tem o valor do seguro reduzido.

O modelo, que já funciona na Europa, e é tendência no mercado segurador nacional, faz uso da tecnologia embarcada para relacionar as atividades do condutor, que são traçadas e armazenadas no banco de dados da empresa. As informações recolhidas podem ser comparadas com os dados mencionados pelo cliente para cotação e fechamento do seguro.

A função foi mantida no R12 e de acordo com Marco Puerta também é uma maneira de combater as fraudes que preocupam as companhias seguradoras. “As duas maiores divergências entre as seguradoras e os segurados são o CEP de pernoite e a utilização do veículo para fins comerciais ou faculdade. Os segurados dizem que não usam o carro para essas atividades, mas com o rastreador fica evidente a utilização”, argumenta.

Com o intuito de ajudar essas empresas a terem um laudo mais conclusivo para a indenização do sinistro, o R12 traz outra funcionalidade: o Crash Detection, que detecta colisões e reconstitui o pré e o pós-histórico do evento. Apenas os veículos instalados com o rastreador permitem essa identificação, que verifica se o motorista está em alta velocidade e o tempo que leva para frear o automóvel. Em caso de colisão, a central de emergência recebe um alerta e contata o segurado para coletar informações sobre o evento e auxiliá-lo com o envio de guincho ou ambulância. Quando necessário, um relatório detalhado também é encaminhado à seguradora. O projeto-piloto já está sendo feito com uma seguradora.

Resultados iniciais

O R12 foi lançado há três meses e até o momento a companhia alcançou um índice de recuperação de 95% dos casos de roubo e furto de veículos. “Considerando as ocorrências que tivemos no período, o nú- mero é surpreendente”, declara o gerente operacional Cristiano Silva. Até o final do ano, a expectativa é manter esse índice de recuperação para os veículos que possuem a tecnologia e chegar a uma base de mais de 120 mil unidades instaladas.

Danielle acredita que o R12 trouxe a reinvenção que o mercado precisava. “Manteremos os equipamentos após o cancelamento das apólices, permitindo a migração dos veículos entre as seguradoras, gerando uma redução de custos para essas companhias”, destaca. O fato, atrelado às informações de perfil do condutor, possibilitarão uma precificação personalizada aos segurados, contribuindo com o crescimento do segmento.

Soluções completas

Para auxiliar ainda mais as seguradoras a fecharem novos contratos, a Sat Company disponibiliza um aplicativo para que o motorista analise sua própria conduta diante do volante. Com a ferramenta é possível, entre outras funcionalidades, localizar o veículo em tempo real, monitorar a velocidade do automóvel e alertar sobre a violação do R12. Os condutores ainda têm acesso a um botão de emergência e ao Valet Parking, que emite um alerta em caso de alta velocidade e distância excedida pelo manobrista.

Outra aposta é no Grupo de Análises Preventivas Operacionais (GAPO), que trabalha para inibir as fraudes e detectar previamente os casos de roubo e furto de veículos – responsáveis por elevar o preço do seguro de automóvel e gerar grandes perdas às seguradoras. Assim, quando alguém tenta desconectar o rastreador para fraudar o seguro, o GAPO é alertado e entra em contato com o segurado, que muitas vezes só descobre que o veículo foi furtado neste momento. Quando o furto é confirmado, a Sat, com o apoio de equipes de pronta resposta e órgãos de seguran- ça pública, passa a operar para a recuperação do automóvel.

A equipe do GAPO também elabora um relatório final da ocorrência, permitindo que as informações contidas no boletim de ocorrência e os dados coletados do rastreador sejam confrontadas com o relato do segurado e ajudem na detecção de possíveis fraudes. Comprovada a fraude, a seguradora recebe sinal verde para a abertura de uma sindicância.

tecnologia | produto

Geração de apólices validadas juridicamente via Blockchain já é realidade no Brasil

A Direct.One gera e valida, na rede Ethereum Blockchain, apólices, endossos e boletos para as maiores seguradoras do País

A tecnologia de Blockchain tornou possível a validação dos registros das transações da criptomoeda Bitcoin. Apesar de ter ficado conhecida como a tecnologia que viabilizou o processo eletrônico irrefutável de geração de consenso e confiabilidade das transações digitais, sabemos que sua utilidade vai muito além. A Direct.One, empresa de plataforma SaaS – Software como Serviço, responsável pela geração, entrega e análise de milhões de documentos transacionais das maiores seguradoras do mercado, acredita que a tecnologia de Blockchain está repercutindo uma capacidade enorme de disrupção em várias indústrias, com destaque aos mercados de serviços financeiros e seguros, por serem pautados basicamente em informações, compartilhamento e contratos.

“Uma vez inserido um registro na rede de Blockchain, nenhum usuário pode mais apagá-lo ou modificá-lo. Então, agregamos validação jurídica, como ICP e carimbo do tempo, na rede Ethereum Blockchain. Agora, os documentos e as confirmações de entrega e leitura das mensagens passam a ser a prova de fraudes e contestações”, destaca Fernando Wosniak Steler, CEO e fundador da Direct.One.

Meios Remotos: Blockchain resolve a troca de valores e contratos digitais

A busca pela confiança é a principal questão que a estrutura de Blockchain pretende resolver. Só podemos confiar em algo em que exista consenso. Uma estrutura de transação comercial que todos podem confiar e que evita gastos duplos, falsificação e adulteração de dados, aliados a uma contabilização aberta e transparente é a solução que os mercados, em conjunto com órgãos reguladores, sempre perseguem. Por essa razão, que o Blockchain é algo disruptivo, pois vai mexer com todas as formas de se fazer negócios digitais, quer seja localmente ou globalmente.

Direct.One: Blockchain na prática em mais de 200 milhões de documentos

A Direct.One viabiliza o processo de transformação digital para envio de mensagens e documentos transacionais entre corporações e seus clientes, simplificando a geração, entrega e análise de comunicações multicanal, tanto digitais quanto impressas. Para dar validade jurí- dica nacional ao processo de Blockchain, a Direct.One desenvolveu um sistema baseado tanto na Medida Provisória No 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, texto que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira ou ICP-Brasil, bem como na Resolução CNSP 294, difundida pela SUSEP com as regras para comercialização e formalização de seguros por Meios Remotos. Para isso, agregou-se três itens probatórios para gerar consenso nos documentos emitidos pela empresa: Assinatura Digital com Chave Pública e Privada ICP-Brasil; Carimbo do Tempo com Data e Hora Legal fornecida pelo Observatório Nacional; e agora, passou a registrar também nos “ledgers” da Ethereum Network as informações não sigilosas dos contratos para gerar consenso e sistema antifraude.

Fundada em 2012, a Direct.One tem em seu portfólio de clientes as maiores empresas nos mercados de seguro, saúde, financeiro e varejo. Importantes instituições nacionais e internacionais reconheceram a qualidade das soluções da Direct.One com mais de 16 prêmios conquistados, como: Ciab Febraban, DMA Echo, Amauta, Abemd, ADVB, Correios, CNseg e SegNews. Também foi reconhecida pela revista americana CIO Review como uma das 100 empresas mais promissoras em Big Data e foi selecionada pela Endeavor Global.

tecnologia | inovação

Um empurrãozinho para quem está começando

Mercado de seguros aposta nos desenvolvedores de empresas para criar soluções capazes de revolucionar seus produtos e serviços

Por Kelly Lubiato

Empresas de todos os setores da economia já acordaram para uma nova realidade: elas precisam se reinventar. Não apenas em termos de produtos e serviços mas, principalmente, na forma como se relacionam com os seus clientes, diretos e indiretos.

Em tempos de comunicação instantâ- nea, quem perde a oportunidade de estar com o cliente ou de oferecer novidades pode ficar para trás. Mas, o que fazer para encontrar soluções simples, baratas e disruptivas (palavra da moda)? Investir.

Não há uma saída diferente desta. A variação ocorre por conta de onde, como e em quem apostar para descobrir novas tecnologias. A aposta de alguns grupos do setor de seguros volta-se para a aceleração de pequenas empresas que possam apresentar novidades com potencial de melhorar, ou até revolucionar, um produto, serviço ou até uma companhia.

A busca destes talentos pode acontecer no ambiente interno, com o incentivo para que os colaboradores exercitem sua capacidade de resolver problemas, ou no investimento externo, através de aceleradoras de empresas.

Aceleradoras são empresas cujo objetivo principal é apoiar e investir no desenvolvimento e rápido crescimento de startups, ajudando-as a obter novas rodadas de investimento ou a atingir seu ponto de equilíbrio (break even), fase em que elas conseguem pagar suas próprias contas com as receitas do negócio. “Além dos serviços de apoio e benefícios oferecidos, a aceleradora investe também um pequeno valor financeiro, o chamado survival money e, em contrapartida, torna-se sócia da startup até o desinvestimento, que é quando sua participação é vendida para investidores ou empresas”, diz Pedro Waengertner, professor e coordenador de marketing digital na ESPM.

Os patrocinadores destas aceleradoras podem atuar em várias frentes. No caso do mercado de seguros, o grupo Porto Seguro investe na Oxigênio para buscar startups que tenham sinergia com os seus negócios, nas áreas de seguros, saúde, Telecom, serviços ou até cartões de crédito. “Olhamos para empresas que façam sentido para a Porto Seguro e os vários ramos de atuação da companhia”, explica Mauricio Martinez, gerente da Oxigênio Aceleradora.

Portanto, uma aceleradora é um modelo de negócio para trazer novas ideias para um grupo. Vários especialistas deste setor são categóricos ao afirmar que este tipo de ação é necessária porque os grandes conglomerados não conseguem passar pelos processos de ideação e prototipação de maneira rápida. Assim, é mais fácil trabalhar com as ideias fora da companhia. Martinez conta que é feito um aproveitamento das expertises das startups. “Por exemplo, a Bynd estimula as caronas para o transporte para o trabalho entre os colaboradores. Quem tem carro e oferece carona vai ganhando pontos que podem se transformar em passagens aéreas. Isso é importante para a economia de vagas do estacionamento, por exemplo”.

Outro exemplo apresentado na Oxigênio é a Evnts, uma empresa que consegue realizar reservas de turismo corporativo com descontos. “A empresa já está prestando serviços para o Rock in Rio”, comemora Martinez. No setor de seguros, a Oxigênio ainda não possui nenhuma empresa. Mas o executivo destaca que isso é apenas uma questão de tempo.

Atuando desde janeiro de 2016, a aceleradora já acolheu 19 empresas das mais diferentes áreas. Martinez explica que, no início, a companhia também convidou a participar do programa os funcionários que possuíam algum projeto e interesse em empreender.

Na Oxigênio, o programa de aceleração dura três meses. Neste período, a startup recebe uma mentoria personalizada, de acordo com o seu momento. “Ela fica fisicamente presente na aceleradora e tem a opção de passar mais três meses no Vale do Silício, com o parceiro Plug and Play (uma das maiores aceleradoras da região)”, explica Martinez.

Este período fora do país é opcional, mas de extrema importância para as empresas que buscam uma aproximação com os mais notáveis inovadores do mundo. Além disso, algumas startups já prevêem em seu planejamento estratégico um intercâmbio internacional, seja para obter experiência ou para se relacionar com clientes potenciais. “Fora, ela tem acesso a novos mercados, novos investidores (é uma vitrine) mas, o mais importante, é a transferência tecnológica, porque a cada ciclo cerca de 150 empresas passam por lá”, ratifica Martinez.

O caminho das pedras

Ter uma boa ideia é o começo de tudo. Entretanto, isso não é o suficiente para abrir as portas das várias aceleradoras que existem no Brasil e no mundo. Luisa Ribeiro, CEO da Gema Ventures e fundadora da Papaya Ventures, uma das primeiras aceleradoras de startups da América Latina, criada em 2011, explica que alguns itens são avaliados no momento da decisão pelo investimento em um projeto. “Em geral, há alguns itens que olhamos bastante. Um dos principais é o time da empresa”.

Pois é. Não adianta ter uma boa ideia se as pessoas envolvidas no projeto não tiverem capacidade intelectual, profissional e emocional de colocar o negócio em pé. Outro ponto muito importante é a análise de mercado: saber se o problema cuja solução está sendo proposta realmente existe. “Isto é fundamental, principalmente no mercado B to B. Temos que entender se haverá consumidores para o produto”, aponta Luisa.

Não menos importante é observar se a ideia é realmente inovadora e para quais setores ela se destina. As oportunidades hoje estão nas mais diversas áreas. A economia viu as inovações brotarem nos mais diferentes mercados, como turismo, transporte, mobilidade e financeiro. Mas Luisa, com sua experiência de montagem de aceleradoras para empresas, mostra que as áreas de seguros, saúde e varejo, por exemplo, têm um vasto campo a ser explorado.

Depois de aceita em um programa de aceleração, a startup passa por um relacionamento intenso com seus mentores. No caso da Oxigênio, depois dos três meses iniciais e do estágio no exterior, a startup ainda permanecerá por mais dois anos recebendo a consultoria de mentores.

Experiência externa

Com a onda de investimento em Insurtechs (startups com negócios dirigidos para o mercado de seguros), seguradoras e resseguradoras ao redor do mundo decidiram arregaçar as mangas e buscar novidades. A Sompo Seguros fez isso de maneira global, com a implantação de um laboratório no Vale do Silício, e localmente também.

No Brasil, o departamento de inovação foi implantado em 2016 com um grupo multidisciplinar. O objetivo de desenvolver nova ideias prosperou. Na primeira ação, 30 participantes de diversos setores e posições hierárquicas apresentaram 40 ideias. Alguns projetos ainda não saíram do papel, mas um deles acaba de virar um produto.

Claudio Quaglia, gerente de Inova- ção da Sompo Seguros, explica que o seguro para equipamentos para pessoas deficientes físicas nasceu a partir do novo departamento. “Depois da ideação deste produto, a diretoria entendeu a importância da inovação. Muitas da ideias não viraram projetos, mas melhorias de produtos e serviços”.

Como em todo processo inovador, Quaglia agora se prepara para um perí- odo de intercâmbio. Seu próximo passo será um estágio de três meses, onde? Lá mesmo, no Vale do Silício, onde fica o Sompo Digital Lab. “Uma das missões para promover a disseminação de uma cultura de inovação é criar multiplicadores”, pontua.

Em uma empresa, a inovação se fundamenta em três pilares: dissemina- ção de cultura; ecossistema interno para mentoria dos projetos (é importante que haja abertura de canais para receber as ideias e premiá-las); ecossistema externo, com modelos de aceleradoras e incubadoras de empresas.

“A inovação não tem regra e este é o seu grande barato. Por isso, não podemos procurá-la em um lugar só. A importância do grupo multidisciplinar é pensar diferente, ter perfis diferentes. O meio termo disso é que traz os resultados”, define Quaglia.

O Sompo Digital Lab está dividido entre Japão e Estados Unidos. Pensa sempre no bem-estar de um público que ainda não havia sido contemplado. A inovação na Sompo é levar inovação para os seus segurados e procurar soluções para serviços e projetos, ferramentas que melhorem o relacionamento com o cliente. “Até 2020, vamos buscar efici- ência operacional, por exemplo, fazer a vistoria por celular para colisão pequena”, adianta Quaglia.

Estamos atrasados em relação ao que acontece fora. Por aqui, o carro autônomo ainda está fora da realidade brasileira, por conta da abrangência da internet. Há várias tecnologias cujo crescimento é limitado por questões de infraestrutura como a baixa qualiddade e velocidade da internet.

“Ser inovador não é um instrumento de marketing, apesar de trazer frutos neste sentido. É preciso montar programas para acelererar empresas que tenham sinergia com o setor para que eventualmente possam ser feitas parcerias no futuro”, ensina Luisa.

Vale do Silício

O termo original inglês Silicon Valley refere-se a uma região da Califórnia, mundialmente conhecida como pólo de tecnologia de ponta. O local começou a se desenvolver no ano de 1950, com o objetivo de gerar e fomentar inovações no campo científico e tecnológico. A maioria das empresas instaladas na região são do ramo da eletrônica, informática e componentes eletrônicos. O nome Silício é utilizado como homenagem ao próprio elemento químico (Si), que é a matéria-prima básica e de fundamental importância na produ- ção da maior parte dos circuitos e chips eletrônicos.

A região é composta por várias cidades do estado da Califórnia, como Palo Alto, Santa Clara, San José, Campbell, Cupertino, Fremont, Los Altos, Los Gatos, Menlo Park, Mountain View, Milpitas, Newark, Redwood City, Saratoga, Sunnyvale e Union City. Dentre as empresas que iniciaram seus negócios e possuem sedes na região, podemos citar a Apple, Facebook, Google, NVidia, Electronic Arts, Symantec, AMD, Ebay, Yahoo!, HP, Intel e Microsoft, além da Adobe e Oracle.

O Vale do Silício é uma das maiores aglomerações de empresas com domínio de tecnologia de ponta do mundo. Isso acontece porque a região é conhecida por desenvolver modelos acessíveis de financiamento para projetos de tecnologia. Com o crescente desenvolvimento da região, o quadro atual do local é parecido com qualquer outro: trânsito, imóveis supervalorizados e alta competitividade.

produto | seguro pet

Eles merecem cuidados especiais

Seguros e assistências garantem tranquilidade aos pets. Estabelecimentos dedicados a cuidar dos bichinhos também contam com soluções adequadas para cada atividade que desenvolvem

Por Lívia Sousa

Mais do que o carinho que oferecem, os animais de estimação são capazes de melhorar a saúde física e mental de crianças, adultos e idosos. Embora não se tenha certeza absoluta, especialistas acreditam que vários fatores levam aos efeitos terapêuticos, e um dos motivos é que o próprio bichinho ocupa o espaço da necessidade humana. “Abraçar e ficar próximo do animal acalma e diminui a ansiedade e o estresse. É um estímulo importante para o ser humano e para a sensação de solidão”, explica Carolina Rocha, mé- dica veterinária fundadora da Pet Anjo, empresa de serviços para pets.

Quem tem um pet também vê seu estilo de vida ser alterado, obrigando que uma rotina seja definida. Por mais simples que pareçam, tarefas como alimentar o animal e levá-lo para passear ajudam a prevenir a desorganização, considerada um sintoma depressivo. Isso sem contar que o tutor se sente necessário, bem-vindo e útil. “A pessoa sabe que vai fazer falta se não estiver presente porque tem um animal para cuidar”, diz a profissional.

Adestrador e especialista em comportamento canino, Ricardo Tamborini lembra que muitas famílias estão optando pelo pet antes de ter filhos. Com uma capacidade quase que incompreensível de arrancar sorrisos, eles também ajudam a superar a perda de um ente querido e facilitam nas aproximações e na construção de novas amizades. Já para as crianças, especificamente, auxiliam no desenvolvimento do senso de responsabilidade, na capacidade de socialização e no controle de impulsos, entre eles a agressividade.

“Estudos afirmam que crianças de até um ano de idade que tem como companhia algum animal de estimação produzem mais anticorpos, o que evita o aparecimento de alergias futuras”, acrescenta Tamborini. Para pessoas com deficiências físicas, sensoriais, mentais, motoras ou que perderam a capacidade de se locomover por acidente ou pela idade avançada, os pets auxiliam no desenvolvimento da coordenação motora.

Seguros e planos de saúde

Amigos fieis dos humanos, nada mais justo que o pet receba cuidados especiais, e deste assunto entendemos bem. Há inúmeros produtos e serviços voltados para os bichinhos por aqui. Quarto país com a maior população total de pet do mundo, o Brasil ocupa a terceira posição no ranking dos que mais faturam com esse mercado, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Ainda lidera o segmento de Pet Food, que inclui rações, snacks, bifinhos, biscoitos e petiscos em geral, mas isso não impede o crescimento de outros produtos específicos. O setor de seguros sabe que os animais de estimação têm um papel cada vez maior no cotidiano e na vida familiar e por isso trabalha com novas soluções ou na intensificação do portfólio com que já operava.

Os seguros e os planos de saúde para pet são uma das vertentes que mais se destacam. “Embora apenas 1% da população tenha conhecimento de que existe plano de saúde para animais, a procura vem crescendo gradualmente à medida que mais pessoas ficam sabendo desse tipo de serviço”, diz Ana Márcia Oliveira, gerente de Qualidade da Pet Mais Vida.

Os planos são divididos em categorias, de acordo com as coberturas oferecidas, e geralmente garantem consultas, vacinas, procedimentos, exames ambulatoriais (incluindo urgências e emergências) e internações. Nas categorias mais incrementadas, o pet tem direito a check-up, consultas com especialistas e consultas domiciliares, parto, castração, além de tratamentos complementares como acupuntura e fisioterapia. Alguns planos contam com coberturas para pets sem limite de idade. Outros, atendem cães e gatos de seis semanas a oito ou dez anos, dependendo da raça. Uma vez segurado, porém, o animal pode ficar no plano por toda a vida.

“É uma grande economia e proteção para o bolso do segurado, já que um acidente ou doença com o animal de estimação pode custar milhares de reais; além da comodidade e tranquilidade em saber que se tem à disposição veterinários e laboratórios 24 horas por dia”, diz Marcello Falco, diretor da Petplan. Do lado do veterinário, ele garante que há uma maior quantidade de clientes e faturamento.

Dentro dos planos, há companhias que oferecem alguns benefícios. É o caso da Health For Pet, que disponibiliza, entre outros serviços, um prontuário veterinário digital onde está registrado todo o histórico de saúde do pet, e descontos em diversos itens de necessidades, como farmácia, hotelaria, roupas e acessórios, procedimentos veterinários, banho e tosa, alimentação e até mesmo assistência em sepultamento e cremação. Os descontos variam de acordo com cada parceiro. Hoje, a companhia tem mais de 380 estabelecimentos cadastrados.

“Aos poucos, os corretores têm passado a conhecer os produtos e, por isso, a comercialização dos planos cresce. Acreditamos que temos muito a evoluir com o tempo”, pontua o presidente Fernando Leibel.

Clínicas veterinárias e pet shops

Elas seguem resistentes à crise econômica e necessitam de amparo assim como qualquer outro tipo de estabelecimento. Há soluções adequadas para cada atividade desenvolvida pelo segmento, principalmente com relação aos animais domésticos. A Alfa Seguradora trabalha com o produto empresarial há alguns anos e passou a definir outros segmentos como foco de atuação, dentre eles o pet, após o lançamento de uma ferramenta de cálculo na web.

Entre as coberturas oferecidas para as clínicas veterinárias e os pet shops está a de responsabilidade civil, que garante a proteção caso o segurado seja acionado civilmente por danos involuntários causados aos bichinhos sempre que estiverem sob sua guarda para os serviços de banho, tosa e hospedagem. “Se o estabelecimento tiver o serviço ‘Leva e Traz’, os danos provocados aos animais durante o trajeto também estão cobertos”, acrescenta Fábio Luciano da Silva Conceição, gerente geral de Produto Ramos Elementares da companhia. Neste ano, a Alfa Seguradora já registrou um crescimento de 42,4% na demanda do produto, além de alta nas consultas para elucidar as dúvidas sobre coberturas acessórias.

Equipamentos específicos, inclusive os portáteis (secadores e tosadores), estão amparados caso haja interrupção de energia elétrica por um longo período. Nestas situações, é garantida a proteção para deterioração de vacinas e medicamentos em ambiente frigorificados. Se a clínica veterinária ou o pet shop contar com estacionamento próprio com controle de entrada e saída de veículos, a seguradora ainda oferece proteção para os automó- veis dos clientes.

“Não podemos esquecer as coberturas tradicionais do seguro empresarial como incêndio, danos elétricos, despesas fixas, roubo e danos da natureza”, declara Conceição, destacando a importância de se divulgar e disseminar a cultura deste tipo de proteção. “É um desafio diário que precisa ser intensificado. Por desconhecimento, o empresário não procura o produto até mesmo por julgar que os custos são elevados. Somente ao buscar mais informações percebe que a tranquilidade na proteção do patrimônio tem preço que cabe no bolso.”

A SulAmérica é outra empresa do setor que trabalha com o produto. Além das coberturas já citadas, as apólices comercializadas pela seguradora contemplam despesas extraordinárias com salário de colaboradores temporários, quebra de vidros, mármores e granitos de balcões de atendimento. Já a assistência 24 horas disponibiliza serviços como chaveiro, limpeza, vidraceiro, reparo emergencial de rede de telefonia, substituição de telhas e vigilância.

“Os clientes utilizam serviços que ajudam na prevenção de imprevistos, como é o caso do Check-up empresarial, que oferece revisão da instalação elétrica e verificação de possíveis vazamentos hidráulicos”, explica o vice-presidente de Auto e Massificados, Eduardo Dal Ri. Os segurados também contam com serviços que ajudam a minorar prejuízos, como o de segurança e vigilância, oferecido quando ocorre algum sinistro que prejudica a proteção do estabelecimento afetando portas e grades. Há também o reparo emergencial da rede de telefonia, essencial para a conquista de novas vendas e relacionamento com os clientes.

A possibilidade de customização e o amplo pacote de serviços, segundo ele, são diferenciais que favorecem a retenção de clientes e trazem novos segurados para a companhia. “O seguro para pet shop tem tido ótima aceitação no mercado, acompanhando a tendência de crescimento do segmento de serviços para pets. Em 2016, o segmento apresentou crescimento de 14% em faturamento na comparação ❙ com 2015”, conclui.

fraudes | saúde

As contas da saúde

Mercado de saúde suplementar quer ser mais eficiente, mas as dificuldades em fechar as contas atrapalham esses planos

Por Amanda Cruz

Os estimados 19% de gastos com fraudes e desperdícios na saúde suplementar em 2015 equivalem a R$ 22,5 bilhões, que escoam e deixam de ser empregados para melhorar a saúde das pessoas. Esses números foram divulgados pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar – IESS. O instituto também divulgou, ainda sobre 2015, que as falhas consomem mais de R$ 15 bilhões da saúde privada, por ano, no Brasil. No estudo intitulado “Evidências de práticas fraudulentas em sistemas de saúde internacionais e no Brasil”, a entidade aponta para as causas de fraudes e desperdícios no mundo inteiro. Quando a conta é global, 6,99% das despesas anuais são provenientes de fraudes e desperdícios – se traduzindo em cerca de R$ 260 bilhões perdidos. Na saúde privaAs contas da saúde Mercado de saúde suplementar quer ser mais eficiente, mas as dificuldades em fechar as contas atrapalham esses planos Amanda Cruz da, os abusos estão no uso de tratamentos excessivos, muitas vezes desnecessários ou baixa qualidade no atendimento; além da comercialização inadequada de medicamentos e dispositivos médicos, além de sonegação de tributos.

Legislações como a alemã e dos EUA tentam combater isso exigindo que todos os pagamentos feitos a agentes do setor de saúde sejam públicos. Atribuindo, ainda, punições severas para toda maneira de burlar essas leis.

No Brasil, embora muitos esforços estejam sendo feitos para acompanhar as melhores práticas mundiais, a conta da saúde suplementar, mais uma vez, não fechou. No último seminário realizado pela FenaSaúde, em 2016, houve até quem apostasse na falência do sistema caso os processos de judicialização não fossem drasticamente diminuídos e as fraudes fortemente combatidas. O balanço do ano veio reforçar essa urgência, já que o valor das despesas assistenciais foi superior às receitas – gastos aumentaram 13%; a receita cresceu 11,7%. A receita dos planos de saúde foi de R$ 165,6 bi e as despesas assistenciais – soma que engloba gastos com exames, consultas, internações e outros atendimentos médico-hospitalares – contabilizaram R$ 137,2 bi. Esse custo não inclui gastos administrativos e de comercialização dos planos. “Esse continuado descompasso põe em risco a sustentabilidade do segmento. Nesse momento de recuperação gradual e lenta da atividade econômica, buscar o equilíbrio financeiro do setor da saúde suplementar é um grande desafio. Temos um quadro de evasão de beneficiários acentuado pelo elevado desemprego. Isso se soma ao aumento do número de procedimentos realizados e a alta inflação médica”, explica Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde. Os mais prejudicados com isso, no sistema de saúde suplementar, são as operadoras de saúde e seus beneficiários porque são eles que financiam os tratamentos – fraudulentos ou não. “As fraudes em saúde, além de colocar em risco a saúde e a vida dos pacientes, encarecem o sistema”, reforça Solange.

As companhias têm se defendido como podem. Na Amil, por exemplo, o diretor de Operações e Benefícios da operadora, Edvaldo Vieira, afirma que a companhia toma as medidas que parecem ser mais efetivas para o combate às más práticas. “A inibição a esse tipo de prática na companhia se dá tanto pela implementação de canais oficiais de denúncia, quanto por iniciativas de comunicação que visam a conscientização de beneficiários e prestadores de serviços sobre o bom uso do plano de saúde”, reforça.

Todos os players da cadeia podem contribuir para cessar ou aumentar esse número de fraudes. O governo precisa contribuir para a regulação do sistema de saúde suplementar – isso inclui monitorar o gerenciamento das unidades de saúde em todas as esferas e combate à corrupção. As operadoras e seguradoras de saúde devem prezar pelo cumprimento dessas regras, pela transparência em seu balanço contábil ou punindo e evitando que seus funcionários ajam de má-fé, por meio de suborno de agentes públicos.

“Implementamos diversos controles sistêmicos e operacionais através de análises de dados e de auditores especializados, com a finalidade de identificar casos de fraudes, abusos e desperdícios e como atuar neles”, conta Vieira. O canal de denúncias também é outro ponto destacado pela operadora para esse combate. A Amil diz ter recebido mais de mil denúncias, sendo 9% confirmadas. Para ajudar, os próprios beneficiários podem verificar seu histórico de utilização para identificar procedimentos que não forem seus. “O objetivo é que o cliente final contribua para a sinalização de eventuais erros”, aponta.

Os pacientes, por sua vez, devem ter a conscientização, pois é comum que eles, mesmo sendo tão prejudicados, ajudem a fraudar planos de saúde quando omitem doenças pré-existentes ao adquirir coberturas, deixam que não-beneficiários utilizem seus planos ou até mesmo subornam médicos para obter benefícios, medicamentos e atestados para licenças de trabalho. Todas estas práticas são muito comuns e geram um dano imensurável, especialmente por seu acúmulo.

Impasse na prestação de serviços

Os prestadores de serviços formam a categoria que mais tem índice de fraudes. Eles são responsáveis por serviços hospitalares e atendimento médico e as práticas com mais riscos de fraudes que cometem estão associadas à venda de medicamentos e dispositivos médicos. As práticas que prejudicam o sistema vão desde a comercialização de produtos e serviços a preços exorbitantes (o que não é crime no Brasil, mas é em outros países), até a escolha de fornecedores de acordo com vantagens financeiras oferecidas. Todos esses casos são especialmente difíceis, mas quando se refere aos médicos tudo fica ainda mais complicado, já que eles são a autoridade máxima dentro de seus consultórios e os pacientes não raro deixam de questionar seus métodos, partindo da premissa de que o profissional está agindo a favor dele.

Hoje, no Brasil, utiliza-se o modelo fee-for-service para remuneração dos prestadores, que funciona da seguinte maneira: o paciente precisa de diversos atendimentos do pronto-socorro até a internação – exames, medicamentos, leito etc. No final de todos os procedimentos, a conta vai para o plano de saúde, que tem que arcar com a soma. O que é apontado como problema para alguns especialistas, como para o IESS, é que esse modelo faz com que se ganhe mais por cada procedimento realizado, o que poderia levar maus profissionais a requerer cada vez mais procedimentos visando o lucro, ainda que o paciente sequer necessite deles. “O modelo brasileiro de remuneração de serviços de saúde está mais de 30 anos atrasado em relação aos outros países. É preciso avançar em um padrãode transparência de informações e identificar os conflitos de interesse e práticas abusivas. Só assim será possível ter um sistema mais eficiente e que onere menos as operadoras e quem contrata um plano de saúde”, avalia Luiz Augusto Carneiro, CEO do IESS.

O executivo da Amil também enxerga esse estímulo a serviços desnecessá- rios. “Na nossa avaliação, o combate aos chamados ‘vilões’ que impedem o sistema de saúde de avançar passa pela prática de modelos inovadores de remuneração, que considerem o pagamento por grupo de diagnósticos”, opina. Muitas operadoras estabelecem determinados custos para determinados tratamentos, com base em estudos prévios sobre as doenças, levando em consideração tudo que é utilizado nos mais diferentes diagnósticos. “Dessa forma, conseguimos aumentar a eficiência dos prestadores e, consequentemente, a qualidade do serviço oferecido aos nossos beneficiários, além de controlar os custos médicos”, reforça Vieira.

No início de 2015, o Ministério da Saúde criou um Grupo de Trabalho para propor medidas de reestruturação e ampliação da transparência do processo de produção, importação, aquisição, distribuição, utilização, tributação, avaliação e incorporação tecnológica, regulação de preços, e aprimoramento da regulação clínica e de acesso dos dispositivos médicos (Órteses, Próteses e Materiais Especiais – OPME) em território nacional.

Assim, propostas de ação foram emitidas para inibir as fraudes, como a criminalização do fornecimento, aquisição ou prescrição de órteses e próteses desnecessariamente no País, inclusão de documentos com diretrizes para boas prá- ticas, além de medidas para qualificação dos profissionais e técnicos envolvidos em atividades de clínica e cirurgia, gestão de estoque, auditoria e tecnovigilância de órteses, próteses e materiais especiais das áreas de ortopedia e cardiologia.

A preocupação com esses equipamentos na saúde suplementar é tão grande, e as ações fraudulentas tão corriqueiras, que foi preciso tomar medidas contra essa máfia. Por isso, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apresentou em dezembro de 2016 o relatório final do Grupo de Trabalho Externo de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (GTE OPME). As atividades foram coordenadas pela autarquia e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O estudo apresenta um conjunto de medidas resultantes de discussões do GT composto por mais de 50 instituições do governo e do setor, entre as quais a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). Representantes da saúde suplementar se mobilizaram para implementar uma agenda com foco em coibir fraudes nesse setor. A presidente da Fenasaúde afirma que a entidade há muito vem lutando para denunciar essas más práticas. “Não é de hoje que a Fenasaúde vem denunciando essas distorções na utilização e nos preços. Materiais são um dos principais itens que incrementaram o aumento dos custos tanto no setor privado, quanto no SUS”, ressalta Solange Beatriz. “É por isso que buscamos transmitir o máximo de informação a fim de conscientizar o consumidor sobre as más práticas e o prejuízo para a boa saúde”.

Em 2015, das 860 mil cirurgias de coluna realizadas mundialmente, dois terços usaram implantes. Na América Latina o mercado de implantes de coluna movimentou 150 milhões de dólares, em 2015. E o Brasil, com 27 mil cirurgias de coluna com implantes, representou 83%. Prevê-se um crescimento anual no País de 7.5% até 2020. “Essa realidade demonstra a necessidade e a urgência em intensificar o combate às más práticas e fraudes, além do andamento efetivo das propostas elencadas: transparência de preços, nomenclaturas padronizadas, diretrizes de utilização de materiais, projeto de lei que criminaliza essas práticas, entre outros pontos”, destaca Solange Beatriz.

O estudo do IESS sobre fraudes destaca que essas corrupções são difíceis de serem detectadas. A cadeia produtiva do setor passa por diversos segmentos e, no Brasil, a saúde suplementar não está completamente descolada do SUS.

A judicialização também se faz cada fez mais presente e, ao requerer um procedimento que não estava em contrato o beneficiário lesa os demais clientes do plano, eleva os custos a algo que não estava planejado anteriormente para a operadora – para além dos procedimentos, os custos legais. É sabido que a falta de informação, ou mesmo o desespero por conta de casos muito complexos de saúde, levam essas pessoas a recorrer à justiça. Seria isso um tipo de fraude? Oficialmente, não, mas há uma tendência a enxergar como se fosse, já que muitas vezes os juízes estão dando acesso a determinados procedimentos que de outra maneira não seriam de direito do paciente “Na Amil, acompanhamos com preocupação o aumento de decisões judiciais que não levam em consideração a legislação vigente específica do setor, a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e as coberturas contratadas. Essa prática estimula cada vez mais o aumento da judicialização, impactando de forma considerável os custos dos planos de saúde para os próprios clientes e proporcionando insegurança jurídica para o setor”, analisa Edvaldo Vieira.

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Sem tolerância à má-fé

A operação Lava-jato trouxe os holofotes para a proteção a executivos, mas seguradores fazem questão de lembrar que o dolo nunca tem cobertura

Por Amanda Cruz

No final de 2015, e por todo o ano de 2016, especialmente com o aumento de denúncias da Lava-jato, acordos de leni- ência, delações premiadas e investigações em grandes empresas que trabalharam junto aos governos, um alerta vermelho se acendeu e a sociedade passou a ouvir mais sobre um seguro para proteger executivos. O D&O, que já existia há tempos no mercado, ganha mais espaço.

Dados da Susep mostram que no primeiro trimestre de 2017 o mercado acumulou R$ 107 milhões em prêmios na carteira de D&O. No mesmo período do ano passado o valor foi de R$ 112 milhões. Mesmo com essa aparente retração, Gustavo Galrão, superintendente de Financial Lines & Liability da Argo Seguros, credita esse decréscimo à cobertura de danos ambientais que passou a ser contabilizada como um produto secundário no produto de RC Ambiental. “Infelizmente, não há como distinguir o prêmio oriundo do D&O no ramo de RC Ambiental, todavia é perceptível que houve um impacto”, esclarece. A posição de Galrão é reforçada pelo fato de que o RC Ambiental acumulou R$ 15 milhões em prêmios no primeiro trimestre de 2017. A diferença positiva nessa carteira é, justamente, o decréscimo da carteira de D&O.

Já a sinistralidade dos últimos 12 meses – entre abril de 2016 e março 2017 – ficou em 42%, 11% a mais do que no mesmo período do ano anterior. “Entre os fatores que mais contribuíram para esse crescimento, certamente podemos destacar o aumento de casos de pedidos de recuperação judicial e de falência de empresas”, explica Galrão. Isso mostra que a crise é mais um algoz para a carteira do que propriamente as operações anticorrupção deflagradas nos últimos anos no País.

A Chubb, que ao se juntar com a Ace em 2015 ficou com metade do mercado de D&O brasileiro, percebe claramente o aumento, mas Rafael Domingues, diretor de Linhas Financeiras e Energia da companhia, acredita no aumento da cultura como principal causa de procura. “Os executivos estão cada vez mais familiarizados com a importância do seguro, independente do tamanho ou setor da empresa em que trabalham. Isso ocorre principalmente porque são muito comuns os exemplos de casos em que terceiros buscaram responsabilizar executivos por atos de gestão”, explica.

Liberar a empresa de arcar com os custos de defesa de seus executivos indiciados e, ao mesmo tempo, não colocar em risco o patrimônio deste executivo é o maior atrativo da carteira, que conta com cada vez mais interessados. “O aumento da demanda é observada em empresas de praticamente todos os setores. Em particular, a Chubb está realizando contratos junto a um número crescente de pequenas e médias empresas”, observa Domingues.

A sinistralidade aumentou a partir de 2014, mas desde 2008 é crescente. O caso da Sadia, ocorrido em 2008, tornou-se emblemático pelo prejuízo de R$ 2,484 bilhões por causa de seus derivativos e por mostrar como os executivos precisam se proteger no momento de administrar. Na época, a companhia realizou aportes em derivativos cambiais com intuito de proteger suas exportações contra uma valorização excessiva do dólar. O erro se deu quando os altos executivos e conselheiros decidiram comprar um volume muito maior dessas ações, pois elas geravam ganho financeiro com um dólar baixo. Quando a crise do subprime estourou, o dólar disparou e a Sadia se viu altamente endividada. Isso causou transtornos aos executivos, forçou a companhia a reformular o seu conselho – passando a ser mais transparente e ser um exemplo para as empresas contarem mais com o D&O. “O prêmio vem subindo de maneira linear. Houve um pico em 2010, em relação a 2009. No caso da Sadia, a própria empresa entrou com uma ação contra o diretor financeiro. Ao longo dos anos, os acontecimentos fazem com que o produto venha crescendo, pois as pessoas estão conhecendo cada vez mais esta alternativa. A sinistralidade deve se estabelecer nessa média, pois as empresas têm usado o produto para mitigação de riscos. O que é bom para o mercado de maneira geral”, opina Maurício Bandeira, gerente de Produtos Financeiros da Aon Brasil.

Um estudo da consultoria KPMG intitulado “A Governança Corporativa e o Mercado de Capitais” mostra que as companhias de capital aberto são as principais consumidoras do produto, com média do valor de cobertura em 2016 de R$ 94 milhões. Mas, hoje, esse aumento no D&O acontece, principalmente, por conta das companhias de capital fechado que têm procurado mais o serviço.

Quem achava que esse seria um momento difícil para o mercado, errou na aposta. Assim acredita Sergio Barroso de Mello, especialista do escritório Pellon & Associados Advocacia, que cita operações como Lava-Jato e Carne Fraca como demonstradoras da utilidade do produto, mas não a ponto de enfraquecer a carteira. “O ponto relativo às indenizações não encontra qualquer problema. O setor de seguros é saudável o suficiente para garantir a cobertura do risco, além de utilizar técnica sofisticada de pulverização por meio de contratação de resseguro, o que está ocorrendo sem qualquer percalço”, afirma.

Acessível, mas criterioso

Apesar de poder ser contratado por qualquer empresa, o seguro D&O precisa de um criterioso gerenciamento de dados e detalhada subscrição para colocar uma companhia sob sua proteção. É preciso que seja uma empresa saudável, com bom histórico, que tenha práticas de compliance adequadas etc. A percepção de risco que elas apresentam é que vai ditar se serão, ou não, aceitas ou ainda se serão aceitas com restrição de coberturas. “Os termos e condições da Lei Anticorrupção prevêem multas que podem ser atenuadas se a empresa mostrar aos clientes que adotam medidas para evitar corrupção”, destaca Bandeira. Com as medidas, os prêmios tendem a ser menores e com melhores condições de contratação. Mesmo assim, o risco é avaliado de forma individual, há fatores externos que interferem, mas a particularidade de cada empresa deve contar mais alto quando a seguradora decide fechar o contrato. “O maior desafio do subscritor é saber diferenciar corretamente como a conjuntura impacta o risco de cada segurado”, afirma Galrão.

Já para Domingues, quando se trata da subscrição do risco, a necessidade de acompanhamento do ambiente jurídico brasileiro e do exterior figura entre os principais desafios. “O estudo dos impactos de uma economia globalizada podem recair sobre riscos locais e sobre a situação política e econômica – não somente no Brasil, mas também nas principais economias do mundo”, elenca o executivo da Chubb.

Até mesmo na Axa, companhia que entrou em 2016 no mercado de RC para executivos, é seguida essa linha de mercado. Embora a companhia tenha ido a esse mercado com apetite, busca acompanhar as diretrizes do restante das seguradoras no que diz respeito às práticas de subscrição. “Nós seguimos essa linha mais conservadora. Como estamos no início das operações, seguimos o que o mercado faz para que possamos, ao construir uma carteira, manter uma relação de longo prazo com as empresas, para começar a ter massa suficiente de apólices e, aí sim, poder ser mais ousado”, conta o vice-presidente Comercial da companhia, Octávio Bromatti.

Sem o programa de compliance nas empresas, as seguradoras podem acabar optando por não assumir o risco ou que o façam com restrições de coberturas. “O mercado é bastante evoluído, as seguradoras se especializaram. Por isso, é rara a situação em que uma empresa nem recebe uma cotação para contratar o D&O. O que pode acontecer é essa proposta vir com restrições de cobertura e um prêmio mais elevado”, lembra Bandeira. A maior restrição, em todo mercado, acontece com empresas que têm relacionamento com o governo. Nelas, sempre haverá algum tipo de exclusão – total ou parcial. Se há alguma denúncia de envolvimento com propina ou corrupção, ela pode ser total, sem chance de defesa. Ou pode ser parcial: a seguradora não faz adiantamento de indenização e o executivo custeia todos os gastos com sua defesa, caso fique provada inocência a seguradora efetua o pagamento dos custos advocatícios.

O seguro não tolera o dolo

Mello explica que o aumento de indenizações pagas pela carteira de D&O é algo natural a qualquer produto de seguro – especialmente os que ganham espaço em um mercado onde quase não havia penetração. Para ele, a ocorrência de fatos relacionados às atuais operações policiais – como Lava-Jato e Carne Fraca – podem até ter gerado a procura por cobertura dos sinistros, “porém, nem todos os sinistros estão cobertos, sobretudo se há má-fé do segurado”, destaca. A esse respeito, o advogado cita a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça- STJ, que pela primeira vez teve a oportunidade de apreciar e julgar, em última instância civil, questão envolvendo o seguro de responsabilidade civil na modalidade D&O. E o fez em caso no qual o segurado e o tomador, na renovação de sua apólice, não informaram ao segurador a ocorrência de atos lesivos de insider trading (operação realizada por administrador com valores mobiliários de emissão da companhia, em proveito próprio ou de terceiro) que geraram prejuízo à companhia/segurada e ao Mercado de Capitais. “O STJ considerou descaracterizado o sinistro e negou a cobertura pleiteada”, exemplificou.

O envolvimento da seguradora é completamente distanciado do julgamento. Ter um executivo com uma apólice de D&O envolvido em qualquer processo judicial não dá nem à companhia o respaldo de que aquele cliente é inocente e, muito menos, ao executivo de que ele poderá se beneficiar de alguma maneira do que foi contratado em caso de dolo. “O dolo é risco excluído pela apólice. Contudo, quem define se o executivo é culpado ou inocente, ou se sua conduta foi dolosa ou culposa, são os tribunais. A confirmação ou não da cobertura depende de decisão final e/ou trânsito em julgado”, explica Galrão, da Argo. Caso a exclusão de adiantamento de custos de defesa não seja feita no momento de subscrição da apólice, mas fique comprovado o dolo, a inexistência de cobertura, a seguradora terá que ser reembolsada dos valores adiantados.

O D&O é, portanto, para decisões de erro de gestão sem má intenção. Não havendo a intenção de errar, de má-fé – tão contrária à premissa do seguro – o produto dá a tranquilidade de o segurado poder continuar tocando seus negócios e ter a chance de acertar mais para frente, sem ter comprometido todo seu patrimô- nio para defender-se. Ao contrário do que poderia ser esperado, o produto deverá, sim, sair fortalecido.

“É importante lembrar que tudo isso que está sendo discutido em operações como a Lava-Jato trata-se de dolo e o produto nunca existiu para isso. Tudo que vimos são situações que não entram no escopo das indenizações. O executivo pode errar o recolhimento de uma alíquota e acabar prejudicando alguém, por exemplo e precisa ter como se defender – é para isso que existe o D&O”, ressalta Bandeira.

Para um produto pouco considerado até pouco tempo, esse salto deverá dar às empresas mais credibilidade e transparência. Adquirindo o seguro, elas precisam estar cientes de que devem ter boas práticas para contar com a indenização. “As empresas com executivos mais experientes e essas práticas lá fora – especialmente as multinacionais – já tinham essas políticas. Aqui ainda estamos engatinhando, mas o saldo é positivo. Nós vimos como possibilidade, então nós entramos com foco em PME, mas como todas as empresas precisam, não excluímos nenhum porte de nossas atividades”, destaca o executivo da AXA.

Já o advogado Sergio de Mello, não enxerga com maus olhos o aumento da exposição por conta dos casos de corrupção. Pelo contrário. “Tenho certeza que o seguro D&O passou a ser mais conhecido e foi objeto de forte demanda justamente por conta da operação policial denominada Lava Jato. Isso porque muitas são as empresas e os executivos envolvidos, beneficiários dessa cobertura, de forma que assim evitaram a utilização de patrimônio pessoal para custear as respectivas defesas, em situações nas quais os próprios segurados ficaram sem acesso aos seus recursos, em vista de bloqueios judiciais decretados. O seguro D&O teve, nessas operações, a oportunidade ímpar de provar a sua gigante utilidade aos segurados de boa fé e, certamente, será um produto cada vez mais procurado pelo mercado consumidor de seguros dessa modalidade”, aposta o especialista.

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