Fátima Lima, da Fundación MapfreO empoderamento feminino, principalmente no âmbito empresarial, pode parecer um tema antigo para o qual não cabe mais discussão. Mas a prática e a necessidade de sua inclusão em nossa rotina não podem ser desconsideradas. Pelo contrário, essas são as garantias para o real fortalecimento das economias, que envolvem de maneira direta o desenvolvimento sustentável dos negócios e a melhoria da qualidade de vida tanto das mulheres, quanto de homens e de crianças.

Não é por acaso que a ONU Mulheres e as companhias signatárias do Pacto Global, cientes do papel das empresas para o crescimento das economias e para o desenvolvimento humano, criaram os ‘Princípios de Empoderamento das Mulheres’. Esse conjunto de considerações existe para ajudar a comunidade empresarial a incorporar a equidade de gênero em seus negócios, valores e práticas. Mas cabe a cada organização e a cada indivíduo, sob sua responsabilidade como colaborador e cidadão, compreender a essência e a necessidade do empoderamento de mulheres e, a partir disso, mudar atitudes para que, no longo prazo, a transformação seja genuína e cultural.

Estudos recentes da Escola Nacional de Seguros identificaram uma tendência de crescimento da participação feminina no setor, porém com grande espaço ainda a ser conquistado. De acordo com o levantamento, em 2015, três em cada 10 executivos do segmento de seguros no Brasil eram mulheres; em 2012, eram duas. Quando pensamos em cargos e promoções, de todos os funcionários homens de uma seguradora, 4,7% se tornam executivos. Entre as profissionais essa proporção baixa para 1,4%. Ou seja, ainda hoje a probabilidade de um homem se tornar executivo no segmento de seguros é quase 3,5 vezes maior do que a mulher.

O mais interessante quando refletimos sobre esse tema é que as mudanças são simples e estão basicamente embasadas em promover a igualdade de gênero por meio de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social. Os sete passos estabelecidos pela ONU Mulheres e o Pacto Global navegam basicamente por atitudes simples como tratar as pessoas, sejam mulheres ou homens, de forma justa no trabalho; respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação; garantindo saúde, segurança e bem-estar; promovendo educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres; apoiando o empreendedorismo e promovendo políticas de empoderamento das mulheres, tanto por meio de cadeias de suprimentos e como de marketing; e comunicando, medindo e publicando os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.

E é justamente por esse motivo que faço um convite à reflexão do que cada um de nós temos feito, não somente como líderes colaboradores de organizações, mas também como cidadãos, que vivem uma cultura que ainda precisa de mudança e igualdade.

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