img_4530
Randal Zanetti, presidente da Bradesco Seguros

O curso da vida deixou de ser uma corrida de 100 metros para se tornar uma maratona, que exige estratégia, treino e apoio mental. Neste ano, o XI Fórum da Longevidade abordou principalmente os aspectos que envolvem a tecnologia voltada para a terceira idade.

O presidente da Grupo Segurador Bradesco, Randal Zanetti, ressaltou a importância deste evento, que chegou à sua 11ª edição, para a companhia, que é um agente ativo do tema longevidade. Ele lembrou que a expectativa de vida é uma média móvel que cresce em escala exponencial, por avanços que barram a mortalidade infantil e prolongam a vida. “Devemos ter em mente que a longevidade está expandindo nossas fronteiras”, concluiu citando o tema deste ano.

A tecnologia permeou todos os debates. A passagem do tempo, claro, não poderia faltar também. O físico Luis Alberto Oliveira mostrou que o tempo é uma linha de instantes. Ele apresentou informações sobre como o ser humano percebe e mede a passagem do tempo e a importância desta parametrização para a sociedade de forma geral.

Planeta de idosos

O professor da Columbia University (EUA), Tom Kamber, trouxe a experiência de centros comunitários para idosos que foram implantados em Nova Iorque. Para ele, idosos e tecnologia formam uma combinação mágica, assim, tecnologia e longevidade terão um futuro compartilhado.

Nestes centros para idosos, os freqüentadores encontram um ambiente alegre, com vários cursos disponíveis para que possam aprender a lidar com a tecnologia. “Nosso modelo preza a a aprendizagem em conjunto, para que eles possam se desenvolver e ajudar os outros”, destacou Kamber, explicando que os “seniors” aprendem muito bem, apenas de forma mais lenta. “Eles precisam de um ambiente onde não tenham vergonha de perguntar.

Todo este engajamento tecnológico pode ajudar em várias frentes que melhoram a qualidade de vida dos idosos, como a saúde, o social e até o financeiro.

“Em Manhattan, o Centro Comunitário de Idosos oferece aulas grátis. As pessoas podem passar o dia, ter aulas, ler, trocar emails com seus netos em outros países. É um programa de muito sucesso”, comemorou.

O estudioso explicou que a revolução da longevidade proporciona liberdade para criar novas oportunidades para aprender e manter o programa. “O espaço deve ser acolhedor, bonito e atrativo para atrair as pessoas”.

Alexandre Kalache, gerontólogo e presidente do Centro Nacional da Longevidade, assegurou que é preciso reinventar o presente para preparar o futuro. Estamos vivendo 30 anos mais do que nossos avós. O impacto da revolução da longevidade acontece para nós, indivíduos, e para a sociedade.

Não temos tempo para demorar. Temos que aproveitar as oportunidades da tecnologia para nos preparar para a virada dos idosos. Em 20 anos teremos mais de 30% da população idosa no Brasil, salientou.

“Será que estamos preparados para a velhice?”, questionou Kalache.

Ele apresentou uma linha da vida em que mostra que é o mais importante é chegar à terceira idade com capacidade física e intelectual para aproveitá-la.

“A vida deixou de ser uma corrida de 100 metros para se tornar uma maratona, com estratégia, treino e preparo psicológico”.

Para enfrentar esta longa jornada, Kalache avisa que precisamos envelhecer com quatro capitais: saúde (saúde, que depende de nós e do ambiente); conhecimento (que mantém o cérebro ativo); social (manter as relações familiares e de amizades); e financeiro (planejamento para ter renda neste período).

“Temos que ser resilientes, ter acesso às reservas para se adaptar, suportar obstáculos e crescer a partir dos desafios que encontramos pela vida”, apontou, acrescentando que o envelhecimento ativo é otimizar as oportunidades ao longo da vida.

 

Quanto mais cedo melhor, mas nunca é tarde demais para começar.

 

O diretor geral da Bradesco Vida e Previdência, Jorge Nasser, comentou que este é um momento bastante importante para a sociedade, porque é possível encontrar quatro gerações em uma mesma mesa de trabalho, juntas. “É um caminho de descobertas”.

Ele afirmou que a tecnologia deve ser oferecida para este público de maneira natural, com os desenvolvedores pensando com a cabeça do idoso, aprendendo juntos.

Nasser também acrescentou que os sites do banco e da seguradora buscam ser acessíveis para o idoso pois, desta forma, será para todas as pessoas.

O processo de envelhecimento da população do País é o terceiro mais rápido do mundo, atrás apenas da China e da Tailândia. Segundo o IBGE, até 2060, 26,7% da população serão de idosos, passando dos atuais 24 milhões de pessoas para 73 milhões. No mundo, serão 2 bilhões de pessoas acima dos 60 anos de idade.

Deixe uma resposta