Edição 214

0

produto | investimentos

Para cada investidor, uma solução

O mercado de investimentos é arriscado, mas pode contar com alguns produtos de seguro para minimizar seus impactos

Amanda Cruz

Os investidores do mercado financeiro estão sempre rodeados de apostas, riscos, investimentos que nem sempre têm um retorno garantido. Alguns mais conservadores, outros mais agressivos. Embora os engravatados de Wall Street ou da Bovespa não tenham um seguro que cubra os riscos de suas grandes apostas, o mercado de investimentos, no Brasil e fora dele, pode contar com diferentes produtos, para diferentes perfis, que auxiliam transações de pessoa física ou jurídica e evitam que grandes perdas sejam desastrosas. Caso saibam apostar bem, claro.

Brincadeira de gente grande

À parte dos investimentos prazerosos, feitos para o lazer, existem aqueles que são motivos de tensão para seus investidores.

Os seguros podem não fazer com que seu investimento aumente, nem promete garantias financeiras além dos valores estabelecidos para indenização de sinistro, mas esses dois mercados são muito próximos. “O seguro impede que investimentos feitos em ativos se percam por ocorrência de força maior, uma catástrofe, um acidente”, aponta Luciano Mendonça, da Euler Hermes.

O melhor exemplo de risco entre investidores que pode contar com um seguro de crédito são os chamados recebíveis à prazo, como é o caso de títulos de dívida e ativos que venham da venda de mercadorias, serviços prestados que financiam os sacados e antecipam recursos aos cedentes. “Os recebíveis podem não ser honrados pelos sacados na data de vencimento e, assim, os investidores podem se proteger deste risco comprando uma apólice de seguro de crédito, que vai garantir o recebimento do título em caso de mora ou insolvência do sacado”, explica Mendonça.

Ou seja, o seguro de crédito ajuda a cobrir os danos causados por inadimplência. Mendonça explica que quem procura por esse tipo de cobertura no mercado são, na maioria das vezes, empresas manufatureiras que possuem margens menores e precisam buscar novos clientes para alavancar essas vendas.

A preocupação está no core business. As empresas precisam focar no objeto principal de sua existência e por isso preferem deixar as avaliações de crédito, análises de clientes potenciais e o monitoramento dos créditos nas mãos de um especialista.

Mendonça alerta para o fato de que os empresários costumam segurar veículos, imóvel, vida dos funcionários etc, mas a carteira das vendas a prazo é deixada sem qualquer proteção, ainda que represente 40% dos ativos de uma empresa. “Imagine uma empresa na qual a margem de vendas é bastante apertada: 5%. Se houver um calote, em uma venda de R$100, deve-se vender 20 vezes o mesmo valor para equalizar aquela perda. Assim, proteção contra calote é essencial para uma empresa que quer se manter competitiva no mercado”, aponta executivo da Euler Hermes.

Entre empresas

Outra preocupação, que ultrapassa a área de atividade de uma empresa e preocupa todas de maneira geral, é investir em uma fusão ou aquisição e mais tarde encontrar irregularidades ou graves problemas que possam atingir sua reputação e seu capital financeiro. Há dois anos, uma seguradora trouxe ao Brasil um produto que quer proteger essas transações. “Apesar do mercado da América Latina ser novo, a demanda por esse produto vem crescendo consistentemente, por isso acreditamos que essa tendência continue nos próximos anos”, aposta Bruna Reis, líder da prática de Private Equity e Fusões e Aquisições da Marsh Brasil.

Esse produto está disponível apenas para o comprador, cobrindo o passivo oculto da empresa comprada. “Caso surja um processo pós fechamento, referente a um ato desconhecido no momento da operação, o comprador será reembolsado”, afirma Bruna. Essa apólice foi desenhada semelhante ao que é oferecido nos EUA e na Europa, o que falta é a expansão que contemple uma apólice para o vendedor e também para contingências, cláusulas que já estão disponíveis lá fora.

Ainda existem poucas apólices de proteção para fusões e aquisições e o mercado brasileiro não apresenta exclusões específicas. “Porém, com a crise política no País, as últimas cotações foram apresentadas com exclusão para reclamações relacionadas à corrupção”, esclarece Bruna. Mesmo assim, a executiva afirma que essa não é uma exclusão padrão e que poderá ser renegociada.

Semelhante a essa iniciativa estão os produtos da Chubb voltados para proteger os gestores de investimento e as entidades responsáveis envolvidas nessa gestão. A apólice oferece cobertura em casos de responsabilização dos administradores por questões relacionadas com a gestão (D&O) e cobertura em casos de responsabilização das entidades envolvidas e dos seus gestores por questões relacionadas à prestação de serviços de investimento (E&O). “O IMI – Investment Menagement Insurance é um seguro de responsabilidade civil à base de reclamação. Um produto voltado para fundos de investimento que tem como principal característica o fato de ser a junção de dois produtos: D&O e E&O”, explica Rafael Domingues, diretor de Financial Lines da companhia.

Esses fundos, chamados FIDC – Fundo de Investimentos em direitos creditórios – funcionam da seguinte maneira: eles compram os direitos dos créditos que um portador tem sobre determinados títulos da dívida quem vêm de vendas de mercadorias ou prestação de serviços. Esses compradores têm, portanto, seus títulos segurados contra eventuais inadimplências. Mendonça, da Euler Hermes, explica que “embora não haja proteção para a taxa de retorno – yield – que um investidor espera de um fundo de crédito desse tipo, há proteção para os ativos que o compõem. Isso acaba mitigando o risco de perda do fundo que pode ser causado pelo calote”, elucida.

Já no caso de seguro de fusões e aquisições, as empresas de Private Equity podem vender suas alavancadas e precisar encerrar esses fundos. Bruna, da Marsh, afirma que a apólice dá a garantia ao comprador sem precisar deixar os recursos da empresa bloqueados. Isso faz com que exista um fluxo do capital adquirido, com o qual o comprador poderá contar assim que fizer a aquisição.

Olhar ao seguro de crédito

As equações são complexas, mas abrangem qualquer empresário, do mais entendido de captação de recursos e investimento até aquele que decide colocar uma máquina de cartão de crédito em sua loja de varejo e vender a prazo.

Uma boa maneira de entender como funciona esse mercado de compra, venda, investimentos e título de crédito é o filme norte-americano The Big Short – A Grande Aposta – de 2014. Ele trata sobre a grande bolha imobiliária que surgiu no mercado dos EUA após o país liberar uma quantia grandiosa de crédito à população sem verificação de perfil, sem saber se elas poderiam arcar com suas dívidas – os chamados subprime. Com essa realidade, havia muitos imóveis com preços muito baixos. Ao não conseguirem arcar com as hipotecas, os norte-americanos abandonaram suas dívidas e aqueles que detinham os títulos dessas dívidas ficaram com um grande rombo financeiro em suas mãos. Muitos deles estavam segurados, mas devido ao tamanho da crise, perderam seu valor e até mesmo as seguradoras não tinham como arcar com esses gigantescos sinistros.

“Proteção contra esta variação do preço de mercado dos ativos é uma coisa que muitas empresas buscam, mas não existe proteção de apólice de seguro que cubra essa diferença”, explica Mendonça, que completa: “geralmente, esse tipo de proteção está ligada aos investimentos que flutuam na contra-mão da tendência destes ativos. Aparece aqui a figura importante do corretor para buscar a melhor solução”.

Hoje, os corretores que vendem esses tipos de seguro são, em sua maioria, altamente especializados e capacitados para lidar com essas complexidades.

Para Domingues, da Chubb, esses produtos constituem uma ótima oportunidade para o profissional da corretagem. “É um mercado em franco desenvolvimento e ainda com poucos corretores atuando nesse nicho. Os corretores de seguro que buscam o conhecimento podem colher bons frutos, já que há uma demanda represada, além de já existirem seguradoras com apetite para aceitar esse tipo de risco”, aponta.

Cada um a seu modo

Nem todos os investidores vivem de comprar e vender ações na bolsa. Alguns são pessoas com outras profissões que trazem os negócios como investimento, escolhendo imóveis ou fundos com retornos menores, mas com ganhos certos, outros ainda praticam o investimento também como hobby. É o caso daqueles que optam por ter como patrimônio obras de arte.

Obras consagradas são leiloadas e vendidas aos colecionadores que sabem que o valor artístico e histórico de algumas peças é imensurável, mas que fazem questão de tê-las em suas paredes. Nessa questão, o mercado de seguros aposta na cobertura All Risks, ou seja, que qualquer tipo de risco que a obra corra estará coberto caso o investidor tenha uma apólice, conforme explica Midiã Borges, consultora em Riscos e Seguros para Entretenimento e Obras de Arte da Aon Brasil. “A cobertura é mundial, a partir do período que as obras são retiradas dos locais até o seu retorno ao lugar de origem ou o local indicado pelo proprietário”, explica. Exposição doméstica e internacional, transporte e até terremotos e furacões fazem parte dos riscos cobertos.

Obra de arte não é apenas um quadro ou escultura de um artista famoso; antiguidades, prataria e objetos de estanho, jóias, tapetes antigos, livros raros, manuscritos e fotografias, moedas e medalhas entram no escopo de bens segurados. A apólice, geralmente, custa 2% do valor dos bens e conta com flexibilidade para se adequar à realidade e necessidade do colecionador, que pode ser discutida com um bom corretor de seguros. “A consultoria adequada para garantir a cobertura de seguros para as obras de arte é um dos desafios desse mercado, que já é bem mais maduro em outros países. É preciso uma equipe especializada, com conhecimento técnico e rápido retorno”, opina a executiva.

A evolução para esses investidores está em acompanhar o mercado lá fora. Midiã conta que em mercados como o dos EUA, que têm um produto chamado art plus, para acervos de museus que atendem o pacote completo de seguros, o patrimônio, responsabilidade civil, D&O, crime, entre outros.

Os seguros podem ser desenhados de acordo com a necessidade ou característica, cobrindo coleções particulares e corporativas através de uma apólice anual até exposições temporárias onde o seguro garante a cobertura de RCTRC, de Seguro Transporte, que é obrigatória.

De uma forma ou de outra, os corretores podem ter grande papel de destaque dentro desse nicho. A consultoria especializada é importante em qualquer carteira, mas é mais fácil de ser percebida nesta por sua elevada necessidade de conhecimento dos pormenores que envolvem cada apólice e cada operação de crédito. Os corretores são responsáveis por levar soluções de prevenção e cobertura de risco enquanto investidores são completamente avessos a qualquer possibilidade de perdas em investimentos.

 

produto | seguro rural

Seguro agrícola não utiliza toda a verba de subsídio do Governo Federal

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, “sobraram” R$ 48 milhões da safra de inverno. Mesmo neste cenário a carteira continua crescendo

Kelly Lubiato

Em meados do mês de agosto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou a realocação de R$ 48 milhões do subsídio ao seguro rural da safra 2016/2017 para o grupo de grãos de verão. Esta decisão foi tomada pelo Ministério antes de convocar uma comissão de trabalho que reúne representantes do setor agropecuário, instituições financeiras e seguradoras, com o objetivo é discutir propostas para mudanças no seguro rural.

No primeiro semestre, foram utilizados R$ 87 milhões em recursos do Programa de Seguro Rural (PSR), que representou mais de 17 mil apólices, com destaque para o milho e o trigo.

O valor inicial previsto era de R$ 158 milhões para a subvenção de culturas de verão e mais R$ 23 para as culturas de inverno, ambos da safra 2016/2017.

Qualquer produtor rural pessoa física ou jurídica pode pleitear a utilização da subvenção ao prêmio do seguro. Há subvenções oferecidas também pelos governos da esfera estadual e municipal. O PSR beneficia mais de 70 culturas agrícolas, além das modalidades pecuária, aquícola e de florestas, em 20 unidades da federação.

Para contratar o seguro rural, o produtor deve procurar uma seguradora habilitada pelo Ministério da Agricultura no Programa de Subvenção. Caso o produtor já tenha cobertura do Proagro ou do Proagro Mais para uma lavoura, não será beneficiado pelo PSR na mesma área.

Wady Cury, presidente da comissão de seguro rural da Fenseg, afirma que o primeiro assunto desta pauta montada pelo Governo e apresentada ao novo grupo é a criação do Fundo de Catástrofe, de caráter privado, para financiar o seguro rural no país. “Ele é discutido há mais de uma década no setor e já é bastante conhecido pela área técnica do governo. O objetivo do plano é evitar contingenciamentos que prejudicam o Programa Nacional de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)”, explica.

O executivo conta que o governo se esforça para melhorar o programa de subsídios, com mais previsibilidade e planejamento. “A construção de um novo modelo não é fácil, mas é preciso convergência entre os setores público e privado. O processo está em fase inicial, mas é relevante discutir se uma apólice deve ser de responsabilidade de apenas um ente (público ou privado) ou de todos os atores, uma vez que a atividade tem “múltiplos impactos” na sociedade”, reflete Cury.

O seguro é um dos instrumentos de política agrícola mais utilizados no mundo para reduzir o grau de risco e incerteza e, portanto, melhorar a alocação de recursos da atividade rural. No Brasil, o Ministério da Agricultura, dentro de sua Política Agrícola, entende que proteger-se de riscos causados por adversidades climáticas é imprescindível para o produtor que, ao contratar o seguro, pode recuperar o capital investido em sua lavoura ou empreendimento.

Hoje em dia, é muito difícil para o agricultor se manter na atividade rural se não tiver competitividade. “E, para isso, é preciso reduzir os custos e riscos”, garante o executivo que também é diretor Geral do Grupo Segurador BB Mapfre, acrescentando que o seguro é uma ferramenta que ajuda o produtor a gerenciar melhor seus custos e as consequências a riscos, auxiliando na reposição de perdas e possibilitando mais segurança para que continue investindo na propriedade. O papel das seguradoras é fundamental nesse processo, ao disseminar as vantagens do seguro e sua importância para garantir a safra. “No modelo de hoje, as seguradoras fazem o papel de pulverizadoras dos valores alocados por cultura e também fazem o papel de disseminação, implantação e operacionalização deste programa, bem como a manutenção e aprimoramento deste importante instrumento de mitigação de risco. A cultura do seguro está sendo criada na cabeça dos produtores, não mais como um custo efetivo na operação, mas como um produto de valor agregado e com bastante inerência na maioria das regiões.

A aderência ao seguro rural é uma das grandes batalhas que o mercado nacional deve enfrentar. Leandro Poli, diretor de Ramos Elementares da Essor Seguros, acredita que a demanda pelo seguro rural deve aumentar à medida que houver um trabalho conjunto do setor (seguradoras e corretores de seguros) no sentido de divulgar a disponibilidade do seguro rural. “Infelizmente, o produtor rural ainda não entende o seguro rural como um investimento para garantir a continuidade do seu negócio”.

Menos de 15% de toda área agricultável do Brasil está segurada, embora o país venha avançando em números positivos desde 2006, quando o Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) foi criado. Desde então, o volume de recursos cresceu quase 20 vezes.

A evolução dos números é visível, mas ainda há uma enorme parcela de produtores que estão fora deste cenário. Comparando os anos de 2006 e 2014, a quantidade de produtores atendidos subiu de 16.653 para 82.268, de culturas seguradas saltou de 28 para 58. Já a quantidade de área segurada passou de 1,56 milhão de hectares para 12 milhões de hectares. Mesmo com toda a demanda, o cenário de crise econômica e de queda na concessão de crédito foram cruciais para que todo o valor disponível para o PSR não fosse utilizado. “Houve muitos desafios, tanto nos conceitos dos critérios de distribuição dos valores de subvenção, quanto na alocação e distribuição dos valores no orçamento de 2015. Em alguns casos, a diminuição dos percentuais de subvenção oneraram os produtores, principalmente os que plantam culturas de maior risco. Mas a demanda pelo seguro não deve arrefecer. O ministério optou por uma política tentando ampliar a base de segurados, e as seguradoras estão bem motivadas de que esse mercado cresça nos próximos anos”, aposta Cury.

Distribuição

Quatro estados brasileiros são responsáveis por 80% da utilização dos recursos do PSR: Paraná (37%), Rio Grande do Sul (21%), São Paulo (14%) e Santa Catarina (8%). As culturas que ficam mais protegidas são: Soja (43,56%), Uva (10,89%). Estas informações são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atualizados até agosto de 2016.

O corretor de seguros e professor da Escola Nacional de Seguros Fabio Dias afirma que quando acaba a disponibilidade de valores dos subsídios governamentais, o setor sofre uma parada. “O mercado de seguro agrícola é muito dependente dos subsídios. É muito raro o produtor rural comprar um seguro sem que haja subvenção, seja ela federal ou estadual”, afirma Dias.

Para ele, a verba do PSR pode sobrar por dois motivos: o Governo disponibiliza um valor alto, acima do que o mercado suporta, ou porque houve retração nos créditos bancários. “É importante ressaltar que os bancos exigem a contratação do seguro para culturas financiadas, assim como as empresas de insumos agrícolas”, esclarece Dias.

Esta versão é corroborada pelo engenheiro agrônomo Sérgio Luiz Ferreira, da empresa Paraná Norte distribuidora de insumos, afirma que a contratação aumenta logo que algum evento climático assola uma região. “Passamos por uma grave crise na última safra e é natural que para 2016/2017 haja um aumento da contratação de seguro. As pessoas têm medo de levar outro prejuízo e acabam fazendo o seguro”, avalia.

Fabio Dias conta que na última safra de milho safrinha e trigo teve um volume maior de contratação de seguros do que neste ano. “O que senti de meus clientes foi a redução da área plantada e até mesmo das culturas não subsidiadas. As culturas mais fortes em contratação de seguros são os grãos, como o milho safrinha, o trigo e a soja”.

O setor demora a se desenvolver por falta de divulgação de seus benefícios. Esta é o opinião tanto de corretores quanto de seguradoras.

Por isso, o Governo Federal tenta melhorar a distribuição dos produtos e diminuir a burocracia. O Plano Agro Mais é um conjunto de medidas com o objetivo de reduzir a burocracia nas normas e processos do Ministério da Agricultura, buscando mais eficiência para impulsionar a competitividade do setor de agronegócios.

De acordo com nota do Ministério, o governo vem se esforçando para melhorar o programa de subsídios, com mais previsibilidade e planejamento. Os números têm mostrado que o produtor continua acreditando que o financiamento, com o apoio do governo, é importante para o desenvolvimento da agropecuária. Na safra 2015/2016, encerrada em 30 de junho, médios e grandes produtores rurais tomaram empréstimos da ordem de R$ 150 bilhões, referentes a créditos de custeio, comercialização e investimento, volume 2,6% superior ao do ciclo anterior, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

seguro-rural

 

produto | eventos

Há jeito para tudo!

Da festa intimista, realizada em casa, aos grandes shows internacionais: o seguro garante tranquilidade para qualquer tipo de ocasião

Lívia Sousa

Há tempos o mercado de festas e cerimônias apresenta números positivos, o que não foi abalado nem mesmo com os primeiros sinais da crise financeira e política. O último estudo divulgado pela Associação Brasileira dos Eventos Sociais (Abrafesta) mostra que, em 2014, o faturamento do setor chegou a aproximadamente R$ 16,8 bilhões – a maioria casamentos, debutantes e formaturas.

Praticamente nenhum detalhe passa despercebido quando se resolve oferecer ou organizar uma festa, desde a escolha dos convidados, passando pelo cardápio e as músicas que vão animar o momento. Por outro lado, muitas vezes um item importante fica fora da lista: o seguro, ainda contratado majoritariamente para grandes eventos. “O seguro para eventos tem o objetivo de garantir desde um mega show até uma festa típica, uma simples festa ou reunião de amigos mesmo em casa”, lembra o diretor de Riscos Diversos da Berkley, Alexandro Sanxes.

A própria Abrafesta lançou, em parceria com a Chubb Seguros, um produto voltado à pessoa jurídica na hora de contratar os serviços de empresas associadas à instituição. Estudado por dois anos, o seguro abrange montagem, festa e desmontagem de casamentos, aniversários ou formaturas com até 1,4 mil convidados.

“Fazendo um comparativo, o seguro para evento equivale ao seguro de automóvel. É tão importante e preciso quanto. Não adianta esperar bater o carro para depois providenciar o seguro. É preciso se precaver e, desta forma, garantir tanto ao cliente como ao fornecedor”, declara Ricardo Dias, presidente da Abrafesta, acrescentando que a entidade pretende criar um produto para festas menores, organizadas na própria residência. “Novos estudos serão realizados para a extensão deste produto para eventos com o número abaixo de 100 pessoas”, adianta.

Este tipo de proteção, no entanto, vem se disseminando de forma gradativa. Pelo menos é o que garante a diretora de Seguros Patrimoniais Empresariais da Liberty Seguros, Rosy Herzka. “Os segurados, de forma geral, têm se mostrado mais receptivos para a contratação deste tipo de seguro”, afirma a executiva, atribuindo boa parte disso à veiculação de imprevistos que ocorreram em alguma festa e que geraram transtornos ou prejuízos para o organizador.

Para as reuniões mais intimistas, realizadas em casa, o seguro de Responsabilidade Civil de Eventos é o mais indicado, com um custo médio de R$ 500 para um limite de R$ 100 mil. Podem ser consideradas as coberturas de RC Evento, RC Empregador, Fornecimento de Comestíveis e Danos Morais, que garantem não só a realização da festa como também a edificação de danos decorrentes do evento, além de cenários, trajes e presentes aos participantes. A contratação pode ser feita pelo próprio proprietário da festa, desde que o evento ocorra dentro das leis, não havendo nenhum pré-requisito para a aquisição do seguro.

Comemoração em grande estilo

As casas noturnas trabalham com pacotes exclusivos para quem deseja comemorar o aniversário no local. Acesso a área VIP e petiscos e bebidas por conta da casa são algumas das regalias oferecidas aos aniversariantes, que levam um grande grupo de amigos para consumir no espaço.

Geralmente esses estabelecimentos já estão protegidos por algum tipo de seguro. Assim como no de festas em residência, o seguro de RC Eventos aplica-se neste caso, com as mesmas linhas de coberturas, podendo ser acrescentada uma cobertura acessória para instalação e montagem das estruturas do evento. O custo médio é de R$ 650 para um limite de R$ 100 mil.

Para as comemorações realizadas em casas noturnas, é importante que o seguro abranja todo o calendário de eventos do estabelecimento (que na maioria das vezes não é tão longo), com destaque para as coberturas voltadas ao público e que garantam também a propriedade.

Contudo, isso não impede que o anfitrião da festa dê um “upgrade” no produto. “Contratar um seguro à parte independe do local oferecer ou não um seguro para eventos. O que se pretende resguardar é a pessoa que será responsabilizada em caso de algum sinistro”, explica Rosy. No momento da contratação, deverão ser informados os limites e as coberturas desejadas para o tipo de festa que será realizada.

As proteções adquiridas por conta própria normalmente são seguros patrimoniais, que têm grande restrição em relação às coberturas e garantias necessárias para os eventos. A apólice é uma ferramenta para complementar essas coberturas e pode ser contratada por eventos específicos.

O segmento, porém, tem dado pouca atenção para este tipo de seguro, considerando que não apresenta frequência em sinistros. “Mas existe uma grande concentração de riscos que pode tornar um sinistro com alto potencial de perdas”, frisa Sanxes, da Berkley.

Covers artísticos

Covers de cantores e bandas consagradas, que fazem sucesso e são uma atração muito bem-vinda em comemorações, também devem estar amparados pelo seguro. Trata-se de um produto muito comum para artistas no exterior – mas ainda pouco utilizado pelos artistas brasileiros –, que tem garantidas as coberturas de cancelamento e de RC empregador com extensão para o cover.

“Procuramos amparar os danos causados aos artistas participantes do evento. É uma cobertura acessória que pode ser contratada quando se pretende resguardar os danos sofridos pelos profissionais”, afirma a executiva da Liberty. O seu custo varia em relação ao limite da cobertura básica contratada, que se destina a amparar os danos materiais ou corporais sofridos pelo artista.

Destaque para a cobertura de cancelamento, que pode acontecer tanto pelo não comparecimento do artista quanto pela extensão para coberturas climáticas que podem inviabilizar a realização do evento.

Os ícones da música

O Brasil se acostumou a promover grandes eventos, como feiras corporativas, disputas esportivas e, principalmente, festivais de música e shows internacionais. Desde que entrou para a rota de apresentação dos ícones da música mundial, em meados da década de 1980, a lista de bandas e personalidades com passaporte brasileiro não para de ganhar nomes de peso: Foo Fighters, David Guetta, U2, The Rolling Stones e Maaron 5 são apenas alguns deles.

Acompanhando esse movimento, as seguradoras viram a necessidade de ofertar um seguro de Responsabilidade Civil voltado exclusivamente a este nicho, produto que pode ser contratado tanto pelos organizadores do evento quanto pelos produtores e prestadores de serviços. “Além de cobrir os danos corporais ou materiais causados a terceiros decorrentes de instalação, montagem, desmontagem, fornecimento de alimentos e bebidas, o seguro também cobre tumultos ocorridos entre os visitantes e danos morais”, explica Camila Santos, gerente de Responsabilidade Civil da AIG Brasil.

Há a possibilidade de inclusão de outras coberturas, como cancelamento e condições climáticas (podendo ser segurado o cachê do artista, os custos com a produção, entre outros). Também estão protegidas vendas de ingressos abaixo do esperado, comum até entre as grandes cantoras do pop. Lady GaGa e Madonna que o digam: quando se apresentaram em solo brasileiro, em novembro e dezembro de 2012, não lotaram os estádios. No ano seguinte foi a vez da banda Aerosmith, que dias antes de participar do festival Monsters of Rock no Brasil tocou para apenas três mil fãs em um estádio na Costa Rica. Talvez pelo espaço, grande demais; ou pelo preço “salgado” dos ingressos.

Normalmente, as grandes produtoras já possuem uma cultura para esse tipo de seguro e sempre contam com um planejamento de coberturas que garantem desde os artistas, o público, o local do show, os empregados e fornecedores para a realização dos eventos, equipamentos utilizados nos eventos, entre outros. Em razão da grande variedade de coberturas e limites que podem ser contratados, não é possível estimar um custo médio deste tipo de seguro.

É importante lembrar que imprevistos também podem acontecer com os próprios artistas. A banda canadense Magic, por exemplo, cancelou as apresentações que faria em Belo Horizonte e Brasília nos dias 22 e 26 de janeiro deste ano, respectivamente, por conta da logística da turnê. No Brasil, o cantor Roberto Carlos cancelou, em junho deste ano, quatro apresentações na capital paulista, além de um show que faria no início de setembro em Sorocaba, interior de São Paulo, todos por problemas de saúde. O caso mais recente foi o do cantor Zayn Malik, ex One Direction, que após uma crise de ansiedade desistiu de se apresentar em Dubai no dia 7 de outubro.

Em outras situações, um festival pode ser prejudicado por completo – como a primeira edição do Lollapalooza Colômbia, que nem chegou a acontecer: foi cancelado após a cantora Rihanna, então a atração principal do evento, anunciar de última hora que não se apresentaria mais por temor ao zika vírus. Neste caso, o cancelamento do evento (conhecido como no show) não é amparado pelo Seguro de RC Eventos da AIG. “Para estar coberto com relação a cancelamento do evento, é necessária a contratação de apólice adicional, presente no Ramo 171, da Superintendência de Seguros Privados (Susep) – Riscos Diversos”, declara Camila.

O fato é que não são somente os shows internacionais que atraem um público considerável por aqui. Mesmo com grandes nomes da música nacional, o País ainda carece de cultura no que diz respeito à proteção de eventos. “Temos um grande potencial com artistas nacionais que não contratam este seguro”, salienta Alexandro Sanxes, da Berkley. “As seguradoras têm a responsabilidade de capacitar os corretores de seguro e de facilitar a forma de contratação, para buscar uma cultura para o segmento”, finaliza o executivo.

 

produto | esporte

Um sinistro comemorado

No golfe, a maior honraria de um praticante pode ser também um risco para as suas finanças: conheça a cobertura hole in one, que protege uma grande vitória

Amanda Cruz

Simples apostas com amigos são feitas todos os dias como uma brincadeira inocente, mas algumas delas podem se tornar realidade e levar um participante à falência. Não acredita? É o que acontece no golfe, onde um lance de sorte pode por em risco um patrimônio.

O golfe ficou fora dos Jogos Olímpicos Modernos por 112 anos, retornando em 2016, nos jogos do Rio de Janeiro. Justin Rose, golfista britânico, celebrou a volta do esporte da melhor maneira possível: com um hole in one. Um feito inédito até então em um campeonato Olímpico.

O hole in one, ou jogada perfeita, é a tacada mais difícil e mais valiosa no golfe e consiste em acertar o buraco na primeira tacada. Ao vencedor, fica a glória de integrar o seleto hall daqueles que são 1 em 12,5 mil, mas também uma conta bem gorda para pagar. Isso porque os jogadores que praticam o esporte levam suas apostas muito a sério e quem acerta a jogada perfeita precisa pagar uma festa inteira, para que todos os presentes celebrem junto a conquista. “Não é uma obrigação, mas a tradição é tão forte que sempre acontece uma comemoração”, conta Antonio Padua, presidente da Federação Paulista de Golfe. Ele enfatiza ainda que “fazer um hole in one é uma emoção muito grande. Existem golfistas muito talentosos, que jogam há décadas, que nunca fizeram a jogada na carreira. Comemorei muito os dois que já fiz em campos oficiais – o último deles há um ano, em Poços de Caldas”.

Se em 1991 o número de praticantes de golfe no Brasil era de, aproximadamente, 7 mil, e em 2011 já havia saltado para 25 mil, esse certamente é um cenário que apresenta crescimento de riscos e que precisa ser olhado de perto, assim como o mercado de seguros olha para outros esportes.

A Federação Paulista de Golfe – FPG – hoje conta com cerca de 5 mil filiados e, embora não existam dados anteriores sobre o número de hole in one, vários já ocorreram entre esses jogadores. A partir de 2016, a entidade começou a não só contabilizá-los, mas também a promover o Embrase Hole in One Club, evento que premiará os jogadores que conquistarem o feito. Por isso, sabe-se que de janeiro deste ano até o final de julho foram registrados 44 jogadas perfeitas em campos paulistas.

Almoço, jantar ou happy hour

A cobertura Hole in One está atrelada ao seguro residencial como um adicional à Responsabilidade Civil familiar e cobre as despesas como bebidas, comidas e até lembrancinhas alusivas ao grande feito esportivo.

A Tokio Marine, que oferece essa cobertura adicional, explicita em seu clausulado que o segurado deverá estar na condição de golfista amador, que tem no golfe um hobby, não lucrativo, para receber a indenização, tanto pelo hole in one quanto pela jogada conhecida como albatroz (completar o buraco com três tacadas abaixo do par). Entre outras condições, está a necessidade do sinistro ocorrer em campeonatos, torneios ou treinos em clubes de golfe comerciais que tenha, no mínimo, nove buracos e que esteja sendo disputada por, no mínimo, dois jogadores.

Quem é que sabia?

Esse é um produto que pode ficar escondido dentro da prateleira, perdido em meio a tantas outras coberturas que podem parecer mais urgentes. Esse é um bom motivo para o corretor conhecer melhor seu cliente: a venda consultiva passa também pelo profissional da corretagem saber quais são os hobbies de seu cliente, evitando que uma tacada de sorte no momento de diversão acabe em um prejuízo. Isso mostra que é preciso ter diálogo com as seguradoras com as quais ele trabalha. Adriano Fernandes, diretor de PersonalLines da Sompo Seguros, afirma que é esse olhar atento que traz produtos que conseguem abranger a maior gama de mercado possível. “Nesse caso específico, detectamos que havia corretores de seguros que atendiam clubes de golfe e que teriam mais oportunidades de fechar negócios se incluíssemos essa cobertura agregada ao seguro residencial. Essa cobertura já é uma realidade na companhia há algum tempo”, pontua o executivo.

O perfil do segurado, geralmente, é de alguém de alto padrão que já está familiarizado com o hábito de comprar seguros, como executivos de classe média alta. “O que fizemos foi disponibilizar essa cobertura adicional e outras que agregam valor ao esporte para permitir ao segurado o direito de escolha por sua contratação”, afirma Fernandes.

Já a Tokio Marine teve sua decisão bastante baseada na intimidade que possui com os clientes japoneses. “Incluímos essa cobertura em nosso produto para atender um público específico que é praticante desse esporte, sendo que a colônia japonesa – um de nossos segmentos foco – faz parte do público”, revela o diretor Executivo Técnico de Massificados, Marcelo Goldman.

Quanto à contratação, ela é feita por pessoa física, até mesmo porque a cobertura está dentro do seguro residencial, mas abrange não só o clube ou a associação dos quais o segurado seja sócio e/ou membro, mas também qualquer outro local que esteja destinado à prática do esporte.

Na Sompo, nos últimos 12 meses, ocorreram dois sinistros, com média de indenização de R$ 2,3 mil. Entre 2013 e 2014, houve outros seis sinistros, com indenização média de R$ 4 mil. O valor que será disponibilizado dependerá da cobertura e de seu limite contratado e está vinculada à cobertura de Responsabilidade Civil Familiar.

Afinal, o hole in one representa um risco da seguradora em ter um cliente que é não apenas um bom jogador, mas também um sortudo. “Bater bem na bola aumenta as chances de deixá-la próxima do buraco e de embocar em uma só tacada, mas muitos jogadores de altíssimo nível técnico nunca fizeram um ace. Há casos de jogadores que erraram a tacada, mas a bola bateu em uma árvore ou num muro, e acabou caindo no buraco”, finaliza Pádua.

Reconhecimento do cliente

As coberturas adicionais que o mercado oferece em suas apólices são muitas vezes deixadas de lado porque as pessoas querem economizar. O discurso de disseminação do seguro no País é algo recorrente, mas só quem realmente utiliza sabe dizer o quanto a cobertura foi, ou não, satisfatória.

É o caso de Ricardo Vilarinho, 66 anos, engenheiro, empresário e jogador de golfe na Associação Esportiva São José, em São José dos Campos, São Paulo.

Ele começou a praticar o esporte em 2000 e já marcou duas vezes o hole in one. “Comecei a jogar em Manaus. Quando eu fiz o primeiro hole in one. Não tinha a cobertura do seguro. Mas lá já existia uma companhia que oferecia o produto residencial com essa cobertura”, conta Vilarinho. O contato veio de outro golfista, que era corretor de seguros e auxiliou o cliente na escolha da cobertura mais adequada. O engenheiro contratou o seguro com o valor de indenização de R$ 5 mil. “Quando eu fiz o segundo hole in one pude fazer uma grande festa no clube”, lembra.

Para acionar o seguro, foi preciso um documento, cedido pelo clube de golfe, em que duas testemunhas atestaram o feito do jogador, que posteriormente foi reconhecido pela federação paulista e entrou no hall da fama dos golfistas. Esse documento é o comprovante que a seguradora exige para reembolsar o sortudo dos gastos com a festa.

Vilarinho diz que, pelo seguro residencial como um todo, paga um prêmio de R$600 e se mostra satisfeito em também poder contar com as demais assistências que acompanham o produto, afirmando que já acionou diversas delas, como encanador, eletricista, entre outros. “Tudo que eu tive que fazer foi entregar as notas. Funcionou perfeitamente”, elogia.

Para Vilarinho, a conquista de um hole in one deixa o golfista em “estado de graça”. Ele afirma que tem o desejo de realizar mais jogadas perfeitas e reitera que o fato de ter seguro o auxilia a ficar despreocupado e ainda mais feliz com a conquista. “A emoção é um espetáculo. Essa é uma grande tradição e depois que pude contar com o seguro, não deixo de ter, de renovar”, afirma.

O saldo dessa conquista é muito positivo também para o mercado, que tem o reconhecimento do cliente. “Recomendo a outros golfistas porque não é apenas o seguro do hole in one. O seguro da minha casa conta muito, já utilizei diversos serviços e sei que estou protegido. Nunca tive nenhum acidente em casa, mas é importante saber que estou seguro”, avalia.

Adicional

Geralmente quem contrata a cobertura adicional Hole in One, também contrata a cobertura para tacos de golfe. Essa cobertura garante o reembolso ao segurado em caso de danos aos seus tacos de golfe por conta de roubo, furto qualificado, incêndio ou queda de raio. Além disso, os segurados também contratam a cobertura de Responsabilidade Civil – Prática de Esportes, que é complementar à de RC Familiar.

Recordes

Hole in one significa acertar uma bola no buraco com uma única jogada. De acordo com os golfistas, a tacada perfeita, é mais fácil de ser conseguida em buracos de par 3 e muito raras em buracos de par 4 ou 5.

Golfistas de todos os perfis já acertaram as suas jogadas perfeitas:

  • O primeiro hole in one em um buraco par de 4 foi feito em 2001 por Andrew Magee;
  • O jogador mais velho a conseguir a tacada perfeita foi o americano Gus Andreone. O golfista acertou seu hole in one em 2014, aos 103 anos;
  • Já o mais jovem a conseguir o feito foi o prodígio Coby Orr que, com apenas 5 anos, conseguiu acertar, de primeira, um buraco que estava a 100,6 metros de distância;
  • Sheila Drummond, aos 53 anos, foi a primeira golfista cega a registrar um hole in one a mais de 120 metros de distância;
  • A tacada de Justin Rose, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, além de ser o primeiro hole in one da história dos jogos, foi feita em um buraco par 3, a 172 metros.

 

transporte | gerenciamento

Planejamento do início ao fim

Vital para a garantia dos negócios no setor, o gerenciamento de risco auxilia na identificação de tendências e no planejamento de ações que permitem as companhias agirem preventivamente

Lívia Sousa

Os desafios enfrentados pelo setor de transportes de cargas são velhos conhecidos, como o excesso de burocracias, que atrapalha o desenvolvimento do ramo no País; e a defasagem na infraestrutura, somando cifras altíssimas. Segundo uma pesquisa feita pela Fundação Dom Cabral, a ineficiência da logística consome 12% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e representa uma perda de cerca de US$ 80 bilhões ao ano.

Em situações como essas, ações tecnicamente adequadas para a prevenção de perdas e mitigação de sinistros se tornam ainda mais importantes. “Sem o gerenciamento de riscos, teríamos perdas muito mais relevantes em todo o sistema de movimentação de cargas e, por tabela, seguros mais caros e prejuízos para todos”, diz Ruy Gouvêa, diretor de Planejamento e Estratégia da Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Riscos e de Tecnologia de Rastreamento, Monitoramento e Telemetria (Gristec).

Tão importante quanto o seguro, a gestão de riscos faz com que o cliente mantenha uma taxa de seguro baixa e seja atrativo para as companhias seguradoras. Mas não se engane ao imaginar que basta contratar um seguro e uma gerenciadora de riscos para que a operação esteja totalmente segura. Delicado e complexo, o trabalho deve ser feito a quatro mãos e envolver segurado, seguradora, corretora e gestora de riscos. “Reunindo as quatro empresas, é possível fazer um bom planejamento, mapeando do início ao fim a operação da cadeia logística de cada cliente e, assim, identificar as vulnerabilidades e aplicar as correções para mitigação dos riscos”, afirma o gerente operacional da J&C Gestão de Riscos, Eduardo Lima.

O gerenciamento na prática

No transporte rodoviário de cargas, o gerenciamento de risco atua na prevenção de perdas por meio de procedimentos pré-definidos de acordo com cada tipo de operação. São traçados planos de viagem e pontos de parada considerando a carga transportada, a operação logística, o grau de risco da mercadoria e de exigências das seguradoras, o veículo e a rota. Para que isso seja feito, os motoristas e responsáveis pelo transporte são treinados de acordo com essa regra e o Plano de Gerenciamento de Risco fica em posse da empresa de monitoramento. Após a preparação, quando o veículo sair para viagem, é possível prever ações e atuar em situações que não estiverem no itinerário.

Os equipamentos de monitoramento, que possuem dispositivos de segurança capazes de sinalizar qualquer violação, possibilitam o gerenciamento das informações da viagem e têm como principal ferramenta as informações do equipamento instalado no veículo. No entanto, utilizam-se também iscas eletrônicas, travas especializadas, grades, gaiolas, telemetria e escoltas. “Através da avaliação de riscos de cada operação, determina-se medidas a serem adotadas para que se restrinja a exposição ao risco do cliente. São várias as ações possíveis, indo desde adoção de procedimentos simples até as ações de campo, determinação de rotas e análise de padrões”, declara o diretor comercial da OpenTech, Eduardo Oliveira de Souza. “Cada operação tem seu risco especifico e a atividade da gerenciadora de risco é de equilibrar a relação custo versus benefício para a entrega do serviço adequado à necessidade do cliente”, complementa.

Gerente de marketing da Trans Sat, Bruna Medeiros assegura que com o correto acompanhamento realizado por essas ferramentas, além de um motorista bem treinado para cumprir o que foi definido, as chances de se identificar uma situação de sinistro e tratar em tempo hábil para recuperação aumentam muito. “Quando qualquer violação é identificada pela central de monitoramento, imediatamente são enviadas mensagens de questionamento ao motorista e se o contato não for estabelecido inicia-se o plano de contingência – acionamento do policiamento de toda região e equipe de pronto atendimento – segurança particular”, explica.

Contudo, nem sempre foi assim. Logo que se iniciaram as práticas de gerenciamento de risco, havia dificuldade na execução das tarefas e no cumprimento das exigências. As seguradoras, por sua vez, não sugeriam procedimentos específicos e as apólices eram generalizadas. Passados os anos, as companhias criaram departamentos especializados no assunto, tornando as regras mais exigentes para o cumprimento das empresas de transportes e dos fornecedores de tecnologia e de mão de obra para o monitoramento. Agora, a gerenciadora precisa ser auditada periodicamente e cumprir uma série de requisitos de segurança e redundâncias tecnológicas para estar apta e ser liberada para exercer as atividades aos segurados.

“Essa evolução no mercado segurador trouxe muitos benefícios, pois profissionalizou o setor e concedeu espaço para empresas dispostas e serem cada vez melhores”, destaca Bruna, traçando outra mudança significativa. “O transportador e o embarcador contratava a gerenciadora de risco apenas por exigência da seguradora. Hoje, a maioria das empresas contrata a gerenciadora como propulsora de seus negócios, são extremamente exigentes e utilizam as regras de segurança para angariar mais sucesso e lucro em suas operações”.

Comparado com o serviço oferecido internacionalmente, Ruy Gouvêa, da Gristec, avalia o gerenciamento de riscos do Brasil como eficiente, mas salienta a ausência de uma atuação mais firme da autoridade pública no combate ao roubo e à receptação das cargas ilícitas, somada à conservação, sinalização e fiscalização das estradas de todo o País.

Roubo de carga

19.250 ocorrências, a maioria concentrada na região Sudeste, e um prejuízo recorde de R$ 1,12 bilhão. Este foi o saldo do roubo e furto de cargas apenas no último ano, de acordo com um levantamento feito pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). Os números comprovam que o roubo e suas derivações continuam sendo o maior entrave da área. “A alta sinistralidade é uma realidade cada vez maior não só em transportes, mas em todos os segmentos empresariais. Por isso, medidas preventivas são mais do que importantes em um cenário de criminalidade”, frisa o Coronel Paulo Roberto Souza, assessor de segurança da NTC, destacando que muitas vezes as fraudes vêm do próprio condutor do veículo, com a falsificação das notas fiscais e com os desvios de carga.

Cargas de alto valor e de fácil revenda no mercado, como produtos alimentícios, farmacêuticos e químicos, são os principais alvos deste tipo de ação. Ainda integram a lista cigarros, eletroeletrônicos, têxteis e confecções, autopeças, combustíveis e bebidas. Vale ressaltar que isso também se aplica na área de armazenagem, considerando o planejamento das quadrilhas especializadas, que aliciam os trabalhadores dos armazéns de embarcadores, operadores logísticos e transportadores para identificar cargas potenciais.

É possível inibir as fraudes, contribuir para a queda de sinistros, diminuir o custo do embarcador e, sobretudo, garantir a segurança contra roubo e furto utilizando dados históricos e estatísticos para mapeamento dos riscos, como perfil das cargas transportadas e áreas de maior incidência. “Mas sempre com foco na prevenção”, diz Adriano Thiele, diretor executivo de operações da JSL. Além da criação de regras e utilização de tecnologias diversas, é importante investir em aspetos operacionais como criação de rotogramas, adequação de horários de carga e descarga e treinamentos constantes dos motoristas. “As operações devem ser analisadas individualmente e considerando suas particularidades, sempre em conjunto entre embarcador e transportador, para que as regras definidas não inviabilizem a operação”, declara.

A ação fecha os espaços do próprio risco, através de controles e processos, dificultando e até mesmo impedindo alguns tipos de fraude ao seguro, antes comuns. Isso reflete diretamente na frequência de eventos, tornando qualquer apólice mais saudável. Todavia, não se pode afirmar que a fraude se tornará erradicada de forma definitiva. “A raiz de todo processo reside no enfraquecimento dos valores morais, somado a sensação de impunidade, em uma justiça em muitos casos lenta, o que incentiva o exercício”, recorda Marconi Peixoto, gerente de Riscos de Transportes da Willis Towers Watson. “Por isso, todo processo precisa ser dinâmico com ajustes constantes e que acompanhem a própria evolução logística”.

Ele ainda frisa que continua sendo um ponto fundamental o combate à receptação de mercadoria roubada por comerciantes, principal fator que torna o roubo de carga no Brasil um negócio vantajoso. “Muitos processos contra receptadores se arrastam nos intermináveis corredores da justiça há décadas e quando são julgados, muitas vezes a materialidade da denúncia já pereceu”, finaliza.

Recuperação do setor

Com a instabilidade econômica e a queda do consumo, a movimentação física de cargas e de outros bens se retraiu. O último boletim Economia em Foco elaborado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgado em setembro, revela que somente no primeiro semestre deste ano o setor de transporte e logística caiu 5,9%, fechando 37.410 postos de trabalho no período. Para agravar a situação, o Programa de Investimentos em Logística (PIL), anunciado pelo Governo Federal, não avançou. Sendo assim, como atender as companhias que, visando eficiência, redução de custos e melhora na competitividade em momentos de orçamentos apertados, buscam pela logística e pelo transporte eficiente?

Na visão de Thiele, a melhor maneira para que as companhias do setor contornem as dificuldades é estudar continuamente cada operação em que atua, além de investir na qualidade do serviço prestado e na formação e no desenvolvimento dos colaboradores. Com as oscilações econômicas, ele também destaca a importância de não concentrar a atuação em um único segmento. “A economia funciona em ciclos, favorecendo diferentes setores em momentos distintos. As oscilações atuais, por exemplo, favorecem a indústria de alimentos, mas não o setor automotivo. A logística diferenciada é nossa regra, mas não existe uma receita pronta”, pontua.

Confiante, o executivo lembra que o segmento terá um longo caminho pela frente até voltar a apresentar resultados positivos. Para isso, serão necessárias medidas de recuperação econômica – principalmente para a geração de empregos.

Para não errar ao contratar uma gerenciadora de riscos…

… é necessário levantar o seu histórico know-how, carteira de clientes, corretoras e seguradoras. Segundo Eduardo Lima, da J&C Gestão de Riscos, os maiores equívocos ocorrem com clientes que acabam buscando a empresa mais barata. Ele ainda alerta para o fato de que algumas companhias também podem vender uma base de rastreamento dedicada a um único cliente que, quando implantada ao gerenciamento de risco, adiciona outros clientes para serem gerenciados na mesma base. “Para que isso seja evitado, é necessário abrir um bid e realizar visita técnica em cada empresa concorrente”, diz o executivo.

Às gerenciadoras, cabe…

… a atualização tecnológica constante para que se estejam sempre um passo a frente das quadrilhas que se especializam cada vez mais em roubos e furtos;

… equilibrar os custos em momentos de crise. Para isso, devem investir em soluções de amplo espectro, que possam garantir ganho de escala na contratação, e que tragam redução de custos ao eliminar retrabalhos e trazer junto soluções logísticas e de gestão para o cliente.

 

evento | posse

Novos comandantes

Em cerimônia realizada em Salvador, SindSeg BA/SE/TO empossa nova diretoria. Sob o comando de João Giuseppe Esmeraldo, executivos ficarão à frente da entidade até 2019

Para os próximos três anos, o Sindicato das Seguradoras da Bahia, Sergipe e de Tocantins (SindSeg BA/SE/TO) contará com os trabalhos da nova diretoria, empossada no dia 26 de agosto, para a gestão 2016/2019. Realizada em Salvador, na Bahia, a cerimônia contou a presença de personalidades do mercado segurador local e nacional.

Em seu discurso, o presidente reeleito João Giuseppe Esmeraldo destacou a nova fase, reafirmando o compromisso com a indústria por meio da diretoria, comissões técnicas e demais entidades.

“As ações planejadas por esta gestão estarão alinhadas com as ações da CNseg, FenSeg, FenaCap, FenaPrevi e FenaSaúde a fim de que a sinergia com as entidades mais representativas do setor seja cada vez mais fortalecida. Também contamos com o acolhimento e parceria das entidades locais, como Sincor-BA, CSB, Clube do Seguro de Feira de Santana, CSP-BA, Sincor-SE e Sincor-TO, para continuar edificando o mercado nos estados de atuação”, disse.

O executivo enfatizou também o caminho que o Sindicato trilhou em sua primeira gestão, iniciada em 2013. “No primeiro mandato, tivemos o desafio de ressignificar o papel da entidade. Ampliamos a rede de relacionamento de seguros, identificamos demandas da indústria, ajustamos as formas de trabalho, agregamos as boas práticas, atravessamos fronteiras. Entre as conquistas, sem dúvida, a maior delas é o relacionamento e a integração que os profissionais das associadas passaram a ter. Hoje, as seguradoras trocam ideias sobre o mercado, se consultam, se unem enquanto grupo e como representantes de uma indústria”, declarou ele.

Giuseppe aproveitou a ocasião para adiantar algumas propostas da diretoria para o triênio, como o estreitamento do diálogo com os órgãos de interesse ainda não atingidos pelo Sindicato, como magistrados e gestores públicos. Nesta gestão, o tema educação também ganhará maior atenção. “A ideia é estender para programas e ações educacionais com regularidade nas escolas e demais campos da sociedade”, declarou o presidente, frisando ainda o compromisso de intensificar a comunicação do mercado com a imprensa. “As grandes mídias precisam saber o que devolvemos em benefícios para a sociedade, no sentido também de combater a imagem distorcida que ainda é propagada sobre o seguro”.

A cerimônia contou ainda com homenagens à executiva Meiry Sakaguchi, pela atuação como diretora financeira do Sindicato e que recentemente aposentou-se do cargo de gerente comercial na Porto Seguro; e ao diretor da FenaPrevi, Oriovaldo Pereira Lima, único representante da Federação sediado na Bahia. Após a cerimônia, os convidados participaram de um jantar comemorativo, ao som de jazz.

Novo quadro diretivo gestão 2016/2019

Presidente
João Giuseppe Silveira Leite Esmeraldo, Bradesco Seguro

Vice-presidente
Paul Douglas Canarin, HDI Seguro

Diretor Tesoureiro
Gilberto de Jesus, Cia Aliança da Bahia

Diretor Secretário
André dos Santos Pereira, SulAmérica Cia Nacional de Seguro

Diretor
Alexandro Luciano Barbosa, Allianz Seguros

Conselho Fiscal
Eduardo Gregório Scartezini, Porto Seguro Cia de Seguros Gerais
Nelson Brágio Uzêda, Excelsior Seguros
Claudio Luis Moreira Almeida, Mapfre Seguros

Suplentes do Conselho fiscal
Durvalice Viana dos Prazeres Fontana, MetLife
Cassio Emanuel Silva Coutinho de Souza, Tokio Marine Seguradora
Thiago Stahlmann da Silva, Bradesco Seguros

 

tecnologia | realidade aumentada

A grande aliada

Ferramenta que ganhou notoriedade com o Pokémon Go, já não é novidade para mercado segurador. Entenda como essa tecnologia pode auxiliar as empresas do setor a oferecer melhores experiências aos clientes

Lívia Sousa

Foi preciso poucas horas de seu lançamento no Brasil, no início de agosto, para que o game Pokémon Go registrasse as primeiras ocorrências no País. No Espírito Santo, um estudante de 14 anos teve o celular roubado enquanto tentava capturar um personagem no centro da cidade de Vila Velha. O mesmo aconteceu com um homem de 32 anos que, no momento da captura de mais um Pokémon, foi abordado por um ladrão na Avenida Paulista, em São Paulo.

Tudo não passou de um susto por aqui, mas ocorrências graves já foram registradas em outros países por causa dos jogadores “distraídos”. Nos Estados Unidos, um motorista bateu o carro em uma viatura de polícia que estava parada. Já na Austrália, duas pessoas caíram de um precipício, em uma área rural, e precisaram ser resgatadas. No Japão, um estudante foi detido por andar a pé em uma rodovia expressa.

Situações como essas fazem com que o jogo chame atenção, principalmente, de quem atua no mercado segurador. Prova disso é que algumas seguradoras já acrescentaram no portfólio um produto voltado aos jogadores de Pokémon Go, com coberturas para acidentes e para o transporte do segurado ao hospital. No entanto, antes mesmo do surgimento do game, o setor já voltada suas atenções à chamada realidade aumentada (RA), tecnologia que une ao mesmo tempo os mundos real e virtual por meio de um
software.

“Apesar de a ferramenta ter ganhado notoriedade por causa do Pokémon Go, as seguradoras já estavam antenadas no assunto. Elas entenderam que a ferramenta pode ser uma aliada e facilitar a vida do segurado”, declara Marcos Caruso, líder da Indústria de Seguros da Stefanini. Utilizada pela indústria de games há algum tempo, a realidade aumentada ganhou impulso a partir da proliferação dos dispositivos móveis e de sua combinação com outras tecnologias, conquistando também o mundo dos negócios. Na Ásia, nos Estados Unidos e na Europa, as empresas largaram na frente em sua utilização. Em solo brasileiro, muitas companhias
estão estudando o assunto e algumas já colocaram a RA em campanhas, eventos e promoções.

Instituições educacionais também se valem da ideia. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), por exemplo, conta com um aplicativo para que, por meio da câmera do celular ou do tablet, as imagens de seus livros didáticos sejam reconhecidas em 3D. Os alunos do curso técnico de automação industrial conseguem visualizar os marcadores impressos nas ilustrações e, assim, ter acesso aos conteúdos animados.

A realidade aumentada nos seguros

Por meio da realidade aumentada, as empresas podem oferecer experiências maiores e melhores aos clientes, possibilitando que os consumidores “provem” produtos sem sair de casa ou sem necessariamente os tocar. No caso das seguradoras, pode-se, por exemplo, testar a exposição aos riscos sem de fato vivenciá-los, o que é
ideal para as áreas de sinistros, subscrição e vistorias. “A realidade aumentada permite que processos de vistorias simples sejam feitos pelo celular. A ferramenta identifica o grau de reparo necessário”, afirma Caruso.
Algo semelhante já ocorre em paíseseuropeus, onde o aplicativo identifica o ruído do automóvel e diagnostica as
possíveis causas do problema. Alguns eletrodomésticos das linhas branca e marrom também adotam mecanismo similar. Essas medidas evitam a “quebra” na rotina do segurado, que por vezes precisa deixar
o carro ou o eletrodoméstico em oficinas para finalmente saber o que ocorre com o seu produto.

Realidade virtual

A interação com ambientes em 360 graus é a principal aposta da realidade virtual. Desenvolvida desde o final da década de 80, a tecnologia ganhou destaque com videogames e óculos inteligentes, mas já ultrapassa esses segmentos ao ser utilizada pelas áreas de esportes, entretenimento e imóveis.

No mercado de seguros, a lista e possibilidades criadas por esse tipo de tecnologia é extensa. A começar pelo passeio” por localidades e estradas, fator que pode ajudar a decidir quais proteções contratar em uma viagem. Ainda é possível navegar por prédios antes de construí-los, o que auxilia no cálculo do valor da apólice do seguro da obra, além de “entrar” em uma casa, fazendo com que o cliente previna acidentes domésticos.

Pode-se também trabalhar com a RA para educar e sensibilizar clientes a diminuírem sua exposição aos riscos,
como, por exemplo, aplicativos de planos de saúde que premiam atitudes saudáveis, como um medidor de caminhadas com objetivos e prêmios ao longo do caminho.  “Em seguro saúde, a realidade virtual pode ajudar inclusive na padronização de procedimentos médicos. As seguradoras geralmente perdem dinheiro porque
os médicos não seguem o protocolo de atendimento”, lembra Caruso.

Um caminho sem volta?

“A tecnologia que temos hoje é muito nova e, por isso, a maioria das empresas está começando a aprender sobre ela”, declara Tuong Nguyen, analista de Pesquisas do Gartner, empresa de fornecimento de pesquisas
e aconselhamento em tecnologia. As companhias que têm experiência com projetos pilotos também estão
descobrindo como utilizar a realidade virtual a seu favor. Mas como saber se elas estão no caminho certo?
“Cada empresa precisa de uma meta para o uso da tecnologia. Algumas utilizam a realidade aumentada para a
manutenção de equipamentos ou para menos erros no procedimento. Depois de implantar a tecnologia, é preciso comparar o resultado com a solução RA e sem a solução RA. Não há uma métrica para medir o
sucesso. Depende do problema que ela está tentando resolver”, declara Nguyen.

Mais uma prova de que a transformação digital invadiu de vez o dia a dia da sociedade e das corporações,
a realidade aumentada será, em breve, maior que a realidade virtual. De acordo com um relatório recente da
Digi-Capital, é esperado que a RA gere em torno de US$ 120 bilhões de receita para as empresas no ano de
2020, enquanto a expectativa para a RV fica em torno de U$ 30 bilhões.

“A realidade aumentada irá impactar todos os setores da sociedade e do mundo corporativo, como medicina, pesquisa, educação, segurança, entretenimento, serviços e indústrias. Com a evolução da tecnologia e sua utilização em larga escala, o custo se reduzirá cada vez mais e a ferramenta se popularizará, tornando-se
muito presente em nosso dia-a-dia”, prevê o diretor executivo da Provider IT, Acácio Alves.

Toda essa força, porém, não deve perpetuar. Com as velozes mudanças, já se espera que outro tipo de tecnologia se sobreponha à realidade aumentada em breve.

 

evento | previdência

Agenda para ajudar o País

A reforma da previdência social tem tomado os noticiários nos últimos tempos e levantado questionamentos sobre os direitos trabalhistas adquiridos dos brasileiros. No VII Fórum Nacional de Seguros de Vida e revidência, promovido pela FenaPrevi, não foi diferente: a reforma foi o gancho de todos os painéis apresentados durante o dia 23 de agosto, em São Paulo. Os únicos que parecem não estar totalmente a par
das mudanças propostas são os maiores interessados: a população. A entidade promoveu uma pesquisa, apresentada durante o evento, que mostra o tamanho do desconhecimento dos 1500 entrevistados pela entidade. 44% deles sequer ouviram falar sobre as mudanças que estão sendo propostas.

Pesquisa

Idade para se aposentar, tempo de contribuição, direitos adquiridos são questões que evidenciam a contradição
entre o que os indivíduos querem, acham e esperam. Por exemplo, quando perguntados sobre em qualidade deveriam ter o direito de se aposentar, homens acreditam que o ideal seria aos 58 anos, enquanto mulheres afirmam, em média, 53 anos e quando a pergunta é sobre o tempo de contribuição, as respostas ficam em 31 e
28 anos, respectivamente. Em contrapartida, se a pergunta é quando as pessoas acham que, efetivamente, conseguirão se aposentar as respostas se aproximam das idades que são praticadas hoje em dia, homens e mulheres se aposentando entre 64,65 anos e 58,60 anos, respectivamente.

Edson Franco, presidente da  FenaPrevi, ressalta a discrepância entre os anseios dessa população e o que pode ser praticado na realidade: “as idades citadas estão muito abaixo da praticada na maioria dos outros países, 65 anos, que já vêm discutindo uma mudança para 67 anos”, afirma. Mas, independente do desejo pessoal,  as pessoas têm consciência de que a idade de aposentadoria que almejam não será possível na
prática.
O País chegou ao momento que já era anunciado há mais de 20 anos por especialistas do setor. A conta não fecha. A previdência social custa, hoje, 12% do PIB. Comparado com o mundo, apesar de ser um país jovem, o Brasil ocupa o quinto lugar no ranking das nações que mais gasta com aposentadorias e pensões. Para José Cechin, diretor executivo da FenaSaúde, “as escolhas previdenciárias do País foram feitas sem fundamento atuarial” e agora é o momento de receber a conta.

O primeiro ponto apontado por Edson Franco é a falta de equidade na distribuição. Para ele, falta um fator que
unifique todos os aposentados, que acabe com as diferenciações, sejam elas por gênero, categoria profissional ou qualquer outro fator. Além da fixação de idade mínima para se aposentar, desvincular o ajuste da previdência do salário mínimo.

A previdência privada

A previdência privada tem muito a ver com o benefício social. Especialmente porque a primeira precisa de
uma população bem preparada para lidar com finanças, que tenha educação financeira e que saiba o que
pode vir do estado e o que deverá ser buscado no mercado privado. Sabendo não só do interesse em um
mercado saudável, mas também do dever social enquanto entidade, Franco afirmou que a FenaPrevi, por meio da CNseg, entregou uma proposta ao governo para ajudar a decidir quais reformas podem ser feitas.
O mercado de previdência privada não só é a favor como conta com as reformas da previdência para saber o terreno onde pisa, descobrir qual deverá ser o aumento da demanda nos próximos anos e se preparar para ajudar a instruir e educar cada vez mais pessoas sobre previdência, social e complementar, à medida que elas forem se integrando a esse mercado em busca de mais garantias para o futuro.

evento | sul

Corretoras em festa e aprendizado

Bastante anunciado desde o início do semestre, o 10° Encontro Feminino de Corretoras de Seguros foi realizado no dia 12  de agosto, em Porto Alegre, e promovido pelo Sindicato do Corretores de Seguros
do Rio Grande do Sul (Sincor-RS). Feito especialmente para o público feminino, o evento acontece desde 2003
e agora, em sua décima edição, contou com nomes como Maria Helena Monteiro, diretora de ensino técnico da
Escola Nacional de Seguros, falando sobre autoconfiança e o espaço para as mulheres agirem, conquistando cada vez mais seus objetivos.

O Dr. José Camargo, médico, escritor e palestrante gaúcho, teve a incumbência de falar sobre sabedoria e maturidade e foi muito bem recebido pelas participantes. Mas o dia foi mesmo das mulheres. Nomes como Simone Leite, presidente da Federasul, que tratou sobre o protagonismo da mulher no mercado de trabalho; as jornalistas Laura Medina e Isabel Ferrari – falaram sobre bem-estar e a relação das mulheres com a vida, o dia
a dia e  dividiram suas próprias experiências e situações com o público. Leila Navarro, palestrante motivacional, encerrou a rodada de palestras com o tema “Como virar o jogo e ser feliz na vida pessoal e profissional”. Autoestima e confiança, mesmo em tempos difíceis, foram os motes da palestra de encerramento.

Com um espaço maior para o evento, esse ano foram recebidas mais de 520 mulheres. O presidente da entidade que promoveu o evento, Ricardo Pansera, afirmou, durante a abertura, que “a participação feminina
no mercado de seguros é sempre bem-vinda, pois elas têm uma forma diferente de encarar situações. Vocês têm a percepção dos detalhes que frequentemente são ignorados”.

Os patrocinadores tiveram um painel especial para falar sobre o mercado e sobre a participação das mulheres. Bradesco Seguros, HDI, Icatu Seguros, Liberty, Porto Seguro, Sancor, Sompo e SulAmérica preencheram o conteúdo e puderam falar daquilo que têm em suas companhias, em seus produtos, direcionados para o público feminino. Além disso, nesta edição as companhias seguradoras contaram com um lounge, seus espaços personalizados. Assim, puderam interagir com as corretoras, estando mais perto, conhecendo as particularidades da região e as expectativas dessas profissionais.

Saldo positivo

Ao final do evento, Pansera afirmou ter a sensação de objetivo alcançado. Os auditórios ficaram repletos para as palestras. Já, para o público, “o Sincor reconheceu a importância do papel das mulheres no mercado segurador brasileiro”, conforme disse uma corretora à entidade.

Com isso em vista, o sindicato se prepara para a edição de 2017 do Encontro Estadual de Corretores de Seguros – Encor. A 12ª edição evento será realizada na cidade de Bento Gonçalves – RS nos dias 3 e 4 de
agosto.

evento | encontro catarinense

Blumenau recebe as mulheres do mercado de seguros

As mulheres profissionais do mercado de seguros catarinense receberam um evento especial dedicado à sua
atuação no setor. Nos dias 15 e 16 de setembro Blumenau sediou o 6° Encontro Catarinense da Mulher Profissional de Seguros, reunindo cerca de 400 congressistas, sendo 320 corretoras de seguros. O mote principal da realização estava atrelado à necessidade de trazer ainda mais à tona o importante papel da mulher
dentro desse mercado. Elas, que vêm ganhando mais espaço a cada dia, puderam ouvir, perguntar e debater diferentes posicionamentos a partir do que foi discutido.

O evento teve patrocínio da Escola Nacional de Seguros e de companhia do mercado, como a Bradesco Seguros, HDI, Liberty, Mapfre, MetLife, Porto Seguro, Sancor, Sompo, SulAmérica e Tokio Marine. Autoridades e representantes de entidades de outros estados marcaram presença na cerimônia de abertura, que contou ainda com a aula magna do palestrante Steven Dubner que trouxe ao palco do evento o tema: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez” – uma reflexão baseada em conquistas de deficientes físicos em jogos. Dubner foi o
primeiro treinador da seleção brasileira de basquete com cadeiras de rosas. O fim da primeira noite foi marcado
por um coquetel entre os estandes das seguradoras parceiras, proporcionando aos participantes momentos de interação e troca entre autoridades, corretores e seguradores.

O presidente do Sindseg-SC, Paulo Lückman, esteve presente prestigiando o evento e reiterou apoio à iniciativa. “Nas últimas décadas, em todos setores econômicos, as mulheres demonstraram que com persistência e coragem é possível enfrentar qualquer batalha. Através delas que o papel de liderança exercido pela mulher se tornou destaque, principalmente no mercado
de seguros”, afirmou.

Entre os representantes de entidades  estavam também Auri Bertelli, presidente do Sincor-SC e Maria Filomena Branquinho, presidente do Sincor-MG. Já no dia 16, o dia foi iniciado com a palestra de Rodrigo Maia. O tema abordado foi “Inovação, competitividade e crescimento”. Em seguida, foi a vez de Sônia Rica falar sobre alternativas de se aproximar do cliente e uma nova perspectiva de abordagem de vendas, com a palestra intitulada “Atendimento que pode fazer a diferença”.

A tarde do segundo dia trouxe a descontração do desfile da Happy Modas, dando às congressistas mais um momento de descontração. As palestras foram retomadas com Patrícia Chacon, que ministrou uma conversa sobre “Marketing Feminino na conquista do espaço no mercado”. Seguida por Roberto Vilela falando sobre a “Corrida ao Sucesso”.

O restante da tarde foi preenchido com lazer, e os congressistas tiveram a oportunidade de realizar atividades no espaço do Mercado Segurador, além de uma visita à Vila Germânica. A despedida do evento teve ainda
sorteio de brindes oferecidos pelas seguradoras e uma festa mexicana que fechou a edição 2016 do evento.

tecnologia | desafios

A arrogância é inimiga da inovação

As previsões se realizam muito mais rápido do que se imagina, principalmente em um mundo conectado. Isto
torna a urgência necessária para todos os assuntos, principalmente quando se trata de inovação. O Dr. Hitendra Patel, diretor do IXL Center, salientou que a “humildade é a parceira da inovação, porque permite que se ouça ao redor, consumidores e steakholders”.

O estudioso aponta que qualquer indústria pode ser mudada pela inovação disruptiva e que há opções para os momentos de crise. Ele ministrou palestra durante um evento realizado por uma seguradora no Guarujá, em São
Paulo, para clientes e corretores de seguros, que tratou especificamente deste tema. Patel mostrou que as inovações devem acontecer em quatro áreas: sustentabilidade, saúde, conectividade e robótica.

A inovação verde é necessária por conta do crescimento da população, das mudanças climáticas e da pesquisa de novos recursos. Há que se estudar como renovar, recriar e reciclar. “Na indústria alimentícia, já estão sendo formadas fazendas para criação de insetos, que possuem mais proteína do que um bife, ciclo de crescimento mais rápido e mais potencial para alimentar um grande número de pessoas”, exemplificou. Outro questionamento do especialista foi em relação às energias renováveis, que estão crescendo e o preço dos insumos caindo. Será que é o fim do petróleo?

A inovação na saúde vem das pesquisas para atender a uma população cada vez mais idosa, com avanço da biotecnologia, diagnóstico e prevenção, com o objetivo de baixar o custo da saúde. “A prevenção é fundamental para diminuir o custo da saúde. Além disso, a indústria da reposição de partes do corpo também está desenvolvida”, avaliou.

A inovação em conectividade vem da digitalizacao e da conectividade total, databases e inteligência preditiva. “Esteja disponível em qualquer lugar e em qualquer momento”, é o lema. Por último, Patel citou a inovação robótica, que leva o ser humano a estar em qualquer lugar, dirigir qualquer coisa, operar qualquer fábrica
ou fazer coisas de forma diferente. “Será o fim de não estar fisicamente em qualquer lugar? Se você supervisiona cinco fábricas, pode andar por elas sem ter que visitá-las pessoalmente. Hospitais usam isso com
os médicos”, contou.

Todas estas mudanças poderão servir para que o ser humano tenha mais tempo para viver melhor, rindo mais e aproveitando seu tempo.

O grande desafio para ter grandes ideias é ter mais pontos para poder ligar. Eles vêm de varias referencias que podemos conectar. Clientes, parceiros, experiências de outros setores. A recomendação do especialista é: “acumule mais pontos. Tente conectá-los de forma diferente, refazendo isso sempre. A primeira conexão é praticamente igual para todos, mas o exercício faz com que se comece a quebrar as regras e fazer diferente. Inovação é seguir as regras, quebrar as regras e fazer as conexões de forma diferente”, finalizou.

As pessoas acreditam que apenas empresas emergentes e novos produtos levam às inovações disruptivas. Mas não é bem assim, pois muitas novidades vêm da evolução de tecnologias existentes. É a inovação de melhoria continua.

Carlos Cortes, diretor da riscos da Zurich, mostrou exemplos de inovação a partir do carro autoguiado. 90% dos acidentes automobilísticos são causados por erro humano. US$ 9 mil é o custo médio de
um carro por ano nos EUA. No Brasil é R$ 15 mil. Ele é usado apenas 4% do tempo,  passa 30% do tempo estacionado, ocupando espaço. A taxa de ocupação dos veículos nos EUA é de 1,02 ocupantes. No Brasil,
é 1,04. As novas tecnologias podem causar mudanças neste cenário.

“A mistura de carros auto-dirigíveis e compartilhamento pode reduzir a frota de 250 milhões para 25 milhões nos EUA. Os acidentes cairiam de 8 milhões para 1,1 milhão de acidentes de trânsito, com queda do consumo de combustíveis de 36 bi de litros para 760 milhões de litros por ano”, demonstrou Cortes.

pesquisa | blockchain

Base sólida de dados

Blockchain: uma estrutura que computa diferentes dados e arma um histórico com essas informações. A partir delas, aqueles que fazem parte de um grupo com acesso, podem desenvolver suas transações conhecendo todo o background da outra ponta com quem fará negócios.

Muito utilizada com os processos que envolvem bitcoin, uma espécie de moeda criptografada e online que permite pagamentos baseado em códigos na rede através de qualquer tipo de gadget com acesso, esse mecanismo facilita processos, deixa-os mais seguros além de facilitar a análise.

Não à toa, outras indústrias começaram a olhar para essa realidade e a tentar montar essa parte do quebra-cabeça para encaixá-lo em seus negócios. O mercado de seguros é um desses interessados.

De acordo com estudo publicado em julho de 2016 pela consultoria PwC, o mercado tem se voltado para a novidade. O estudo afirma que esse é um tema na agenda de seguradores e resseguradores globais, e muitos já investiram em experimentos para pesquisar a usabilidade. Entre as principais vantagens de ter esse banco de dados estão algumas questões como o fato dele ser à prova de falsificação na manutenção de registros, a descentralização de autoridades para validação de processos e as respostas apropriadas dos códigos eletrônicos condensados.

Quatro pilares estariam presentes nessa relação: identidade, espaço, tempo e mutualismo. No primeiro, a tecnologia blockchain oferece a possibilidade de um banco de dados portátil, seguro e global contendo informações pessoais ou legais de cada indivíduo. Isso pode simplificar os processos reduzindo os atrasos e custos. O estudo afirma, ainda, que isso ser ia capaz de reduzir os riscos de fraudes.

Já no pilar espaço, o blockchain permite interação resiliente entre participantes dispersos. No contexto dos seguros, isso poderia ampliar a rede de seguradores envolvidos em uma transação, permitindo ajustes mais rápidos entre os mercados. Combinado com outras tecnologias digitais emergentes, seria possível até mesmo contribuir para produtos customizados mais precisos, como o seguro de um container de carga que cobrisse apenas uma etapa da sua viagem.

O tempo, terceiro pilar, o estudo a firma que dentro dos seguros o blockchain poderia causar novas capacidades de fazer as coisas. Por exemplo, um segurado poderia manter um registro de estoque em
tempo real de seu armazém, podendo comprovar se o valor segurável daquela mercadoria estava correto. Isso possibilitaria o seguro cobrir risco real ao invés de um risco máximo estimado. Por outro lado, fornecendo um
caminho para uma super auditoria a todo momento esse monitoramento de blockchain pode melhorar a segurança jurídica, dando dados mais precisos.

O último pilar é também a base do mercado de seguros: o mutualismo. O estudo aponta essa área como a que a tecnologia de blockchain mais se manifesta, pois ele permite que a operação descentralizada reduza também os monopólios.

Muitos dos processos de base da venda do seguro decorre de manter o controle de documentação e ter a certeza de que os registros existentes entre cliente, corretores subscritores, resseguradores e gerentes de sinistros permaneçam intactos. Essa compilação de dados proporciona um controle de informações densas e muitas vezes complicadas, que mudam
com o tempo, de maneira mais fácil, isso reduz erros, atrasos, custos e incertezas de natureza legal.

Quase todos os entrevistados estavam conscientes sobre os benefícios que uma mudança dessas pode trazer. A maioria deles afirmou ter feito algum curso ou participado de conversas e debates sobre o tema. Mesmo assim, poucos deles podiam afirmar, com convicção que tinham um bom domínio sobre o tema. A realidade apontada ostra que o mercado tem apetite para tecnologias que trazem soluções, mas ainda precisa se familiarizar e encontrar o local adequado para elas.

 

 

Deixe uma resposta