Edição 212

0

PME | produto

PME’s são a grande oportunidade do momento

Quando o País se torna palco de um grande evento, as pequenas e médias empresas precisam estar preparadas para atender demandas com segurança

Amanda Cruz

Quando se para pra pensar em pequenas e médias empresas no Brasil alguns dados saltam aos olhos: elas são as responsáveis por 27% do PIB, por exemplo. Essa importância se reflete na prestação de serviços e no comércio, especialmente quando o País é palco de grandes eventos.

Há muito o setor já olha atentamente para esses empreendimentos, lançando produtos específicos para contemplar esse nicho. Mesmo assim, apenas 30% das PME’s no Brasil têm algum tipo de seguro e dessas muitas não contrataram os produtos adequados e que podem fazer a diferença. “No cenário brasileiro de hoje, esse não é um tipo de negócio que o seguro atinge intensamente ou com facilidade. A penetração ainda é baixa.”, pontua Eduardo Nóbrega, diretor operacional da corretora LTseg.

O Grupo Bradesco Seguros afirma que tem focado ações pontuais para pequenas e médias empresas. “No Brasil, existem mais de cinco milhões de estabelecimentos que ainda não contam com nenhum tipo de proteção e os pequenos e médios empresários estão entre os que mais temem a exposição a riscos, especialmente patrimonial, que coloca em xeque os investimentos de seus negócios”, afirma Leonardo Pereira de Freitas, superintendente-executivo.

Está dada, então, a oportunidade para a mudança de cenário. Assim como foi na Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos de 2016 deverão movimentar diversos setores e alavancar o faturamento dessas PME’s com aumento de demanda que turistas, brasileiros e estrangeiros, levarão aos empreendedores cariocas. Diversos estabelecimentos devem ser impactados com essa mudança de fluxo: bares, restaurantes, pousadas, hostels e até mesmo salões de beleza, táxis e lavanderias. Os seguros patrimoniais deverão ser alavancados, especialmente no Estado do Rio de Janeiro, à medida que o evento olímpico se aproxima. À parte de toda preparação oficial que está sendo feita, os pequenos e médios negócios estão procurando o melhor para atender os clientes. Jarbas Medeiros, superintendente de ramos elementares da Porto Seguro, afirma que já acompanha um aumento nessa movimentação, embora não estrondoso, que permite dizer que haverá ganhos para o mercado.

Um ponto que pode ser levado em consideração quando se trata dessas empresas é a maneira como elas são estruturadas: geralmente são formadas por um único dono ou poucos sócios, a vida financeira delas não é simples e muitas vezes precisam de um controle diferenciado, que fica ainda mais complicado quando se trata de seguro. Os donos ainda encaram a contratação como um custo. As decisões financeiras são totalmente centralizadas nas mãos do dono que não ficam restritos apenas ao gerenciamento, mas participam de todas as etapas da empresa. Por isso, as seguradoras contam com corretores que possam dar o que esse perfil mais precisa: atendimento personalizado. “O mercado de seguros se desenvolve pelo fator confiança e proteção e os pequenos e microempresários exigem um tratamento particular, personalizado, capaz de compreender seu universo e, sobretudo, estar próximo a ele. O cálculo preciso de custo-benefício é essencial para esse empresário”, destaca Freitas.

Na Metlife não tem sido diferente, conforme afirma Gustavo Toledo, diretor comercial da companhia. Com bastante proximidade com o nicho, o executivo destaca as empresas PME’s que já tiveram que começar o processo de preparação muito antes, como é o caso das empresas de construção. “Nós percebemos um movimento dessas médias e pequenas empresas. O Rio de Janeiro virou um canteiro de obras e na construção civil, para poder prestar serviço, existem acordos coletivos que exigem a contratação do seguro de vida em grupo, então percebemos um aumento nessa procura”, afirma. Mas, nesse aspecto, Toledo indica que o aumento dessa carteira pode ter sido sazonal, já que a empresa pode ter contratado mais gente por causa dessas obras específicas, mas deverá retomar suas atividades normais com menos gente na folha de pagamento.

O primeiro desafio é mostrar para esse empreendedor que ele tem riscos inerentes aos seus negócios. Fora isso: acidentes acontecem mais do que se imagina. Danos podem ser muito mais prejudiciais para pequenos negócios. Se uma indústria de grande porte perde um container com mercadorias pode não significar muita coisa, mas um restaurante perder uma parte do que há na geladeira pode fazer com que ele feche as portas para o jantar. Ser um empreendimento pequeno não pode deixar margem para que o comando com investimentos, estoque, contratações seja descuidados. A falta de controle pode trazer sérios danos.

Os tempos já foram melhores para o Brasil. Há pouco mais de dois anos, a empolgação com os grandes eventos ainda era grande. O País se preparava para receber a Copa do Mundo de 2014 e já se programava para as Olimpíadas de 2016, que agora finalmente chegaram. A despeito de qualquer prognóstico desfavorável, as PME’s podem ser empreendimentos capazes de lucrar com esses eventos. Para ajudar, o mercado oferece soluções personalizadas para a variada gama de situações possíveis: coberturas para materiais utilizados, lucros cessantes, responsabilidade civil etc., todos, em diversas seguradoras, com o “codinome” do estabelecimento.

“Os produtos existem e não são caros. O que falta é conscientização”, afirma Nóbrega. Se isso é o que falta, Toledo diz que já enxerga mudanças nesse tipo de profissional. Mesmo porque as leis que obrigam a contratação de determinados produtos ajudam a notar a importância do seguro. “Especialmente nesse momento que estamos vivendo. Temos riscos que podem acontecer e que despertam a necessidade de proteção urgente. O empresário ganha consciência de proteger o colaborador e a si mesmo”, afirma Toledo.

Um restaurante especializado em frutas do mar, por exemplo, precisaria de uma cobertura específica para danos de produtos congelados? Exagero? Não. Essa possibilidade existe e está no clausulado de diversas companhias. “O que precisamos lembrar é que o corretor precisa ter sensibilidade. Nossa função é, justamente, mostrar que isso é realidade”, alerta o corretor. Ou seja, o cliente acabará comprando uma apólice que não serve completamente às suas especificidades e se frustrará ainda mais no momento do sinistro.

Se o corretor de um restaurante com frigorífico se lembrar disso e informar o cliente, este certamente se comprometerá em pagar um pouco mais para ter as coberturas.

Aviso de piso molhado

Quando andamos por um shopping é comum se deparar com a velha placa amarela: Cuidado! Piso molhado. Muitas vezes o chão já está seco há bastante tempo, mas o aviso continua por lá. O nome disso é: precaução. Se alguém escorrega naquela local que acabou de ser limpo, o dono do estabelecimento pode ser confrontado judicialmente, já que sem o aviso ele coloca a integridade física de seus clientes em risco. Essa é uma maneira básica de gerenciamento de riscos. “Se eu fosse um empreendedor de uma pequena ou média empresa que receberá muitos estrangeiros, essas seriam minhas duas medidas prioritárias: comprar a placa de piso molhado e contratar um seguro adequado” brinca Nóbrega.

Isso é importante porque há outro ponto bastante sensível: receber turistas estrangeiros. Não é só o fluxo e a demanda que aumentam, mas a cultura. Não há julgamentos de valores, há apenas uma forma de encarar questões como atendimento, noções de responsabilização, cultura de judicialização entre outros fatores. É fato: a maneira de se relacionar e encarar essas questões muda de acordo com o background cultural. Um bom exemplo disso são os norte-americanos. Por lá, as questões de responsabilidade civil são encaradas de maneira bastante rígida, a modalidade é bastante difundida. “No Canadá, por exemplo, se há neve acumulada na calçada de sua loja e alguém cai e se machuca quem sofreu o dano pode processar o estabelecimento por não ter limpado a neve”, ilustra Nóbrega.

A cobertura de Responsabilidade Civil é imprescindível e deve ser contratada com bons limites. “O dono de uma pousada, por exemplo, não sabe o porte do hóspede que receberá e se essa pessoa sofrer um acidente dentro do local impossibilitado de trabalhar ou de voltar para seu local de origem, essa cobertura garantirá o bem-estar dele e também do estabelecimento”, afirma Medeiros. O seguro de RC pode dar conta de questões como intoxicações alimentares causadas pela comida do prestador de serviços, danos por ataques de animais ou insetos, acidentes devido à prática de esportes dentro das dependências ou sinistro ocorrido em um passeio que tenha sido organizado pelo hotel, por exemplo.

A necessidade de um processo judicial para ser indenizado não desestimula as pessoas a comprovar a responsabilidade dos estabelecimentos comerciais.

Essas ações costumam acontecer com mais rapidez em países que têm o hábito de judicialização, no Brasil tramitam com um pouco mais de lentidão, mas um dia chegam. “Mesmo que a ação demore cinco, sete anos para se concretizar, a empresa carregará esse processo enquanto a PME existir”, ressalta.

Outra cobertura que pode ser de grande valia para o pequeno e médio empreendedor é a de lucros cessantes. Em alguma situação em que está tudo pronto para receber clientes e algum sinistro ocorre, toda expectativa de ganhos fica frustrada. Em casos como incêndios severos, por exemplo, o estabelecimento pode ter que ficar fechado por dias ou meses e ter essa contratação pode cobrir o prejuízo de não poder operar os negócios. “Se uma PME para por um semestre, certamente, ela não conseguirá manter-se”, opina Eduardo Nóbrega, da LTseg. Nesse nicho, esse tipo de contratação, em 90% dos casos, os lucros cessantes estão atrelados à cobertura básica. Ou seja, se o evento que está coberto pela apólice básica ocorrer, a cobertura de lucros cessantes entra em vigor.

Há duas outras coberturas que merecem atenção: a de indenizações para bens e outra de indenizações para valores de hóspedes, que são feitas separadamente, a primeira é para qualquer objeto que o cliente do estabelecimento possuir e a outra para dinheiro em espécie. “Hoje, em nossa base de clientes, só 30% contratam a cobertura para os bens dos hóspedes, enquanto a proteção contra roubo de valores é ainda menor: 8%”, afirma o executivo da Porto Seguro. Semelhante a isso, há uma cobertura especial para arrastões, realidade muito presente em diversas cidades do País.

Como bem lembra Jarbas Medeiros, da Porto Seguro, existem assistências que também podem ser essenciais para os estabelecimentos. Um ar-condicionado quebrado no Rio de Janeiro ou em Salvador, por exemplo, ou um problema de chaveiro, encanador, entre outros, podem significar uma perda grande para o empreendedor. Ela pode ser evitada se ele tiver um seguro com assistência que atenda essa emergência, o que será feito de maneira mais rápida e com muito menos custos.

Lacunas

Um tipo de hospedagem diferente, mas que atrai muitos turistas, especialmente mochileiros de fora do país, os hostels passaram a ser uma opção com ótimo custo para aqueles que viajam buscando experiências mais diretas com a vida do local de destino. A Revista Apólice consultou dois hostels no Rio de Janeiro, um no bairro de Santa Teresa e outro em Copacabana, para saber um pouco mais sobre o preparo dos estabelecimentos quando o assunto é seguro e o constatado foi: o básico está contratado. Incêndio, raios e explosões, alguns, como o de Santa Teresa que já passou por sinistros, também se preocupam bastante com riscos de enchentes e inundações.

Mas o preparo para por aí. Os consultados disseram não contratar seguros de Responsabilidade Civil, de roubo de bens e valores e nada que vá muito além do básico. Quando perguntados se conheciam ou teriam interesse em incrementar as proteções também foram distantes.

Isso mostra que o seguro ainda é um ilustre desconhecido para alguns segmentos. As pessoas até sabem que existem opções, mas conhecem pouco e não enxergam como isso pode ser efetivo em seus negócios.

Nóbrega acredita que os pequenos e médios empreendedores são tomadores de risco, mesmo que nem sempre se enxerguem dessa forma. “Ele abre um estabelecimento sem saber se terá ou não clientes. Então sabe que corre riscos”. Para o corretor, agora o que é preciso é que as PME’s olhem para o que vai além disso.

Sinistros

Restaurante de hotel

O restaurante de um hotel teve problemas com o fogão, que acabou por causar um incêndio. A fumaça se alastrou pela bancada onde os alimentos eram preparados, prateleiras que abrigavam queijos e outros alimentos delicados, enfim, por toda cozinha. Essas comidas sensíveis foram contaminadas pela fumaça, que alterou os sabores, ficando inutilizáveis.

O contrato do cliente tinha cobertura contra incêndio, com valor do imóvel e dos móveis declarados: teto, fogão, bancada etc. contratando, inclusive, cobertura para esses alimentos afetados. Só houve um problema: o restaurante não tinha controle de estoque. O proprietário foi incapaz de dizer quanto exatamente havia em alimentos danificados, impossibilitando a indenização.

Restaurante de frutos do mar

Um sinistro aconteceu no estoque refrigerado de crustáceos. Era um restaurante de alto nível, com estoque de lagostas e outros frutos do mar. Durante a noite, depois que o restaurante havia fechado, houve um dano em um dos compartimentos da câmara de refrigeração. Resultado: os crustáceos descongelaram e estragaram. Produtos importados como esses, atrelados à cotação do dólar, causam prejuízos altíssimos. O faturamento dele costumava ser de aproximadamente R$ 5 milhões. Naquela noite R$ 1 milhão teria sido perdido se não houvesse seguro.

Fratura em hotel

Entre os clientes estava um hotel que recebia grande fluxo de turistas. Um dos hóspedes sofreu uma queda e fraturou o fêmur e, por conta disso, contratou um advogado internacional processou o estabelecimento. Foi preciso acionar a cobertura de Responsabilidade Civil para terceiros.

Vestido indenizado

Ao servir uma taça de vinho, um garçom derrubou a bebida em um vestido de alta-costura, caríssimo, de uma cliente. Ela exigiu ser ressarcida e, por possuir uma cláusula de danos a terceiros em sua apólice empresarial, o restaurante pode indenizá-la e não sofrer prejuízos.

 

marketing | esporte

Preparado para o grande momento

Grupo Bradesco Seguros está pronto para atuar nos Jogos Rio 2016 como patrocinador e segurador oficial do maior evento esportivo mundial

Kelly Lubiato

Muitas iniciativas foram postas em prática durante o período que antecedeu os Jogos Rio 2016. Agora, em poucos dias começa o maior evento esportivo mundial, que conta com o patrocínio do maior grupo segurador brasileiro, que registrou no primeiro trimestre de 2016 faturamento de R$ 15,2 bilhões nos segmentos de seguros, capitalização e previdência complementar aberta – evolução de 11,4% em relação ao totalizado no mesmo período de 2015.

Antes dos Jogos Rio 2016, o Grupo Bradesco Seguros tem realizado ativações tanto no Circuito da Longevidade quanto na Ciclofaixa de Lazer. A preparação para receber os parceiros e segurados destacou a promoção Vai Brasil… Vai Você, que levará 50 pessoas (e acompanhantes) aos Jogos Olímpicos em um pacote especial. Estas pessoas se cadastraram na promoção e ganharam os pacotes. “Temos clientes de todo o Brasil vencendo e o curioso é que esta é uma forma de conceder uma oportunidade às pessoas que não tinham planejado assistir aos Jogos. Isso é muito importante para nós, pois é uma contrapartida que oferecemos aos nossos clientes e parceiros, para o evento ser ainda mais especial”, adianta Alexandre Nogueira, diretor do Grupo Bradesco Seguros. “Este será um pacote no qual vamos oferecer o que há de melhor para estas pessoas.”

Para levar o espírito olímpico às cinco regiões do país e envolver a população no maior evento esportivo mundial, o Grupo Bradesco Seguros promove o Museu Itinerante Se Prepara Brasil — O Caminho do Esporte até o Rio. Com o projeto, duas carretas passarão por 45 cidades em todo o território nacional para apresentar uma exposição gratuita sobre rodas, com mais de 100 peças do acervo do Comitê Olímpico Internacional (COI), do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e do Comitê dos Jogos Rio 2016, além de coleções particulares.

Juntos, os veículos, que partiram de Vitória (ES) e Goiânia (GO) em 30 de abril, percorrerão cerca de 30 mil quilômetros em dois roteiros distintos, que se encontrarão em agosto no Rio de Janeiro, onde o Museu ficará exposto durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, nos Bulevares Olímpicos Parque Madureira e Porto Maravilha. Mais de 75 mil pessoas já visitaram o Museu, e a previsão é de 200 mil pessoas visitem a exposição.

A seguradora é a patrocinadora oficial do Time Brasil, que recebeu um kit de saúde e odontológico com todas as orientações e apoio necessário. De acordo com informações do UOL, já são 464 esportistas que participarão do evento. Vamos ter um canal diferenciado para o atendimento dos atletas, respeitando as regras complexas de segurança do Comitê Olímpico Internacional”, explica Nogueira.

O patrocínio do Grupo Bradesco Seguros aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, assim como sua condição de segurador oficial do evento, vai ao encontro de sua estratégia de atuação de difundir para a população a importância da prática esportiva e da adoção de hábitos saudáveis como pilares para a conquista da longevidade, com saúde, qualidade de vida e bem-estar.

O objetivo do Grupo Bradesco Seguros, com este patrocínio, é criar uma associação com os valores olímpicos naturalmente, o que é muito poderoso. “Isso reforça os atributos da marca. Além disso, uma campanha com este porte almeja que não clientes também intencionem adqurir seguros para participarem da promoção que oferece os pacotes de viagem como prêmio”, acrescenta Nogueira.

Com a aproximação dos Jogos, grande parte das informações a respeito dos atletas, de modalidades esportivas, curiosidades etc. são publicadas diariamente na fanpage Bradesco Rumo aos Jogos Rio 2016. Esta fanpage já conta com mais de 540 mil participantes e é um canal para que o público conheça um pouco mais dos esportes. “Durante os Jogos acreditamos que aumentará a frequência do público”. Em pouco mais de um ano a página registra mais de 3,1 milhões de interações do público, entre compartilhamentos, comentários e curtidas no Facebook. O Grupo Bradesco Seguros também disponibilizou em seu site uma ferramenta de contagem regressiva para os Jogos.

Completando este círculo virtuoso, o Grupo Bradesco Seguros conta com os embaixadores da marca, os medalhistas olímpicos Leila e Giba, do vôlei. Para o Grupo, é importante associar os seus valores com atletas tão bem sucedidos e empáticos com o público. Mais próxima ainda à realidade brasileira está a equipe de Atletas Bradesco Seguros, que participa do Circuito da Longevidade e das principais competições nacionais e internacionais. Aliás, o Grupo Bradesco Seguros prepara uma atração muito especial para o período compreendido entre o fim dos Jogos Olímpicos e o início dos Paralímpicos: a Etapa Rio de Janeiro do Circuito da Longevidade será realizada em parte do percurso por onde passará a maratona dos Jogos Rio 2016, modalidade esportiva que simboliza o maior evento esportivo mundial.

Já temos campeões

A promoção Vai Brasil… Vai Você já carimbou alguns passaportes para participarem dos Jogos Olímpicos Rio 2016. O curitibano Adriano José dos Santos, cliente de seguro auto da Bradesco Seguros há dois anos, já prepara as malas. Junto com sua noiva Priscila Wutkiewicz, ele vai viajar ao Rio de Janeiro. “Estou muito ansioso porque é um momento importante. Além disso, é a minha primeira viagem de avião”, comemora o fã de futebol e torcedor do Coritiba.

Ele se cadastrou no site da promoção em março deste ano. “Não acreditei quando uma moça da Bradesco Seguros me ligou para contar que eu havia ganhado. Acho que fui até meio mal educado, no momento em que ela ia me dar uma boa notícia”, lembra. Funcionário do departamento administrativo de uma escola em Curitiba, Adriano diz que pretende acompanhar as competições de vôlei (quadra e praia) e tênis.

Agora, é só segurar a ansiedade e investir na preparação. Boa viagem!

 

gerenciamento de risco | grande evento

O que está em jogo no Rio de Janeiro?

Um evento de grande porte como as Olimpíadas envolve uma série de riscos que preocupam organizadores e empresas que vão receber pessoas, prestar serviços etc. Como o mercado de seguros pode contribuir para minimizar estes riscos?

Kelly Lubiato

A expectativa de receber cerca de 400 mil turistas, 25 mil jornalistas e 10 mil atletas durante os jogos olímpicos e paralímpicos, no Rio de Janeiro, está movimentado empresas que têm a possibilidade de contribuir com produtos de proteção para patrimônio e pessoas.

Os organizadores deste grande evento estão preocupados com a possibilidade de ataques terroristas, após o que aconteceu na França, Bélgica e Estados Unidos. Jean Paul Laborde, chefe de estratégia da ONU para o combate ao terrorismo, alertou que o Rio de Janeiro corre o risco de se tornar alvo fácil. “A lógica de que o Brasil não tem problemas com o terrorismo não é a abordagem correta, pois o problema são as pessoas que vêm para o País com esta intenção”.

O Brasil tem certa fragilidade em suas fronteiras e, na realização de um evento grande, o controle realizado pela Polícia Federal pode não ser suficiente. Há também um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) sobre essa preocupação e o País já recebeu ameaças em alguns sites do Estado Islâmico, em língua portuguesa, sobre esse assunto.

O diretor de Riscos Corporativos da Willis, Alvaro Igrejas, afirmou que a corretora está alertando seus clientes sobre a exposição a este risco pelo tipo de atividade, principalmente para que elas procurem medidas preventivas. Algumas empresas estão preocupadas, pelo seu tipo de exposição. Há ainda embaixadas, consulados e outros órgãos governamentais que irão receber chefes de estado, atletas e autoridades de seus respectivos países. “Toda a área ligada a transporte (aeroportos, metrôs, terminais rodoviários) receberá um grande volume de pessoas, além, é claro, das arenas esportivas e espaços olímpicos. Haverá também maior concentração de pessoas nos monumentos e pontos turísticos”, calcula Igrejas. Há ainda outros espaços com risco potencial maior, como shoppings, hotéis, hospitais, estações de tratamento e abastecimento de água, além de áreas de armazenamento de produtos inflamáveis, ou até marcas icônicas ou uma empresa de um determinado país contra o qual o EI tem uma luta direta. “Estamos alertando estas empresas sobre a sua exposição ao risco”, observa Igrejas.

O executivo explica que o trabalho de gerenciamento de riscos não é específico para um evento deste tipo, mas segue num contexto perene. O que a corretora está fazendo, agora, é manter contato com os clientes que já contrataram o seguro e aqueles que ainda procuram por algum tipo de proteção. “Estamos discutindo com os clientes este trabalho de gerenciamento de risco mais focado no terrorismo”.

A maioria dos contratos de seguro patrimoniais já cobre os riscos de danos materiais e de outros decorrentes de atos terroristas. A cobertura específica de terrorismo tem algumas particularidades. Em média, o atendimento é feito até 72 horas após o ato para cobrir os danos sofridos por ataques terroristas, envolvendo a parte de remoção de entulho, proteção dos salvados e a estrutura de salvamento (contratação de bombeiros especializados, por exemplo) e a cobertura de danos materiais para o segurado ou terceiros. Nas apólices também está incluída a cobertura para interrupção de negócios, que envolve lucros cessantes.

Por enquanto, a aquisição desta cobertura ainda não explodiu, mesmo porque ela representa um custo adicional para as apertadas contas das empresas. “O empresário avalia com muita atenção, porque este é um momento em que as pessoas estão tentando reduzir custos. Os executivos procuram formas de acertar os gastos para encaixar a cobertura no orçamento”, avalia Igrejas, acrescentando que a proximidade do grande evento deve fazer a procura crescer. As contratações devem ficar dentro dos limites da capacidade do mercado brasileiro.

Por outro lado, algumas empresas multinacionais já possuem esta cobertura em seu pacote global de seguros. Entretanto, neste caso é necessária uma avaliação da forma como se deve proceder a questão do pagamento de indenizações. “Para o dinheiro chegar ao Brasil, em caso de sinistro, tem a questão dos impostos. Estamos apresentando isso aos nossos clientes e deixando que eles avaliem se devem ou não adquirir uma apólice local”.

Esta aproximação com os clientes envolve uma conversa com aqueles que tem potencial de risco, porque a exposição será grande. Além da cobertura de terrorismo, as coberturas para tumultos e greves também podem ser mais utilizadas.

O Brasil está passando por um momento de transição, de mudança na forma de fazer negócios e de como encarar a exposição aos riscos cotidianos. “Apesar de vivermos em algumas cidades com uma série de situações de insegurança, ainda não se vê a questão do ato de terrorismo. Se formos avaliar, o Brasil com toda a sua diversidade religiosa, é um país bastante tranquilo. Só que agora estamos em um momento em que vamos trazer para o Rio de Janeiro os conflitos do mundo inteiro”, enfatiza Igrejas.

Onde o mercado pode investir?

Outros produtos do mercado de seguros podem ser mais oferecidos e utilizados pelos cidadãos e empresas que passarão pelo Rio de Janeiro no mês de agosto. Os seguros de engenharia já foram bastante utilizados no momento de preparação da infraestrutura para os jogos. Agora, é a vez das cobertura de Responsabilidade Civil, linhas financeiras e seguros ligados às propriedades. Mas, aqueles que vêm assistir, ainda devem trazer o seguro viagem. Como serão realizados muito eventos paralelos (diversos países criarão suas “casas” para receber turistas, autoridades e atletas), vale se precaver.

Giuliano Maisto, CEO da AGCS, uma das resseguradoras da apólice de D&O do Comitê Olímpico, ressalta que nem só os turistas estarão expostos aos riscos. “Os atletas, delegações olímpicas, integrantes do Comitê Olímpico, autoridades que participarão das cerimônias de abertura e encerramento estão expostos. Há também os cerca de 25 mil profissionais de imprensa que vão trabalhar na transmissão, como repórteres, operadores de câmera, por exemplo e os 40 mil voluntários. As forças de segurança devem ultrapassar a marca de 25 mil pessoas. Não podemos esquecer também da própria população da cidade do Rio de Janeiro, que faz parte desse grande público que participa do evento”.

A apólice de D&O do Comite Olímpico cobre tanto erros e omissões durante a transmissão dos Jogos Olímpicos quanto dos Paralímpicos. A nossa apólice de D&O cobre o Comitê Olímpico durante ambos os eventos. Importante ressaltar que a AGCS é uma das resseguradoras dessas apólices e não exclusiva”, explica Maisto.

As coberturas são as mesmas de todos os contratos de D&O. O objeto do contrato é o mesmo. O que ocorre é que devido à proporção e tamanho de um evento como as Olímpiadas, em que a exposição ao risco é maior do que em situações convencionais, as coberturas acabam sendo maiores para custos de defesa, riscos de reputação etc. Mas trata-se apenas de uma questão de valor de cobertura devido à grandiosidade e exposição internacional de um evento como esse.

“Outro ponto importante que podemos destacar é que o mercado segurador local ganhou força e amadureceu para atender às demandas das Olimpíadas. Para fazer parte desse evento e fornecer soluções que atendam às demandas do Comitê Olímpico, a cultura do seguro é uma premissa fundamental”, completa Maisto.

Movimentos planejados

Receber esta quantidade de estrangeiros, sejam turistas, atletas, jornalistas etc, vai requerer um esquema especial também das empresas de assistência 24h. O planejamento envolve desde equipe de atendimento bilíngue até o reforço das equipes de campo.

Estela Pletsch, gerente executiva de operações da Europ Assistance explica que a empresa aumentou a quantidade de prestadores de serviços disponíveis. Foram cadastradas mais ambulâncias e hospitais, trabalhando com o posicionamento estratégico de reboques e estabelecendo rotas para os deslocamentos mais difíceis. “Temos que pensar no alinhamento dos prestadores, treinamento e aumento da rede”.

Segundo a executiva, a empresa de assistência projeta aumento de 20% dos atendimentos, com a maior demanda partindo dos atendimentos médicos. “Como será um período de férias escolares, o trânsito deve ficar mais tranquilo, mas calculamos aumento da demanda também para o atendimento de automóveis”.

Além dos atendimentos para fatos já ocorridos, Estela acredita que haverá bastante trabalho também para o serviço de concierge. Para atender a estes clientes do mundo inteiro que estão vindo para o Brasil, a empresa prepara um roteiro turístico e cultural da cidade sede do evento.

A rede médica que atenderá tanto aos turistas como as delegações e atletas de todo o mundo cobertas pela Europ Assistance foi ampliada. Além dos médicos do chamado “homecare” – que vão até o local da ocorrência para prestar o atendimento – serão mais de 40 ambulâncias à disposição dos clientes e 37 hospitais cadastrados no Rio de Janeiro e em cidades que receberão os jogos de futebol. O atendimento saúde é um benefício que traz tranquilidade ao cliente que está fora de seu país de origem. Ele está atrelado a contratos de seguro saúde internacional e seguro viagem internacional e sua contratação é feita nos países de residência, com cobertura para a localidade de destino”, completa.

 

esportes | atletas

Competir é preciso

Atletas profissionais e amadores precisam de seguros individualizados, que atendam as particularidades da vida de quem pratica esportes

Amanda Cruz

Os seguros de vida, saúde, seguro viagem estão disponíveis para todas as pessoas que querem se proteger e proteger suas famílias de contratempos e imprevistos que podem ser fatais. Mas e quando a proteção precisa ser ainda mais minuciosa? É o caso dos atletas, profissionais e também aqueles de finais de semana. “O importante é que a companhia de seguros seja baseada em cima da necessidade de cada cliente. Ou seja, dando segurança financeira para o atleta que ficar impossibilitado de atuar”, explica Sidney Calligaris, diretor comercial da Prudential Seguros.

Quem pratica esportes garante melhor condicionamento físico e uma vida mais saudável, mas, ao mesmo tempo, está mais sujeito a sofrer lesões e, se não estiver bem preparado, levar seu corpo além dos limites.

Não é à toa que grandes atletas fazem seguro das partes mais importantes de seu corpo: o piloto de Fórmula 1, Fernando Alonso, por exemplo, segurou seus polegares em $ 10 milhões de euros. No futebol, não faltam mais exemplos. Quando o Corinthians contratou o jogador Ronaldo, fez um seguro especial para o joelho do jogador e Cristiano Ronaldo, atacante português, tem suas pernas seguradas em $100 milhões de euros.

Pode parecer exagero, mas esses são esportes que movimentam bilhões e o desfalque em competição pode ser decisivo para a carreira de um atleta. Outras modalidades são bem mais modestas e muitos atletas passam por dificuldades para garantir patrocínio e conseguir treinar, arcar com material e chegar às competições mundiais, como as Olimpíadas.

O mercado de seguros tenta auxiliá-los de variadas formas. Há seguradoras que patrocinam os esportistas dando condições financeiras para que eles tragam vitórias. Um exemplo é a Icatu Seguros que, desde 2011, desenvolve o projeto “Bons Ventos 2016” que tem como objetivo preparar um dupla de velejadores para grandes competições: Marco Grael e Gabriel Borges, que garantiram seu espaço nas Olimpíadas do Rio de Janeiro “Estamos profundamente orgulhosos e recompensados. Somos uma empresa que incentiva a todos a planejarem o seu futuro, e foi o que fizemos com esses atletas: investimos lá atrás e estamos colhendo os resultados agora” afirma a diretora de Marketing e Canais da Icatu Seguros, Aura Rebelo.

Além de todos os riscos, dificuldades e desafios que o atletas encontram, há outro fator agravante: na maioria das práticas esportivas, a aposentadoria ocorre muito cedo. Jogadores de futebol acima de 35 anos já estão perto de pendurar as chuteiras. É preciso muito planejamento financeiro para quando a vida profissional acaba, pois ainda há muito o que se fazer pela frente. Nas prateleiras existem opções como os seguros de vida que após um tempo determinado de contribuição, o segurado deixa de pagar e ele continua valendo após esse período, com base em uma reserva matemática feita a partir do valor de contribuição. Por exemplo, se o atleta tiver uma forte lesão que o impossibilite de praticar o esporte, ele poderá resgatar a reserva que estará lá para cuidar da saúde ou manter suas despesas em dia. Quando se trata de fazer esportes profissionalmente, uma lesão, ainda que não seja permanente, mas que seja incapacitante para a prática já pode ser considerada um sinistro. “Há também a opção de contratação de um seguro para doenças graves, como câncer infarto, AVC ou queimaduras severas, por exemplo”, conforme cita Calligaris.

Conhecendo bem de perto os problemas aos quais esses profissionais estão expostos, um grande nome do esporte nacional que também é senador pelo PSB-RJ, Romário, apresentou uma proposta para beneficiar os atletas brasileiros, oferecendo a eles seguro para competições nacionais e internacionais no PLS 67/2015. Nele, clubes, confederações e federações esportivas têm a obrigação de contratar seguro de vida e contra acidentes pessoais para os atletas profissionais, que deverá ser compatível com a remuneração. Essa iniciativa vem para incrementar a Lei 9615/98 – Lei Pelé- que foi desenvolvida por Pelé enquanto ocupava o cargo de ministro do esporte no governo Fernando Henrique Cardoso. Desde lá, os clubes confederações e federações são obrigadas a contratar seguro de vida e de acidentes pessoas para os atletas que atuam profissionalmente.

Essas propostas têm exemplos claros na realidade para serem observados, como foi o caso da ex-ginasta Laís Souza. Ela ficou tetraplégica em 2014, depois de um acidente enquanto esquiava e não tinha nenhum seguro. Lais passou por momentos difíceis até começar a receber ajuda do governo para manter seu tratamento.

Em tese, o tipo de vida que é exigida de um atleta não é, por si só, um agravante na cotação do seguro. “O seguro para atleta profissional vai contemplar os riscos que o esportista poderá sofrer durante a prática do esporte. O preço do seguro vai variar de acordo com o risco e de diversos outros fatores que podem ser diferentes de seguradora para seguradora”, explica Marcella Ewerton, coordenadora de conteúdo da Bidu Corretora.

A executiva explica ainda que, em 2012, a prática de esportes profissionais de forma segura ganhou força com a decisão da FIFA em garantir cobertura de lesões em jogadores que atuem em partidas das seleções que integram a federação de futebol.

Para amadores

Quem corre de final de semana ou gosta de viajar para praticar esportes também precisam se proteger. Ainda se acredita muito que quem pratica esses esportes não tenha aceitação das companhias de seguro para se proteger, mas isso já mudou no mercado há algum tempo. “As seguradoras que oferecem seguro viagem podem oferecer também uma modalidade que contemple a prática de esportes radicais, prevendo os riscos que são específicos desses esportes”. É verdade que a probabilidade desses seguros ficarem mais caros é grande, já que o risco aumenta consideravelmente, mas as muitas corretoras e seguradoras já oferecem isso como um diferencial.

Já no caso dos produtos de Vida, as coisas são um pouco diferentes e a aceitação de quem pratica pode ficar comprometida dependendo da política de aceitação da companhia.

Também para o torcedor

Quem está assistindo também pode contar com algum tipo de proteção. Algumas seguradoras oferecem proteção para quem vai assistir os atletas em ação e incentivá-los.

O produto geralmente vem em forma de um seguro de acidentes pessoais que dá aos contratantes a oportunidade de concorrer a prêmios em dinheiro através da Loteria Federal.

As seguradoras também adicionam outros serviços, como táxi, reservas em hotéis, auxílio em caso de perda de documentos, indicação jurídica entre outros.

 

fórum | manaus

Sem medo de inovar

No Amazonas, corretores e personalidades do setor discutem o comportamento e as oportunidades do mercado diante dos atuais consumidores, dos novos produtos e da tecnologia

Diante da instabilidade econômica, o tema inovação deve ganhar ainda mais fôlego nos negócios e também no mercado segurador. Realizado em junho passado, o VI Fórum Manaus Seguros teve como pauta “Inovar é o caminho” e levou cerca de 300 corretores, além de personalidades do setor, a refletir sobre as perspectivas do segmento para os próximos anos.

Palco do evento, o município que abriga a Zona Franca se fortaleceu na última década. “Basta constatar a quantidade de sucursais de seguradoras que se instalaram no local. Muitas delas trouxeram oportunidades aos corretores que aqui atuam”, analisou o presidente da Escola Nacional de Seguros, Robert Bittar.

No entanto, o presidente do Sincor-AM/RR e anfitrião do evento, Jair Fernandes, acredita que a realidade não condiz com os números inexpressivos divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). “Alguma coisa tem de errado na apuração dessa produção, que muito provavelmente não está sendo contabilizada para o Estado da Amazônia”, avaliou o executivo.

Os corretores de seguros, aliás, serão um dos grandes responsáveis para a prosperidade do setor durante o período de retração. Assim, a necessidade de qualificação profissional se torna ainda maior entre a categoria, que para Armando Vergilio, presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor), deve superar os obstáculos impostos em diferentes períodos e demonstrar capacidade de oferecer amplas proteções securitárias a uma sociedade insegura pelas incertezas econômicas. “Vivemos um momento de retração muito séria e profunda e isso exige mudança de comportamento e atitude. Acredito que os corretores estão tendo essa percepção” afirmou ele.

Vergilio traçou ainda as inovações do setor as quais acompanhou e contribuiu, como a abertura do mercado de resseguro, em 2008, época em que atuava na Susep; e a autorregulação, um conjunto de normas de boas práticas estabelecido junto com a própria categoria. Citou ainda a Lei do Desmonte, reeditada quando era deputado federal para regulamentar a atividade e combater o comércio clandestino de peças; a inclusão do corretor de seguros na tabela 3 do SuperSimples, que diminuiu a carga tributária do profissional; além do PrevSaude e o Universal Life, que já caminham para serem aprovados.

Mais interessados e conectados

A sociedade passou a demonstrar mais interesse pelas proteções securitárias, provando que os esforços do setor para disseminar a cultura do seguro já apresentam resultados significativos. Dos produtos que ganham a atenção dos consumidores está o seguro residencial, mercado que segundo o Sincor-SP deve crescer em torno de 9% ao longo de 2016. “Quantos corretores estão no seu processo e ciclo de vendas com seguro residencial incorporado?”, questionou o diretor da Porto Seguro, Mauro José, acrescentando que o cross selling pode ajudá-los a ampliar resultados.

Alternativa para quem deseja adquirir ou até mesmo trocar de carro durante a crise, o veículo usado é outro nicho a ser explorado. Muitas lojas que comercializam esses automóveis não contam com um corretor de seguros para administrar o segmento.

Ao passo que o consumidor se interessa pelos seguros, demonstra ainda uma nova maneira de entender um pouco mais sobre o assunto: das palavras digitadas pelos internautas no buscador Google, “seguro” aparece 11 milhões de vezes. Por isso, é necessário que os corretores entendam essa nova realidade e, segundo o superintendente regional N/CO Corporate da Bradesco, Catulo Ribeiro Freitas, tenham as informações “na ponta da língua”. “O consumidor já vem com uma experiência e, quando vai comprar algum tipo de seguro, já obteve uma informação antes; pesquisou. E o corretor tem que estar preparado para entregar o melhor produto para o cliente”.

Outras oportunidades

Ao mesmo tempo em que é uma carteiras responsáveis pelo maior número de apólices contratadas, o seguro de automóvel ainda encontra muito espaço para crescer. No Brasil, apenas 30% da frota está segurada e, no Estado do Amazonas, somente 54 mil dos 778 mil veículos contam com algum tipo de proteção. O mesmo acontece no seguro residencial, em que 4,3% das 1,4 milhão de casas estão protegidas.

No entanto, o seguro de automóvel não deve ser o foco principal dos corretores de seguros. “Há outras necessidades de proteção”, lembrou Izair Lazzarotto, diretor da Bradesco Seguros. Ele aposta na oferta de vantagens, benefícios e produtos diferenciados e que vão além do tradicional seguro de veículos.

A criação de novos produtos voltados à longevidade também merecem atenção do mercado segurador e seus agentes, considerando o crescimento do poder aquisitivo nos últimos anos e o aumento da expectativa de vida, que passou de 74,9 para 75,2 anos entre 2013 e 2015.

“Incorporar esses produtos e essa nova forma de atuar no dia a dia da corretora é uma inovação simples e totalmente eficaz”, destacou Lazzarotto.

Seguro garantia

Após a mudança na Lei 3.043, que incluiu o Seguro Garantia Judicial como opção de garantia às execuções fiscais, não demorou muito para que a carteira começasse a apresentar números mais expressivos. Depois das alterações, realizadas em novembro de 2014, dados preliminares divulgados pela Susep registraram alta de mais de 30% em prêmios de seguro garantia no primeiro semestre de 2015 ante o mesmo período do ano anterior. Ainda nos seis primeiros meses de 2015, o volume de prêmios emitidos em seguro garantia alcançou R$ 689,3 milhões, sendo cerca de 70% referente ao segmento judicial.

Hoje, o mercado estima que o produto contemple 80% de todas as emissões de seguros garantia no Brasil. “O seguro garantia judicial é uma ferramenta fundamental para o atual momento que o País atravessa”, salientou o diretor jurídico da J.Malucelli, Roque de Holanda Melo. “Em meio à crise e à retração, no que diz respeito aos projetos de infraestrutura, podemos dizer que o seguro garantia judicial está movendo o seguro garantia no Brasil”.

Na visão dele, a tendência é que este tipo de seguro conquiste ainda mais espaço, principalmente porque os juízes passaram a considerar o produto como um meio de se proteger.

 

tecnologia | ciab 2016

Um mundo diferente daquele que conhecemos

O mercado de seguros irá aceitar e absorver aos poucos as novidades que uma disrupção tecnológica apresentará ao setor. É só uma questão de tempo

Kelly Lubiato

Não vai demorar para que o mercado de seguros repense a forma de distribuir seus produtos. Isso ficou muito claro durante o CIAB 2016, realizado pela Federação Brasileira de Bancos – Febraban, em São Paulo. A Trilha de Seguros mostrou que algumas iniciativas já começam a tomar forma em nosso setor, viabilizando as InsureTech (versão doméstica para as fintechs). Apesar de não estarem presentes no evento, este tipo de companhia já faz parte do cotidiano das companhias. Apenas para citar um exemplo, a Sompo Seguros já conta com uma empresa no Vale do Silício (Califórnia – EUA) e a Porto Seguro já apoia startups ligadas a tecnologia. Em agosto, a CNseg recebe propostas para o projeto MAR (homenagem ao ex-presidente Marco Antonio Rossi), através de uma aceladora de startups, a CNSpar.

Marco Barros, diretor executivo da Confederação, afirmou, durante a abertura da Trilha de Seguros que na primeira fatia desse projeto, serão alocados R$ 1 milhão. “Entramos com algo entre R$ 50 mil e R$ 75 mil por empresa por seis meses”. Além do valor, os empresários receberão capacitação em contabilidade, administração, instrumentos societários, entre outros temas. O objetivo desta iniciativa é fomentar soluções disruptivas para a distribuição de produtos por canais digitais, principalmente para seguros inclusivos.

“Os investimentos em novas tecnologias ampliam a eficiência das empresas, abrindo a possibilidade de criação de novos produtos em todos os setores do seguro, saúde, previdência e capitalização, fomentando a criação de soluções”, ressaltou Barros.

Seguros inclusivos x Canais Digitais

O termo seguros inclusivos substituiu o microsseguro, cujo nome não ‘pegou’ no Brasil. “Como o seguro sempre foi característico das classes mais altas, é difícil pulverizar esta cultura. E, claro, ninguém acorda pela manhã e pensa: hoje vou comprar um seguro”, constatou Eugenio Velasques, diretor da Bradesco Seguros, explicando que a distribuição dos seguros inclusivos depende muito do desenvolvimento tencológico para chegar até a ponta.

Uma das barreiras enfrentadas pela carteira é o ‘otimismo’ do povo latino. No Brasil, o setor vinha bem até 2013, mas agora enfrenta um momento mais delicado. É fato que há uma correlação direta entre a expansão do crédito e o crescimento do seguro. “Quando as pessoas adquirem mais coisas elas se preocupam em proteger estes bens”, apontou Velasques.

Para ele, é possível aproveitar os fornecedores de tecnologia do mercado financeiro para criarem meios de disseminar novos canais de distribuição. O consumidor acha o mercado de seguros burocrático e complexo. “A introdução da tecnologia é fundamental para colocar o seguro numa realidade sólida no País”, classificou o executivo.

Ele ressalta que em um sistema regulatório fora da caixa, as seguradoras de nicho levariam vantagem na implantação de novas tecnologias, dado o seu tamanho. Entretanto, Velasques admitiu que foi positiva a discussão sobre o microsseguros durante vários anos no Brasil, porque acabou alavancando e desembaraçando a venda de seguros populares.

A venda de seguros vai mudar

A utilização de apps e dispositivos mobile é motivada a todo momento. As aplicações móveis estão mudando rapidamente, e de maneira radical, o mercado de seguros, criando oportunidades expressivas para empresas inovadoras, que estão repensando a maneira como os seguros são concebidos, vendidos e experienciados. Isso foi mostrado na palestra Novas Aplicações em Dispositivos Móveis, durante da Trilha de Seguros dentro do evento CIAB-Febraban.

A utilização de aplicações tecnológicas já é uma realidade no mercado de seguros de outros países. Daniel Rocha, líder de Financial Service da Capgemini, apresentou um estudo da empresa que mostra a disposição dos consumidores em adquirir produtos e serviços através dos smartphones. “É importante ressaltar que a Geração Y não está satisfeita com o atendimento que recebe das seguradoras, tanto nos meios tradicionais quanto nos digitais”, assinalou.

Outro ponto interessante é que, no Brasil, a pesquisa mostra que o cliente busca informações em vários canais antes de contratar um seguro. O corretor de seguros ainda é o canal mais procurado, apesar de se propor a adquirir produtos de seguro através de empresas de tecnologia.

O cliente não pode mais ser colocado de lado. O produto precisa ser customizado, com transparência, inteligência artificial (sensores em casa, appliances nos carros) e conectividade (da casa, de si mesmo, do carro).

A aplicação de mobile + IoT (internet das coisas) inclui a visão de uma casa inteligente habilitada por meio de parcerias com o primeiro fabricante de dispositivos conectados para proteção em tempo real contra invasões, incêndios, inundações, vazamento de gás, poluição e outras emergências.

Rocha apresentou exemplos de empresas de seguros fora do País que já utilizam os dispositivos mobile. A United Health aperfeiçoou a experiência do corretor, agregando mais valor para o cliente, através de um app para retirar a burocracia da vida do corretor, que consegue cotar e emitir a partir de dispositivos móveis. “Isso implicou em maior agilidade para a venda”, explicou Rocha.

A oferta futura da AXA para os seguros residenciais será acoplar a assistência 24/7, a fim de enviar ajuda se uma emergência é detectada na casa de um cliente, conectada à empresa com dispositivos de IoT. “Isso agiliza e reduz o custo do serviço”.

As fintechs tem ditado o nível e o ritmo das aplicações para seguros. InsureTechs, como são chamadas nos Estados Unidos. Naquele país foram investidos US$ 16 bilhões em insuretech. Para Rocha, “as pessoas estão saturadas com a ideia de um tamanho único para todos”.

Bought by Many é uma startup que busca grupos que geralmente não tem suas demandas atendidas pelas seguradoras. Através de grupos de afinidade, a BBM constroi e negocia acordos com seguradoras. Apesar de negociado em grupo, é customizado para cada segurado. A venda é feita através de redes sociais e tem parceria com a Ping An na China. É um exemplo de economia compartilhada que já faz parte do presente da população.

O Metromile aplica o conceito de seguro “pay as you go”, que calcula o valor mensal do prêmio conforme a quilometragem rodada. 65% do americanos roda menos de 200 milhas/mês, por isso, o slogan da companhia é “Drive less, save more”.

O segurado conecta o dispositivo que recebe da seguradora. Este transmite as informações captadas no veículo.

O BIMA comercializa microsseguros para a população de baixa renda, especialmente da África e Ásia, onde 97% dos seus clientes ganham menos de USD 10/ dia. Já possuem 15 milhões de clientes, com modelo de parceria com operadoras de celular, bancos/financeiras locais, com modalidade de pagamento diário. Já atende em 13 países onde mais de 80% dos segurados nunca haviam consumido um produto de seguro. Eles formaram mais de três mil agentes para educar a população sobre a necessidade do seguro.

O Oscar é uma das fintechs de maior evidencia nos EUA. Ela comercializa apenas online: planos simples e baratos. É um aplicativo intuitivo e simples para buscar na rede referenciada os médicos/clinicas e agendamento de consultas. Pelo aplicativo é possível também dizer quais são os sintomas e o primeiro atendimento médico é prestado pelo telefone.

No Brasil, Rocha citou os exemplos da Thinkseg, que propõe um novo modelo de comercialização ainda com a participação dos corretores de seguros. Outro exemplo, a Youse, se propõe a realizar a venda direta.

O futuro pertence às fintechs, que devem ditar o ritmo e a forma de inovação do mercado de seguros. “A integração com a IoT e a exploração do BigData para incrementar a experiência do consumidor e reduzir os riscos são os caminhos prováveis para a evolução do setor”, completou.

Angela Beatriz, diretora da BB Seguridade, disse que ainda não há nenhum produto expressivo em mobile para os consumidores de baixa renda, que não são bancarizados. “Se tivermos um modelo de negócios mais adequado, olhando para a subscrição com aparelhos mobile, este público pode ter um produto adequado”, sentenciou.

A seguradora terá que ser mais que isso. O modelo disruptivo pode não vir de uma seguradora, mas de uma empresa que investe em conhecer a dor do cliente.

A praticidade gera utilização muito grande. “O canal mobile, uma vez acertado, pode mudar de patamar as suas vendas. Ele precisa evoluir bastante a análise dos dados, como uma empresa de seguros que atenda completamente as necessidades do cliente”, concluiu Angela.

 

evento | nova marca

Seguradora quer dobrar de tamanho no Brasil

Desde que a Yasuda adquiriu a Marítima, em 2013, as empresas trabalham na integração. Agora, o Grupo assume a marca Sompo Seguros e pretende investir para crescer, no Brasil, pelo menos 20% ao ano, nos próximos cinco anos

Kelly Lubiato

Mesmo com todos os problemas econômicos e políticos que o País enfrenta, o Brasil continua sendo o foco de empresas estrangeiras que já são fortes em economias estáveis. 1º de julho marcou o início da utilização da marca Sompo Seguros no Brasil. O grupo ocupa o 12º lugar no ranking mundial de seguradoras não-vida, com mais de 20 milhões de clientes ao redor do globo e faturamento de 2.552 bilhões de ienes (cerca de R$ 81 bilhões). O Brasil representa a maior operação da Sompo Seguros fora do Japão.

De acordo com Junichi Tanaka, responsável pelas operações na Europa e América do Sul, o plano de negócios global da empresa envolve novos investimentos, em um programa de médio prazo, a operação internacional vai ocupar a parte mais importante das operações da empresa. “Queremos integrar o grupo para ser conhecido mundialmente. A participação das operações internacionais representavam apenas 12% em 2005, e pretendemos aumentar nos próximos 5 anos para 25%”, afirmou Tanaka.

O executivo disse que a Sompo Seguros confia no mercado brasileiro e prometeu que fornecerá as soluções de melhor qualidade para propiciar segurança, tranquilidade e saúde para os clientes”, concluiu.

O diretor presidente da Sompo Seguros, Francisco Vidigal Filho, disse que a partir de agora são todos uma nova empresa. Ele destacou que a Sompo, no Japão é a primeira seguradora de não-vida, com uma quantidade de veículos segurados maior que toda a frota brasileira. “A empresa busca ampliar sua atuação em países emergentes, como Brasil, Cingapura e Turquia. “Estamos construindo de maneira sólida e responsável a nova marca da empresa”, disse Kiko, como é conhecido no setor.

A meta para o Brasil é ter crescimento de 20% ao ano, chegando a 2020 com o dobro do tamanho. “Queremos chegar a R$ 7 bilhões em prêmios de seguro, em 2020. Kiko pontuou que este processo de crescimento ainda passa por alguns problemas, entretanto, o projeto de curto prazo é ter a operação 100% alinhada, oferecendo segurança ao corretores e sem os problemas pontuais.

A Sompo deve começar uma campanha de mídia em setembro para divulgar a marca. “Vamos percorrer o Brasil inteiro para mostrar quem é a Sompo e qual é a estratégia para o Brasil. É uma campanha que vai englobar TV, rádio, revistas e mídias sociais”, explicou.

Finalizando, Kiko adiantou que a companhia pretende lançar novos produtos para nichos, como escritórios, petshops e caminhoneiros. Além disso, a linha Supremo deve expandir sua carteira também para vida, saúde e residência.

Deixe uma resposta