Edição 209

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direto de londres | por Luciano Máximo*

Setor de seguros quer permanência do Reino Unido na União Europeia

Há exatamente um ano, durante a campanha eleitoral que renovou o parlamento britânico e garantiu o segundo mandato ao primeiro-ministro David Cameron, o mercado segurador da terra da rainha estava ressabiado com um ponto polêmico da agenda do líder do Partido Conservador: a convocação, se eleito, de um referendo para população decidir sobre a permanência, ou não, do Reino Unido na União Europeia (UE).

Pois bem, ele venceu as eleições e colocou o referendo na agenda do governo mais rápido do que a comunidade empresarial do país esperava. Antes, o “Brexit” era apenas um debate eleitoral polêmico, hoje é uma política efetiva com grandes chances de ser implementada ainda a partir deste ano, dependendo do resultado do referendo em 23 de junho, claro. A disputa está acirrada. Pesquisas do Instituto Yougov deste mês indicam que 39% dos britânicos querem permanecer na Europa, enquanto 38% querem o Reino Unido fora da UE – os 23% restantes se dizem indecisos. Especialistas afirmam que os recentes atentados terroristas na Bélgica e divulgações sobre o elevado número de imigrantes europeus vivendo, trabalhando e usufruindo de benefícios sociais no Reino Unido devem dar um gás para a campanha do Sim, favorável ao “Brexit”, para não falar da insatisfação de britânicos com as contribuições bilionárias do país com a União Europeia.

O sentimento no mundo dos negócios é de estresse generalizado. O corretor Larry Ferguson, da Insurance Age, diz que o referendo é “o assunto mais importante do setor segurador em décadas” e vê um mercado dívidido. Executivos de grandes seguradoras e corretoras, liderados pelo Lloyd’s of London e pela Associação de Seguros Britânica (ABI, da sigla em inglês), abraçaram a campanha pró-permanência. Representantes de pequenas e médias firmas do setor acreditam que sair da União Europeia pode trazer benefícios. Todos já fazem cálculos e projeções sobre como será, eventualmente, fazer negócios no Reino Unido como um ex-membro da União Europeia.

Quem é contra a saída prevê prejuízos, perda de empregos, mais burocracia em transações, principalmente com os países europeus, e até elevação dos preços das apólices. Reunidos em um seminário promovido em março pelo Instituto de Seguros de Londres, os principais executivos das grandes firmas do setor detonaram, em uníssono, a ideia de saída do Reino Unido da UE.

Mark Wilson, CEO da Aviva, maior seguradora britânica, disse que o mercado segurador britânico não tem uma apólice para segurar os estragos de uma eventual partida do país para fora do bloco. “Eu sou neozelandês, não estou aqui recomendando como as pessoas devem votar no referendo. Mas como chefe de uma empresa que gere cerca de 350 bilhões de libras esterlinas em ativos e tem 33 milhões de clientes no mundo todo, sendo 16 milhões no Reino Unido, é meu dever alertar para os riscos, algo que fazemos diariamente na Aviva. Um dos principais riscos é simplesmente o baixo crescimento. O Reino Unido fora da UE verá seu crescimento econômico reduzido nos primeiros anos. Isso significa que as pessoas vão ficar mais pobres e deixarão de priorizar o seguros em seus orçamentos”, projetou Wilson.

Stephen Hester, CEO da RSA, integra um grupo de 36 executivos de grandes empresas listadas na bolsa de Londres que assinaram uma carta alertando para os impactos negativos de um eventual “Brexit”. Nas últimas semanas, com as pesquisas eleitorais mostrando avanço do apoio à saída britânica da UE, as ações de corporações britânicas vêm sofrendo golpe após golpe na bolsa. “Metade do nosso valor de mercado vem dos negócios que temos com a Europa, seja em comércio exterior, seja com as nossas filiais nos países membros. Alguns dos nossos principais concorrentes são europeus. Fora da União Europeia perderemos a igualdade de condições com os concorrentes europeus, o que é muito valioso para a gente em longo prazo”, afirmou Hester.

Mas foi Sean McGovern, diretor da área de riscos do Lloyd’s of London, quem fez a defesa mais eloquente da permanência do Reino Unido na União Europeia no evento do Instituto de Seguros de Londres. McGovern pontuou que nos últimos dez anos atuou como representante do Lloyd’s na Comissão de Competitividade do Parlamento Europeu, em Bruxelas. “Muito foi feito em termos de regulação e de adequação de competitividade entre seguradoras e corretoras britânicas e europeias, seria muito arriscado pôr um fim nisso”, declarou.

“A adesão do Reino Unido a UE é parte da história de sucesso do Lloyd’s e de todo o mercado segurador da City of London, enquanto hub do setor. Isso é e será a chave para o nosso futuro crescimento e desenvolvimento e como lidamos com a concorrência de outros centros de seguros em todo o mundo. É por isso que temos sido tão focados em nosso trabalho de planejamento de contingência. Do ponto de vista do nosso negócio, estar na UE confere três benefícios muito importantes: nos proporciona o acesso ao mercado único europeu, com 500 milhões de consumidores; incentiva e facilita o investimento estrangeiro direto; e, por fim, facilita o comércio com países de fora da UE. Estes benefícios são, a meu ver, fundamentais para o sucesso do mercado de seguros de Londres e sua posição como o maior centro de seguros especializados e de resseguros do mundo”, resumiu McGovern, lembrando que numa votação interna entre os sindicatos que atuam no Lloyd’s, dois terços reivindicaram a permanência do Reino Unido como membro da UE.

Do outro lado da corda – talvez o lado mais fraco e com menor capacidade de mobilização – estão corretoras e seguradoras de menor porte, com menor acesso ao vasto mercado europeu. De acordo com consulta feita por Larry Ferguson, da Insurance Age, profissionais desse segmento “não ganham tanto quanto as empresas maiores por estar dentro da UE”. Os principais pontos levantados têm a ver com regulação e competitividade. “Eles mencionam questões como uma estrutura de mercado diferente, difícil de se adaptar, um regime de regulamentação diferente na Europa e ainda em fase de implementação intermediária aqui entre as empresas menores, e que é obrigatório para ser competitivo com base nas regras da União Europeia. Há uma certa divisão, mas deve-se salientar, porém, que a Associação dos Corretores de Seguros Britânicos (Biba, da sigla em inglês) defende firmemente a permanência na zona do euro”, relata Ferguson.

Um dos consultados por Ferguson, Ian Gosden, da Higos Insurance Services, disse que, pessoalmente, “enquanto cidadão”, prefere a permanência do Reino Unido na União Europeia. Mas admite que como corretor de seguros quer que o “Brexit” seja vitorioso no referendo de junho deste ano. “Estamos totalmente em desvantagem, na minha opinião [em relação às grandes companhias, com mercados já consolidados no Reino Unido e na Europa]. Trabalhando como independentes, se quisermos atuar fora do país, a concorrência não permite disputar mercado. O mercado de seguros no Reino Unido é muito sofisticado. Na Europa, eles não têm os mesmos controles que temos, é uma regulamentação mais viciada”, reclama Godsen.

reino-unido

* Luciano Máximo, jornalista, é repórter licenciado do jornal Valor Econômico, cobriu o setor de seguros e resseguros na Gazeta Mercantil

 

especial | automóvel

Desenvolvimento de gigante

Consolidada como a maior carteira do mercado brasileiro e amplamente difundida, o desafio do Seguro Auto é superar a saturação e alcançar a população que não conseguia arcar com o preço do produto

Amanda Cruz

Reconhecida como a locomotiva da maior parte das companhias seguradoras e corretoras de seguro, a carteira de automóvel é a líder de muitas empresas do setor, além de porta de entrada dos consumidores para o mercado. Há seguros para quase todo o tipo de bens e situações, diversas modalidades. Mas, quem conhece nada ou muito pouco de seguros, logo pensa em seguro auto. Essa popularidade é revertida em números: de acordo com dados da CNseg, em 2015, 47% do mercado de Ramos Elementares era formado pelo seguro Auto.

Mesmo assim, cerca de 60% da população brasileira não possui seguro para seu carro ou moto, o que deixa o aviso: a carteira, que é uma gigante para o mercado no Brasil, poderia ser ainda maior.

É para essa possibilidade que o mercado se volta com toda a força nesse momento. A época de crise demonstra o quanto vale à pena correr atrás dos prêmios que podem ser trazidos para o mercado com a inclusão desses consumidores. “Isso requer um esforço conjunto das corretoras e seguradoras para desenvolvimento e oferta de apólices que atendam aos anseios e necessidades desse consumidor”, afirma Jabis Alexandre, diretor geral de Automóvel e Massificados Grupo BB e Mapfre, que exemplifica: “Seguros modulares, assistências personalizadas e atendimento facilitado por meio de diversos canais já são demandas dos clientes de hoje e deverão permear as tendências do setor”.

A necessidade de incorporar esses novos consumidores só não consegue ser maior que o principal obstáculo apresentado, que é a precificação do seguro. Esse continua sendo um fator definitivo tanto na escolha do tipo de seguro quanto na decisão de contratação é viável ou não. Carlos Ronaldo, diretor da Rodobens Corretora de Seguros, diz que a percepção sobre a preferência por preço é nítida no mercado, tanto em seguro para automóveis quanto em frotas para caminhões. Segundo ele, esse passou a ser o primeiro item levado em consideração pelos clientes. “Desde o segundo semestre de 2015, a flexibilidade das seguradoras precisou aumentar muito. Os clientes customizam e abrem mão de determinadas coberturas para que o custo caia”, afirma Ronaldo.

Mesmo o trabalho de conscientização do corretor fica prejudicado dentro desse cenário. Afinal, mesmo que ele seja claro sobre a necessidade das coberturas, a limitação do cliente não é de compreensão de segurança, mas puramente financeira. “Isso acontece tanto em Auto quanto em seguro de caminhões. As cotações de seguros somente com cobertura de Responsabilidade Civil têm aumentado muito”, afirma o corretor. O lado positivo é que, mesmo com restrições, as pessoas têm se preocupado com proteção, mesmo que mais achatadas. Além disso, esse cenário faz com que as seguradoras fiquem mais competitivas, inclusive no preço; reconhecimento de bons clientes e incentivos são cartadas certas para aquelas que querem manter suas carteiras saudáveis.

Os preços são difíceis de manter ou serem menores porque o índice de sinistralidade da carteira e seus custos de despesas administrativas são muito altos. “A situação do setor automobilístico também tem exercido uma pressão contra o desempenho do segmento, elevando o desafio de buscar oportunidades de negócios”, ressalta Adriano Fernandes, superintendente da área de Seguro Auto da Yasuda Marítima.

Seguro Auto Popular

No dia 1º de abril deste ano, as normas do Seguro Auto Popular entraram em vigor. Aprovada pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), esse novo seguro apresenta como principal característica a utilização de peças recondicionadas ou seminovas para reparo dos veículos. Essa ação só será possível por estar respaldada na Lei 12.977, de maio de 2014, que visa regulamentar os desmontes de veículos em todo País. A cobertura do novo seguro deverá possuir a garantia de indenização por danos causados ao veículo por colisão, sendo proibida a oferta de cobertura apenas para a indenização integral por colisão. O segurado também poderá optar, em caso de danos parciais, entre a utilização de oficinas de sua escolha ou pertencentes à rede da seguradora.

Além de desmantelar os desmanches, que muitas vezes recebiam peças roubadas, essa nova modalidade também permitirá que, com peças mais baratas, os custos dos sinistros caiam e mais pessoas possam contratar, especialmente a parcela que hoje está fora do mercado. Ainda que esse seja o público alvo, qualquer pessoa poderá aderir a essa modalidade por opção, mas deverá ser avisada das condições de reparos com peças usadas, a não ser que sejam necessárias reposições de peças de segurança, que devem ser novas em todos os casos.

A perspectiva de mudança não vem apenas para o mercado segurador, mas para outros setores e a sociedade brasileira. “Nós entendemos que o seguro tem papel social fundamental de garantir o patrimônio do segurado. E, muitas vezes, o único patrimônio que ele tem é o seu carro”, destaca Fernandes. O executivo da Yasuda chama atenção ainda para o fato de que, com o estímulo à comercialização regulamentada e fiscalizada desses componentes por empresas devidamente credenciadas, o comércio de peças ilegais perde força e isso vai refletir diretamente nos índices de roubo de veículos, que devem cair. “Em última instância, podemos dizer que a tendência é de que o seguro Auto como um todo deve ficar mais barato”, aposta. Para Jabis Alexandre, do BB e Mapfre, a oportunidade de expansão que existe faz parte de “uma demanda do consumidor por apólices mais competitivas.”

As instabilidades econômicas de hoje, entretanto, podem levar a um processo de migração. Aqueles que têm preocupação com proteção, que possuem enraizadas as diretrizes da cultura do seguro, não abrirão mão de ter o produto e com essa oportunidade irão para ofertas mais atrativas. Já os que não são familiarizados com essa cultura, não verão nesse momento uma oportunidade. “O Seguro Auto Popular deverá se apresentar agora como um substituto, ele não fará o bolo crescer, não deverá trazer, de imediato, uma nova leva da população ao seguro. Não porque o produto não tenha essa capacidade, ele tem. Mas isso só será possível quando a macroeconomia permitir”, aponta o executivo da Rodobens.

A Ituran, empresa que se especializou no rastreamento de veículos e na busca de soluções para serem compartilhadas com as seguradoras, trouxe para dentro de seu escopo coberturas de seguros e os executivos veem esse processo de transição acontecer diante de seus olhos. “Já sentimos essa migração. Há sete anos, muitos simplesmente deixavam de fazer qualquer tipo de contratação. Hoje, eles não fecham o seguro, mas buscam alternativas como o rastreamento, por exemplo”, comenta Roberto Posternack, diretor comercial da empresa.

Entre lançamento de produtos, investimento em soluções, novas abordagens e alternativas, o movimento dentro de seguradoras e corretoras é nítido porque a própria cultura brasileira, mesclada com a volatilidade atual, garante esse direcionamento. A economia compartilhada, por exemplo, como lembrou o executivo do BB e Mapfre, é uma novidade já colocada em prática que reflete a modernização de consciência do consumidor, com a locação de carros. Assim, mais pessoas utilizam o mesmo veículo que terá seguro e servirá os clientes de forma rápida e pontual.

Fernandes afirma que “o corretor vai desempenhar um papel crucial nesse processo. Afinal, será ele o agente que vai prestar a consultoria necessária ao processo de informação, e até mesmo educação, desse novo cliente sobre o que é o seguro, sua importância e como deve ser essencial manter seu bem segurado”, lembra. Vale também considerar que o corretor, com isso, passa a contar com novas opções de produtos com os quais poderá alcançar um novo perfil de cliente em potencial.

O clima e os sinistros

O Projeto de Lei 492/2013, que atualmente espera aprovação no Senado, tem como finalidade tornar obrigatória a cobertura de danos causados por desastres naturais. As fortes tempestades e enchentes recorrentes tanto tornaram importante pensar na proteção para esses acontecimentos quanto acenderam um alerta vermelho para os índices de sinistralidade. Como possibilidade, a cobertura sempre foi viável, mas como obrigatoriedade ganharia outros contornos e poderia impactar a precificação. Roberto Posternack, que por não trabalhar em seguradora, mas em prestadora de serviço, consegue se distanciar um pouco da situação, opina que “tudo que o mercado conseguir garantir para aprimorar a proteção dos segurados é válido e importante”. Para ele, isso ajuda no processo de democratização, sendo mais relevante cumprir com os anseios dos clientes do que manter a demanda reprimida.

Já para os seguradores, apesar dessas coberturas serem tendência de mercado, a obrigatoriedade não se faz necessária. “O mercado de seguros, historicamente, cria opções de cobertura para atender as necessidades de seus segurados, que tem a livre escolha de contratá-las ou não”, afirma Fernandes, da Yasuda, que acredita que a obrigação viria também ao segurado, que perderia seu direito de livre escolha. Isso iria na contramão do que está sendo feito hoje, tanto no que diz respeito à venda consultiva de corretores, que devem avaliar as reais necessidades de seus clientes e instruí-los para que a experiência com seguro seja satisfatória quanto sobre as possibilidades de flexibilização das apólices para torná-las mais baratas.

Dilemas e opções

Serviços adicionais agregados, assistência 24 horas e outros serviços para residência, por exemplo, não são mais vistos como diferenciais. Para entrar na corrida, todas as seguradoras embarcaram nessas ofertas e agora precisam buscar novidades. Olham para o que é feito nas empresas lá fora ou para o comportamento que possa trazer ideias. É hora de movimento. A tecnologia deverá ser o foco de atenção de onde brotarão as inovações, como já é percebido, para além da ficção científica. Os carros autônomos deverão fazer parte das estratégias comerciais em breve, pois já deixaram de ser uma distante realidade para se tornar uma possibilidade que só saberá aproveitar quem estiver atento e preparado de antemão.

Indo ainda mais fundo no ideal de flexibilização, o corretor da Rodobens faz sua previsão: “imagino que quando o seguro pay how you drive chegar ao mercado brasileiro será uma revolução, uma mudança radical. Acredito que virá pela demanda do cliente, que poderá ser atendida por uma seguradora nova que trará expertise de fora para implantar o sistema aqui de forma abrangente. Mas, para isso, deverão ser discutidas também questões ligadas à legislação e à regulamentação de mercado”, explica.

Os consumidores não apenas gostam, como exigem que o produto espelhe quem ele é e seu modo de vida. Do Seguro Auto Popular ao Seguro de Luxo, o que eles procuram é serem contemplados por alguma fatia desse mercado capaz de acompanhar seus hábitos, seus anseios e que com essas informações sejam capazes de compensá-los com mais serviços personalizados. “Os seguros modulares, cada vez mais sob medida para as diferentes necessidades do consumidor, e o alto padrão de qualidade em diversos canais de atendimento, deverão guiar as inovações do setor”, aposta Jabis Alexandre, da Mapfre.

Mas uma coisa é certa: a mentalidade das pessoas em relação ao carro, principalmente quando elas enfrentam problemas de mobilidade nas grandes cidades, está mudando mais rápido do que se imagina. Muitas procuram meios de locomoção alternativos e desdenhado do status de importância, social e de locomoção, do automóvel. Os sinais já são claros, conforme lembra Fernandes: “O produto, que foi o pilar de um modelo industrial – o Fordismo, agora está se renovando para se adequar aos novos tempos. E toda a rede de produtos e serviços ao seu redor segue esse caminho”, afirma.

Para manter a carteira viva, novamente, se aposta no corretor para fazer a união entre conhecimento de produto e conhecimento de público. “O corretor seguirá atuando como o especialista no produto, além do relacionamento direto com o cliente. O retorno da visão 360º do mercado e das demandas dos segurados é o elemento que abastece as seguradoras e impulsiona o desenvolvimento de melhorias e novos produtos”, ressalta Jabis Alexandre.

Se há algo que não tenha pretensão de mudanças é o papel do corretor dentro de toda essa cadeia. Por agora, os seguradores não fazem menção de utilizar as novas tecnologias para essa distribuição, automatizar, tornar suas vendas online. Eles demonstram interesse em utilizar plataformas, mas passando pela mediação dos profissionais da corretagem, credenciados na Susep. Essa reafirmação de parceria deve motivar ainda mais os corretores a entregarem aquilo que o apelo tecnológico não é capaz de prover. Como destaca Fernandes, “os corretores são parceiros cruciais, pois são os olhos e ouvidos do mercado, são eles que estão na linha de frente prestando consultoria e ouvindo a demanda dos clientes”.

Os profissionais da corretagem se não estão atentos a isso, precisam ficar, conforme o exemplo dado por Carlos Ronaldo, da Rodobens: “É trabalho do corretor cutucar as seguradoras, identificando as necessidades e traduzindo isso da melhor forma possível. Acredito que as seguradoras estão bastante abertas a essas investidas”, completa.

 

especial | motos

Precisando de seguro

O alto índice de sinistros encarece o valor de prêmio da carteira e acaba tornando inviável a contratação de produtos para alguns modelos de motocicletas

Amanda Cruz

Cortando as ruas dos grandes centros urbanos ou garantindo a mobilidade em pequenas cidades afastadas das capitais, a moto no Brasil representa 27% da frota nacional e é alternativa de renda para muitas pessoas, do moto táxi ao motoboy, passando pelos entregadores de pizza. É utilizada majoritariamente por pessoas mais novas e/ou com menor poder aquisitivo.

Há também quem use a moto só para lazer, como hobby. Nesses casos, o veículo costuma ser mais potente, feito para viagens na estrada, com um valor mais alto e adquirida por pessoas, geralmente, um pouco mais velhas.

Cláudia Rizzo, gerente executiva de Operações Varejo da MDS, explica que, de forma geral sempre existe dificuldade um pouco maior para se fazer um seguro e conseguir boas coberturas nos modelos individuais. “Isso acontece, justamente, por causa dessas diferenças de perfil, tanto da moto quanto do condutor”, explica. A executiva completa ainda que “sobre o seguro de moto, as pessoas que contratam, como são mais velhas, tendem a guardar a moto em casa, só usar em determinadas situações e a ter mais preocupação, tanto com segurança quanto com manutenção. De maneira geral, motos mais simples, com menos cilindradas, são de condutores mais jovens e despreparados”, afirma.

Luis Rocha, sócio da Central Brag Corretora, percebe justamente essa movimentação. “Quem nos procura, via de regra, são os motociclistas e não motoqueiros que usam a moto para trabalhar. Para esses últimos, o seguro não compensa”, conta.

A falta de produtos específicos é ressaltada por José Ferreira, corretor da STA Seguros, assim como o declínio constante para esses riscos. “Motos de baixas cilindradas poderiam ter produtos voltados para elas com diferenciais de coberturas e assistência 24 horas”, aponta. Para o corretor, essa análise de perfil deveria ser mais aprofundada, e levar em consideração que mesmo aqueles que representam risco maior devem ter opções. Para isso, ele faz um comparativo com os produtos de seguro Auto voltado para jovens, que treinam, orientam e premiam quem tem bom desempenho ao volante.

A proteção existe, mas acaba ficando muito mais cara, chegando a custar a metade do valor da moto. Uma moto de 300 cilindradas tem como perfil de usuário jovens que a utilizam para trabalhar, o veículo é mais leve e mais ágil e custa, em média, R$ 16 mil, o prêmio do seguro para essas condições custará entre R$ 7 mil e R$ 8 mil. Porém, com as mesmas cilindradas, uma scooter, que não tem tanta agilidade, com um perfil diferente de usuário, terá um seguro entre R$ 2,8 mil e R$ 3 mil. “No carro também é um pouco assim. Mas no seguro de motos isso se intensifica, pois a análise de perfil pode fazer com que o valor do prêmio aumente em 50%”, conta.

Algumas companhias se movimentam para tentar ser mais inclusiva com as questões, mas a sinistralidade dessa possível carteira acaba tornando essas investidas muito difíceis de serem colocadas em prática.

Pensando soluções

Se o intuito do seguro é ajudar as pessoas a proteger seus bens, aí está uma fatia do mercado que é um desafio, principalmente porque quem está sem proteção são pessoas de renda mais baixa. Utilizar ideias da carteira de automóvel, por exemplo, como o Seguro Auto Popular, pode ser uma alternativa, mas ainda precisa de muito estudo. “Também existe a possibilidade de, ao comprar a moto financiada, para não correr o risco de ficar sem o bem, o cliente contratar o seguro”, explica Luis Rocha. De maneira geral, há requisitos que devem ser cumpridos para viabilizar a contratação, como a instalação de rastreadores e mecanismos de segurança, visando equalizar o custo da proteção. Essas medidas disponíveis geralmente são de curto prazo, porque a questão de uso também implica em uma maior deterioração da moto. Para que valha à pena ter esses mecanismos, é preciso comprar a moto com intuito de que seja uma compra de vida longa.

Os sinistros de roubo, por exemplo, estão muito ligados ao tipo de moto e à finalidade. Motos mais leves, baratas e também as mais velozes são as preferidas para ladrões. As Harleys, por exemplo, são valiosas, principalmente por suas peças, mas acabam sendo menos visadas para roubo por chamarem muita atenção e seus sinistros são, na maioria das vezes, causados por quedas e avarias na funilaria. “Mas acontece um pouco de tudo. Se é modelo de linha, eles roubam para usar, se saiu de linha o roubo acontece por conta das peças. É bastante semelhante à motivação de furto de automóvel”, comenta Claudia.

É comum acreditar que as motos são também mais suscetíveis à ocorrência de fraudes, mas o índice nessa questão é bastante semelhante ao que ocorre com os carros. Os acidentes, sim, são mais preocupantes. Segundo dados da Seguradora Líder, que opera o Seguro DPVAT, as motos são responsáveis pela maior parte das indenizações: 76%, de janeiro a setembro de 2015, sendo a região Nordeste a que apresenta a maior frota de motocicletas: 45% do total da região, e o maior índice de indenizações por morte: 61% do que acontece nos nove estados.

Do ponto de vista técnico, o aumento contínuo da frota de motos, já que a participação nos emplacamentos, segundo dados da Fenabrave, foi de 14,47%, em junho de 2014, para 15,76%, em junho de 2015, pode ser promissor para o desenvolvimento dos estudos do mercado sobre o assunto.

Essa afirmação aparece também na procura dos seguros para as motos que têm mais facilidade de proteção. “A procura tem aumentado muito”, afirma Claudia, “o volume de venda de motos aumentou demais, enquanto o mercado de automóveis diminui. Vemos também o crescimento no interesse de novos perfis de pessoas, especialmente em São Paulo, mais cuidadosas, conscientes; muitas mulheres têm procurado por motos também. Isso certamente facilitará a venda porque perfis melhores acabam equilibrando a carteira”, aposta a executiva da MDS.

A legislação e processos de fiscalização podem impactar a carteira, quanto mais rígidos forem, maior será a preocupação e a possibilidade de ter seguro. Em diversos países, todos os veículos motorizados precisam de seguro obrigatório de responsabilidade civil. Apesar de não ser assim no Brasil, essa seria uma solução para fazer a carteira crescer.

O corretor Ferreira é mais otimista, tomando como base a quantidade de consultas que tem diariamente para o seguro de moto. Mesmo assim, acredita que apenas com um questionário mais específico de avaliação de risco e ampliação de aceitação, que venha a diminuir o preço, será possível tornar esse crescimento viável. “Só dessa maneira poderemos apresentar o melhor custo-benefício em relação aos produtos disponíveis”, finaliza.

 

especial | serviços

Regulação e vistoria de automóveis

Qualidade e rapidez na solução do sinistro regem este mercado, que concentra esforços para suprir a necessidade dos segurados

Lívia Sousa

Os clientes passaram a determinar não só o que comprar, mas como comprar e, principalmente, onde comprar. E assim como ocorre em outras áreas, eles deixam as exigências bem claras quando o assunto é regulação e vistoria de seguro para automóveis, segmento em que qualidade e rapidez na solução do sinistro aparecem como as maiores demandas.

A evolução dos serviços nesta área pode ser traçada como uma linha crescente em relação ao atendimento aos clientes. “Houve um aumento no nível de exigência e excelência por parte deles e as empresas passaram a intensificar o trabalho para o cumprimento dos prazos e um atendimento rápido e desburocratizado”, explica Mauro Schenekenberg, sócio-diretor da MS Vistoria, garantindo que as companhias que não se adequarem a essas demandas ficarão fora do mercado. “Para permanecer, não basta observar os lucros. Deve-se atentar para a necessidade da qualidade e fazer algo a mais para conquistar os clientes”, acrescenta.

Felizmente, a maioria dessas empresas – assim como as seguradoras – entendeu o recado e, cada vez mais, concentra seus esforços para suprir a necessidade dos segurados. “Quem viu como uma vistoria prévia ou a regulação de um sinistro era realizada há dez anos, com uso de formulário, prancheta e máquina fotográfica, sabe do salto realizado neste sentido”, declara Mario Cassio Mauricio, CEO do Grupo Dekra no Brasil.

Atualmente, mais de 90% dos serviços prestados pela companhia são realizados por meio de um aplicativo para smartphones, medida que o executivo afirma reduzir o prazo de realização e entrega dos serviços. Outras apostas são nos postos fixos espalhados pelo País, nos quais o cliente pode fazer a vistoria no seu tempo e tem a possibilidade de agendar previamente o serviço; e em uma plataforma de autoatendimento que já opera em modo piloto com grandes seguradoras do mercado e torna possível realizar todo o processo da vistoria e constatação de danos por meio de um totem interativo. “Temos grandes expectativas com este projeto”, diz Mauricio.

Graças à introdução da tecnologia ao processo, as companhias seguradoras passaram a fazer uma gestão completa do processo (desde a solicitação até a entrega) e agilizaram tanto o atendimento ao cliente e o processo de emissão da apólice quanto o pagamento da comissão ao corretor de seguros. Fernando Menezes, sócio fundador da Sultec Vistorias, explica que com a implantação da tecnologia ao processo, o agendamento passou a ser feito no sistema da seguradora e enviado à empresa de vistoria via web service. Em questão de minutos, o mesmo encontra-se disponível para prévio agendamento junto ao segurado. “Cabe a cada prestadora agilizar o processo de realização de acordo com a disponibilidade de cada segurado. Automaticamente definido o CEP de atendimento, já estará disponível no smartphone do vistoriador para a realização da vistoria. Todo este processo pode ser feito em menos uma hora”, declara ele.

A vistoria prévia, aliás, é extremamente necessária ao processo de seguro, considerando fatores como a identificação de veículos clonados e o combate à fraude. Assim, o cliente passa a contar com profissionais para analisar o seu carro e auxiliar os departamentos técnicos com uma precificação correta de acordo com o enquadramento através da tabela Fipe e aceitação de riscos, pré determinados dentro das particularidades de cada seguradora. Porém, Menezes lembra que uma parcela considerável de clientes ainda não faz ideia de que o serviço é terceirizado. “No momento da vistoria, quem está analisando o carro é a companhia seguradora. Por isso devemos sempre primar pela qualidade do serviço prestado desde a apresentação, atendimento e qualificação técnica necessária”, salienta Menezes.

Regulação

Mais dinâmica, a regulação de sinistros de automóveis apresenta um pequeno período entre a recepção da reclamação, procedimentos, vistoria e apuração dos danos. Mas nem sempre foi assim: o processo levava semanas para ser concluído. “Nos últimos 15 anos, os processos de regulação se tornaram totalmente eletrônicos, desde a orçamentação de reparos até a identificação dos veículos. O uso de toda essa tecnologia eletrônica fez com que os processos de atendimento ao cliente se tornassem mais rápidos e eficientes”, explica Ricardo Gimenez, vice-diretor da Auto Reg Brasil. Antigamente, somente a elaboração do orçamento de reparos dos veículos demorava mais de três dias, serviço que hoje é feito em minutos.

Com o uso da tecnologia, foram criadas soluções diversificadas para um atendimento rápido e eficiente e, segundo Gimenez, os prestadores de serviços estão atentos para investirem em tecnologia, logísticas regionais físicas e recursos humanos qualificados para atenderem a necessidade das seguradoras.

A opinião é compartilhada pelo sócio da Fox Reguladora, Alexandre Massao. “Começamos com um processo totalmente manual, passamos ao e-mail e hoje contamos com diversos aplicativos ofertados pelas seguradoras que garantem maior agilidade e eficácia no atendimento ao cliente”, diz o executivo. “Esses canais de atendimento para a comunicação de sinistro e envio de documentos, utilizando plataformas de aplicativos e seus próprios websites, foram a maior evolução das duas últimas décadas”.

Martin Faller, CEO da inTrust, lembra que há sempre a possibilidade de melhora por meio de negociações, parcerias e aumento de rede de atendimento, consequentemente, redução de custos, conforme a carteira vai se tornando mais sólida. “Nosso principal objetivo é a redução de custos através de parcerias com fornecedores e oficinas. Futuramente, o plano é fazer vistorias por meio de vídeos, com o intuito de reduzir ainda mais o tempo da regulação e elevar a qualidade de atendimento para que o reclamante tenha uma boa experiência através dos serviços recebidos, após um momento não desejado”, pontua Faller. Outro desafio importante será reduzir, com acordos, os casos acionados na justiça, pois ao tomar uma decisão rápida sobre a responsabilidade do ocorrido os custos caem automaticamente.

Recentemente, a empresa desenvolveu e implantou um sistema de gerenciamento online de ocorrências que possibilita executar diversos estudos e fazer diferentes levantamentos e comparativos para atuar com mais ênfase nas regiões onde há maior demanda.

Vale destacar que, neste mercado, a competitividade também engloba as estruturas e suporte de atendimento ao segurado, como a expansão das vendas dos seguros para regiões interioranas. Por isso, as empresas precisaram investir mais em estruturas localizadas nessas regiões. As seguradoras criaram centros de atendimento nas capitais e cidades relevantes em vários estados. As reguladoras por sua vez, passaram a sediar seus técnicos em diversas cidades, para que o atendimento seja rápido. “Os prestadores de serviços estão muito atentos para investirem em tecnologia, logísticas regionais físicas e recursos humanos qualificados para atenderem a necessidade das seguradoras”, completa Gimenez.

O que esperar

Alexandre Massao, da Fox Reguladora, acredita em uma evolução ainda maior na oferta de serviços agregados às apólices, como serviços na residência do segurado e uma melhora no atendimento a terceiros – o que algumas seguradoras já praticam a fim de cativar o usuário como futuro cliente. “Com a concorrência acirrada, o desafio das seguradoras será o constante aprimoramento dos canais de atendimento ao cliente e a busca de maior sinergia com as equipes terceirizadas, pois a agilidade e qualidade nestes quesitos serão fatores determinantes para que as companhias possam angariar e cativar novos clientes”, afirma.

Já Mario Cassio Mauricio, da Dekra, declara que mesmo em um cenário político e econômico complexo, no qual as empresas buscam a revisão de estruturas de custo, modelos de operação e ganho de eficiência, é grande a expectativa em torno do seguro popular, que recentemente teve suas normas aprovadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Na visão do executivo, a real possibilidade de aumento da frota segurada trará um novo enfoque para todo o segmento de regulação e vistoria.

Para os próximos anos, Mauro Schenekenberg, da MS Vistoria, espera uma evolução ainda maior na tecnologia com o surgimento de novas ferramentas que possam auxiliar na melhoria da agilidade e qualidade dos serviços, além de um aquecimento do mercado de seguros.

Isenção de vistoria

A isenção de vistoria, praticada pelo mercado desde os anos 2000, assume equivocadamente o aceite sem vistoria de veículo já segurado em outra congênere, está se exaurindo e vai trazer sérios problemas operacionais para as seguradoras. É o que aponta Paulo Pinna Teixeira, proprietário da Boné Vistoria.

Segundo ele, o custo operacional da vistoria mostra que mesmo as gigantes do setor não estão conseguindo ficar sem a terceirização. “Muito pouco ou quase nada foi feito para agilizar o atendimento aos clientes, devido principalmente ao desafio de conciliar atendimento eficiente com baixa remuneração pelo serviço”, argumenta. Para o executivo, a redução do lucro mostra de forma panorâmica o que ocorre no segmento. “As pessoas estão fugindo do custo no lugar de ficar de frente com ele e estudar uma estratégica racional de resolver o problema, mesmo que seja romper com os paradigmas”.

Teixeira defende que a remuneração seja repensada e que o atendimento ao cliente seja aprimorado.

 

artigo | por Joaquim Mendanha de Ataídes*

Sindicatos: pilares institucionais dos corretores de seguros

Emprego, renda e estabilidade econômica. São esses os pilares que se erguem, no Brasil, da sólida atividade de corretagem de seguros. Gigantesco em todas as suas dimensões, esse ramo concentra diretamente no País 153,6 mil profissionais, entre pessoas físicas e pessoas jurídicas. Mais do que produtividade e eficiência, esses números traduzem lutas encampadas por décadas pelos sindicatos da categoria, como o Sincor Goiás, que completa 30 anos de atuação em maio deste ano.

No nosso Estado, o número de empresas corretoras de seguros chega a quase 1,9 mil, alavancando milhares de postos de trabalho, além da arrecadação tributária, em todas as suas esferas. Ao olhar para trás e avaliar onde chegamos, podemos afirmar ser uma honra para todos os líderes sindicais da história da corretagem goiana representar punjante categoria.

Fundado em 1986, o sindicato chega à terceira década com a missão de prover condições e ferramentas para expansão dessa força produtiva, que alcança, em Goiás, junto com os corretores pessoas físicas, cerca de 3 mil empreendedores. Ao lado dos Sincor’s das 27 unidades da federação, o nosso sindicato se engaja diariamente no desafio de engrenar esse imenso motor chamado mercado de seguros.

Com essa determinação, o Sincor-GO superou, já nos primeiros anos de atuação, uma barreira legislativa no Congresso Nacional ao conquistar, em 1988, o direito de se organizar como sindicato patronal. Na década de 1990, uma nova vitória foi conquistada em âmbito nacional, com a Fenacor, quando realizamos, em Goiânia, o Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros. O fato nos rememora com alegria a conquista da eleição, no ano passado, para sediar a vigésima edição desse grande evento, marcado para 2017.

Outro importante marco institucional para sindicatos
e cada profissional da área foi o ingresso dos
corretores, em 2014, no regime tributário do Simples
Nacional, que é fruto da articulação das entidades
junto ao Congresso Nacional, com apoio do deputado
federal por Goiás, à época, Armando Vergílio, hoje
presidente da Fenacor.

Além de evidenciarem o potencial econômico dessa atividade, as marcas superadas pelos corretores de seguros sintetizam o esforço institucional em buscar as melhores soluções para o desenvolvimento do setor, inclusive alavancando a economia brasileira. Basta analisar os números. Segundo estudos realizados pela CNseg, o negócio próspero dos corretores de seguros ajudou o segmento a atingir, entre janeiro e setembro de 2015, o volume de R$ 11,1 bilhões em arrecadação tributária, com média diária de R$ 41 milhões em recolhimento de impostos.

Neste cenário, o Sincor-GO, cuja trajetória foi marcada pelo diálogo institucional, celebra com a comunidade do mercado de seguros esses 30 anos. A entidade reunirá, além de profissionais da categoria, seguradores e prestadores de serviço em atividades alusivas à data. A principal delas ocorrerá no próximo 5 de maio com o lançamento do selo especial que marcará a comemoração.

Preparamos ainda mais para os dias que seguem. Lançamentos da 17ª edição da maior premiação do setor em Goiás, o 17º Prêmio Bandeirante, e do 2º Prêmio Sincor Goiás de Jornalismo; capacitações e o 3º Circuito Vida Segura, evento de corrida e caminhada aberto à população, fazem parte da programação.

Muito mais que uma comemoração classista, os 30 anos do Sincor Goiás representam o amadurecimento de um grande setor da economia goiana.

* Joaquim Mendanha de Ataídes é corretor de seguros e presidente do Sindicato dos Corretores e das Empresas Corretoras de Seguros, Capitalização e Previdência Privada no Estado de Goiás (Sincor-GO)

 

Região Sul | catástrofes

Na rota dos desastres naturais

Chuvas, vendavais e tornados que atingem a região tangibilizam a importância do seguro e seu lado social. A fim de minimizar as perdas dos segurados, companhias realizam operações especiais

Lívia Sousa

O Brasil, que num passado não tão distante era considerado um país livre dos desastres naturais, se vê cada vez mais ameaçado pelas fortes chuvas, vendavais e por fenômenos atípicos como os tornados, famosos até então em cidades norte-americanas. Neste cenário, a região Sul do País é a mais castigada. Para se ter ideia, Santa Catarina representa apenas 1,2% do território nacional e, ainda assim, foi o Estado que mais teve situação de calamidade pública decretada pelo governo federal entre 1991 e 2012.

Frequentes e intensos, esses desastres tangibilizam o lado social do seguro. “É nesta hora que o produto demonstra o quão essencial é, pois nem sempre no momento de uma catástrofe a pessoa tem estrutura financeira para repor seus prejuízos”, destaca Alexandre Vieira, diretor de sinistros da Tokio Marine.

Mesmo com constantes fenômenos naturais atingindo o País, uma grande parcela da sociedade ainda não entende a importância do papel do seguro para proteger seu patrimônio. Mas o executivo garante que parte dela ficou mais consciente depois das divulgações destes fenômenos pela mídia, como o temporal em Santa Catarina, em novembro de 2008, que ganhou repercussão nacional e é considerado pelo governo como a pior tragédia natural do Estado. Foram 135 vítimas fatais, 14 cidades em situação de calamidade pública e outras 63 de emergência. Ao todo, mais de 1,5 milhão de catarinenses foram prejudicados.

Diretor de sinistros de automóvel da Liberty Seguros, Marcio Probst afirma que o episódio em questão alertou o mercado brasileiro de seguros para a necessidade de uma maior preocupação com desastres naturais e como tratar os sinistros causados por estes eventos. “Antes de 2008, os eventos naturais mais comuns eram vendavais e chuvas de granizo. Após este período, os alagamentos e deslizamentos de terra passaram a ser mais comuns”, diz.

Pelas proporções da tragédia, o temporal em Santa Catarina é considerado até hoje como uma das ocorrências mais marcantes atendidas pela companhia, que na ocasião regulou aproximadamente 300 sinistros de automóvel (200 deles com ressarcimento integral) e pagou indenizações da ordem de R$ 6 milhões.

Operações especiais

A fim de minimizar as perdas, o mercado segurador não só investe em novos produtos como também realiza operações especiais nos locais atingidos. A própria Liberty, no caso do temporal em Santa Catarina, acionou um plano de contingência e agiu de maneira diferenciada em alguns casos. “Muitos segurados perderam tudo o que tinham, inclusive pertences pessoais e documentos. Como forma de atenuar a burocracia e diminuir o prazo de indenizações, efetuamos os ressarcimentos com documentação reduzida, fato que se repetiu em 2011 na região serrana do Rio de Janeiro”, recorda Probst.

A operação envolveu equipe especializada de atendimento no call center, atendimento emergencial e “fura fila” na assistência 24 horas, com equipe e acionamento de guincho de outras regiões para suprir a demanda. Os corretores de seguros locais prestavam atendimento diferenciado às vítimas e os veículos atingidos pelo alagamento, que eram direcionados às oficinas cadastradas para recebimento, tiveram seus reparos acompanhados pelos profissionais. Foram enviados ainda peritos de outras regiões do Estado para suportar o aumento de demanda e definir o tipo de perda em prazo reduzido.

Para Roberto Hernández, Chief Claims Officer da Zurich, estar próximo de segurados e corretores é essencial quando ocorre um evento natural. “Somos conscientes das múltiplas incidências e inseguranças que essas situações provocam tanto em significativos desastres da natureza quanto em eventos de menor envergadura, mas com impactos importantes nas famílias e pequenos comerciantes”, frisa. Em ocasiões semelhantes, a companhia estabelece um protocolo de atuação na resolução dos sinistros, desde a fase de alerta precoce até a intervenção e mobilização de equipes presenciais nas regiões afetadas, e aposta em um sistema interno de alertas para saber com antecedência as possíveis situações meteorológicas importantes com uma análise de exposição ao risco na região e possíveis impactos.

A exemplo da Liberty e da Zurich, a Tokio Marine desloca prestadores que instalam bases de apoio em regiões próximas às afetadas, possibilitando o envio de vistoriadores aos locais atingidos e a centralização de dados para compilação e envio à companhia para providências. Para casos menos graves, os profissionais acionados são orientados a fixar os prejuízos, com base no material e mão-de-obra local. Para prédio e conteúdo que por ventura estejam avariados, sem a necessidade de apresentação de orçamentos. Em sinistros de maior valor, a seguradora solicita apenas um orçamento dos bens danificados para simplificar e desburocratizar a regulação do processo de sinistro.

A HDI Seguros também trabalha com planos de contingência, centrais e assistências 24 horas e disponibiliza ainda uma espécie de escritório móvel para atendimentos, análise e pagamentos de sinistros em diversas carteiras. Para segurados em automóvel, a companhia deixa uma equipe de reboque de prontidão. Já para os clientes que tiverem suas residências afetadas, oferece lonas e serviços de encanadores e eletricistas. Todas essas operações foram realizadas pela seguradora em Campo Largo (PR), que em agosto do ano passado foi surpreendida por um temporal acompanhado de fortes ventos.

“Em Campo Largo, os números se destacaram: atendemos 1800 ocorrências e pagamos R$ 9 milhões em indenizações”, declara o diretor de sinistros da companhia, Frank Nelson Ohi, acrescentando que pela quantidade expressiva de sinistros, na região Sul há uma maior tendência em se contratar algum tipo de proteção.

Indústria a céu aberto

A propriedade rural, consequentemente, fica mais exposta às catástrofes naturais. Neste caso, os mitigadores de risco são essenciais para garantir a recuperação do investimento, do patrimônio ou a manutenção do faturamento esperado em situações de fenômenos climáticos ou mesmo climas desfavoráveis para a produção.

“A necessidade de mitigação dos riscos torna-se fundamental para a sustentabilidade do negócio. O produtor rural opera com margens de rentabilidade baixas e alto risco, cujas características principais são a imprevisibilidade e alto potencial de impacto”, declara o diretor geral de seguros rurais do Grupo BB e Mapfre, Wady Cury.

Essa cultura está cada vez mais disseminada no Sul, região responsável por quase a metade de toda a produção brasileira de grãos e local que, independentemente dos eventos mais notórios, sofre com o clima em diversas safras agrícolas. Produções de grãos, plantações de milho e trigo e áreas produtoras de uvas de vinho e frutas de caroço são as mais castigadas.

Secas e chuvas excessivas geram os maiores impactos de redução de produtividade, atingem grande quantidade de segurados e necessitam de uma complexa logística de atendimento aos produtores em curto espaço de tempo, pois as lavouras precisam ser colhidas. Nas benfeitorias rurais, vendavais e tornados como os que atingiram a cidade de Xanxerê (SC), em abril de 2015, geram grandes impactos e necessidades de planos de atendimento diferenciados.

“Propriedades com benfeitorias rurais e máquinas agrícolas sofreram alguns danos, principalmente nos tornados em Xanxerê, com menos impacto do que nas áreas urbanas. Tivemos aproximadamente 11 sinistros comunicados e indenizados. Para essas situações atuamos com foco total no atendimento rápido aos clientes, simplificando ao máximo os procedimentos”, explica Cury.

Cenários de guerra

O tornado em Xanxerê somou quatro mortos, cerca de 90 feridos e mais de duas mil casas danificadas, além de 4.275 pessoas desalojadas e 539 desabrigados, segundo a Defesa Civil. “Foi de uma brutalidade e devastação sem precedentes. Parecia que Xanxerê estava localizada naquelas cidades em guerra. Havia centenas de pessoas desabrigadas e o município ficou sem água, luz e telefone. Foi realmente desesperador”, relata Vilson Picolli, da Reana Corretora. Alguns bairros, inclusive, só voltaram a ter energia elétrica quase um ano depois do episódio.

Picolli atendeu aproximadamente 117 ocorrências e fez o aviso de sinistro de todas as residências em uma única rua, com perda total de prédio e conteúdo. Além disso, atendeu uma transportadora, em que o edifício foi totalmente destruído e uma pessoa morreu nos escombros; e um hangar, que desabou e danificou três aeronaves em seu interior.

O corretor destaca que o seguro foi essencial para que os moradores e empresários atingidos reerguessem seu espaço e seguissem em frente, ainda que em construções inferiores às que possuíam. “Tivemos ajuda de toda a comunidade e diversas entidades, mas a indenização do seguro foi predominante para que eles se recuperassem no menor tempo possível”.

Quem também atuou na ocasião foi o corretor Leodir Perondi, da Perondi Corretora de Seguros. Ele declara que o tornado ficou marcado pela impotência do ser humano frente às forças da natureza e pela destruição avassaladora. “Em casos como esse, nosso maior entrave é administrar a situação caótica que os segurados vivenciam no momento, inclusive o abalo psicológico, pois a maioria contata o corretor imediatamente ao ocorrido e encontra-se ainda em estado de choque”, revela. Ao mesmo tempo, ele destaca que os profissionais ainda precisam contornar a falta de materiais de construção e mão-de-obra para execução dos reparos, que se esgotam rapidamente pela grande demanda. “Absorvemos isso tudo ao mesmo tempo, tendo que resolver o mais rápido possível em razão da quantidade de acionamentos simultâneos”.

Ainda em Santa Catarina, um temporal com queda de granizo surpreendeu o município de Chapecó, em outubro passado. Administrador de empresas e proprietário de uma mecânica de automóveis no local, Robson William de Souza contabilizou R$ 10 mil em danos. “Havia muita destruição no dia seguinte ao ocorrido, mas achei que não tinha acontecido nada na mecânica, pois pouca coisa molhou e estragou. Lá pelas nove da manhã começou a chover novamente. O telhado ficou todo furado e tive prejuízo em todo o escritório”, diz. Souza, que foi ressarcido 48 horas depois, destaca o seguro como imprescindível a qualquer empresa. “Nunca sabemos o que pode acontecer”.

Corretor que auxiliou o administrador de empresas, Guilherme de Ons, da R.O Positiva Corretora de Seguros, também trabalhou durante o vendaval que atingiu a mesma cidade dois meses depois. Neste último, ele atendeu chamados de empresas, condomínios e residências – entre eles o de uma cliente que teve 40% da moradia destelhada pelos ventos. O destelhamento danificou a estrutura da casa, molhou os móveis e levantou um prejuízo de R$ 47 mil. “Ela apenas nos procurou no outro dia do ocorrido, alegando que teve de arredar os móveis para tentar salvar o que conseguia a fim de diminuir a perda com toda a água que entrou quando as telhas foram levadas pelos ventos”, explica.

Com a contínua ocorrência e maior intensidade desses fenômenos, Ons diz que é preciso fazer com que o atendimento prestado ao cliente no primeiro contato tranquilize o segurado quanto ao amparo pela cobertura da apólice, bem como as assistências às quais ele tem direito. O corretor alerta ainda a importância de se identificar a necessidade do cliente. “Não se trata apenas da venda de uma apólice de seguro. Hoje, mais do que nunca, é feita toda uma análise juntamente com o cliente para entendermos qual sua real necessidade. Após isso, procuramos as alternativas para que lá na frente, caso venha a sofrer com um desastre ou um sinistro qualquer, ele tenha sua garantia amparada pela apólice contratada”.

O maior de todos os desastres

Doze anos se passaram desde que o ciclone extratropical Catarina se formou nas costas catarinense e gaúcha, em 28 de março de 2004. O episódio, considerado o maior desastre natural já visto no Brasil, teve cenário catastrófico digno de um filme hollywoodiano: os ventos chegaram a aproximadamente 200km/hora e, segundo relatos, provocavam ruídos comparados à turbina de um avião. 11 pessoas morreram, 518 ficaram feridas e quase 36 mil casas foram danificadas. 27,5 mil pessoas ficaram desalojadas e 14 municípios decretaram estado de calamidade pública. Com tudo isso, os prejuízos chegaram a aproximadamente R$ 1 bilhão.

 

evento | resseguro

A crise e seus reflexos

5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro reuniu o setor para mostrar quais são os desafios para o futuro, como inovação e novos produtos, além de apresentar uma fotografia do cenário atual e os riscos envolvidos em um grande evento, como os Jogos Rio 2016

Kelly Lubiato, do Rio de Janeiro

O Brasil vive momentos complexos em seu cenário político e econômico desde 2015. Mesmo assim, o setor de seguros e resseguros mostrou-se resiliente, avançando com um panorama em que o capital passa a ter custo intrínseco e com aversão ao risco. “É neste momento que o setor pode contribuir para a proteção de uma legião de brasileiros que conquistou bens e avanços sociais no passado recente”, afirmou Marcio Coriolano, presidente da CNseg.

Para uma plateia de cerca de 500 pessoas, ele afirmou que há vários setores que apresentam condições para avançar guiados pelo resseguro, como o seguro de garantia e o saúde, por exemplo. “As oportunidades para o setor aumentarão, porque a severidade está crescendo, o que pode ser minimizado com a ajuda do resseguro”.

“Produto, emprego e renda é o combustível do setor de seguros e resseguros”, enfatizou Coriolano. Mesmo com a crise política e financeira, as pessoas que tiverem oportunidade continuarão consumindo os produtos do mercado. Para ele, é hora de ter criatividade.

Com crescimento de cerca de 30% em prêmios em 2015, o setor de resseguro é considerado a locomotiva do mercado, pelo seu poder de aumentar a capacidade financeira das seguradoras. Além disso, outra função do segmento é criar produtos que atendam as necessidades dos clientes e não apenas os interesses econômicos das empresas. “Neste caso, o lucro vem como consequência da distribuição de produtos que cubram o que o cliente precisa”, ressaltou Roberto Westenberger, superintendente da Susep.

“Se pensarmos macroeconomicamente na indústria do seguro, se olharmos atentamente, veremos que a participação deste mercado na economia ainda está aquém da países sulamericanos como o Chile”, animou se Westenberger durante a coletiva para a imprensa. Para ele, há um crescimento represado desde a abertura do mercado de resseguros, principalmente em relação à criação de novos produtos nas áreas de garantia, longevidade e saúde, por exemplo. Depois da abertura, as resseguradoras perderam a comodidade de ter condições e comissões uniformes. “A palavra de ordem agora é competição”, sentenciou o executivo.

Pólo de resseguro

Durante a abertura do 5º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, o presidente da Fenaber, Federação Nacional das Resseguradoras, Paulo Pereira, afirmou que o mercado está criando condições para que resseguradores internacionais, principalmente latino-americanos, se instalem na cidade, com a criação de um Polo Regional de Resseguros. O tamanho do mercado brasileiro é de US$ 2,5 bilhões. Somente a América Latina é responsável por negócios da ordem de US$ 21 bilhões. “Se atrairmos 10% deste mercado, já dobramos o volume do setor no Brasil”, disse o executivo.

Entretanto, vale lembrar que este projeto já está em discussão há bastante tempo e ainda enfrenta vários problemas, como a queda do grau de investimento do Brasil. Pereira afirmou que é preciso construir um bom motivo para que os estrangeiros sejam motivados a investir aqui, com mudanças no ambiente regulatório, trabalhista e tributário. “Até o início de junho já teremos um projeto pronto para apresentar ao Ministério da Fazenda”, declarou.

Outro ponto destacado pelo executivo foi o projeto de aumento da cobertura do seguro de garantia de grandes obras civis de infraestrutura, que passaria de 5% para 30%. “O Governo, em caso de sinistro, não quer receber dinheiro, mas sim a obra pronta”, apontou, acrescentando que, em breve, “estaremos com o produto pronto”, finalizou Pereira.

Panorama do setor

Paulo Eduardo de Freitas Botti, presidente da Terra Brasis, mostrou que o plano elaborado por um Grupo de Trabalho do setor apresentado ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) para os próximos cinco anos sugere que a oferta preferencial continue em 40%, mantendo a regulamentação atual. A colocação obrigatória cai de 40% a 15%, gradativamente, de 2015 até 2020, ao passo que o limite intragrupo avança de 20% a 75% e a retenção mínima das seguradoras mantém-se em 50%. A aceitação de riscos de Exterior pelas resseguradoras locais será tratada de forma específica.

As seguradoras locais compraram R$ 10 bilhões de resseguros, com R$ 2,7 bilhões offshore e R $7,3 bilhões resseguradoras locais. As resseguradoras offshore adquiriram R$ 1,2 bilhões.

Em 2015, os resseguradores locais ficaram com 43% dos prêmios, depois da retrocessão. Os resseguradores internacionais ficaram com 57%, sendo que a capacidade do mercado dobrou de tamanho nos últimos oito anos.

“Em um ambiente regulatório estável e com mercado unido devemos discutir alguns pontos, como trazer vida, saúde e previdência para o resseguro, ou como precificar mais corretamente e com maior simetria. Desmistificar o resseguro é o grande desafio”, ponderou Botti.

Inovar é necessário

“A internet começou como uma rede de computadores, depois passou a ser de pessoas e, agora, é das coisas”, destacou o jornalista Ronaldo Lemos, responsável por falar do tema Inovação no evento. Certamente este ponto de vista muda a forma como vivemos, pois a Internet das Coisas irá ditar o próximo movimento disruptivo.

Além de mostrar como os objetos podem se comunicar sem a interferência humana, Lemos apontou que o que vem pela frente é a cultura do compartilhamento, o que torna possível que 50% da população mundial viva em apenas 2% do seu território.

“A necessidade de gestão de risco será grande para o mercado de seguros, graças ao processo de adensamento populacional. Será preciso mudar a administração das cidades, com foco para o gerenciamento de dados”, declarou. Lemos afirmou que o mercado de seguros está apto a criar sistemas de confiança por conta de já trabalhar com a boa-fé. “O setor já tem a capacidade de medir a confiança de quem esta do outro lado. A indústria de seguros esta posicionada para criar sistemas de negócios baseados na economia da confiança”, finalizou.

A advogada Marcia Cicarelli destacou que o mercado de seguros vende uma segurança que dificilmente é visível pelo consumidor. Entretanto, conhecer bem as necessidades e os hábitos deste consumidor é fundamental ❙❙Paulo Botti, da Terra Brasis Re para o desenho de novos produtos. Ela ressaltou também a utilização de Big Data. “A informação dá poder e competitividade e melhora a subscrição. O Big Data, quando bem organizado, não pode ser dispensado, principalmente pensando na antecipação de riscos e de comportamento do consumidor”. A advogada mostrou também que os corretores precisarão inovar para chegar ao consumidor, através de plataformas virtuais.

Riscos 2016

A apólice de seguro que garante a transmissão dos Jogos Olímpicos Rio 2016 é assinada pelo Comitê Olímpico Internacional com liderança da Swiss Re e Munich Re. Esta apólice foi assinada em 2011 e também cobria os jogos de Londres e Sochi. A soma segurada é de US$ 2 bilhões, com cobertura a primeiro risco de US$ 900 milhões.

A principal cobertura é de cancelamento ou abandono do evento por parte da organização, considerando alguns riscos principais, como informou a Head da Swiss Re no Brasil, Margo Black. “Se por alguma razão não vier nenhum turista para assistir os Jogos, eles continuam sendo filmados e transmitidos”, afirmou a executiva. De acordo com os organizadores, a audiência mundial deve ser de mais de cinco bilhões de pessoas.

O primeiro risco é o terrorismo internacional, que está em alerta hipersensível depois dos acontecimentos da Europa. Se acontece um ato terrorismo em um estádio, não há motivo suficiente para o abandono. Entretanto, um ato terrorista na cerimônia de abertura pode levar ao cancelamento dos Jogos.

Margo continuou afirmando que o segundo risco seriam as catástrofes naturais, mas que o Rio de Janerio não é passível de alagamentos e queda de barreiras no mês de agosto.

A terceira possibilidade seria uma pandemia. “Todas as doenças que o Aedes Aegipty pode transmitir como dengue, chicungunya e Zika são ameaças letais apenas para grupos específicos, como grávidas”, ressaltou Margo.

O quarto grande risco seriam os protestos e manifestações. “Já tivemos a experiência durante a Copa das Confederações e a Copa de Mundo. Esta possibilidade é pequena porque ela afeta áreas isoladas da cidade”, completou a executiva.

Roberval Ferreira de França, do Comitê Rio 2016, disse que das 206 nações que devem participar dos Jogos, 12 delas foram mapeadas com potencial sensível para ataques terroristas.

Os números olímpicos impressionam. Serão 5600 horas de transmissão ao vivo. “Qualquer erro será transmitido ao vivo para milhões de pessoas”, lembrou França.

50 mil voluntários selecionados terão seus antecedentes criminais checados para garantir que estas pessoas não tenham ligação com organizações criminosas ou terroristas.

O dossiê da candidatura da cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos foi assinado pelas autoridades públicas de governo, que se comprometeu a promover Jogos Seguros, com estrutura única de comando, baixo nível geral de riscos relacionados aos Jogos, alinhados totalmente com os Serviços de Inteligência (convênio com 120 países para troca de informações sobre torcedores, tráfico de drogas etc.).

Os riscos de desastres e de segurança durante os eventos serão controlados através da implantação de uma extensa operação de segurança, discreta e amigável. Os jogos irão agir como um grande catalisador de melhorias de longo prazo.

Para os estrangeiros, o maior risco é o terrorismo. Para a população local, é a violência urbana. “O risco de manifestações sociais violentas já foi mapeado e foram identificadas 80 entidades sociais dispostas a deflagar protestos durante os Jogos”, contou França.

Ele acrescentou que o Governo brasileiro deve colocar 80 mil agentes de várias forças para manter o controle da segurança, dentro e fora dos locais de competição.

Um olhar sobre o futuro

A modelagem dos produtos de responsabilidade civil, com sua natureza de cauda longa e sua suscetibilidade às mudanças tecnológicas, econômicas, jurídicas e sociais, representa um grande desafio para o setor de resseguros. Modelar riscos catastróficos de RC é particularmente difícil porque as informações disponíveis não dizem respeito às exposições futuras.

Um modelo produzido pela Swiss Re leva em conta o desenvolvimento futuro. Em vez de partir das estatísticas de sinistros passados, a abordagem de modelagem desenvolvida pela resseguradora trabalha com cenários que dão origem a possíveis perda no ambiente da jurisdição de origem do risco, para avaliar os fatores de risco. “A indústria do seguro usa resultados passados para determinar o que vai acontecer no futuro”, afirma Florian Kummer, diretor do Centro de Subscrição de Resseguro da Swiss Re.

Em Responsabilidade Civil, os riscos são influenciados por fatores sociais, econômicos e políticos que estão em frequente mudança. “O passado não é suficiente para determinar o que vai acontecer no futuro, principalmente considerando que este é um produto de cauda longa”, lembra Kummer. O modelo LDR (Liability Risk Drivers), desenvolvido e patenteado pela resseguradora nos Estados Unidos, representa uma mudança de paradigmas para o setor.

Kummer explica que esta não é apenas outra perspectiva de modelagem, mas uma nova forma de enxergar os riscos, porque o RC é um produto dinâmico, no qual a tecnologia influencia os riscos e os sinistros.

Com a análise de fatores como tecnologia, mobilidade social, desenvolvimento jurídico, é possível verificar as mudanças e prever com mais precisão o que pode acontecer no futuro. “Hoje existe uma demanda maior para acertos sobre as perdas futuras. Uma modelagem correta pode determinar o risco extremo de uma carteira e o que fazer para mitigar os riscos e a quantidade de capital necessário para a empresa”, antecipa Kummer.

Cobertura de terrorismo

O especialista mexicano Napoleon Montes-Amaya, da Hiscox MGA, mostrou quais riscos representam as maiores ameaças atualmente e como as apólices podem ser desenhadas para cobri-los. Apólices que possuem a cobertura de terrorismo apenas como um adicional necessitam de uma certificação do governo para que haja a indenização.

No caso de apólices com cobertura específica para terrorismo, o evento causador do dano depende apenas do cumprimento das definições da seguradora para que tenha cobertura. “Os riscos são de várias naturezas, como sabotagem e terrorismo. Mas há também a comoção civil e o dolo. Num campo maior está a guerra civil e a insurreição”, explicou Montes-Amaya.

Quando um país recebe um evento global como as Olimpíadas, shoppings, hotéis e estações de metro poderiam adquirir apólices com cobertura para terrorismo. O custo desta cobertura pode ser de até 10% do valor total.

Renato Rodrigues, CEO da XL Catlin Brasil, afirmou que o terrorismo não é uma coisa nova, mas com crescimento nos últimos 10 anos, com 32 mil vidas perdidas em 2014 em atos.

“Percebemos o fortalecimento do Estado Islâmico e os clientes se preocupam, porque sabem que o terrorismo se move. Na década de 80, a América Latina era o foco dos ataques no Chile, Peru, Nicarágua e Colômbia. Hoje está deslocado para Europa e Oriente Médio”, contou Rodrigues.

O mercado local não está preparado para comercializar estes produtos, com endossos às apólices já existentes. Para se ter cobertura, ainda é preciso que haja reconhecimento do Governo.

No Brasil, os riscos cibernéticos já representam um problema muito maior. Não precisa plantar uma bomba ou cometer um ato físico. “Um hackeamento pode levar a um atentado gigantesco. A inda temos um longo caminho a ser percorrido no Brasil”, apontou Rodrigues.

O executivo da Hiscox afirmou que há oferta de produtos no mercado internacional. “Entretanto, é difícil inovar no Brasil, porque são necessários de seis a 12 meses para registrar um produto. A maioria dos clientes está pedindo este produto com a cobertura padrão para as vítimas”, concluiu.

 

evento | longevidade

Melhor idade: estamos preparados?

Especialistas debatem as consequências sociais, econômicas e as soluções que deverão permear o envelhecimento da população brasileira

Lívia Sousa

Se em 1955 a expectativa de vida da população brasileira era de apenas 52,9 anos, em 2015 já alcançou 75,4 anos. O País soma 47 milhões de pessoas acima dos 50 anos, número que em três décadas mais que dobrará. Com o objetivo de discutir os desafios da população 50+, a Mongeral Aegon reuniu especialistas para debater as consequências sociais, econômicas e as soluções que deverão permear o envelhecimento deste público.

Realizado em São Paulo, o encontro marcou o lançamento do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, que terá como primeira frente de trabalho o Movimento Real.Idade. A iniciativa busca reunir apoiadores em todos os segmentos da sociedade em torno do tema e incentivar a requalificação e reinserção dos longevos.

“Os brasileiros com mais de 50 anos não enxergam na saúde pública uma contrapartida dos impostos pagos, têm medo de perder o emprego e já sofreram algum tipo de preconceito por serem mais velhos”, traçou Renato Meirelles, CEO do Instituto Data Popular. Por outro lado, estão mais conectados quando o assunto é tecnologia, contam com uma vida social ativa, acreditam que há sempre um lado positivo independente da situação e estão dispostos a experimentar novidades a todo o momento.

O consumo desta faixa-etária também surpreende: R$ 1,58 trilhão, valor maior do que o registrado por toda a classe média brasileira. “O poder aquisitivo deles tende a crescer, visto que as famílias passaram a ter menos filhos, mas o mercado ainda não enxergou essa oportunidade”, destacou a jornalista Mara Luquet.

Trabalho flexível

Os longevos são produtivos, criativos, aumentam a eficiência das empresas e tendem a melhorar conflitos no meio corporativo. Ao passo que pretendem continuar trabalhando, porém, se vêem excluídos do mercado pela dificuldade de recolocação e requalificação profissional.

“Há um desemprego oculto. Eles sabem que é difícil encontrar trabalho formal depois da aposentadoria”, disse o professor da FEA-USP, Hélio Zylberstajn, um dos responsáveis pela redação do projeto de lei que cria o Regime Especial de Trabalho do Aposentado (RETA). A proposta prevê relações trabalhistas mais flexíveis e incentivos para empresas que contratarem profissionais aposentados e com mais de 60 anos.

Mais da metade dos aposentados (55%) trabalha em casa, em jornada parcial, e é neste contexto que a tecnologia pode se tornar uma boa aliada. Presidente do Google Brasil, Fabio Coelho declarou que há espaço para os 50+ também na mídia digital, inclusive em plataformas de vídeo e startups. “Diferente de outras disciplinas, a tecnologia muda rapidamente e os longevos precisarão acompanhar as modificações nesta área”, acrescentou o executivo.

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Na indústria do entretenimento e do jornalismo, há produto para quem tem mais de 50 anos. No entanto, é necessário reinventar a classificação. “Os primeiros 50 anos de vida são estratificados em quatro grupos e o comportamento do consumidor é estudado com base nisso. Não podemos tratar a faixa-etária de 50 a 100 anos como um só grupo”, pontuou Sergio Valente, diretor de comunicação da TV Globo. “Para construir produtos e entender como se relacionar com este consumidor, é necessário um olhar sobre os eixos do trabalho, do amor às coisas, da condição da interatividade (digital e social) e da maneira como o público se relaciona com a capacidade de variar”, disse ele.

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As cidades não estão preparadas para absorver a população longeva. É preciso atender as necessidades específicas e soluções inteligentes para solucionar esta lacuna e a tecnologia tem papel importante neste sentido. “O bem-estar torna as cidades mais competitivas e é preciso que haja interesse no assunto”, concluiu Wesley Mendes, professor da FGV-EAESP.

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